Aqueduto das Águas Livres - troço entre a Buraca e as Amoreiras

IPA.00006516
Portugal, Lisboa, Lisboa, Campolide
 
Arquitectura infraestrutural, barroca. Aqueduto composto por troços subterrâneos e à superfície, encimados, ou interrompidos, por clarabóias, de planta quadrangular regular ou irregular, hexagonal ou de planta circular, com cobertura de quatro, seis águas ou em cúpula de cantaria, encimadas por pináculos. Apresentam fachadas rasgadas por janelas quadradas, molduradas e gradeadas, ou decoradas com arcos de volta perfeita, simples ou dobrados, alguns fechados com cantaria e outros com zonas vazadas e gradeadas. Os troços à superfície apresentam segmentos rasgados apenas por frestas jacentes, ou lançam-se em arcarias compostas por arcos de volta perfeita, arcos quebrados e em asa de cesto, num total de cinquenta e um arcos, repartidos por três troços; sobre as arcarias, o canal é protegido por estrutura com cobertura de duas águas, ou em domo de cantaria, possuindo passadiço num ou em ambos os lados, com guarda plena de cantaria, rasgado por janelas jacentes ou por portais, de verga abatida, moldurados, acedendo ao interior das galerias; estas são abobadadas a tijolo, com passadiço central, flanqueado por duas caleiras, encimadas por clarabóias ou lanternins.
Número IPA Antigo: PT031106100028
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Estrutura  Hidráulica de condução  Aqueduto    

Descrição

O troço do aqueduto inicia-se em Benfica, mais propriamente, na Estrada do Zambujal e termina junto à Mãe de Água, nas Amoreiras, apresentando-se maioritariamente por troços subterrâneos, que atravessam a Serra do Monsanto e as Quintas que lhe ficam no sopé, apresentando quatro troços à superfície, desenhando um percurso sinuoso. No início do troço, é possível ver duas clarabóias de planta circular, em alvenaria de granito, com cobertura em domo, rematadas por pináculo de bola dupla, com as paredes rebocadas e pintadas de amarelo, percorridas por embasamento de cantaria e rematadas em cornija de cantaria, tendo acesso por portas de verga recta, e rasgadas por várias janelas rectilíneas, todas com molduras de cantaria e protegidas por grades de ferro. No interior existe uma galeria de entrada de água, uma pia e a galeria de saída, estando os canos suterrados. Aparece, ainda uma terceira clarabóia, de planta quadrangular simples e cobertura piramidal, em alvenaria rebocada, rasgada por quatro janelas rectilíneas, com molduras salientes e protegidas por grades de ferro. O primeiro troço à superfície ocorre no sítio do Barcal, em plena vertente da Serra do Monsanto, com a estrutura em alvenaria aparente, apresentando embasamento em cantaria, com cobertura em canhão, rasgado por um arco de volta perfeita e ostentando, duas clarabóias quadrangulares, com coberturas piramidais e, cada uma delas, rasgada por quatro janelas rectilíneas, com molduras salientes e protegidas por grades de ferro; junto a uma delas, surge o acesso ao interior por porta de verga recta, protegida por folha metálica. O segundo troço inicia-se no alto da Serafina e atravessa o Vale de Alcântara, começando com duas clarabóias, em cantaria de calcário lioz, uma de planta rectangular e outra hexagonal, com coberturas de quatro e seis águas, encimadas por pináculo; apresentam cunhais com pilastras de ângulo, em esbarro na base, permitindo contrafortar a estrutura, rematadas por friso e cornija. Cada face apresenta dois registos definidos por friso, o inferior cego e o superior com vão em arco de volta perfeita, com fecho saliente, que se prolonga pelo friso e cornija dos remates, protegidas por grades metálicas. A partir daqui, desenvolve-se uma arcatura em cantaria de calcário aparente, em aparelho isoódomo, que atravessa o vale, bastante profundo, formando um ligeiro ângulo, tendo, nos extremos, vinte e um arcos de volta perfeita e, ao centro, catorze arcos apontados, sustentados por pilares, alguns assentes em altos pegões. Sobre as arcadas, surgem dois passadiços, protegidos por guarda plena de cantaria, com acesso pelos extremos, a partir de portas de verga recta, protegidas por folhas metálicas pintadas de verde, e, ao centro, o canal, com cobertura a duas águas, com as paredes rasgadas por respiradouros rectilíneos, jacentes e com molduras de cantaria, encimado por quinze lanternins. Estes são quadrangulares, em silharia fendida, com coberturas a quatro águas, tendo pináculo no vértice e assentes em frontões triangulares, com os ângulos flanqueados por pilastras toscanas, mais largas na base e assentes em dados, rematadas em friso e cornija, tendo, em cada face, arco de volta perfeita, assente em impostas salientes e com pedra de fecho também saliente. O terceiro troço visível situa-se em Campolide, em cantaria de lioz, em aparelho isódomo, composto por seis arcos de volta perfeita, com uma fiada de aduelas, formando a moldura, assentes em pilares de cantaria. Ao pilar central, a S., adossa-se o Chafariz do Arco do Carvalhão, ou da Cruz das Alma, e, a N., uma pequena casa. Sobre a arcada, corre o canal, protegido por estrutura de alvenaria de calcário aparente, rasgada por respiradouros jacentes, com molduras salientes, com cobertura em terraço, formando um passadiço, com guardas de alvenaria; encontra-se encimado por um laternim, de planta rectangular com cobertura em coruchéu tronco-piramidal, encimado por pináculo fuselado; as faces são em cantaria, flanqueadas por cunhais em silharia fendida, e rematafas por friso e cornija, tendo, nas faces E. e O., portal de verga recta e moldura simples saliente, surgindo nas restantes, cegas, uma cartela oval emoldurada. O quarto troço surge nas Amoreiras, sendo composto por dois segmentos, em cantaria de lioz aparente, em aparelho isódomo, interrompida por um arco triunfal, o Arco das Amoreiras, aberto sobre a Rua com o mesmo nome. Tem tratamento idêntico nas duas faces, construído em cantaria de calcário lioz aparente, formando um arco de volta perfeita, assente em pilares de silharia fendida, a que se adossam pilastras toscanas, assentes em plinto bastante possante, que suportam entablamento dórico, com as métopas em forma de almofadas em ponta de diamante, contendo lápide comemorativa, de perfil recortado, e por frontão triangular; sobre este, corre o canal, protegido por estrutura em cantaria almofadada, flanqueada por pilastras toscanas, que rematam em urnas, ornadas por festões, tendo, ao centro, um lanternim, semelhante aos da arcada de Alcântara, mas apresentando, nos ângulos, duas pilastras de dimensões diferentes, e, no remate, um pináculo. O texto actual das lápides não corresponde ao original mandado picar pelo Marquês de Pombal *2. O primeiro segmento é rasgado por janelas jacentes molduradas e gradeadas; o segundo faz a ligação entre este e a Mãe de Água, em cantaria de calcário lioz aparente, em aparelho isódomo, formado por nove arcos de volta perfeita, com pedra de fecho saliente, todos de dimensões semelhantes, sendo o último em asa de cesto, assentes em pilares; no arco central integra-se a Capela de Nossa Senhora de Monserrate (v. PT031106460721). Sobre estes, corre o canal, protegido por estrutura em avenaria de calcário, com alguns respiradouros jacentes emoldurados e gradeados. INTERIOR com as paredes em alvenaria rebocada, apresentam entre 50 a 80 cm de espessura formando galerias com tectos em abobadilha de tijolo, com a largura de 1,50 m. e uma altura de 2,50 m.. Nestas, surge um passadiço central em lajes de cantaria separando as duas caleiras, que correm lateralmente, executadas em silhares de cantaria, com formato de meia cana, com 30 cm. de profundidade e 25 cm. de largura, unidas segundo um sistema de macho/fêmea. Nalguns troços os passadiços são substituídos por escadas ou rampas, algumas com declive bastante acentuado acompanhado pelas caleiras e formando um lambril com cerca de 50 cm de altura. No interior do túnel existe uma caldeira.

Acessos

Estrada. do Zambujal, IC 19 (Benfica); Rua de São Domingos de Benfica (São Domingos de Benfica); Estrada das Pedreiras, Caminho das Pedreiras (Parque Florestal de Monsanto); Bairro da Calçada dos Mestres (Campolide); Rua do Arco do Carvalhão, Rua Silva Carvalho, Rua das Amoreiras, Praça das Amoreiras. WGS84 (graus decimais) lat.: 38,729852; long.: -9,170290

Protecção

Categoria: MN - Monumento Nacional, Decreto 16-06-1910, DG, 1.ª série, n.º 136 de 23 junho 1910 / Decreto n.º 5, DR, 1.ª série-B, n.º 42 de 19 fevereiro 2002 *1 / ZEP, Portaria n.º 1092/95, DR n.º 206 de 06 setembro 1995 (troço entre Campolide e a Avenida Engenheiro Duarte Pacheco) / Portaria n.º 1099/95, DR n.º 207 de 07 setembro 1995 (troço das Amoreiras)

Enquadramento

Urbano, implantado no interior do perímetro da cidade de Lisboa, vencendo uma extensão de terreno bastante acidentado, desde a Est. do Zambujal, em Benfica, até à Pç. das Amoreiras, onde se situa o Jardim das Amoreiras / Jardim Marcelino Mesquita / Jardim da Pç. das Amoreiras (v. PT031106461151), nas Amoreiras, adossando-se à Mãe de Água. Entre Benfica e as Amoreiras, atravessa, subterraneamente e, à superfície, o Parque Florestal de Monsanto, em direcção ao Parque da Serafina. Sendo que na proximidade das clarabóias e do pequeno troço, integrados no Parque Florestal de Monsanto, no Sítio do Barcal, situam-se o Chafariz de São Domingos / Chafariz Devisme (v. PT031106390377), a Quinta Devisme / Quinta da Infanta / Reformatório Feminino de Lisboa / Instituto de São Domingos (v. PT031106390368), o Palácio dos Marqueses de Fronteira (v. PT031106390113) e a Igreja de São Domingos de Benfica (v. PT031106390046). Seguidamente lança-se sobre o Vale de Alcântara, unindo o antigo Alto das Três Cruzes, actual Alto da Serafina, com a colina conhecida por Alto de Campolide. Na Serafina, localizam-se os bairros da Serafina, da Liberdade e o Bairro de Habitação Cooperativa (v. PT031106100028). No Alto de Campolide, coroado pelos edifícios Torres das Amoreiras, envolvendo o aqueduto implanta-se o Bairro da Cç. dos Mestres, prolongando-se sobre a R. do Arco do Carvalhão, em cuja arcaria se adossa o Chafariz do Arco do Carvalhão. No Vale de Alcântara, a arcaria é atravessada por vias de circulação automóvel, que medeiam o acesso entre a margem N. e a margem S. do rio Tejo, através da Ponte 25 de Abril, nomeadamente o Eixo Norte-Sul e, a Av. Calouste Gulbenkian, com intenso tráfego automóvel e, circundadas, a O. pelo Parque Florestal de Monsanto e a E. por várias construções resultantes da expansão urbana, prejudicando a leitura do monumento. Nesta última, deve destacar-se o mural da autoria de João Abel Manta. A S., encontra-se o Viaduto Engenheiro Duarte Pacheco. Na Pç. das Amoreiras localizam-se o Chafariz das Amoreiras, a Mãe de Água (v. PT031106461221), adossada ao troço do aqueduto, e a Capela de Nossa Senhora de Monserrate (v. PT031106460721), integrada num arco que compõe a arcaria deste troço, além de um muro, igualmente integrado na arcaria, decorado com três painéis de azulejos, em azul e branco, figurativos.

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Hidráulica: aqueduto

Utilização Actual

Cultural e recreativa: monumento

Propriedade

Pública: estatal

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 18

Arquitecto / Construtor / Autor

ARQUITECTOS: Carlos Mardel (1735-1763). EMPREITEIRO: Manuel Nunes Tiago (1953). ENGENHEIROS: António Cannevari (1731-1733), Custódio Vieira (1736-1744); Manuel da Maia. PINTOR de AZULEJO: Eduardo Nery (séc. 20).

Cronologia

1728 - o procurador da cidade, Claudio Gorgel do Amaral, propõe a construção de um aqueduto; 1739 - início da construção da arcaria do Vale de Alcântara; 1740, Abril - continuação da obra da mina que estava fora da Quinta do Marquês da Fronteira para a parte da Ribeira de Alcântara; 1740, Outubro - 1741, Abril - a obra estava construída até ao pegão que encosta à rocha do rio de Alcântara e nos dois que se seguem; 1741, Abril a Setembro - construção dos pegões dos arcos da ribeira de Alcântara; 1741, Outubro - 1742, Fevereiro - decorriam os trabalhos nos pegões dos arcos da ribeira de Alcântara e num lanço posterior até uma clarabóia para a parte do Arco Carvalhão; 1741, Novembro - 1742, Março - estavam construídos os pegões da ribeira de Alcântara e iniciava-se a construção dos arcos; 1742, Janeiro - decorria a construção dos arcos de Alcântara e de três arcos, com 60 palmos de vão, junto ao ângulo ao pé da Quinta do Fontana, para além de um lanço junto ao primeiro Arco do Carvalhão; 1743, Outubro - 1744, Março - faziam-se ainda os grandes arcos de Alcântara; 1744, Março a Setembro - decorria a construção dos "arcos grandes de ponto"; 1744, 1 Abril a 30 Setembro - construção das últimas fiadas dos pegões dos arcos de Alcântara; 1744, Maio - fecho do Arco Grande sobre a ribeira de Alcântara; 1744, 13 Junho - o Mercúrio de Lisboa refere que "se fecharam já todos os arcos da Ribeyra de Alcantara para o aqueduto das agoas livres, como ao mesmo tempo se trabalhava nelles, a obras desde ahi se vinha continuando, se acha o aqueduto acabado de todo ate ao convento das trinas de campolide onde se continua a obra, e sobre os arcos da Ribeyra se andão agora acabando os canos, para se porem correntes, e se espera que antes de 3 mezes, corra a agora junto de campolide para a cidade de mais perto ser provida com abundancia"; 1745, Outubro / 1746, Março -obra do socalco de Amaro Alves; obras no olival de São João dos Bem Casados; afundamentos dos pegões da estrada junto ao canto da cerca das Freiras do Rato e todos os que lhe seguem até ao cesto junto da Casa da Água; 1746, Abril a Setembro - obras no sitio de Campolide; obras na Arca de Água e pegões a ela sucessivos para o lado de São João dos Bem Casados; colocação de porção de massadame na obra das terras do Zagalo; a porção da obra da Mina do mesmo sítio que se fez para o repuxo das ditas águas até ao cunhal da Fábrica das Sedas onde a obra faz um ângulo; 1746, Outubro - 1747, Março - construção de 6 clarabóias sobre os arcos de Alcântara, do "Portalão" ou Arco das Amoreiras e dos arcos junto à Casa da Água; 1746 -1748 - edificação do Arco das Amoreiras; 1747 - 1748 - obras no arco de passagem da água no canto e estrada junto ao muro das Freiras de Campolide medindo-se a obra das impostas do arco para cima, até ao ponto do frontispício; colocação de três clarabóias sobre os arcos de ponto da ribeira de Alcântara; finalização dos arranjos que estão fechados defronte do muro da Arca das Freiras; obras na clarabóia junto à Portaria do Carro dos Padres da Cotovia; 1748 - já sob a direcção de Carlos Mardel, que ali trabalhava desde 1735, a água chega a Lisboa; construção de outros aquedutos, redes de distribuição e dos 24 chafarizes espalhados por Lisboa; 1748 - colocação de lápides comemorativas da inauguração do Aqueduto das Águas Livres, no Arco Triunfal das Amoreiras; 1748, Abril a Dezembro - obras na Mina para o cano de repuxo, nas calçadas que pelas estradas se fizeram desde São Pedro de Alcântara até à Arca de Água das Amoreiras, nos arcos "da Casa de Registo das Fontes" e, em toda a obra da Mina e muro dos Padres da Cotovia; 1748, 1 Outubro - 1749, 31 Março - obras no lanço de aqueduto que passa por cima do Arco das Amoreiras e, pelos cinco arcos que a ele estão ligados, junto à cerca das freiras de Campolide; 1749, Abril a Setembro -obra dos socalcos, cortinas de parede, calçadas, canos e roço de estrada do Largo do Rato para cima e obra na muralha da Cotovia; 1749, Outubro -1750, Março - trabalhos na Ribeira de Alcântara, junto à cerca das freiras de Campolide, na Praça defronte do sítio da Cotovia no paredão e socalco do lado de São José; 1751, Abril a Setembro -abertura de um cabouco da água de Vila Chã e de uma clarabóia de pedraria, das de ângulo, na linha dos arcos da Ribeira de Alcântara; 1752, Abril a Setembro - início da obra do tombadilho da abóbada, entre as 16 clarabóias da linha da Ribeira de Alcântara e execução de grades para as frestas do Aqueduto, além do roço feito a picão nos campos de Vila Chã; 1758, 28 Outubro - ocorrência de grandes cheias que transportaram grandes quantidade de entulho obstruindo o aqueduto desde as Águas Livres até ao Rato; 1762, Outubro - 1764, Setembro - execução do massadame, no rio de Alcântara, junto aos pegões do Arco grande; 1766, Abril - 1767, Setembro - elevação da calçada desde o arco triunfal das novas fábricas da Praça do Rato até debaixo da Casa do Registo; 1773, 20 Março - aviso assinado pelo Marquês de Pombal, mandando picar as inscrições do Arco das Amoreiras colocadas por D. João V; 9 Junho - mandaram fazer-se novas fechaduras e respectivas chaves para todos os aquedutos; 1774, Outubro - 1775, Setembro - obras nas frestas e clarabóias que se abriram e edificaram desde o Rato até à Ribeira de Alcântara; 1775, Outubro - 1776, Setembro - colocação de portas das clarabóias nos arcos de Alcântara; 1778 - substituição das antigas inscrições do arco das Amoreiras; 1792 - 1794 - abertura de uma clarabóia em Campolide para beneficio dos moradores, a fim de serem abastecidos de água no chafariz aí construído; 1851 - a paróquia de São Sebastião da Pedreira obrigou o encerramento definitivo das 2 passagens da arcaria do Vale de Alcântara, com grades de ferro, em consequência de um episódio trágico; 1885 - inauguração da Estação de Caminho-de-ferro de Campolide, na Quinta do Rabicha, atravessada pela arcaria do aqueduto, e pertencenteu à família do conselheiro Hintze Ribeiro; junto ao arco mais alto existia uma fábrica, provavelmente uma olaria; a paisagem era pontuada por moinhos e clarabóias; 1886 - ligação da Estação de Caminho-de-ferro de Campolide a Alcântara; 1886 - ligação da Estação de Caminho-de-ferro de Campolide ao Rossio; séc. 20, início - começavam a surgir construções precárias em torno dos pilares; execução do bairro económico do Alto da Serafina, pelo MOP; 1919, 30 Abril e 2 Maio - nas sessões da Assembleia-Geral da Companhia das Águas de Lisboa, surgiu a ideia de criar um Museu da Água; 1927 - o Aqueduto foi utilizado para fins militares pelas forças leais ao governo, utilizando a Mãe de Água das Amoreiras como trincheira do quartel de Campolide e as galerias para movimentação de tropas; 1939 - a Câmara Municipal de Lisboa procedeu às demolições de construções municipais e particulares adossadas aos arcos das Amoreiras; séc. 20, anos 40 - construção do Viaduto Duarte Pacheco implicando a destruiução de uma parte do Aqueduto, continuando a funcionar como sifão nesse segmento; 1944 - a CML elaborou programa para urbanização, determinando que o aqueduto ficasse bem emoldurado, que a rede viária do novo aglomerado se harmonizasse com a rede do bairro económico existente e que os terrenos destinados ao mesmo não incluíssem os da zona correspondente ao arco no sentido de NO., ao da passagem da linha férrea, projectado pelo arquitecto Paulino Montez e que contemplava zonas de Habitação, equipamento e Espaços Livres; 1946, 28 Dezembro - demolição de edifícios que estavam adossados ao aqueduto nas Ruas do Alto e do Arco do Carvalhão; 1947, 1 Fevereiro - a DGEMN aprovou a venda de terrenos na Zona de Protecção do imóvel; 1949 - abertura do leito para a canalização do Caneiro de Alcântara, prevendo a abertura da Avenida de Ceuta; 1952 - no pano do aqueduto, no Alto de Campolide, encontrava-se uma pedra de armas adossada, realçando o chafariz; 1967 - terminou a exploração de água do aqueduto de Lisboa; encerramento do Aqueduto das Águas Livres e do Reservatório da Mãe de Água, que passaram a integrar o conjunto do património do Museu da Água; 1970 - é colocada no Aqueduto das Águas Livres, uma lápide de homenagem ao Engenheiro e Marechal de Campo Manuel da Maia, como construtor do projecto do Aqueduto e Chefe da Comissão encarregada da reconstrução de Lisboa; séc. 20, anos 80 - as galerias do Aqueduto passam a ser percorridas por cabos de telecomunicações de várias entidades; 1986, meados - o passeio é aberto ao público, ficando com uma rede de distribuição para a lavagem de ruas e regas de jardins; 1987 - inauguração do Museu da Água composto por quatro núcleos: o Aqueduto das Águas Livres, o Reservatório da Mãe de Água das Amoreiras (v. PT031106461221), o Reservatório da Patriarcal (localizado no subsolo do Jardim do Príncipe Real) e a Estação Elevatória dos Barbadinhos; o Museu foi galardoado com o Prémio Municipal de Azulejaria com o painel "Água" da autoria de Eduardo Nery; 1989 - a EPAL reabriu ao público a travessia pública do Vale de Alcântara; 1990 - o Museu da Água recebeu o prémio de Museu Europeu do Ano e, consequentemente o prémio do Concelho da Europa; séc. 20, anos 90 - Iluminação eléctrica dos Arcos de Alcântara; 1993, 25 Junho - estudo de cor efectuado pelo arquitecto Frederico George, visando a pintura dos respiradouros na zona da buraca; 1996, 24 de Janeiro - Despacho do Ministro da Cultura, alterando a redacção do decreto que protegia o imóvel, datado de 1910, passando a abranger todos os troços do Aqueduto e respectivos ramais..

Dados Técnicos

Estrutura autónoma

Materiais

Aqueduto em cantaria de calcário tipo lioz, apinhoado, e calcário amarelo e cinzento; clarabóias em cantaria aparente, ou rebocada e pintada; molduras dos vãos em cantaria de lioz; grades metálicas; portões e portas de ferro policromo; portas de madeira policroma.

Bibliografia

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Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID, DGEMN/Arquivo Pessoal de Frederico George

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN/DSID, DGEMN/Arquivo Pessoal de Frederico George; BNL: cod. 554 (Mercúrio de Lsboa, fl.198v)

Intervenção Realizada

JAL: 1750, Abril / 1751, Março, entre - obras de reparação do tanque junto ao Rato, onde o povo se abastecia de água; 1754, Outubro / 1755, Março - obras no parapeito dos arcos de Alcântara; obras de limpeza no Aqueduto desde o seu nascimento até à Ribeira de Alcântara; conserto do chafariz de madeira junto ao Rato; 1758, Abril / 1759, Março - conserto das ruínas resultantes do terramoto de 1755, medindo-se a obra completa desde o sítio do Rato até à Quinta do Marquês da Fronteira; 1761, Abril / Setembro - trabalhos de reparação, no Aqueduto Geral, em consequência do terramoto de 1755, num lanço junto à Quinta do Marquês da Fronteira, seguindo até ao Casal da Reboleira; 1762, Outubro / 1764, Setembro - o desaguadouro que se fez para a limpeza das águas desde São João dos Bem Casados até ao Arco de Carvalhão; 1773, Outubro / 1774, Setembro - obras aqueduto do sítio do Bretão; 1774, Outubro / 1775, Setembro, entre - obras nas frestas e clarabóias edificadas desde o Rato até à Ribeira de Alcântara; 1778 - reforma do aqueduto no sítio do Rato, entre a Casa de Registo até à clarabóia que está na portaria do Carro do Colégio dos Nobres; 1781 - reparação das clarabóias do aqueduto de Alcântara e na platibanda que serve de resguardo ao passeio do mesmo; 1785 - reparação das duas primeiras clarabóias dos lados Norte e Sul dos arcos de Alcântara, bem como resguardo e defesa dos seus passeios; CFAL (Comissão e Fiscalização das Águas de Lisboa): 1951 - trabalhos de conservação e beneficiação executados no troço do aqueduto inserido no Bairro da Calçada dos Mestres, tendo sido construído um andaime e procedendo-se ao reboco da vedação do passadiço, prevendo-se a futura demolição do mesmo, pois não fazia parte da traça primitiva do aqueduto; DGEMN - 1944 - restauro do escudo existente no Jardim das Amoreiras; 1946 - execução de muretes de vedação, em tijolo, nas Amoreiras; 1948 - execução de trabalhos sob o arco grande; Companhia de Carris de Ferro de Lisboa: 1949 - mudança dos olhais de suspensão que se encontram colocados no Aqueduto das Águas Livres; 1951, 27 Novembro - demolição de barracas e vedações junto ao aqueduto; 1953 - obras no troço do Arco do Carvalhão, por Manuel Nunes Tiago, por 157.000$00; 1954, 14 Setembro - demolição de um muro junto do aqueduto das águas livres na Rua Bento da Rocha Cabral, integrado no património do estado, a expensas da Companhia das Águas de Lisboa; 1957 - estudo base do arranjo da zona das Águas Livres; CML: 1957 - elaborção de um projecto para requalificar as Amoreiras, concretamente o troço compreendido entre as Ruas D. João V e a Silva Carvalho, visando deslocar, para poente, a Rua da Amoreiras, de maneira a evitar o estrangulamento que se verificava no Arco das Amoreiras, onde não circulavam dois automóveis simultaneamente, implicando a sua integração no antigo Jardim das Amoreiras, actual, Jardim Marcelino de Mesquita e a construção de uma abertura no pano do aqueduto; DGEMN: 1962 - construção de muros de vedação, num terreno junto do aqueduto, situado na Rua dos Arcos; EPAL: colocação de rede metálica sobre o aqueduto; DGEMN: 1966 - estudo sobre a iluminação eléctrica exterior do Aqueduto.

Observações

*1 - o Decreto de 19 de Fevereiro de 2002, vem alterar a redacção do decreto de 16 de Junho de 1910, publicado em 23 de Junho de 1910 que designava o imóvel como "Aqueduto das Águas Livres, compreendendo a Mãe de Água", passando a ter a seguinte DOF: " Aqueduto das Águas Livres, seus aferentes e correlacionados, nas freguesias de Caneças, Almargem do Bispo, Casal de Cambra, Belas, Agualva-Cacém, Queluz, no concelho de Sintra, São Brás, Mina, Brandoa, Falagueira, Reboleira, Venda Nova, Damaia, Buraca, Carnaxide, Benfica, São Domingos de Benfica, Campolide, São Sebastião da Pedreira, Santo Condestável, Prazeres, Santa Isabel, Lapa, Santos-o-Velho, São Mamede, Mercês, Santa Catarina, Encarnação e Pena, municípios de Odivelas, Sintra, Amadora, Oeiras e Lisboa, distrito de Lisboa.".*2 - nas lápides originais, mandadas executar por D. João V, encontrava-se inscrito o seguinte, no lado N., na Rua de São João dos Bem Casados: "SUPERATTIS DIFFICULTATIBUS, PACA TIS OPINIONUM DISSIDIIS, AQUAE LIBERAE IN URBEM TRIUMPHALIS INGRESSUS ANNO DOMINI MDCCXXXVIII"; e, do lado S., virado ao Largo do Rato: " AQUAS LIBERAS PER TRINA SOECULA DESIDERATTAS, REGNANTE JOANNE V. PIO FELICI, MAGNANIMO COMPLANATIS, PRAERUPTIS, CLIVISQUE PERFORATIS: VNDE VIGNITI ANNORUM, PERTI NACI LABORE, PER CIRCUCITUM NOVEM MILLE PASSUUM REPUBLICAE, ET COMUNI GAUDIO, IN URBEM INVEXIT, SE.NATUS POPULASQUE OLISIPONENSIS ANNO DOMINI MDCCXXXXVIII".

Autor e Data

João Silva 1992 / Marta Ferreira 2007

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