Solar dos Ornelas

IPA.00006596
Portugal, Ilha da Madeira (Madeira), Funchal, Funchal (Sé)
 
Casa nobre urbana, barroca, de planta rectangular, 3 pisos, sendo o superior dotado de varandas de sacada, com portal maneirista encimado por brasão e alta torre de "ver o mar", ao nível da fachada.
Número IPA Antigo: PT062203100016
 
Registo visualizado 277 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Residencial senhorial  Casa nobre    

Descrição

Planta rectangular orientada sensivelmente a E. / O.. Massa composta, de certo volume dominado por alta torre, quase ao centro do edifício e ao nível da fachada, com telhados múltiplos de 4 águas em telha de canudo e beiral triplo no palácio e duplo na torre, onde não assenta nas pilastras. Fachada principal virada a N., com embasamento relevado e recoberto a cantaria, de 3 pisos e mais 3 na torre, e 3 panos demarcados por pilastras de cantaria colorida de Cabo Girão com bases relevadas e friso de marcação dos pisos igualmente relevada. No corpo central, portal entre colunas toscanas, com largo entablamento e balanço superior, sobre o qual assenta, ao centro plinto de suporte da pedra de armas da família, em cantaria clara do Porto Santo enquadrado por janelas de molduras simples em cantaria escura madeirense; andar nobre com 2 janelas com idênticas molduras mas com filete intermédio relevado e lintel de balanço; varandas de sacada assente em faixa relevada, a demarcar todo o andar, com filetes exteriores relevados e acima da demarcação das pilastras; grade de ferro com bolachas pintada a verde escuro. A fenestração dos restantes panos da fachada possuem tratamento idêntico, abrindo-se no 1º piso apenas portas com moldura simples de cantaria. A torre possui inferiormente janelas com varanda de sacada, assentes em cornija de balanço com molduras simples e grade de ferro mais recente e elaborada; nos andares superiores, pares de janelas com molduras simples, bem como nas suas fachadas laterais, à excepção do último piso, para S., onde é corrida. Para E. ainda portal de "acesso aos fundos" ao nível da fachada, com portão de ferro forjado pintado a verde escuro, moldura simples de cantaria e incluído em parede demarcada superiormente por faixa relevada de alvenaria pintada a cinza, com frontão de lanços com estrangulamento superior e remates laterais redondos, todo com faixa relevada de alvenaria igualmente pintada a cinza. Cobertura interna a estrutura de ferro pintada a verde escuro envidraçada e lanço de escadas de acesso ao andar nobre. Interior totalmente remodelado não se tendo aproveitado qualquer preexistência.

Acessos

Funchal, Funchal (Sé), Rua do Bispo, n.º 14 a 26

Protecção

Categoria: IIP - Imóvel de Interesse Público, Decreto nº 37 077, DG, 1.ª série, n.º 228 de 29 setembro 1948

Enquadramento

Urbano, integrado num quarteirão do centro histórico do Funchal, com grande volumetria e acesso pela R. do Bispo, confrontando-se directamente com o antigo Paço Episcopal (v. PT06220310013).

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Residencial: casa nobre

Utilização Actual

Comercial / Serviços

Propriedade

Privada: pessoa singular

Afectação

Época Construção

Séc. 17 / 18

Arquitecto / Construtor / Autor

Cronologia

1678, 27 Janeiro - Compra de umas casas sobradadas e uns pardieiros de 2 casinhas térreas na R. do Bispo a João Mendes de Vasconcelos e sua mulher D. Antónia de Aragão por 295 mil réis; 1684, Fevereiro - O capitão Aires de Ornelas e Vasconcelos e mulher D. Inácia de Moura Rolim constroem um forno no quintal das casas de D. Madalena de Miranda, viúva de Gaspar de Bettencourt e Sá, junto à sua casa na R. do Bispo, uma serventia para o forno, uma escada para a casa da dita senhora e uma casinha onde estava o forno; Séc. 18 - o morgado Francisco Xavier de Ornelas e Vasconcelos procede a obras, como a entrada da casa, e torre edificada sobre outra antiga, e um poço no quintal, que custou 200 mil réis e outros consertos; ali constituiu uma rica livraria que ao seu falecimento possuia 380 volumes; 1797, Fevereiro - no inventário dos seus bens, a casa foi avaliada em 9.136:450 réis e a casa pequena contígua ao palácio 326:500; 1804 - representação do palácio na planta do Funchal do brigadeiro Reinaldo Oudinot; 1832 - o morgado Aires de Ornelas e Vasconcelos ali gastou em material e mão de obra dos pedreiros e carpinteiros 11.5540; 1833 - ali gastou 5.800; 1834 - ali gastou 61.720; 1836, 14 Março - aqui nasce Agostinho de Ornelas de Vasconcelos Rolim de Moura, depois 14º morgado do Caniço; 1837, 18 Set. - nascimento no palácio de Aires de Ornelas de Vasconcelos, depois administrador do bispado do Funchal, arcebispo de Goa e primaz do Oriente; 1845 - gastou-se em obras no palácio 2.125; 1853 - ali se gastou 14.950; 1855, 4 Setembro - alvará de moço fidalgo para Agostinho de Ornelas; 1866, - nascimento no palácio de Aires de Ornelas de Vasconcelos, depois 15º morgado, ministro da Marinha e Ultramar e Chefe do Estado Maior do Exército; 1878 - o 14º morgado de Caniço, Agostinho de Ornelas de Vasconcelos Esmeraldo Rolim de Moura, despende 86.215 em consertos; 1879 - gasto de 25.125 na caiação da casa; 1895 - gasto de mais de 104.705 em consertos nos vidros da torre, retalho geral, arrumação da cantaria, lavagem da casa e limpeza do quintal; 1907 - obras na sobreloja e cavalariça a cargo de Manuel Correia, Navalhinha, orçadas num conto e duzentos e vinte mil réis; a instalação eléctrica e diversas alterações custaram mais de 69.100; 1940, 26 setembro - publicação de Decreto nº 30 762, no DG, 1.ª série, n.º 225, determinando a classificação do Solar de Ornelas como Imóvel de Interesse Público; 01 novembro - publicação do Decreto nº 30 838, DG, 1.ª série, n.º 254, suspendendo o decreto n.º 30 762, de 26 de setembro do mesmo ano, relativamente à classificação de imóveis de propriedade particular; 1955, 5 Maio - vendido por D. Maria de Ornelas Szczerbinska a Maria das Neves de Castro e Meneses, casada com José de Sousa Meneses; 1961, 11 Abril - vendido à Sociedade Sousa Ldª; 1987 - por dissoloção da Sociedade, tornam-se co-proprietário do imóvel na proporção de 1/3, José Manuel Sousa Meneses, Maria Eugénia Castro Sousa Meneses e Rui Castro Sousa Meneses; 1990 - venda do palácio ao actual proprietário.

Dados Técnicos

Paredes autoportantes.

Materiais

Cantaria mole e rígida regional aparente, alvenaria de cantaria regional e cimento rebocada, madeira, amarrações mistas de tirantes de madeira e de ferro e telha de meio canudo.

Bibliografia

NORONHA, Henrique Henriques de, Nobiliário da Ilha da Madeira...1700, São Paulo, 1947; SILVA, Padre Fernando Augusto da, Elucidário Madeirense, 3 vols., Funchal, 1945; LUCENA, Vasco de, Portas Armoriadas, in DADHM, nº 4, Funchal, 1950; CARITA, Rui, História da Madeira, 3º vol., Funchal, 1992; idem, As Dinastias dos Habsburgos e dos Braganças, Funchal, 1992; CARITA, Rui e TRUEVA, José Manuel de Sainz, Itinerário Cultural do Funchal, Funchal, 1997; GOMES, Fátima Freitas, Agostinho de Ornelas e Vasconcelos. O morgado liberal e a decisão criativa, Islenha, nº 21, Jul. - Dez. 1997, pp. 79 a 109; BARROS, Fátima, A Quinta das Almas ou Quinta Ornelas na Camacha, Islenha, nº 21, Jul. - Dez. 1997, pp. 110 a 115; FERREIRA, Maria Fátima Araújo de Barros ( org. ), Arquivo da Família Ornelas Vasconcelos: instrumentos descritivos, Arquivo Histórico da Madeira, vol. XXI, Funchal, 1998, pp. 11 a 202 .

Documentação Gráfica

Mapoteca do IGC ( planta do Funchal de Reinaldo Oudinot, 1804, com localização da capela ), Lisboa; GR / Equipamento Social; DRAC, Funchal

Documentação Fotográfica

Museu Vicentes Photographos; antiga Junta Geral; DRAC, Funchal

Documentação Administrativa

ARM: CMF, Juízo dos Resíduos e Capelas, Arquivo da Família; antiga Junta Geral; DRAC, Funchal

Intervenção Realizada

Proprietário: Séc. 20, princípios -"retalhamento" em todo o edifício; consertos das "beiras da casa e canos do telhado"; reparação da frente da casa; desaterro, entrada e lojas; conserto das portas, janelas e frestas, dos alizares, escadas, corrimões e soalhos; construção de 3 quartos de banho; e outros; 1992 - remodelação geral com demolição de todo o interior, alteração da compartimentação interior, demolição e reposição das coberturas e da torre.

Observações

O projecto do arquitecto Fernando Daniel Borges Machado de 1989 teve parecer negativo da DRAC, tendo sido reformulado, pontualmente, em 1990. No entanto, na execução, não foram respeitados minimamente os quesitos. Assim, o piso nobre foi alterado, aumentando a separação do piso de serviços e tendo ficado no corpo central uma diferença entre as marcações nas pilastras de cantaria aparente e a faixa delimitadora do piso; alteraram-se as portas do piso térreo e o número de janelas do andar de serviço; todas as janelas, que eram de guilhotina, passaram a ter portadas envidraçadas; o andar superior da torre, com varanda aberta para o mar, preenchida com uma estrutura de madeira e janelas de guilhotina, passou a alvenaria e a portadas de madeira; desapareceram os remates lanceolados do telhado da torre; os telhados deixaram de ter a tradicional alteração de inclinação para os beirais e passaram a inclinação simples. Interiormente, várias estruturas de cantaria pintada foram sacrificadas ao projecto de "comércio e serviços".

Autor e Data

Rui Carita 1999

Actualização

Paula Noé 2000
 
 
 
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