Real Mosteiro de Nossa Senhora da Conceição / Igreja de Nossa Senhora da Conceição / Museu Rainha Dona Leonor

IPA.00006513
Portugal, Beja, Beja, União das freguesias de Beja (Salvador e Santa Maria da Feira)
 
Arquitectura religiosa, gótica, manuelina e revivalista neo-manuelina. Igreja conventual com divisão espacial típica de cenóbio feminino, originalmente com duplo coro profundo (posteriormente substituído por coro-alto ), espaço unificado da nave ( inicialmente com cobertura de madeira ), capela-mor mais baixa com abóbada de 2 tramos, polinervada estrelada, evidenciando um carácter experimental com nervuras de diferentes perfis ( SILVA, 1989 ). Estrutura e modinatura do portal principal e platibanda características do período final do gótico, mostrando influência do Mosteiro da Batalha (v. PT021004010001); portal da Sala do Capítulo gótico. Ajimezes de arcos em ferradura revelando influências mudejáres. Portal manuelino transferido para a fachada NO., decorado com as armas reais. Retábulos de talha dourada barroca nas Capelas de São João Baptista, de São Francisco e de Nossa Senhora do Desterro, no claustro; azulejos seicentistas ( 1ª, 2ª e 4ª quadras ) e setecentistas ( 3ª quadra ) no claustro. Apainelados em talha dourada rococó na Igreja. O convento na sua maioria é reconstrução oitocentista evidenciando o espírito revivalista da mesma, reintegrando elementos vindos de outros locais. Desequilíbrio de proporções do interior da igreja, originado pelo restauro que retirou os 2 coros sobrepostos que ocupavam parte da actual nave. Azulejos recortados azuis e brancos atribuídos a Policarpo de Oliveira Bernardes. A janela gradeada exposta no 2º piso do Museu, ex-Libris do Alentejo que evoca a paixão de Mariana Alcoforado pelo Mestre de Campo Noel Bouton expressa nas suas "Lettres Portugaises".
Número IPA Antigo: PT040205110004
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Convento / Mosteiro  Mosteiro feminino  Ordem de Santa Clara - Clarissas (Província dos Algarves - Xabreganas)

Descrição

Planta rectangular, longitudinal; volume simples com cobertura em telhado. Fachada principal virada a NE., rasgada a meio por portal de vão em arco quebrado envolvido por arquivoltas, a exterior rematada por arco conopial, integrado em alfiz flanqueado por pilastras; as pilastras e o arco conopial são rematados por pináculos cogulhados; as armas dos fundadores nas enjuntas, dentro de quadrilóbulos; 4 janelas em arco quebrado moldurado na nave, 2 de vão rectangular na capela-mor; contrafortes escalonados e chanfrados no vértice da ábside, cunhais apilastrados no vértice oposto; platibanda rendilhada interrompida por pináculos torsos e por 2 esculturas de vulto, uma com as armas do fundador, no eixo do portal. Fachada NO. marcada por nártex pouco profundo rasgado por arco quebrado e rematado por peitoril rendilhado; a parede é rasgada por portal de vão rectangular, emoldurado por colunelos, com frontão em arco contracurvado e as armas de D. Manuel no tímpano e, no seu eixo, por ajimez; cunhais apilastrados, platibanda igual à da fachada NE. INTERIOR: nave única com coro-alto sobre abóbada rebaixada; capela-mor diferenciada por abóbada mais elevada e pavimento alteado, com teia divisória; abóbada de berço de arco quebrado sobre a nave, estrelada, com 2 tramos sobre mísulas e com fechos esculpidos, sobre a capela-mor (hoje escondida por talha dourada). Talha dourada barroca revestindo toda a capela-mor (incluíndo a abóbada e arco triunfal) e os alçados laterais da nave, até à cornija; retábulo do altar-mor, em estilo nacional, com trono; apainelados em talha dourada do lado do Evangelho emoldurando os vãos rectangulares das janelas e o remate recortado de painéis azulejares em azul e branco; púlpito em talha dourada com guarda-voz, adossado à parede, a seguir ao vão do portal, datado de 1740; do lado da Epístola 3 retábulos em talha dourada barroca (altar de São João Evangelista, de São Bento e de São Cristóvão), interrompendo-se antes do arco triunfal para dar lugar a um retábulo de embrechados de mármores coloridos da mesma época. Na abóbada pintada a branco um medalhão com a figuração de Nossa Senhora da Conceição, cópia de original de Murillo. No alçado da capela-mor, do lado do Evangelho, integra-se o túmulo do fundador em mármore branco, enquadrado pela talha dourada. O convento, de planta quadrangular, integra ainda, do antigo edifício, o claustro, a sala do capítulo, o portal do dormitório e, deslocados do local de origem, o portal e os ajimezes da fachada NO.. Sobre um 2º piso elevado sobre a ala NE. do claustro e adossada à nave da igreja, ergue-se uma torre sineira, de base quadrada, rasgada por ventanas de vão enquadrado por arco conopial, platibanda de grilhagem e coruchéu prismático.

Acessos

Largo de Nossa Senhora da Conceição e Largo dos Duques de Beja

Protecção

Categoria: MN - Monumento Nacional, Decreto n.º 8 217, DG, 1.ª série, n.º 130 de 29 junho 1922 / ZEP, Portaria, DG, 2ª série, n.º 175 de 25 julho 1956

Enquadramento

Urbano, a igreja ocupa a ala NE. do edifício conventual, implantado num vasto adro empedrado, desnivelado em relação a algumas das ruas circundantes.

Descrição Complementar

CLAUSTRO: as 4 alas do claustro organizam-se em torno do pátio trapezoidal, a de São João Baptista, a O., coberta por abóbada de berço dividida em 6 tramos por arcos redondos, a da Portaria, a S., com 9 tramos cobertos por abóbadas de cruzaria de ogivas, a de São João Evangelista, a O., com 7 tramos com idêntica cobertura e a do Rosário, a N., com abóbada de berço quebrado com 6 tramos divididos por arcos quebrados. A 1ª quadra é forrada até à cornija de azulejos de padrão polícromos e mostra 3 capelas: a capela de São João Baptista, com edícula de mármores de várias cores em arco redondo, colunas coríntias e frontões sobrepostos, datada de 1614, enquadrando retábulo em talha dourada; a capela de São Francisco com retábulo dourado, integrando painéis pictóricos; a de Nossa Senhora do Desterro com retábulo dourado; a 2ª quadra tem silhar de azulejos de tapete, polícromos e nela rasga-se o portal do Refeitório, envolvido por azulejos enxaquetados, em verde e branco; a 3ª quadra revestida integralmente com azulejos em xadrez em azul, verde e branco, com painéis em azul e branco integrados, vindos do coro baixo da igreja, termina na capela de São João Evangelista, aberta por edícula em mármore branco, de arco redondo, com colunas e pilastras laterais e frontão triangular, integrando composição retabular escultórica, que representa o orago escrevendo o Apocalipse; na 4ª quadra, revestida de azulejos de padrão, estão os cubículos do confessionário e da roda. SALA DO CAPÍTULO - de planta quadrangular, com 2 naves divididas por coluna dórica, com abóbadas de penetrações, abre por portal gótico para a quadra de São João Evangelista; pintura a fresco na abóbada e parte das paredes, datada de 1727, com ornatos enquadrando quadros figurativos devocionais; bancada envolvente ( à excepção da face E. ) com assento e espaldar forrados de azulejos sevilhanos de aresta, agrupados em padrão; na face oriental arcaz datado de 1696; ao fundo da sala rasga-se arco quebrado, envolvido por azulejos xadrez, antecedendo o altar do Senhor Jesus do Capítulo.

Utilização Inicial

Religiosa: mosteiro feminino

Utilização Actual

Cultural e recreativa: museu

Propriedade

Pública: estatal

Afectação

Assembleia Distrital de Beja, auto de cessão de 07 de Abril 1954

Época Construção

Séc. 15 / 16 / 17 / 18 / 19

Arquitecto / Construtor / Autor

ARQUITECTO: João de Arruda; ENTALHADOR: José Ramalho (1640); PINTOR DE AZULEJOS: Policarpo de Oliveira Bernardes (atr.)

Cronologia

1453 - início da construção do Paço dos Infantes após o casamento do infante D. Fernando, filho do rei D. Duarte, com sua prima D. Brites, filha do infante D. João *1; 1453 - o paço já estava parcialmente pronto, quando D. Afonso V o visitou; 1459, c. - início da construção do convento de clarissas, por iniciativa do Infante D. Fernando e de sua mulher D. Brites, pais de D. Manuel; 1485 - João de Arruda inspecciona as obras em curso, após ter trabalhado no Mosteiro da Batalha (v. 1004010001); 1506 - conclusão do dormitório, depois transformado em refeitório; 1511 - Alvará para se pagar a João Orins o feitio da custódia do Convento; 1514 - Decreto para se dar a Garcia Moniz certos ornamentos para a igreja da Conceição; 1515 - Mandado do rei para se continuarem as obras do Convento; 1614 - capela de São João Baptista no Claustro; 1640 - nasce Mariana Alcoforado cuja nobre família, para além de uma grande riqueza, acumulava honrarias pelos cargos oficiais desempenhados; 1663 - o Capitão de Cavalaria Noel Bouton, Conde de Saint-Léger e Marquês de Chamilly integra as forças militares estrangeiras presentes em Portugal no contexto da Restauração da Independência; posteriormente e no decurso das várias campanhas, o marquês é destacado para Beja como Mestre de Campo onde irá conhecer Sóror Mariana Alcoforado, religiosa do convento; 1668 - pouco tempo após o regresso de Noel Bouton a França, circulam já, avulsas e traduzidas para francês, as "Lettres Portugaises"; 1696 - trono do altar-mor e arcaz da Sala do Capítulo; 1703 - compra do Paço dos Infantes a António Leitão Atouguia já aforado e sua integração no edifício do convento; 1715 - morre, com 79 anos, Noel Bouton, Marechal de França; 1723 - morre, com 83 anos, Sóror Mariana Alcoforado, que chegou a assumir os cargos de escrivã e vigária do convento; 1727 - pinturas murais da Sala do Capítulo; 1740 - portal da Igreja; 1741, c. de - revestimento azulejar atribuivel a Policarpo de Oliveira Bernardes; 1895 - demolição do Paço dos Infantes *2 e de parte do convento; reconstrução do actual edifício; 1927 - instalação no convento do Museu Regional de Beja; 2016, 24 fevereiro - assinatura do Protocolo de Colaboração Técnica e Científica para a Valorização do Museu entre a CIMBAL, a DRCAlentejo, a Universidade de Coimbra e a Universidade de Évora, e do Acordo de Colaboração Mecenática para a Valorização do Museu entre a CIMBAL e a Fundação Millennium BCP.

Dados Técnicos

Estrutura autoportante e estrutura mista

Materiais

Alvenaria em estruturas, cantaria em molduras, tijoleira, azulejo, telha, madeira, vidro.

Bibliografia

BORRELA, Leonel, Beja - Real Mosteiro de Nossa Senhora da Conceição, Arquivo de Beja, Beja, 1988; CANELAS, Carlos, História dos Conventos de Beja, Arquivo de Beja, Beja, 1965; DIAS, Pedro, História da Arte em Portugal-O Gótico, Vol. 4, Lisboa, 1986; IDEM, Arquitectura Mudéjar Portuguesa: Tentativa de sistematização, Mare Liberum, nº 8, Dezembro de 1994; ESPANCA, Túlio, Inventário Artístico de Portugal-Distrito de Beja, Lisboa, 1993; MESTRE, Joaquim Figueira, Beja - olhares sobre a cidade, Beja, 1993; SILVA, José Custódio Vieira da, O tardo-gótico em Portugal - a Arquitectura no Alentejo, Lisboa, 1989; VIANA, Abel, Estudo, Arquivo de Beja, Vol.1 - 3, 1941 - 1946.

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DSID,DGEMN/DREMSul

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID,DGEMN/DREMSul

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN/DSID,DGEMN/DREMSul; B.N.L.: Cod 8.393 - Capelas do Convento da Conceição de Beja. Escriptura de instituição; IAN/TT: Corpo Cronológico, Parte I, maço 10, doc. 55; maço 15, doc. 83; maço 55, doc. 161; Arquivo de Beja, Relatório de A. Fuschini e F. Serpa, Vol. 1, 1944.

Intervenção Realizada

DGEMN: 1958 - reconstrução da cobertura; 1960 - reassentamento de azulejos do claustro, restauro da arcada; 1961 - reassentamento de azulejos no claustro, reparação de coberturas; 1963 - reparação de coberturas, consolidação da talha, substituição de caixilhos e portas; 1964 - consolidação da talha do altar-mor, consolidação da fachada posterior; 1965 - reconstrução da cobertura, reparação de rebocos, assentamento de soalho; 1966 - reconstrução do coro; 1967 - reparação do altar no coro, assentamento de soalho; 1973 - reconstrução da cobertura, assentamento de portas, caiação; 1974 - consolidação da talha da capela-mor e nave; 1979 - reparação da cobertura; consolidação dos azulejos do claustro; 1980 - beneficiação de fachadas e interiores; 1981 / 1984 / 1985 - obras de recuperação; 1986 - beneficiação da instalação eléctrica; 1993 - obras de recuperação; 1994 - reparação das coberturas em terraço sobre o claustro e compartimentos anexos, com remoção da tela asfáltica, repavimentação com introdução de maiores pendentes, reparação dos algerozes e tubos de queda; 1999 - refechamento das juntas da tijoleira que reveste o terraço.

Observações

Ao convento da Conceição está associado o nome de Mariana Alcoforado, autora das famosas "Lettres portugaises"; a janela, outrora voltada para a porta de Mértola, por onde a freira pela primeira vez avistou o seu apaixonado, está hoje colocada na fachada SE. do convento, no 2º piso, por cima da ala NE. do claustro. *1 - O convento foi ligado ao vizinho Paço dos Infantes, através do coro-alto da igreja., quando D. Brites enviuvou; *2 - No museu encontram-se as gelosias do antigo paço. Sabe-se que o pavilhão principal tinha um telhado de quatro águas, balcões geminados com ajimeces e um terraço com grelhas de ladrilho. No museu existem também algumas rajolas e losetas provenientes do paço.

Autor e Data

Isabel Mendonça 1993

Actualização

Maria Fernandes 1997
 
 
 
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