Chafariz do Largo do Rato

IPA.00006480
Portugal, Lisboa, Lisboa, Santo António
 
Arquitectura infraestrutural, barroca. Chafariz urbano, adossado a muro, no topo de uma praça, com algum efeito cenográfico, integrado no plano de abastecimento de água à cidade de Lisboa, a partir das Águas Livres, constituindo um dos ramais que parte desse canal. Segue a tipologia de chafariz de espaldar, com um forte carácter cénico barroco, disposto em dois níveis, ligados por escadas laterais, cada um deles com espaldar individualizado, tripartido, o inferior mais simples, dividido por pilastras toscanas e com duas ilhargas, onde surgem duas bicas que vertem para tanque rectangular, com os ângulos côncavos, destinado aos animais. O superior apresenta-se simples, com um único pano, bastante largo e flanqueado por pilastras toscanas com fustes almofadados e aletas, com o espaldar rematado por friso e cornija, interrompidos ao centro por frontão triangular, tudo rematado por urnas; o espaldar apresenta tabela recortada, com lacrimais na base, onde surgem duas bicas, que vertem para tanques individuais, semicirculares, de perfis galbados e bordos boleados, contendo réguas de ferro para apoio do vasilhame. O chafariz segue, assim, o esquema mardeliano com dois níveis de saída de água, o elevado para a população, com tanques individualizados, e o inferior para os animais, semelhante ao Chafariz da Esperança (v. PT031106370029), apesar de se apresentar menos exuberante.
Número IPA Antigo: PT031106460022
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Estrutura  Hidráulica de elevação, extração e distribuição  Chafariz / Fonte  Chafariz / Fonte  Tipo espaldar

Descrição

Chafariz de planta trapezoidal, em cantaria de calcário lioz, desenvolvendo-se em dois níveis, com escadas laterais de acesso. O nível inferior é composto por um espaldar poligonal, com a face frontal plana, dividida em três panos, o central de menores dimensões, divididos por pequenos plintos paralelepipédicos, rematado por platibanda plena almofadada, tripartida por acrotérios, na forma de pilastras toscanas de fustes almofadados, tendo duas ilhargas laterais com pano único semelhante ao central, rematando em friso e cornija. Em cada um dos panos exteriores, surge uma bica projectada, em forma de campânula, e ornada por acantos, com cano de bronze, que jorra para tanque rectangular, com os ângulos exteriores côncavos, de bordo saliente e chapeado a ferro. Às ilhargas, adossam-se as escadas de acesso ao segundo nível, em cantaria e guarda plena, do mesmo material. A zona superior é composta por espaldar rectilíneo, assente em embasamento saliente, formando pequeno talude, flanqueado por pilastras toscanas de fustes almofadados, que sustentam urnas *2, e ladeadas por aletas; o conjunto remata em friso e cornija, interrompido na zona central por frontão triangular, sobrepujado por urna sobre plinto volutado, sustentado por falsas mísulas laterais, formando almofadas emolduradas, tendo, no centro, tabela recortada, ornada por botão e lacrimais; nos ângulos inferiores do espaldar, surgem dois botões. As duas bicas implantam-se sobre o embasamento, sendo em forma de campânula, decoradas por acantos, que vertem para dois tanques semicirculares, de perfil galbado e bordo boleado, chapeado a ferro; possui réguas para sustentação do vasilhame. No lado direito da estrutura, adossada ao muro, fica a caixa de água, de planta quadrangular, com estrutura em cantaria e cobertura em três águas do mesmo material, flanqueada por pilastras toscanas e rasgada por porta de verga recta, emoldurada e encimada por bandeira, actualmente entaipada, tendo o vão protegido por porta metálica pintada de verde.

Acessos

Largo do Rato

Protecção

Categoria: MN - Monumento Nacional, Decreto n.º 5 DR, 1.ª série-B, n.º 42 de 19 fevereiro 2002 *1 / Incluído na Zona Especial de Proteção Conjunta dos imóveis classificados da Avenida da Liberdade e área envolvente

Enquadramento

Urbano, adossado ao muro dos jardins do Palácio Palmela (v. PT031106460240), num dos topos do Largo do Rato, confinando com a via pública, separado dela por estreito passeio público, pavimentado a calçada. O muro é em cantaria de calcário lioz aparente, em aparelho isódomo, capeado com o mesmo tipo de material e encimado, ao centro, por miradouro em forma de nicho, com arcos de volta perfeita assentes em pilastras e aletas, com fecho saliente, alguns deles entaipados a alvenaria rebocada.

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Hidráulica: chafariz

Utilização Actual

Cultural e recreativa: marco histórico-cultural

Propriedade

Pública: municipal

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 18

Arquitecto / Construtor / Autor

ARQUITECTO: Manuel Caetano de Sousa (1760-61). ENGENHEIRO: Carlos Mardel (1752)

Cronologia

1752, 15 Novembro - aprovação dos projectos para o chafariz, da autoria do engenheiro Carlos Mardel, alimentado por encanamento especial que saía da Mãe de Água; 1753, Abril - Setembro - início da obra do chafariz; 1753, Outubro - 1754, Março - execução de um lanço do aqueduto subterrâneo que vai da Mãe de Água pela Calçada de D. Helena, até outro que vem do chafariz do Largo do Rato que se encontrava concluído; 1760, Abril - 1761, Maio - construção de mais um registo no chafariz do Rato, com a construção do nicho sobre a estrutura, provavelmente da autoria do arquitecto Manuel Caetano de Sousa, na altura em que construiu uma casa para si, adossada ao chafariz; 1771, 10 Outubro - medição das águas e vistoria das obras do Rato; 1773, 6 Julho - registo de aviso aos arquitectos da obra das Águas Livres, para obrigarem a demolir as barracas e mais obras feitas por pessoas particulares, no terreno pertencente ao aqueduto, no sítio do Rato; 1794, 25 Agosto - os sobejos foram dados a Manuel Caetano de Sousa e posteriormente ao Conde da Póvoa; 1851 - os sobejos eram do Marquês de Faial; séc. 20 - com a reforma do largo, que era de menores dimensões, o chafariz perdeu o seu aspecto cénico e diluiu-se como equipamento urbano.

Dados Técnicos

Estrutura autoportante.

Materiais

Estrutura em cantaria de calcário lioz; canos em bronze; chapas e réguas em ferro; porta de acesso à caixa de água em metal.

Bibliografia

ANDRADE, José Sérgio Velloso d', Memoria sobre Chafarizes, Bicas, Fontes e Poços Públicos de Lisboa, Belém, e muitos logares do termo, Lisboa, Imprensa Silviana, 1851; CAETANO, Joaquim de Oliveira, SILVA, Jorge Cruz, Chafarizes de Lisboa, Sacavém, Distri-Editora, 1991; FLORES, Alexandre M. e CANHÃO, Carlos, Chafarizes de Lisboa, Lisboa, Edições INAPA, 1999.

Documentação Gráfica

CML: Museu da Cidade de Lisboa

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Administrativa

Intervenção Realizada

JAL: 1758, Abril - 1759, Março - pequenos consertos no chafariz do Rato CML: séc. 20, década de 90 - limpeza e restauro do chafariz.

Observações

*1 - Por decreto do Ministério da Cultura (dec. nº 5/2002 de 19 de Fevereiro) foi alterado o Decreto de 16 de Junho de 1910, publicado em 23 de Junho de 1910 que designava o imóvel como "Aqueduto das Águas Livres, compreendendo a Mãe de Água", passando a ter a seguinte redacção: "Aqueduto das Águas Livres, seus aferentes e correlacionados, nas freguesias de Caneças, Almargem do Bispo, Casal de Cambra, Belas, Agualva-Cacém, Queluz, no concelho de Sintra, São Brás, Mina, Brandoa, Falagueira, Reboleira, Venda Nova, Damaia, Buraca, Carnaxide, Benfica, São Domingos de Benfica, Campolide, São Sebastião da Pedreira, Santo Condestável, Prazeres, Santa Isabel, Lapa, Santos-o-Velho, São Mamede, Mercês, Santa Catarina, Encarnação e Pena, municípios de Odivelas, Sintra, Amadora, Oeiras e Lisboa, distrito de Lisboa". *2 - as urnas projetadas por Carlos Mardel eram de maiores dimensões, com tampa, e encimadas por elemento a imitar repuxo.

Autor e Data

João Machado 2005 / Paula Figueiredo 2007

Actualização

 
 
 
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