Casa dos Sá Sotomaior

IPA.00006583
Portugal, Viana do Castelo, Viana do Castelo, União das freguesias de Viana do Castelo (Santa Maria Maior e Monserrate) e Meadela
 
Casa nobre quinhentista em estilo proto-classicista, de planta rectangular irregular, fachada principal encimada por platibanda com merlões, apresentando já alguma regularidade no esquema de fenestração, com vãos rectangulares emoldurados por pilastras, capitéis e cornija, unificados ao nível do 2º piso por um friso e cornija decorado por jarros e pináculos. Destaca-se pela riqueza decorativa da fachada, culminada por platibanda com merlões, esquema de fenestração ainda assimétrico mas anunciando a regularidade e simetria renascentista, com eixo nobre lateral, definido por alinhamento de portal e janela de sacada. Vãos emoldurados por pilastras, capitéis e cornija, unificados superiormente por um friso e cornija.
Número IPA Antigo: PT011609310069
 
Registo visualizado 516 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Residencial senhorial  Casa nobre    

Descrição

Edifício de planta quadrangular, irregular, composto por dois corpos principais, de dois e três pisos, adossados e paralelos à fachada. No logradouro, implanta-se um corpo de planta quadrangular, com dois pisos, de construção recente. Coberturas diferenciadas em telhados de três águas formando tesoura. Fachada principal virada a E., com dois pisos, com embasamento de cantaria e encimado por platibanda com merlões dispostos regularmente e decorados nas várias faces. Vãos rectangulares, dispostos assimetricamente, emoldurados por pilastras, capitéis e cornija. Do lado N. situa-se o eixo nobre do edifício, alinhando-se o portal, no 1º piso, com uma janela de sacada no 2º piso. No 1º piso existe ainda uma porta, de moldura simples e cornija, lado S. e uma janela, de moldura simples, de abertura recente. No 2º piso, do lado S. uma janela de sacada enquadrada por duas janelas e um brasão com as armas dos Sá Sotomaior. Os vãos do 2º piso são ligados superiormente por um friso e cornija, que percorre grande parte da fachada, decorada por jarras / pináculo no alinhamento das pilastras dos vãos. A adaptação do edifício às funções actuais implicou a total transformação do interior, principalmente no 1º piso, dos corpos paralelos à fachada, originalmente destinado aos armazéns e que serve actualmente de área de balcão de atendimento ao público. Da construção original preserva-se a área de entrada, através da porta principal acede-se a um corredor que conduz a uma escadaria de 2 lanços opostos. No andar nobre, ao nível do 2º piso, os salões dispõem-se paralelamente à fachada principal, encontrando-se esta área actualmente dividida em gabinetes e salas de trabalho. A área que correspondia aos quartos, na parte posterior do corpo principal, encontra-se transformada numa divisão ampla de atendimento ao público. O corpo das traseiras de construção recente, destina-se a ser utilizado para arrecadação, no 1º piso e serviços administrativos no 2º piso.

Acessos

Praça da República, nº 42. WGS84: 41º41'35.04''N., 8º49'43.00''O.

Protecção

Em estudo / Incluído na Zona Especial de Protecção da Igreja da Misericórdia (v. PT011609310005) e do Chafariz da Praça da Rainha (v. PT011609310006)

Enquadramento

Urbano, flanqueado. A fachada principal abre directamente para a Praça da República, antigo Campo do Forno, flanqueada por imóveis com a mesma cércea e tendo adossado, no lado direito, outro palacete de finais do séc 19. Nas traseiras, antigo jardim, parcialmente ocupado por novas construções, limitado por um muro de alvenaria, revestido a azulejo monocromático.

Descrição Complementar

No jardim existem algumas árvores e, no centro, um pequeno chafariz, de construção recente, com tanque circular e 2 bicas colocadas num paralelepípedo encimado por pináculo. A pedra de armas da fachada principal tem escudo esquartelado, tendo no 1º e 4º quartel as armas dos Morais, no 2º as de Sá e no 3º as de Soutomaior; elmo com paquife e timbre de Morais (torre de 2 andares, de prata, com portas e frestas, lavradas de negro, coberta de ouro, com bandeira de prata no remate).

Utilização Inicial

Residencial: casa nobre

Utilização Actual

Serviços: banco

Propriedade

Privada: pessoa colectiva

Afectação

Época Construção

Séc. 16 / 19 / 20

Arquitecto / Construtor / Autor

João Lopes ou filhos (atr. - ALPUIM e VASCONCELOS, 1983: 93).

Cronologia

Séc. 16, meados - construção do edifício principal e fachada por Rui de Sá Sotomaior (ALPUIM e VASCONCELOS, 1983: 92); 1772, 23 Abril - após a morte do bisneto do fundador, sem descendência directa, os bens passaram a Pedro Lopes de Azevedo, no entanto D. Josefa de Sá Sotomaior reclamou a herança por ter sido perfilhada pelo falecido; nesta data foi-lhe concedida por decisão régia a posse dos bens litigados; 1866 - demolição da torre existente no lado S., talvez de origem medieval, para ampliação do salão nobre (CALDAS e GOMES, 1990: 45); 1872 - a casa é alugada à Assembleia Vianense por 150.000 réis mensais até 1895 (ALPUIM e VASCONCELOS, 1983: 93); 1898 sede do Sport Clube Vianense até 1902; 1904 - reinstalação da Assembleia Vianense até 1954; 1908 - obras no interior do edifício, no valor de 65.985 réis, para acolher o rei D. Manuel II; 1927 - adaptação do 1º piso a agência do Banco Pinto e Sotto Maior; 1930 - modernização das salas de jogo e leitura, palco para música no salão e arranjo do pátio de entrada; 1954 - o BPSM adquire o edifício a Primo de Sá Pinto de Abreu Sottomaior, último proprietário pertencente à família original, e ocupa a totalidade do edifício; 1975 - obras de modernização da agência bancária.

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes portantes.

Materiais

Estrutura de granito rebocada e pintada; molduras dos vãos, pilastras, cornija e merlões decorativos em cantaria de granito; madeiras; guardas em ferro forjado nas varandas e janelas; pavimentos em lajeado de granito e madeira; cobertura de telha.

Bibliografia

ALPUIM, Maria Augusta, VASCONCELOS, Maria Emília, Casas de Viana Antiga, Centro de Estudos Regionais, Viana do Castelo, 1983; FERNANDES, Francisco Carneiro, Viana Monumental e Artística, Viana Castelo; CALDAS, João Vieira e GOMES, Paulo Varela, Viana do Castelo, 1990; FERNANDES, Francisco José Carneiro, Tesouros de Viana. Roteiro Monumental e Artístico, Viana do Castelo, 1999.

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Administrativa

Intervenção Realizada

Observações

O construtor da casa, Rui de Sá Sotomaior, descendia de Martim Rocha, recebedor das rendas reais da Foz do Lima e que aqui se instalou em 1434. Era senhor da Torre de Lanhelas, casa que permanece na posse da família. O interior do edifício foi completamente remodelado não existindo qualquer vestígio da sua primitiva estrutura.

Autor e Data

Paulo Amaral e Miguel Rodrigues 1999

Actualização

 
 
 
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