Solar da Quinta do Pato / Quinta da Família Pato e Cunha / Quinta do Pato

IPA.00006378
Portugal, Lisboa, Mafra, União das freguesias de Azueira e Sobral da Abelheira
 
Casa nobre com capela adossada, construída na primeira metade do séc. 18, por ordem dos morgados da Bandalhoeira, apresenta a racionalidade própria de uma quinta barroca, quer na sua austera e elegante decoração, quer na disposição funcional articulando, o acesso ao solar com as dependências de apoio ao trabalho agrícola, em torno de um pátio retangular à face da rua, e permitindo um acesso independente à capela da casa. Inserida numa propriedade agrícola, a casa ostenta uma planta poligonal, resultado da articulação de dois corpos retangulares justapostos, com dois pisos, o solar e a capela anexa, a que se adossa, a ocidente, um corpo de um só piso com que estabelece um pátio retangular de entrada. Para sul, perpendicularmente aos corpos do solar e capela, e fechando o pátio, desenvolvem-se outros dois corpos retangulares justapostos correspondentes a dependências de apoio aos trabalhos agrícolas. As suas fachadas são bastante sóbrias, próprias de uma propriedade rural da denominada região saloia, rebocadas e caiadas a branco, delimitadas por cunhais de cantaria calcária, rematadas por beiral simples, apresentando, na sua extremidade junto à capela um pano sineiro (hoje sem sino) e rasgadas, num ritmo regular, sobretudo no piso nobre, por janelas de peitoril, de guilhotina, inscritas em molduras de arco abatido em cantaria calcária. Na fachada virada à rua, as janelas do piso nobre são dotadas de parapeito destacado apoiado em mísulas. A fachada principal da capela, semi-independente, distingue-se do pano do solar pela empena curva, é animada pelo portal de verga reta encimado por frontão com enrolamento e sobrepujado por óculo cilíndrico. Na continuidade da fachada do solar, para sul, encontra-se o acesso à habitação, um portão férreo ladeado por capitéis apilastrados sobrepujados por fogaréus, rasgado no muro. É através da sua fachada lateral esquerda, virada ao pátio, que é feito o acesso ao interior do imóvel, por uma escada de tiro, servida de guarda plena de alvenaria, que acede ao piso nobre. É, igualmente, a partir do pátio que se acede às dependências agrícolas da quinta. A organização interior dos espaços será também a caraterística dos solares barrocos, estando o primeiro piso reservado às áreas de serviço, com entrada igualmente pela fachada sul, por porta de verga curva. O piso nobre, segundo piso, é servido de átrio, reservando para a zona virada à rua as áreas sociais e para as fachadas poente e noroeste, as áreas privadas, incluindo o acesso interno à capela. Apresenta pinturas murais a decorar paredes e tetos das áreas sociais.
Número IPA Antigo: PT031109010029
 
Registo visualizado 546 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Residencial senhorial  Casa nobre  Casa nobre  Tipo planta retangular com pátio central

Descrição

Planta poligonal, resultado da articulação de dois corpos retangulares justapostos, com dois pisos, o solar e a capela anexa, a que se adossa, a ocidente, um corpo de um só piso com que estabelece um pátio retangular, em U, de entrada. Perpendicularmente aos corpos do solar e capela, fechando o lado sul do pátio, desenvolvem-se dois corpos retangulares justapostos correspondentes a dependências de apoio aos trabalhos agrícolas. Fachadas rebocadas e caiadas a branco, delimitadas por cunhais de cantaria calcária e rasgadas por janelas de peitoril, de guilhotina, inscritas em molduras de arco abatido em cantaria calcária. Coberturas telhadas, a três águas no solar e a duas na capela. Fachada principal orientada a nordeste, constituída por dois panos, delimitados lateralmente por cunhais de cantaria, correspondentes ao solar e à capela, antecedidos por muro no qual se abre o portão de ferro, ladeado por pilastras de cantaria encimadas por fogaréus e ligado ao cunhal do solar por um capeamento de calcário decorado com volutas. O pano do solar é superiormente delimitado por beirado simples, rematado, no seu extremo direito, por um pano sineiro, apresenta dois pisos (com o desnível acusado pela diminuição progressiva da dimensão dos vãos do inferior), ritmados pelo rasgamento de quatro janelas de peito, sendo as do segundo piso, andar nobre, dotadas de parapeito destacado apoiado em mísulas. O segundo pano, fachada principal da capela, é animado pelo rasgamento, a eixo, do portal de verga reta (ao qual se acede por alguns degraus) encimado por frontão com enrolamento e sobrepujado por óculo cilíndrico e superiormente rematada em empena contracurvada. Fachada lateral esquerda, virada ao pátio, por onde se faz o ingresso, independente por piso, ao interior do imóvel, apresenta o primeiro piso rasgado por aberturas irregulares, com destaque para a porta de verga curva, efetuando-se o acesso ao interior do segundo piso, andar nobre, por meio de porta de verga curva à qual se acede por escada murada de um só lanço reto, que se desenvolve paralelamente ao plano da fachada. Neste piso, além da porta (situada no extremo esquerdo), abrem-se quatro janelas de peito e, ao centro, uma janela de sacada com grade de ferro forjado de varas verticais com anéis a meia altura. Em torno do pátio retangular adossam-se para sul aquelas que seriam as dependências agrícolas da quinta, de um só piso, cobertura telhada a quatro águas e rasgada por vãos retilíneos servidos de portas de correr em metal, ou curvos. INTERIOR: primeiro piso constituído pelas dependências das áreas de serviço, cozinhas, despensa, e instalações dos funcionários, piso nobre reservando as áreas sociais para a face externa (fachada virada ao pátio e à rua) e a face interna, para as áreas privadas, incluindo acesso privado à capela. As áreas nobres estão decoradas com frescos oitocentistas, sendo de destacar, no átrio, o teto com o brasão do proprietário.

Acessos

Bandalhoeira, Ladeira da Quinta, n.º 2. WGS (graus decimais): lat. 38,999304, long. -9, 282854.

Protecção

Categoria: IM - Interesse Municipal, Decreto n.º 2/96, DR, 1.ª série-B, n.º 56 de 06 março 1996 *1

Enquadramento

Rural, destacado, flanqueado. Localizado a meia encosta, na ladeira a que dá nome, a sudeste do centro do lugar da Bandalhoeira, o solar apresenta-se complementado por outras edificações (de piso térreo), localizadas a sudeste, organizadas em torno de um pátio retangular, tendo, para ocidente jardim e campos de vinha, confronta, para nascente com pomares, a sul existem algumas empresas ligadas à construção (fabrico de telhas e tijolo e exploração de mármores e granitos), para norte a área habitacional local.

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Residencial: casa nobre

Utilização Actual

Residencial: casa

Propriedade

Privada: pessoa singular

Afectação

Época Construção

Séc. 18

Arquitecto / Construtor / Autor

Cronologia

Séc. 18, 1ª metade - edificação da casa e capela da quinta, pertença da família Pato e Cunha, morgados da Bandalhoeira; 1996, 06 marrço - é classificado como VC - Valor Concelhio (Decreto n.º 2/96, publicado no D.R., 1.ª série-B, n.º 56); 2001, 08 setembro - a classificação como VC é convertida para IM - Interesse Municipal, nos termos do n.º 2 do art.º 112.º da Lei n.º 107/2001, publicada no D.R., 1.ª Série-A, n.º 209.

Dados Técnicos

Paredes autoportantes

Materiais

Alvenaria mista, reboco pintado, cal, cantaria de calcário, madeira, vidro, ferro forjado, estuque, telha

Bibliografia

COSTA, Américo - Dicionário Corográfico de Portugal Continental e Insular. Porto: Livraria Civilização, 1943, vol. VIII; FERNANDES, Paulo, Almeida; VILAR, Maria do Carmo - Identidades: património arquitectónico do Concelho de Mafra. Mafra: Câmara Municipal de Mafra, 2009; LUCENA, Armando de - Monografia de Mafra. Mafra: Comissão Municipal de Turismo, 1987; www.patrimoniocultural.gov.pt (acedido em março 2018).

Documentação Gráfica

Documentação Fotográfica

DGPC: PT DGEMN/DSID

Documentação Administrativa

Intervenção Realizada

Observações

*1 DOF: Solar da Quinta do Pato, também denominado Quinta da Família Pato e Cunha ou Quinta do Pátio (sendo esta última uma referência errónea).

Autor e Data

Paula Tereno 2018

Actualização

 
 
 
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