Forte de Lovelhe / Forte de São Francisco

IPA.00006446
Portugal, Viana do Castelo, Vila Nova de Cerveira, União das freguesias de Vila Nova de Cerveira e Lovelhe
 
Forte de construção seiscentista, de planta pentagonal composta por cinco baluartes irregulares, quatro laterais, de estrutura igual dois a dois e unidos por cortinas semicirculares e o quinto mais largo. Paramentos em talude, de cunhais aparelhados sobrepujados por guaritas circulares, apresentando uma única entrada, com portal de arco de volta perfeita, e escarpa interior em torrão. É envolvido por contra-escarpa igualmente em torrão. Forte de pequenas dimensões, já não possui cordão e parapeitos, o remate do portal de acesso e a abóbada do túnel de entrada, nem os edifícios do interior, conservando contudo as guaritas, com cúpula exteriormente piramidal, propositadamente colocadas nos ângulos dos baluartes.
Número IPA Antigo: PT011610080006
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Militar  Forte    

Descrição

Planta pentagonal composta por cinco baluartes irregulares, quatro dispostos lateralmente, tendo dois a N. e outros dois a S., de estrutura igual dois a dois, e o quinto a E., mais largo, unidos por cortinas rectas e, entre os dois baluartes laterais, cortinas semicirculares. Paramentos dos panos de muralha e baluartes em talude, em cantaria irregular, disposta a seco, e cunhais aparelhados, já não possuindo o cordão nem parapeitos da escarpa. Em cada um dos ângulos avançados dos baluartes, erguem-se guaritas circulares, assentes em mísulas, também circulares, possuindo cordão saliente inferior e superiormente e sendo cobertas por cúpula exteriormente piramidal; têm acesso por vão recto e são rasgadas por dois vãos rectangulares superiores. Apresenta uma única entrada, rasgada na cortina sensivelmente a SE., com portal de arco em volta perfeita, de aduelas largas assente nos pés direitos, sendo encimado por cornija recta. Transposto o portal, a zona do túnel da antiga entrada coberta já não possui a abóbada que a cobriria, tendo no seu término um outro vão de arco em volta perfeita igualmente de aduelas largas assente nos pés-direitos. O recinto interior, encontra-se muito assoreado e totalmente coberto de vegetação, não apresentando visíveis as rampas de acesso aos baluartes. Ao longo da cortina frontal ao portal, os paramentos têm vários vãos rectangulares marcados dos antigos quartéis que ali se adossavam e de que já não existem outros vestígios. O forte é envolvido por fosso, com largura de cerca de 4 m. e profundidade difícil de definir devido ao assoreamento e contra-escarpa, construído em torrão, actualmente coberto por vegetação, o qual, segundo desenhos antigos, possuía caminho coberto. O fosso tem apenas acesso a partir de um corte da contra-escarpa fronteiro ao baluarte E..

Acessos

Lovelhe, Lugar da Brea, junto à Estrada da Quinta do Forte. WGS84 (graus decimais) lat.: 41,951749; long.: -8,742041

Protecção

Categoria: SIP - Sítio de Interesse Público, Portaria n.º 508/2018, DR, 2.ª série, n.º 191/2018 de 03 outubro 2018 *1

Enquadramento

Rural, isolado, periférico. Implanta-se a N. de Vila Nova de Cerveira, num pequeno outeiro, com pinhal e coberto de vegetação, sobranceiro ao Rio Minho e superfície aluvial do mesmo, possuindo a E. a estrada e a N. terrenos agrícolas. A N. ergue-se a Quinta do Forte (v. PT011610080085), cujo terreno confronta com as obras exteriores do forte, e o complexo da Inatel.

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Militar: forte

Utilização Actual

Cultural e recreativa: marco histórico-cultural

Propriedade

Pública: municipal

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 17

Arquitecto / Construtor / Autor

Desconhecido.

Cronologia

1642 - Construção do forte sob a responsabilidade do Mestre de Campo, o General D. Francisco de Azevedo; 1663 - conclusão da construção; 1758 - planta do forte de Lovelhe por Gonçalo Luís da Silva Brandão, cuja legenda informa distar da fortaleza de Vila Nova de Cerveira 400 braças, sendo pequeno mas de melhor defesa que a praça, tendo o fosso imperfeito, sem estrada encoberta nem parapeito nela; estava sem guarnição e sentinela, servindo de recolhimento ao carniceiro da praça, que o trazia arrendado à Vedoria de Viana, estando por isso com os quartéis e armazéns caídos até à abóbada do da pólvora; 1776 - os Mapas dos oficiais e soldados referem a permanência de 5 a 10 soldados no forte; 07 abril - era Comandante Luís Gabriel Taveira da Costa; relativamente às muralhas, notícia que elas se encontravam operacionais e "reformadas de novo"; refere-se a existência de 5 quartéis, "reformados de novo com o armazém e paiol de pólvora"; 1777 - os Mapas dos oficiais e soldados referem a permanência de 8 / 9 homens no forte; relativamente a peças de artilharia tinha cinco de calibre 9, uma de calibre 4 e uma de calibre 3; 1778 - os Mapas dos oficiais e soldados referem a permanência de 7 / 8 homens no forte; 1790 - referência à existência de paiol; 1797 - obras de reconstrução por ordem do Marechal de Campo D. Rodrigo de Lencastre; 1809 - explosão das instalações interiores do forte pelas tropas napoleónicas; 1792 - rei proibe a existência de edifícios ou cultura dentro dos fossos ou sobre qualquer obra de fortificação das praças e fortalezas da província do Minho; 1928, 28 março - Ministério de Guerra autoriza a venda do prédio militar nº 12, constituído por uma casa abarracada e em ruínas no interior do forte, confrontando a N. com caminho público, a S. e E. com muralhas e a O. com o prédio nº 2, avaliado em 324$000, possuindo a área de 54 m2 e estando omissa na Matriz Predial Urbana; este edifício, que se destinava a habitação do encarregado dos quartéis, achava-se destelhado e em mau estado, restando-lhe apenas as paredes; 1929, 18 Abril - venda em hasta pública do prédio militar nº 12, a João de Portugal Marrecas Gonçalves, por 2.520$00, ali se apresentando também como possível comprador José Maria Fernandes Baixinho, comerciante e residente em Vila Nova de Cerveira; foram testemunhas presenciais Abraão Henriques Pinto, 2º sargento do Regimento de Infantaria nº 3, e Mário José Pires, 2º sargento do mesmo regimento, ambos residentes em Valença; 1930, década - os edifícios dos quartéis e outros no interior do forte passaram a ser sucessivamente alugados a vários particulares; 1934 - avaliação do forte em 30.000$00, encontrando-se então arruinado, apresentando como área de terreno 150.25 m2 e de edifícios 222.90 m2; 1938, 7 Setembro - auto de entrega ao Ministério das Finanças, sendo então abatido do Ministério de Guerra; 1941, 30 junho, até - esteve arrendado sob o nº 9, por 150$000 a Manuel Francisco Senhorãis; 1945, cerca - no interior do forte existiam outras construções: 1) o edifício do quartel, de 2 pavimentos, encostado à muralha por S., confrontando a N. com caminho público, a E. com prédio militar nº 3 e a O. com prédio militar nº 4, possuindo a área de 70.10 m2; um outro prédio militar nº 13, com 70.10 m2, confrontando a O. com casa de Maria da Silva e prédio militar nº 4; o prédio militar nº 14, constituído por 6 quartéis de esquadra, abarracado e em ruínas, confrontando a N. com o prédio militar nº 6, a S. com a muralha, a E. com prédio particular e a O. com a muralha; prédio militar nº 15, constituído por 2 quartéis de esquadra, abarracado, tendo 66.88 m2 de área, confrontando a N. com o reparo, a S. com largo público, a E. com terreno nº 5 e a O. com terreno do M. G.; 1979, 12 outubro - Despacho de homologação do Secretário de Estado da Cultura como Imóvel de Interesse Público; 2018, 03 maio - publicação da abertura de procedimento de classificação como Sítio de Interesse Público do Forte e Estação Arqueológica de Lovelhe, em Anúncio n.º 65/2018, DR, 2.ª série, n.º 85/2018.

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes portantes.

Materiais

Estrutura em silhares graníticos ou em alvenaria irregular em dois paramentos, ligados com argamassa e interiormente preenchido com terra e seixos (torrão); cunhais dos baluartes e vãos em cantaria aparelhada; fosso escavado no afloramento; contra-escarpa em torrão.

Bibliografia

ALMEIDA, Carlos A. Brochado de - Forte de Lobelhe, Informação Arqueológica, 7, Lisboa, 1986, p. 91 - 92; ALMEIDA, Carlos A. Brochado de - Forte de Lobelhe, Informação Arqueológica, 9, Lisboa, 1994, p. 31 - 33; GUERRA, Luis de Figueiredo, Castelos do Distrito de Viana do Castelo, O Instituto, 73 (5), Coimbra, 1926; VIEIRA, José Augusto, O Minho Pittoresco, 1, Lisboa, 1886, p. 144 e 147.

Documentação Gráfica

DGPC: DGEMN:DREMN; Direcção dos Serviços de Engenharia do Exército Português: Repartição do Património: Forte de Lobelhe, Vila Nova de Cerveira; G.E.A.E.M.; BNL

Documentação Fotográfica

DGPC: DGEMN:DSID, DGEMN:DREMN

Documentação Administrativa

DGPC: DGEMN:DSID, DGEMN:DREMN; Arquivo Histórico Militar: Forte de Lovelhe, 3ª Divisão, 9ª Secção, Caixa 12; Direcção dos Serviços de Engenharia do Exército Português: Repartição do Património: Forte de Lobelhe, Vila Nova de Cerveira

Intervenção Realizada

1990, década - limpeza no interior e envolvente do forte; realização de sondagens arqueológicas em diversos pontos para determinar a existência de estruturas cronológicas anteriores; recuperação das muralhas.

Observações

*1 - O Forte de Lovelhe é classificado conjuntamente com a Estação Arqueológica de Lovelhe (v. IPA.00006445). *2 - Encontra-se em elaboração um plano global de valorização e musealização do Forte com a estação arqueológica de Lovelhe. As sondagens arqueológicas permitiram verificar que o forte foi construído num curto espaço de tempo, talvez até apressadamente. A limpeza num sítio que fora cortada a muralha para a passagem de carros de bois que se pretendia que circulassem no fosso para transporte de madeira, lenha e mato, permitiu saber que ela havia sido alteada à custa da recarga de terras com colorações bem diferenciadas.

Autor e Data

Paulo Dordio e Paulo Amaral 1995 / Paula Noé 2005

Actualização

 
 
 
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