Edifício, Igreja e Hospital da Santa Casa da Misericórdia de Tomar / Hospital de Nossa Senhora da Graça

IPA.00006420
Portugal, Santarém, Tomar, União das freguesias de Tomar (São João Baptista) e Santa Maria dos Olivais
 
Igreja e hospital de Misericórdia construídos na segunda metade do séc. 16 e reformados na segunda metade do séc. 18, sobre um templo e hospital pré-existente, com um novo edifício hospitalar da segunda metade do séc. 17. A igreja apresenta planta retangular de eixo interior longitudinal, composta por nave e capela-mor, interiormente com teto de madeira, em masseira, e em falsa abóbada de berço de estuque, respetivamente, iluminada pelos vãos laterais e óculos axiais. A nave é rasgada superiormente por janelas quadradas de capialço, de modinatura maneirista, esquema pouco comum nas igrejas da época, tendo ainda na principal portal de verga reta envolvido por arco sobre colunas jónicas, suportando o entablamento e nicho com imagem da Virgem e frontão triangular, como que placado. Na capela-mor, desproporcionada relativamente à nave e encimada por sineira, abrem-se vãos de perfil curvo e moldura côncava recortada, revelando a reforma da segunda metade do séc. 18, correspondendo um dos vãos a um Passo da Via-Sacra. Interiormente, as molduras dos vãos e o programa decorativo das paredes, com vários tramos, definidos por ordens sobrepostas, e apainelados de cantaria, veicula a estética maneirista por influência tratadística. Em contraste, o arco triunfal e a capela-mor possuem estrutura e decoração da segunda metade de Setecentos, com decoração rococó, em estuques relevados, a envolver as capelas colaterais e o arco triunfal, bem como na cobertura da capela-mor. Nesta, destaca-se a utilização de símbolos Marianos e alusivos às obras de Misericórdia como motivos salvíficos. A nave e o bailéu que a percorre possui silhar de azulejos azuis e brancos, dispostos em esquadria, do séc. 17, sendo os parede fundeira no sub-coro reaproveitados, e a capela-mor é revestida a azulejos modernos que os reproduzem. O coro-alto, de madeira e de perfil recortado, assente em colunas, possui órgão positivo de armário, executado em 1757, pelo napolitano Tommaso de Martino, para o Convento de Cristo, correspondendo possivelmente ao que existia no interior da charola, tendo sido transferido para a Misericórdia após a extinção das Ordens religiosas, por volta de 1836. No lado do Evangelho dispõe-se púlpito maneirista, em cantaria, assenta em coluna balaústre, decorada, sendo acedido, pelo interior da caixa muraria, através de porta de modinatura Setecentista. Os arcos do último tramo da nave apresentam pinturas murais a imitar mármores embutidos, do séc. 17. O painel da capela colateral da Epístola, com o "Milagre Eucarístico de Santo António", é de feitura quinhentista, atribuído à oficina de Gregório Lopes e, mais recentemente, à do Mestre da Misericórdia de Abrantes, tendo vindo de uma capela da Igreja de Santa Maria do Olival. O retábulo-mor é tardo-barroco, em talha policroma, de corpo convexo e um eixo, contendo painel com a Visitação, datada de cerca de 1810-1815. A atual casa do despacho, adossado à nave, deve corresponder ao hospital quinhentista da Misericórdia, o qual se desenvolveria para a fachada posterior da igreja, conforma denota a irregularidade da fachada, e os vãos de comunicação entre ambos, alguns atualmente entaipados. O corpo subsistente, de pequenas dimensões, tem fachadas de dois pisos, a principal com o piso térreo rasgado por portais separados por pilastras jónicas, transformados recentemente em janelas, e o segundo por janelas de varandim ou sacada, com arco abatido encimado por friso e cornija contracurva, de modinatura Setecentista, entretanto adaptadas a janelas de peitoril, com a introdução de panos de peito em cantaria. Na capela-mor a tribuna existente no lado do Evangelho devia comunicar com a enfermaria feminina, conforme refere uma descrição antiga do hospital, e o portal lateral do coro-alto com algum outro espaço hospitalar, tal como os portais da parede testeira da nave, ao nível do sub-coro, onde também existe uma tribuna, e do coro-alto. Em meados de 1672 deu-se início à construção de um novo hospital, com fundos provenientes do testamento de Manuel Nunes da Costa, ao que parece prolongado lateralmente em 1899, passando a ter planta em L e criando, com os demais edifícios, pátio aberto central. Apresenta fachadas de dois pisos, a principal de três panos, definidos por pilastras toscanas, e rasgada por janelas jacentes, no térreo, e por janelas de varandim ou sacada, encimadas por friso e cornija, no segundo piso, as quais foram também fechadas com pano de peito em cantaria. Ao centro abre-se portal de verga reta, encimado por friso e frontão triangular interrompido, com inscrição alusiva à construção no tímpano, sobreposto pelo brasão da Misericórdia. No interior, muito alterado pelas intervenções recentes, conserva a antiga escada de acesso ao segundo piso, com coluna de arranque volutado, coberta por falsa abóbada de berço ou de aresta, possuindo nicho no topo. A fachada lateral foi construída com o mesmo esquema da principal. Os corpos virados ao pátio, também muito alterados, possuíam varandas e alpendres.
Número IPA Antigo: PT031418120035
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Edifício de Confraria / Irmandade  Edifício, igreja e hospital  Misericórdia

Descrição

Planta irregular, composta por vários corpos, desenvolvidos à volta de dois pátios retangulares abertos, um deles fechado por muro, dispondo-se a sul a igreja, o edifício da Irmandade e o hospital, que contorna o quarteirão a poente, e possuindo a norte da capela-mor a sacristia e um outro corpo. Volumes escalonados com coberturas diferenciadas, em telhados de duas águas na igreja, de uma na sacristia, de três na casa da Irmandade e no hospital e de quatro no corpo entre os pátios, rematados em beirada simples. Fachadas rebocadas e pintadas de branco, com soco em cantaria, cunhais apilastrados, os da nave coroados por pináculos, e terminadas em friso e cornija. A fachada principal surge virada a sul, formada por quatro corpos, de diferentes dimensões. IGREJA composta por nave retangular, de eixo interior longitudinal, e capela-mor, também retangular, tendo adossado a norte a sacristia, com volumes escalonados e telhados de duas águas na igreja e de uma na sacristia, rematados em beirada simples. A fachada principal da nave é rasgada por portal de verga reta, com moldura côncava, encimada por friso e frontão triangular, enquadrado por arco de volta perfeita, assente em colunas jónicas, sobre plintos, com intradorso decorado por almofadas em losango, seguintes em ponta de diamante, suportando cornija reta. Sobre esta assenta nicho, quadrangular, interiormente revestido a azulejos enxaquetados e albergando imagem pétrea da Virgem com o Menino, encimado por frontão curvo, inferiormente decorado por almofadas geométricas e ladeado por aletas. Superiormente, sob a cornija, rasgam-se seis pequenos vãos quadrangulares, com moldura em capialço. O corpo da capela-mor é rasgado, à esquerda, por duas janelas de perfil contracurvo, com molduras recortadas, enquadrando vão de perfil curvo, encimado por friso e cornija contracurva, com portadas em madeira, correspondente a um dos Passos da Paixão; no topo direito abre-se porta larga, de verga reta, de acesso ao pátio. Sobre a cobertura, dispõe-se sineira, com arco de volta perfeita sobre pilastras, terminada em frontão triangular, albergando sino. As fachadas laterais da nave terminam em empena, sublinhada por friso de massa, rasgadas por dois óculos elípticos, o superior bastante pequeno, sendo a virada a nascente coroada por pináculo, encimado por catavento, e a virada a poente por cruz latina de cantaria. A fachada lateral direita da capela-mor termina em empena recortada, sublinhada por friso e cornija, coroada por cruz latina de cantaria. INTERIOR: nave com as paredes rebocadas e pintadas de branco, de três registos separados por frisos e cornija, e de seis panos, definidos por duas ordens de pilastras toscanas e uma de estípites jónicas. No primeiro registo apresenta vãos em arco, de volta perfeita, assentes em pilastras, com silhar de azulejos azuis e brancos, colocados em esquadria, e bailéu com azulejos iguais; no segundo registo surgem apainelados cruciformes de cantaria, entrecortados por retângulos, também de cantaria, e, no último, janelas quadrangulares com moldura de capialço. A parede fundeira da nave, com um esquema decorativo semelhante, possui coro-alto, de perfil recortado, apoiado em duas colunas, com guarda em falsos balaústres planos e acrotérios de madeira, sendo acedido, a partir da cassa da Irmandade, por porta central, de verga reta, sobre pilastras, encimado por nicho em arco de volta perfeita, com imagem de Cristo crucificado, e, partir da nave, por escadas de caracol, dispostas no sub-coro, no lado do Evangelho, com guarda igual à do coro. A parede fundeira do coro-alto possui silhar de azulejos monocromos brancos e, no lado da Epístola, abre-se porta, de verga reta para o hospital, atualmente entaipado. Sensivelmente a meio dispõe-se órgão de armário. No sub-coro, com a parede fundeira revestida de azulejos iguais aos das paredes laterais, rasga-se portal central, de ligação à casa da Irmandade, de verga reta e moldura encimada por friso e cornija, ladeada por pia de água benta semicilíndrica, tribuna retangular moldurada, no lado da Epístola, e porta de verga reta, no do Evangelho. Nas paredes laterais, rasgam-se no terceiro pano, confrontantes, portas de verga reta, de moldura simples, encimadas por friso e cornija, ladeadas por pia de água benta semicilíndricas, a do lado da Epístola de acesso a partir do exterior, protegida por guarda-vento de vidro, e a do lado do Evangelho, de ligação ao pátio, sendo encimada por lápide inscrita alusiva à construção da igreja. No quarto tramo, dispõe-se, do lado do Evangelho, púlpito, em cantaria, com bacia retangular e guarda em balaustrada, assente em coluna balaústre, ornada de drapeados, sobre plinto paralelepipédico, sendo acedido por porta de verga abatida e moldura recortada, pelo interior da caixa murária. O último pano, definindo o presbitério sobrelevado por um degrau, tem os arcos pintados a fingir mármores embutidos, com acantos enrolados, e possuem, sobre o altar paralelepipédico, com o frontal revestido a azulejos, nichos rasgados, em arco de volta perfeita, albergando imaginária. A nave tem pavimento cerâmico, com corredor central em cantaria, e cobertura de madeira, em masseira, assente em cornija, formando caixotões, contendo no central o brasão da Misericórdia. Arco triunfal de volta perfeita, almofadado, assente em pilastras, também almofadadas e com frisos sobrepostos, sobre plintos, com pedra de fecho saliente, decorada no intradorso por florões, e formando cartela assimétrica, ornada por concheados, envolvido parcialmente por cornijas de cantaria contracurvas, com concheados e vasos floridos nos ângulos, que encerram decoração em estuque, de concheados. O arco é ladeado por duas capelas colaterais, formando arcos de volta perfeita, com telas alusivas aos oragos - São Domingos (Evangelho) e "Milagre Eucarístico de Santo António" (Epístola). As telas são flanqueadas por falsas pilastras de estuque, assentes em plintos galbados, de cantaria, encimadas por estuque decorativo sobre fundo amarelo, figurando a "Adoração de coração inflamado" (Evangelho) e "Adoração da custódia" (Epístola), que se prolongam até à cornija nivelada pelos frisos do arco triunfal; sob as telas, surge cartela de concheados. Sobre o arco triunfal, o óculo é envolvido por decoração vegetalista. Capela-mor com as paredes laterais revestidas a azulejos modernos reproduzindo os da nave, rasgadas por portais de perfil contracurvo, de moldura almofadada, o do lado do Evangelho de acesso à sacristia, duas janelas de igual modinatura, e, ao centro, tribuna retangular de ângulos curvos, gradeadas, a do lado da Epístola entaipada. Possui pavimento de cantaria e cobertura em falsa abóbada de berço, pintada de azul, decorada com estuques relevados, formando apainelados com cartelas de concheados recortadas, contendo símbolos marianos, salvíticos e, na central, o brasão da Irmandade. Sobre supedâneo de faces frontais almofadadas e acedido por quatro degraus centrais, surge o retábulo-mor em talha pintada a marmoreados fingidos, a rosa e azul, e em dourado, de corpo convexo e um eixo, definido por quatro colunas, de fuste decorado inferiormente por anel fitomórfico, assentes em misulas, e de capitel coríntio, tendo no intercolúnio pilastras com florão central no fuste. Ao centro, abre-se tribuna de perfil curvo, com intradorso decorado de elementos vegetalistas, contendo tela representando a "Visitação". A estrutura remata em frontão de lances, com anjos de vulto no alinhamento das colunas interiores e glória de querubins relevados ao centro. Sotobanco e banco com apainelados, os primeiros decorados com concheados e os do banco com florões nos ângulos. Altar tipo urna, com aletas nos costados e frontal revestido a azulejos iguais aos das paredes, encimado por sacrário tipo templete, com aletas nos ângulos, terminado em cornija e porta decorada por custódia, encimada por representação do Espírito Santo. Sacristia com as paredes rebocadas e pintadas de branco, pavimento em madeira e janela retangular; junto ao portal, de moldura recortada e formando brincos, possui lavabo, de espaldar retangular com bica carranca, encimada por reservatório semicircular e cruz relevada, inserida num pequeno espaldar, e com taça retangular baixa. EDIFÍCIO DA IRMANDADE: à nave adossa-se o edifício das antigas salas da Irmandade, de dois pisos, separados por friso de cantaria, rasgando-se no piso térreo, em plano recuado, quatro janelas de peitoril, de verga reta, separadas por pilastras jónicas que sustentam arquitrave de friso convexo; no piso superior, abrem-se três janelas de peitoril, com molduras de verga abatida, integrando pano de peito em cantaria e caixilharia com bandeira, encimadas por friso e cornija contracurva. A poente, rasga-se portal de acesso ao interior, de verga reta entre pilastras jónicas. HOSPITAL: de planta em L, adossado num plano recuado ao corpo anterior, com fachadas de dois pisos, separadas por friso de cantaria. Na fachada principal, de três panos, definidos por pilastras toscanas, rasgam-se no pano central portal de verga reta, com moldura almofadada e ângulos recortados, encimado por friso e frontão triangular, interrompido por cruz latina sobre mísula volutada, e ladeado por pináculos sobre plintos; no tímpano possui lápide com inscrição alusiva à fundação do hospital, envolvida por volutas e motivos fitomórficos. Ladeia o portal duas janelas retangulares jacentes, de molduras simples. No segundo piso abrem-se duas janelas de peitoril, com moldura retilínea, integrando pano de peito em cantaria e caixilharia com bandeira, encimadas por friso e cornija reta; ao centro, surge o brasão da Misericórdia, inserido em cartela recortada com folhas de acanto, coroado, e ladeado por cruz pátea e da Ordens de Cristo, em relevo. Nos panos laterais rasgam-se duas janelas em cada um dos pisos de modinatura igual às do pano central. A fachada lateral esquerda do hospital, virada a poente e formando ligeiro ângulo, apresenta igualmente três panos, rasgados com vãos semelhantes aos anteriores. Fachada posterior terminada em cornija de betão, rasgada, em ambos os pisos, a ritmo mais irregular, por janelas de peitoril retilíneas e de moldura simples, com caixilharia integrando bandeira. Os vários corpos virados ao pátio interno, têm as fachadas rebocadas e pintadas de branco; a igreja tem porta travessa de verga abatida, moldurada, e adossada à capela-mor, dispõem-se escadas com balcão e guarda em ferro, de acesso à mesma, por porta de verga abatida, e à sacristia, por porta de verga reta, abrindo-se inferiormente uma outra porta, de verga abatida e moldura almofadada. A fachada do hospital, perpendicular à igreja, apresenta porta de acesso ao elevador e uma janela quadrangular, e a paralela apresenta, no piso térreo, arcada, de arcos abatidos sobre pilares, no segundo, janelas de peitoril, tal como no terceiro, ainda que de menores dimensões, ambas sem moldura. INTERIOR: de dois e três pisos, com espaços de circulação para acesso a vários compartimentos destinados a uso hospitalar (gabinetes para consultas e enfermagem, quartos para internamento, bloco operatório), uso administrativo (receção, salas de espera) e de vigilância e espaços de manutenção (lavandaria, cozinha, refeitório, copa, instalações sanitárias). Do antigo hospital subsiste uma escada de cantaria de acesso ao segundo piso, de dois lances e patamar intermédio, com coluna de arranque volutada encimada por pináculo piramidal, coberta por falsa abóbada de berço e, no patamar intermédio, de aresta, definida por arcos de volta perfeita sobre pilastras. No topo das escadas existe nicho, em cantaria, com arco de volta perfeita, sobre pilastras, ladeado de aletas e encimado por frontão de volutas interrompido por cruz, entre pináculos.

Acessos

São João Baptista, Avenida Dr. Cândido Madureira (antiga Rua da Graça)

Protecção

Inexistente

Enquadramento

Urbano, no centro histórico do Núcleo urbano da cidade de Tomar (v. IPA.00006271), inserido num quarteirão, no sopé da encosta, e disposto de gaveto, envolvido por arruamentos, tendo adossado às fachadas laterais e posterior outros edifícios. Nas imediações, ergue-se um palácio na Rua Cândido de Madureira, a Casa dos Tectos / Escola Profissional de Tomar (v. IPA.00026379), o Posto de Turismo de Tomar (v. IPA.00003385) e a Casa dos Velhos de Macedo (v. IPA.00026373).

Descrição Complementar

Os arcos das paredes laterais da igreja integram lápides, de mármore, com inscrições. No segundo arco, do lado do Evangelho, surge a inscrição: "À MEMORIA / DE / D. MARIA EZEQUIEL DO QUENTAL / EM TESTEMUNHO DE GRATIDÃO / PELO IMPORTANTE LEGADO QUE FEZ / À MISERICÓRDIA DE THOMAR / A MESA DE 1895". No terceiro arco, sobre a porta de ligação ao hospital, tem a inscrição "ESTA CASA. SE CO/MECOV. PER ORDE/NACAO. DO DOVTOR / XPOVÃO. TEIXEIRA. / DO CONSELHO / DEL REI. NOSSO / SNOR. SENDO PRO/[VEDOR]. NO ANO / DE 1567". No lado da Epístola, o segundo arco possui lápide com a inscrição: "À MEMÓRIA / DO BENEMÉRITO / MANUEL MENDES GODINHO / A MISERICÓRDIA AGRADECIDA / 29-12-1946"; no quarto arco existe lápide com a inscrição: "À MEMORIA / DE VICENTE PEREIRA DO AMARAL / EM TRIBUTO DO BENEFÍCIO / QUE PRESTOU A ESTE / ESTABELECIMENTO DE CARIDADE / A MESA DE 1895"; no quinto arco, a lápide tem a inscrição "À MEMÓRIA DE MIGUEL MARIA FERREIRA PREITO DE CARIDADE NO ANIVERSÁRIO DO SEU FALECIMENTO 13-4-1946". No coro-alto existe órgão positivo de armário, com 2730mm de altura, e caixa em madeira dourada e pintada, dividida em dois corpos. O corpo superior, rematado em friso pintado com flores e laçarias e cornija, é decorado por elementos vegetalistas, drapeados, volutados e figuras femininas alegóricas ao centro, tendo na face principal, duas portas de acesso ao mecanismo. A face interior das portas, tem pintura a prata dourada, com dois anjos músicos simetricamente dispostos, envolvidos por panejamentos esvoaçantes. O corpo inferior possui grande cartela de volutas, a da face principal contendo a inscrição "THOMAS DE MARTINO NEAPOLITANVS / REGIAE CAPPELAS SVA MAJESTATIS / ORGABARIVS FECIT / ABB DOMINI MDCCLVI". A face posterior do órgão, em madeira simples, tem almofadas, as da zona superior com grades de fasquias sobrepostas na diagonal. No interior, aloja o sistema de tubos e demais dispositivos e mecanismos, no corpo superior, e, no inferior, o fole; tem teclado de madeira. Na cobertura da capela-mor, a decoração em estuques, contêm, no lado do Evangelho, uma ave e a inscrição "CUM AMORE / FA LARORE", e um sol e a inscrição "ELECTA / UT SOL", e, do lado da Epístola, uma lua e a inscrição "PULCHRA UT LUNA" e uma balança e a inscrição "SI NON DESCESD/AM NON ASCENDA". No portal do hospital surge a inscrição "MANVEL. NVNES DA COSTA / FIDALGO DA CAZA DE [SUA. MAGESTADE.leitura impercétivel] CAVALEIRO DA / ORDEM DE XP [CRISTO]. DEIXANDO POR SVA HER/DERA ESTA SA[NTA] CAZA DA M[ISEIRCORDI]A ORDE-/NOV SE FIZESE ESTE HOSPITAL. E / NELLE. SE LANÇOV A PRIMEIRA PEDRA / A 7 DE JVLIO DE 1672".

Utilização Inicial

Religiosa: edifício de confraria / irmandade

Utilização Actual

Religiosa: igreja de confraria / irmandade / Saúde: unidade de cuidados continuados

Propriedade

Privada: Misericórdia de Tomar

Afectação

Sem afetação

Época Construção

Séc. 16 / 17 / 18 / 19

Arquitecto / Construtor / Autor

ARQUITETOS: Amílcar Pinto (1927, 1930), José Manuel Rodrigues (2004). CARPINTEIROS: Francisco Roiz (1585-1586), Joaquim Henriques da Fonseca (1893), Miguel Mendes (1894). INDETERMINADO: António Rombo de Almeida (1566), Marcos Garcia (1585-1586), Miguel Mendes Tarracho (1900), Sebastião Rodrigues (1566). ORGANEIROS: Silvestre Sechiappo Pidro (1839-1840), Tommaso de Martino (1757). PEDREIRO: José Graça (1893). PINTORES: Estêvão de Abreu (1730-1731), Manuel da Silva Batista (1900), Mestre da Misericórdia de Abrantes (1545, cerca), Simão de Abreu (1566), Simão d'Abreu (1726-1727). RESTAURADORES: Cláudio Filipe Gonçalves (2005-2009), Fernandes Antunes (2005-2009), Instituto Politécnico de Tomar (1999-2007)..

Cronologia

1510, 08 dezembro - alvará de D. Manuel I instituindo a Misericórdia de Tomar e anexando-lhe três confrarias: a de Nossa Senhora dos Anjos, a de Santa Cruz e a da Gafaria de Santo André, mas, por ser coisa pouca, anexa-lhe também o Hospital de Nossa Senhora da Graça, criado pelo Infante D. Henrique e resultante da fusão de 12 albergarias estabelecidas por almocreves na vila, de modo a que se pagassem os encargos e resíduos gastos nas obras de misericórdia; a Misericórdia tomaria a seu cargo a administração do Hospital de Nossa Senhora da Graça, cujo primeiro provedor e administrador do mesmo fora o vigário de Tomar, D. Frei Diogo Pinheiro; 1520 - instituição de uma Irmandade de expostos no hospital; 1529, 10 outubro - D. João III decide conceder ao provedor e oficiais da Misericórdia de Tomar os privilégios e liberdades que a Misericórdia de Santarém detinha; 1535 - pelo menos desde esta data, a Misericórdia passa a prestar cuidados às crianças expostas no hospital; 1542 - 1563 (?) - durante o priorado de Frei António de Lisboa, as rendas e o hospital passam a ser administradas pelo Convento de Cristo, apesar das múltiplas queixas da Misericórdia (SANTOS, DESTERRO: 2010, p. 48); 1545, cerca - pintura do painel com representação do "Milagre Eucarístico de Santo António", inicialmente atribuída à oficina de Gregório Lopes (REIS-SANTOS: 1960) e, mais recentemente, associada à oficina do Mestre da Misericórdia de Abrantes (FREIRE: 1989); 1563, 02 julho - provisão do Cardeal-Infante D. Henrique concede a administração e as rendas do hospital ao provedor e irmãos da Misericórdia de Tomar, em virtude do reconhecimento da necessidade de lhas restituir, tal eram elevadas as suas despesas face aos rendimentos auferidos (SANTOS, DESTERRO: 2010, p. 48); 1566 - pagamento de 450 reais a Simão de Abreu pela pintura de uma balaustrada, por mudar a colocação dos órgãos para a tribuna que se fez, por 4800 reais, a António Rombo de Almeida, e 500 reais pela pintura do passo da Paixão; 1567 - início da construção da igreja, por ordem do provedor Dr. Cristóvão Teixeira, conforme consta na lápide sobre a porta travessa do Evangelho; 1581, 28 abril - D. Filipe I de Portugal confirma todos os privilégios já concedidos à Misericórdia; 1585 - 1586, cerca - conclusão das obras da casa do cabido, sacristia e coro da igreja, tendo-se pago $060 ao carpinteiro Francisco Roiz, por 3 alqueires de cal para pintar a casa do cabido e sacristia, 6 vinténs a um pedreiro da India, que andou na sacristia, e 38$000 a Marcos Garcia, mestre da obra do coro (SANTOS, DESTERRO: 2010, p. 144); feitura de um santo para o púlpito, por 130 reais; 1594 - Inventário dos bens, maioritariamente constituído por alfaias e vestes litúrgicas; 1594 - 1595 - execução dos azulejos colocadas das capelas colaterais; 1595, 02 julho - a eleição da Mesa realiza-se na Igreja "de Santa Maria da Graça onde está instituída a Santa Confraria e Irmandade da Misericórdia e a ela anexo o Hospital da dita vila" (SANTOS, DESTERRO: 2010, p. 91); 1611 - rei D. Filipe autoriza que a Misericórdia tenha 120 irmãos; 1612, 29 fevereiro - carta de confirmação de privilégios concedida por D. Filipe II; 1613, 19 abril - Simão Preto deixa em testamento à Misericórdia o rendimento de 201$346 para instituição, a título perpétuo, de capela dedicada a Santo António na Igreja de Santa Maria dos Olivais (SANTOS, DESTERRO: 2010, p. 131); 1615 - novo alvará do rei reduz o número de irmãos a 100, retomando a dimensão inicial; 1645, outubro - na sequência de uma petição do provedor e irmãos, D. João IV concede privilégio de isenção aos irmãos mesários de prestarem assistência nas fronteiras devido às guerras com Espanha; 1662 - testamento de Manuel Nunes da Costa, juiz na vila, desembargador do Paço, Cavaleiro da Ordem de Cristo e benemérito da Misericórdia para instituição de capela, com a condição de mandar construir um novo hospital junto ao existente " (...) porque os pobres que se vêm curar à Misericórdia na enfermaria em que hoje se curam me parece desacomodada para doentes, mando que se lhe faça uma enfermaria acomodada para se poderem curar"(SANTOS, DESTERRO: 2010, p. 115); para principiar a obra, o testamenteiro devia entregar cem mil réis à Misericórdia, a qual receberia o que sobrasse do rendimento da sua fazenda, até se acabar a obra, após cumprimento das outras disposições testamentárias; 1670 - Inventário dos Bens da Casa, de onde constam sete painéis novos do Senhor dos Passos (SANTOS, DESTERRO: 2010, p. 146); 1672, 07 julho - lançamento da primeira pedra na construção do novo hospital, conforme data inscrita no tímpano do seu portal; 1695, 22 dezembro - alvará régio concedendo aos maridos e filhos das amas, que criam os enjeitados do Hospital de Nossa Senhora da Graça, o privilégio de isenção de encargos de guerra; 1709, 11 agosto - obras na igreja, com a construção de um novo altar no cruzeiro, conforme referido em documento "A segunda [proposta] que o altar-mor da igreja desta Casa não era de pessoa alguma particular, como também o não era o altar que de novo se fez no Cruzeiro em que estão colocadas as imagens do Senhor Jesus, de Nossa Senhora e de São João Evangelista" (SANTOS, DESTERRO: 2010, p. 148); 1712 - segundo o Padre Carvalho da Costa, a Misericórdia é "bastantemente rica, pois chegão suas rendas a hum conto, aonde sam os pobres doentes excellentemente curados e providos"; 1730 - 1731 - despende-se com Estêvão de Abreu pelas pinturas das molduras das bandeiras e por encarnar e pintar a imagem de São Miguel 1$200; 1751, 22 dezembro - o monarca nomeia nova Mesa, alegando que não serem cumpridos os princípios da Irmandade prejudicando os mais necessitados (SANTOS, DESTERRO: 2010, p. 49); 1757 - feitura do órgão do coro-alto para o Convento de Cristo, pelo organeiro napolitano Tommaso de Martino, organeiro da capela régia; 1782 - Lourenço Ribeiro e Dotes institui uma capela na Misericórdia por 10 anos; 1793 - Mesa propõe a criação de um tombo próprio para registo dos bens legados pelo Dr. Manuel Nunes da Costa, que nesta altura ascendiam a 280$000; 1810 - 1811 - dá-se 6$000 ao pintor que faz a bandeira da Irmandade; 1811 - a Misericórdia manifesta grandes dificuldades em poder tratar a grande quantidade de doentes pobres da vila e seu termo, nas enfermarias do hospital e nas suas casas, tendo sido prestada ajuda pelo Governo para "reorganização do hospital, muito degradado pelos franceses" (SANTOS, DESTERRO: 2010, p. 214); recebe ainda um donativo da Grã-Bretanha para fazer face às despesas com os pobres, doentes, expostos e para o pagamento das amas; 1811 - 1812 - pagamento de 17$410 ao artista que pinta a capela-mor, possivelmente a decoração em estuque (SANTOS, DESTERRO: 2010, p. 149); pagamento 5$160 ao pintor que faz o painel da Irmandade; 1813 - 1814 - despende-se 28$800 com o que se deu à conta do painel para a capela-mor, ajustado por 48$000, e 3$840 com o pano para o mesmo painel, o que leva Graça Brás dos Santos e Maria Teresa Desterro a considerar ter-se feito um novo retábulo-mor, para o qual se pintou o painel da Visitação (SANTOS, DESTERRO: 2010, p. 149); despesa de 7$200 com o mestre pintor da "igreja nova", correspondendo possivelmente à obra da capela-mor; recebem-se várias esmolas para a feitura da imagem do Senhor Jesus dos Passos (235$685) (SANTOS, DESTERRO: 2010, p. 219); novo pagamento pela nova Bandeira Real, despendendo-se com o seu arranjo $240; 1816 - 1817 - despesa de 33$050 com o painel da Visitação, devendo corresponder à prestação final da sua feitura, e de 146$750 com a construção de três banquetas para os altares novos; despende-se 6$360 com a obra do estrado da bandeira; pagamento da 78$000 da obra do pintor que fez os cinco painéis da Quinta-Feira Santa e o de Santo André; 1819 - no inventário dos bens móveis faz-se referência aos painéis com as insígnias da Paixão e a um painel da Irmandade; 1836 - documento refere que "este órgão foi mandado entregar conjuntamente com a Botica do extinto Convento de Christo a esta Santa e Real Caza da Misericordia [de Tomar] por Ordem de Sua Majestade [a Rainha D. Maria II]" (ANTUNES: 2013, p. 12); 1839, março - António Joaquim Fontana é contactado por um procurador da Misericórdia, Feliciano Thomé da Silva, com o objetivo de encarrega-lo do conserto de um órgão; 1846 - segundo o "Inventário dos utensílios pertencentes à igreja desta Santa Casa da Misericórdia a cargo do Reverendo Padre Capelão Mor e Thesoureiro João Filippe Menezes Mergulhão", existe no coro-alto um órgão "que veio do extinto Convento de Christo", e "hum banco d'encosto pintado d'azul dado e bom uso, no Côro da Igreja", provavelmente usado pelo tocador de órgão (ANTUNES: 2013, p. 21); 1854 - dado o estado avançado de degradação do hospital, Manuel da Silva Magalhães manda renovar todo o seu recheio, mobiliário, lençóis, roupas, proceder à limpeza geral ao edifício e a construção de uma varanda envidraçada (SANTOS, DESTERRO: 2010, p. 155); proibição de fazer enterramentos no claustro e quintal do hospital; encerramento do matadouro e açougue da Misericórdia; 1862 - redação do primeiro compromisso da Misericórdia de Tomar, substituindo o antigo que era o da Misericórdia de Lisboa de 1619; 28 maio - carta régia aprova o seu Compromisso; 1874 - Inventário dos bens pertencentes ao hospital, igreja e outras repartições da Misericórdia *1; 1875 - Inventário refere um "Orgão em mau estado" (ANTUNES: 2013, p. 21); 1886, 25 junho - Inventário ainda refere o "órgão em mau estado" (ANTUNES: 2013, p. 21); 1893, 08 maio - é posta em praça a arrematação da obra a fazer nas casas do açougue e dos pobres, pertencentes ao edifício do hospital, para nelas se poder instalar a farmácia para vender ao público; arremata a obra de pedreiro José Graça, por 71$500, e a de carpinteiro Joaquim Henriques da Fonseca, por 150$000, ambos moradores na cidade; 1894, 13 maio - termo de arrematação das pinturas da capela-mor, por Miguel Mendes, carpinteiro desta cidade, por 59$900 (SANTOS, DESTERRO: 2010, 150); 1896, 16 agosto - em sessão da mesa presidida pelo provedor Luís Delgado da Silva, propõe-se a obra de reparação e reconstrução das varandas do claustro da Misericórdia, depositando-se no cofre, como garantia deste contrato, 8$500; 1897, cerca - a Misericórdia tem 4:311$000 de receita, 41:750$000 de capital nominal e 20:528$000 de capital mutuado; 1897, 18 abril - arrematação do acabamento e solidez das varandas do claustro do edifício, pelo carpinteiro Carlos Alberto da Fonseca, de Tomar, por 1$800 (SANTOS, DESTERRO: 2010, p. 150); 1899, 01 janeiro - sendo provedor Luís Delgado da Silva, procede-se ao termo de arrematação da obra para o prolongamento do edifício do hospital pelo lado da Rua Direita, com as seguintes condições: "demolir das paredes e alicerces que actualmente existem; substituí-las, sendo a da frente com as dimensões e architectura do Hospital que faz frente para a Rua Direita, incluindo a cimalha de cantaria, empregando-se na construção pedra de boa qualidade (...). As outras paredes terão as dimensões que forem indicadas. 2º - Emadeirar os pavimentos inferior e superior bem como o tecto do primeiro andar - assoalhar o rés-do-chão e primeiro andar, com rodapé - forrar os mesmos com caleiras, cimalhas, cordões e abas - formar o madeiramento para o telhado que será coberto de guarda-pó pregado. 3º - Fazer um vão de caixilhos de casquinha para as janelas de sacada, com vidros, ferragens, guarnecimentos, pinturas, etc, portas interiores também de casquinha almofadadas, ferragens, grade de ferro para as sacadas. 4º - Fazer duas portas de casquinha, também almofadadas para as ruas da frente, ferragens, trancas de ferro, alisares, guarnições, pintura, etc. 5º - Abrir um vão para uma porta interior, porta de casquinha almofadada, grade, guarnições, ferragens e mais acessórios. 6º - Fazer no pavimento inferior um enchernez (?) que partindo da porta da rua até à escada de ingresso para o primeiro andar. 7º - Fazer uma escada com pernas de castanho ao fundo do enchernez (?), a que refere o artigo 6º e na parte que for indicada. 8º - Empregar ripa de castanho sobre o guarda-pó e madeira de choupo ou castanho em todos os emadeiramentos. 9º - Abrir todos os buracos necessários para os vigamentos e acompanhá-los com todo o devido material. 10º - Fazer todos os rebocos necessários tanto internos como externos, empregando bons materiais e construir o telhado cravejado. (...) 12º - Manter nas paredes que dá para o jardim do hospital uma das portas existentes na frontaria e aprontar-lhe a porta. 13º - A pedra de alvenaria e cantaria e madeiras, resultado da demolição ficam pertencente À Santa Casa podendo o arrematante adquirir estes objectos por meio de compra para lhe ser descontado no preço da adjudicação. 14º - O licitante a quem a obra for adjudicada depositará no cofre desta Santa Casa a quantia de vinte e seis mil réis que lhe será restituída depois de aprovada e aceite. (...). 16º - O empreiteiro respeitará as observações que lhe forem dadas (...) e será obrigado a ultimar a mesma obra dentro do prazo de seis meses" (SANTOS, DESTERRO: 2010, p. 156); 1909 , 31 maio - em sessão presidida pelo Vice Presidente da Comissão Administrativa José Augusto de Oliveira Baptista, procede-se à leitura das propostas para o fornecimento de nove sinos afinados por música, em conformidade com o legado de Patrício Gomes, falecido na cidade (SANTOS, DESTERRO: 2010, p. 150); lê-se ainda a proposta apresentada para arrematação da construção de uma torre de alvenaria e ferro, por 280$000, a qual deveria ser construída sobre a parte angular da capela-mor da igreja, do lado da Rua da Graça, conforme a planta; segundo Alberto Rosa, o carrilhão ficou desafinado na sequência da obra (ROSA: 1974, vol. 9, p. 199); 1911 e 1921 - reforma do Compromisso de 1862; 1918, 21 novembro - informação do carrilhão da Misericórdia ter nove sinos, e um peso aproximado de 1000 kg, valendo cerca 855 escudos (ROSA: 1974, vol. 9, p. 456); 1921, fevereiro - D. Aurora Macedo oferece 50 contos para as obras do hospital (ROSA: 1974, vol. 9, 515); 1922 - 1934 - durante a provedoria de João Torres Pinheiro, e graças ao importante donativo de João de Oliveira Casquilho, e outros, procede-se a alguns melhoramentos e remodelações no edifício do hospital; 1927, 16 janeiro - adjudicação das obras de construção da nova enfermaria para mulheres com projeto do arquiteto Amílcar Pinto; 1930, 28 janeiro - adjudicação da construção da segunda enfermaria para mulheres e da casa para instalação do Raio X, com projeto do arquiteto Amílcar Pinto; 1928, 07 janeiro - aprovação de um novo Compromisso da Irmandade da Misericórdia de Tomar; 1981 - reformulação do Compromisso da Misericórdia; 2002 - o hospital cessa definitivamente as suas funções; 2004, a partir - remodelação profunda do antigo edifício do hospital, com projeto do arquiteto José Manuel Rodrigues, para adaptação a Unidade de Cuidados Continuados de Longa Duração; 2008 - inicio do funcionamento da Unidade de Cuidados Continuados de Longa Duração; 2010 - previa-se a abertura de um novo Lar da Terceira Idade.

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes portantes.

Materiais

Estrutura de alvenaria rebocada e caiada; estrutura de betão no hospital; molduras dos vãos, soco, cunhais, frisos, cornijas, elementos ornamentais das paredes da nave, arco triunfal, púlpito, colunas, pias de água benta, nicho e outros elementos em cantaria calcária; retábulo de talha policroma; painéis pintados; pinturas murais; pavimento cerâmico e em cantaria; teto da nave, caixilharias, portas e pavimentos em madeira, linóleo; decoração em estuque; silhar e revestimento de azulejos azuis e brancos; vidro simples; grades de ferro; cobertura em telha de aba e canudo.

Bibliografia

ANTUNES, Fernando dos Santos - Conservação e Restauro do Órgão de Tubos da Igreja de Nossa Senhora da Graça, da Santa Casa da Misericórdia de Tomar. Provas para a atribuição do Título de Especialista no Domínio da Conservação e Restauro no Instituto Politécnico de Tomar. Tomar: texto policopiado, 2013; COSTA, P. António Carvalho da - Corografia Portugueza.... Braga: 1869, tomo III; FREIRE, Paula Cristina Martins - «O milagre eucarístico de Santo António da Misericórdia de Tomar». In Boletim Cultural e Informativo da Câmara Municipal de Tomar. Tomar: 1989, n.ºs 11 / 12; GOODOLPHIM, Costa - As Misericórdias. Lisboa: Livros Horizonte, 1998 (1º ed. 1897); MECO, José - Azulejaria em Portugal. Lisboa: Bertrand Editora, 1985; MOREIRA, Rafael - «As Misericórdias: um Património Artístico da Humanidade. In 500 Anos das Misericórdias Portuguesas, Solidariedade de Geração em Geração, Catálogo da Exposição no Mosteiro de Santa Mónica para as Comemorações dos 500 anos das Misericórdia. Lisboa: Printer, 2000, pp. 135-164; PAIVA, José Pedro (coord.) - Portugaliae Monumenta Misericordiarum, Fazer a História das Misericórdias. Lisboa: 2002, vol. 1, 2004, vol. 3; PINHEIRO, João Torres - O hospital da Misericórdia e o caminho de ferro de Thomar. Tomar: 1933; REIS-SANTOS, Luís - «Painel Antoniano de Gregório Lopes na Misericórdia de Tomar». Sep. Belas Artes. Lisboa: 1960, nº 15, pp. 3-12; RODRIGUES, Casimiro Jorge Simões - Tomar na época dos Descobrimentos. Dissertação de Mestrado apresentada à Faculdade de Letras Universidade de Lisboa. Lisboa: texto policopiado, 1994; ROSA, Alberto de Sousa Amorim - Anais do Município de Tomar... Tomar: Câmara Municipal, 1968, vol. IV, 1971, vol. VII, 1974, vol. IX; SANTOS, Graça Arrimar Brás dos, DESTERRO, Maria Teresa - A Santa Casa da Misericórdia de Thomar. 500 Anos de História (1510-2010). Tomar: Santa Casa da Misericórdia de Tomar, 2010; SANTOS, Graça Maria de Abreu Arrimar Brás dos - A Assistência da Santa Casa da Misericórdia de Tomar - Os Expostos - 1799-1823. Dissertação de Mestrado em História Regional e Local apresentada na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Lisboa: texto policopiado, 2001; SEQUEIRA, Gustavo de Matos - Inventário Artístico de Portugal. Distrito de Santarém. Lisboa: Academia Nacional de Belas Artes, 1949, vol. III; SOUSA, J. M. - Notícia descriptiva e histórica da cidade de Thomar. Thomar: Typ. Silva Magalhães, 1903; TOJAL, Alexandre Arménio, PINTO, Paulo Campos - Bandeiras das Misericórdias. Lisboa: Comissão para as Comemorações dos 500 anos das Misericórdias, 2002.

Documentação Gráfica

Santa Casa da Misericórdia de Tomar

Documentação Fotográfica

DGPC: DGEMN:DSID, SIPA

Documentação Administrativa

Santa Casa da Misericórdia de Tomar: Arquivo da Misericórdia (datas extremas: 1508 - 1958)

Intervenção Realizada

Proprietário: Séc. 16 - pagamento de $800 aos carpinteiros que procedem ao conserto dos órgãos, pro ordem do Provedor e irmãos (SANTOS, DESTERRO: 2010, p. 145); 1566 - conserto das telhas do alpendre por Sebastião Rodrigues, por 10 reais, dos órgãos, por 2400 reais, e pagamento de 800 reais ao pintor; 1726 / 1727 - despesa com o pintor Simão d'Abreu, de pintar o ferro do andor do Senhor dos Passos; 1732 - conserto das duas entradas, bem como da estante do coro (SANTOS, DESTERRO: 2010, p. 148); 1839, 15 novembro / 1840, 04 janeiro - conserto do órgão, no qual se gasta o "custo de quinze e meio arráteis de chapa para canudos novos, de que o órgão precisava e trouxe de Lisboa a cento e vinte reis o arrátel, mil oitocentos e secenta reis" (ANTUNES: 2013, pg. 20); tal, revela que faltavam tubos no órgão ou que esses estavam em mau estado; mas teve que se substituir mais tubos: " (...) mais trinta e um arráteis de chumbo em chapa que se pediu a Silvestre Sechiappo Pidro para acabar os canudos que faltavam, e custou a oitenta reis, dois mil quatrocentos e oitenta reis"(ANTUNES: 2013, pg. 20); gasta-se ainda $280 para solda fina, $960 em formas para os tubos e $420 relativo ao trabalho de um homem que esteve a tocar os foles; 1892, junho - sendo provedor Francisco Pereira da Silva Sardo, procede-se ao termo de arrematação de caiação interna e externa do edifício do hospital, suas dependências e capelas (SANTOS, DESTERRO: 2010, p. 155); 1896 - sendo provedor Luís Delgado da Silva, procede-se ao termo de arrematação de diversas obras e pinturas (SANTOS, DESTERRO: 2010, 155); 1900, 06 maio - ainda sob a administração do provedor Luís Delgado da Silva, verifica-se que as obras de carpinteiro e pedreiro são licitadas por Miguel Mendes Tarracho, no valor de 128$500, e as de pintura por Manuel da Silva Batista, por 129$900; 1987 - restauro das imagens de São Mateus, de São Marcos, São Lucas e São João Evangelista, numa oficina de Viana do Castelo; SCMT/IPT-ESTT: 1998 - restauro dos estuques decorativos da capela-mor e arco triunfal e das pinturas das capelas colaterais; colocação de guarda-vento de vidro; limpeza de cantarias; remodelação dos telhados; Proprietário: 1999 - restauro dos painéis das capelas colaterais com São Domingos de Gusmão e o Milagre Eucarístico de Santo António, no Instituto Politécnico de Tomar; 2000 - restauro das imagens de Nossa Senhora da Conceição, da Mater Dolorosa, do Arcanjo São Miguel, do Menino Jesus entre os Doutores, do Menino Jesus "Salvator Mundi" do oratório, da imagem de Cristo na cruz "aspirante", mais quatro imagens de Cristo na cruz e as Bandeiras dos Passos, no Instituto Politécnico de Tomar; 2002 - restauro das imagens da Pietá, Santo António, de Cristo na cruz, da imagem de Cristo Morto, no Instituto Politécnico de Tomar; início das obras de remodelação e reconstrução do hospital, contemplando a demolição de parte da antiga sacristia, que foi transferida para outro local, ampliação do vão de acesso ao pátio localizado no ângulo da fachada principal da capela-mor, remodelação do espaço interior do hospital com alteração da sua espacialidade original para se adaptar às necessidades da prática hospitalar; 2003 - restauro do Pendão do Espírito Santo, do painel do retábulo-mor com Visitação, no Instituto Politécnico de Tomar; 2005 - conclusão das obras de remodelação e reconstrução do hospital; 2005 / 2006 / 2007 / 2008 / 2009 - restauro do órgão do coro-alto, pelo mestre Fernandes Antunes coadjuvado por Cláudio Filipe Gonçalves, no Instituto Politécnico de Tomar; 2007 - restauro das duas Bandeiras Reais da Misericórdia e dos Pendões, por Frederico Henriques; 2019, julho - obras de conservação no interior da igreja.

Observações

*1 - No Inventário dos bens pertencentes à Misericórdia, de 1874, constam, entre outros bens, seis painéis dos Passos, um painel de Santo André, cinco painéis da Semana Santa, um reposteiro com as armas da Casa, uma imagem do Senhor Morto, uma imagem do Senhor das Chagas, uma Bandeira da Irmandade, uma imagem da Senhora da Paciência, uma imagem do Senhor dos Passos, uma imagem da Senhora da Piedade, uma imagem da Senhora das Dores com diadema de prata, uma imagem do Senhor dos Aflitos, uma de Santo António, uma de São Miguel, uma de São João Evangelista, uma de Santa Iria, um crucifixo na Casa dos mortos, um painel da Visitação, quatro imagens dos Apóstolos, um órgão, um crucifixo da sacristia, dois painéis na mesma sacristia, uma coroa de prata de Nossa Senhora da Conceição, um resplendor de prata do Senhor dos Passos, um crucifixo no hospital e um painel no oratório (SANTOS, DESTERRO: 2010, p. 133). Na relação de bens de 1886, constam ainda seis painéis do Senhor dos Passos, um painel de Santo André, um pendão, catorze varas novas, um Santo Sudário, cinco painéis da Procissão da quinta-feira Santa, um reposteiro com as armas da Misericórdia, dois serafins em mau estado, uma imagem do Senhor Morto, uma imagem do Senhor das Chagas, uma Bandeira da Irmandade, uma imagem do Senhor da Paciência, uma imagem do Senhor dos Passos, uma imagem da Senhora da Piedade, uma imagem da Senhora das Dores com diadema de prata, uma imagem de Nossa Senhora da Conceição, uma imagem do Senhor dos Aflitos, uma de santo António, uma de São Miguel, uma de São João Evangelista, uma de Santa Iria, um crucifixo da Casa dos mortos, um painel da Visitação, quatro imagens dos Apóstolos, um órgão, um crucifixo da sacristia, dois painéis da sacristia, um relógio com caixa, quatro molduras com retratos. *2 - Segundo uma antiga descrição do hospital, anterior às remodelações mais recentes, a entrada era feita por um alpendre junto à igreja; seguia-se um corredor que dava acesso ao claustro, onde existia casas para arrecadação, casa para pernoitarem os mendigos e uma casa com lareira; em cima ficavam as enfermarias para homens e para as mulheres e os quartos para o enfermeiro e enfermeira, assim como outras acomodações; na enfermaria das mulheres existia uma janela que comunicava com a capela-mor da igreja; para nascente havia um pátio murado que servia de cemitério para enterramentos dos que faleciam no hospital; a antiga zona da cozinha e das enfermarias dos homens não existia, tendo sido acrescentada na obra de 1672 (ROSA, 1965; PINHEIRO, 1933, SANTOS, 2001).

Autor e Data

Paula Noé 2019

Actualização

 
 
 
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