Pelourinho de Povos

IPA.00006395
Portugal, Lisboa, Vila Franca de Xira, Vila Franca de Xira
 
Arquitectura político-administrativa e judicial, manuelina. Pelourinho de pinha cónica, com soco octagonal de três degraus, base facetada oitavada e fuste torso com faixas decoradas, com dois registos separados por nó, e o segundo com elementos vegetalistas, zoomórficos e grutescos. Capitel oitavado com elementos heráldicos, de onde saem os ferros de sujeição com decoração zoomórfica. Remate tronco-cónico com ferros de sujeição terminando em cabeça de serpe. Destaca-se o nó central vegetalista encimado por torsal de nastros e a decoração do fuste com dois tipos de motivos iconograficamente diferenciados nos 2 registos, sendo que no segundo se aliam elementos zoomórficos e vegetalistas de carácter popular, local, e grutescos de carácter erudito, bebidos na natureza e em repertórios ornamentais difundidos por gravuras, do tipo dos pelourinhos de Colares (v. PT031111050010), Vila Franca de Xira (v. PT031114090001), Alverca do Ribatejo (v. PT031114020003) e Azambuja (v. PT031103040001). Capitel oitavado com as armas do donatário.
Número IPA Antigo: PT031114090004
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Estrutura  Judicial  Pelourinho  Jurisdição senhorial  Tipo pinha

Descrição

Estrutura em cantaria de mármore, composta por soco octogonal de três degraus de focinho boleado, onde assenta base oitavada de faces côncavas com três anéis envolventes. Fuste cilíndrico helicoidal, com arestas espiraladas à direita, decorado com série de rosetas até meia altura onde se encontra nó constituído por dois anéis sobrepostos, de dimensões e decoração diferenciada: o inferior recamado de folhagem com caules ondulantes de onde pendem folhas, romãs, alcachofras e bolotas, abocanhados na base por animais (leão, raposa, cão e dragão), e com grutescos (cornucópias, taças e flores estilizadas) e o superior decorado com torsal de nastros. Capitel prismático oitavado, tendo apostas três pedras de armas dos Ataíde e uma cabeça em alto relevo. Remate tronco-cónico de topo arredondado, onde se cravam inferiormente quatro ferros em cruz, com remates zoomórficos, providos de argolas *1.

Acessos

Largo do Pelourinho, junto à Rua Direita. WGS84 (graus decimais) lat.: 38.968047; long.: -8.984783

Protecção

Categoria: IIP - Imóvel de Interesse Público, Decreto n.º 23 122, DG, 1.ª série, n.º 231 de 11 outubro 1933 / ZEP, Portaria n.º 1622/2006, DR, 2.ª Série, n.º 191 de 03 outubro 2006

Enquadramento

Urbano. Ergue-se, isolado, numa pç. calcetada, com algumas árvores, no centro da antiga vila, junto à primitiva Casa da Câmara que possui um fontanário com pedra de armas dos Ataíde *1 e canteiros floridos.

Descrição Complementar

As armas dos Ataíde são de azul, quatro bandas de prata, tendo por timbre onça agachada de sua cor com as quatro bandas do escudo.

Utilização Inicial

Judicial: pelourinho

Utilização Actual

Cultural e recreativa: marco histórico-cultural

Propriedade

Pública: estatal

Afectação

Autarquia local, Artº 3º, Dec. nº 23 122, 11 Outubro 1933

Época Construção

Séc. 16

Arquitecto / Construtor / Autor

Desconhecido.

Cronologia

1195, Janeiro - concessão de foral por D. Sancho I; 1218, Fevereiro - confirmação do foral por D. Afonso III; séc. 16 - concessão da povoação a D. António de Ataíde, Conde da Castanheira, por D. João III; 1510, 01 Junho - D. Manuel I doa às vilas de Castanheira e Povos novo foral, na sequência do qual deve ter sido construído o Pelourinho; séc. 16 - a vila é senhorio dos Ataídes (condes de Castanheira), justificando que D. António de Ataíde, 1º conde da Castanheira (1500 - 1563), mandasse colocar nele as suas armas; séc. 17 - a povoação, por falta de herdeiros, passa para a Casa do Infantado, na pessoa de D. Francisco; 1712 - tem 350 vizinhos e é do Infante D. Francisco, tendo pertencido aos Condes de Castanheira; pertence à Comarca de Torres Vedras e tem 2 juízes ordinários, 3 vereadores, procurador do concelho, escrivão da câmara, juiz dos órfãos com o respectivo escrivão e 2 tabeliães; 1758, 23 Abril - nas Memórias Paroquiais, assinadas pelo pároco António de Sousa Pereira, tem câmara, juiz, ouvidor da Castanheira, escrivão da câmara, 4 escrivães, escrivão de almotaçaria e pelourinho de pedra lavrada; 1795, 21 Abril - alvará que uniu os Concelhos de Alverca e Alhandra, onde se integrou Povos; 1850 - segundo João José Miguel Ferreira da Silva Amaral (1792 - 1874), «assentava numa peanha de 4 degraus e tinha 20 e tantos palmos»; 1924 - segundo Vergílio Correia, havia sido restaurado há pouco tempo por uma distinta família da região e tinha só 2 degraus; 2003, 26 abril - proposta da DRLisboa de fixação da Zona Especial de Proteção; 29 maio - Despacho de homologação da Zona Especial de Proteção pelo Ministro da Cultura.

Dados Técnicos

Sistema estrutural autónomo.

Materiais

Estrutura em cantaria de mármore; ferros de sujeição em ferro.

Bibliografia

AMARAL, João José, Ofertas Históricas (...), Vila Franca de Xira, 1990; AZEVEDO, Carlos de, FERRÃO, Julieta, GUSMÃO, Adriano de, Monumentos e Edifícios Notáveis do Distrito de Lisboa, Lisboa, 1963; BASTOS, Fernando Pereira, Apontamentos sobre o Manuelino no Distrito de Lisboa, Lisboa, 1991; CÂNCIO, Francisco, Ribatejo Histórico e Monumental, v.3, s.l., 1939; CHAVES, Luís, Os Pelourinhos, Lisboa, 1938; CHAVES, Luís, Os Pelourinhos no actual concelho de Vila Franca de Xira,na Província da Estremadura e Distrito de Lisboa in Boletim Comemorativo do 25º. Aniversário da Biblioteca - Museu Municipal Dr. Vidal Batista, Vila Franca de Xira, 1972, p. 150 - 170; CORREIA, Vergílio, Monumentos e Esculturas (séc. III-.XVI), Lisboa, 1924; COSTA, António Carvalho da (Padre), Corografia Portugueza, vol. III, Lisboa, Officina Real Deslandesiana, 1712; COSTA, José, Roteiro Bibliográfico de Vila Franca de Xira, Vila Franca de Xira, 1998; MALAFAIA, E.B. de Ataíde, Pelourinhos Portugueses -tentâmen de inventário geral, Lisboa, Imprensa Nacional - Casa da Moeda, 1997; MACEDO, Lino de, Antiguidades do Moderno Concelho de Vila Franca de Xira, 2ª ed., Vila Franca de Xira, 1992; O Concelho em que Vivemos, Vila Franca de Xira, 1998; Pelourinhos do Distrito de Lisboa, Boletim DGEMN, nº 123, s.l., 1966.

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN/DSID; DGARQ/TT: Memórias Paroquiais (vol. 30, n.º 249, fl. 1885-1896)

Intervenção Realizada

C.M.V.F.X.: 1971 - o Pelourinho foi escorado por estar em precário estado de equilíbrio, talvez devido a colisão de viatura ou à proximidade de fonte de água corrente que impregnou o terreno. Procedeu-se posteriormente ao desmonte de todas as peças do fuste, colagem de fragmentos desagregados, ligações com pernos de latão e remontagem; picagem da plataforma, que está cimentada, e sua pavimentação com cantaria.

Observações

Autor e Data

Sara Andrade 2000 / Lina Marques 2001

Actualização

 
 
 
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