Palácio Nisa

IPA.00006460
Portugal, Lisboa, Lisboa, Penha de França
 
Arquitectura residencial, setecentista e oitocentista. Palácio urbano.
Número IPA Antigo: PT031106410321
 
Registo visualizado 667 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Residencial senhorial  Casa nobre  Casa nobre  

Descrição

Planta longitudinal simples, volumes articulados. O edifício constitui-se como um rectângulo vazado por 2 pátios sensivelmente quadrangulares, possuindo cada uma das alas cobertura a 4 águas. O alçado S. organiza-se em 3 pisos, sendo o térreo caracterizado por um embasamento em aparelho almofadado, no qual se abrem 2 portas em arco em asa de cesto. Os andares superiores encontram-se divididos verticalmente em 5 panos separados por pilastras de cantaria e animados por 17 janelas (rectangulares no 1º andar e de sacada no piso nobre) apresentando todas emolduramento calcário. As sacadas ostentam grades de ferro forjado, distinguindo-se uma varanda corrida para a qual abrem as 3 janelas do módulo central, superiormente rematadas por frontões de cantaria (2 triangulares ladeando um curvo). Este módulo central é coroado por um frontão triangular que interrompe a platibanda que remata todo o edifício. No extremo SO., antes de um último módulo de 2 janelas, é visível a capela, cujo alçado principal avança relativamente ao plano da restante fachada. Nele destacam-se: o portal encimado e articulado, por meio do emolduramento de cantaria, com janela rectangular, por sua vez encimada por óculo semi-circular e janelão em arco de volta inteira coroado por ática triangular. Lateralmente delimitada por cunhais de cantaria, a capela é rematada por frontão triangular, com fogaréus e uma cruz. A fachada E. desenvolve-se em 3 pisos, apresentando no térreo um portal ladeado por pilastras, encimado por vão semi-circular e frontão triangular. De cada lado surgem 2 janelas rectangulares com emolduramento simples de cantaria e 2 portas em arco abatido com marcação do fecho. No 1º andar são visíveis 8 janelas restangulares e emolduramento de cantaria superiormente ornadas por um motivo circular. Um friso calcário precede o piso nobre, no qual se abrem 9 janelas de sacada com grades de ferro forjado sobre base de cantaria apoiada em mísulas. O vão central, no eixo do portal, é encimado por frontão curvo. Este alçado é delimitado lateralmente por cunhais de cantaria sobre plintos almofadados, igualmente de calcário, e superiormente por cornija e platibanda rebocada coroada nas extremidades por pináculos. O alçado N. liga-se à fachada precedente por uma dupla reentrância dotada de cunhais de cantaria, funcionando a cornija como elemento unificador.

Acessos

Largo Marqueses de Nisa; Rua da Madre de Deus

Protecção

Incluído na Zona de Proteção da Igreja da Madre de Deus (v. IPA.00002547)

Enquadramento

Urbano, destacado, isolado. Tangente ao cunhal SE., em plano elevado ao nível do piso nobre, é sensível a presença do caminho de ferro da linha do Norte.

Descrição Complementar

O interior, adaptado às funções institucionais e consideravelmente remodelado após o incêndio do final do século passado não apresenta interesse artístico.

Utilização Inicial

Residencial: casa nobre

Utilização Actual

Educativa: colégio de ensino regular

Propriedade

Pública: estatal

Afectação

Casa Pia de Lisboa

Época Construção

Séc. 16 / 18 / 19

Arquitecto / Construtor / Autor

ARQUITETOS: Jerónimo de Ruão (séc. 16); José Maria Nepomuceno (séc. 19).

Cronologia

Séc. 16 - construção do paço real, por ordem de D. João III, onde trabalha João de Ruão; séc. 17 - doação do antigo paço real de Xabregas à condessa de Unhão, por D. João; obras de reparação; 1741 - pelo casamento do 5º conde de Unhão, D. João Xavier Teles de Meneses e Castro, com D. Maria José da Gama, 4ª marquesa de Nisa, o palácio ganha esta última designação; 1862 - venda do edifício a um particular pelo último marquês, D. Domingos da Gama; 1867 - aquisição do palácio pelo Estado, a fim de aí instalar um estabelecimento de correcção de menores, o Asilo de Maria Pia, criado por decreto de 14 de Março desse ano; 1867 - estando concluídas obras sumárias de reparação e adaptação, ocorre um incêndio que consome todo o edifício. à excepção da capela (de Nª Sª da Conceição); 1868 / 1869 - rápida reconstrução, graças às contribuições do infante D. Augusto e do cardeal-patriarca D. Manuel Bento Rodrigues; 1869 - por morte da última freira do mosteiro da Madre de Deus, a zona conventual é anexada ao Asilo; 1871 - determinam-se novas obras, sob orientação do Arq. José Maria Nepomuceno, continuadas após a sua morte (1904) pelo condutor de obras públicas, Liberato Teles; 1928 - a instituição passa a designar-se Escola Profissional de D. Maria Pia; 1997 - demolição dos tectos do segundo piso, para permitir o seu seccionamento e o aproveitamento do sótão, criando dois pisos de salas de aula; tratamento térmico e acústico da cobertura.

Dados Técnicos

Paredes autoportantes

Materiais

Alvenaria mista, reboco pintado, cantaria de calcário, ferro forjado, madeira

Bibliografia

ANDRADE, Ferreira de, Palácios Reais de Lisboa, 2ª ed., Lisboa, 1990; ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, Vol. III, Livro 15, Lisboa, s.d.; CONSIGLIERI, Carlos, RIBEIRO, Filomena, VARGAS, José Manuel, ABEL, Marília, Pelas Freguesias de Lisboa. Lisboa Oriental, Lisboa, 1993; MATOS, José Sarmento de, Lisboa, Um Passeio a Oriente, Lisboa, 1993; Ministério das Obras Públicas, Relatório da Actividade do Ministério no ano de 1954, Lisboa, 1955; Ministério das Obras Públicas, Relatório da Actividade do Ministério nos anos de 1957 e 1958, 1º Volume, Lisboa, 1959; Monumentos, n.º 8 e n.º 10, Lisboa, DGEMN, 1998-1999; VITERBO, Sousa, Diccionario Historico e Documental dos Architectos, Engenheiros e Construtores Portuguezes ou a serviço de Portugal, Lisboa, Imprensa Nacional, 1904, vol. III.

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DRELisboa/DIE/DRC/DEM; AHMOP: Desenho nº A 2 C

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID, DGEMN/DSARH, DGEMN/DRMLisboa

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN/DSID

Intervenção Realizada

DGEMN: 1954 - realização de diversas obras de conservação e reparação, pela Direcção dos Serviços de Construção e Conservação; 1957 / 1958 - obras de remodelação da instalação eléctrica, rede de iluminação exterior e quadro geral, pelos Serviços de Construção e Conservação; 1998 / 1999 - beneficiação das fachadas do pátio e remodelação da zona escolar junto ao ginásio.

Observações

Autor e Data

Teresa Vale e Carlos Gomes 1995

Actualização

 
 
 
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