Convento de Nossa Senhora da Assunção / Ruínas do Convento de Penafirme

IPA.00006355
Portugal, Lisboa, Torres Vedras, União das freguesias de A dos Cunhados e Maceira
 
Arquitectura religiosa. Convento composto por igreja e dependências conventuais, com igreja de planta longitudinal simples, de nave única com cabeceira quadrangular sem transepto, com vestígios de coberturas de abóbada de berço na nave e de abóbada de arestas na cabeceira. Convento e dependências conventuais nas quais se incluem a sacristia, o claustro e as celas.
Número IPA Antigo: PT031113010019
 
Registo visualizado 546 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Convento / Mosteiro  Convento masculino  Ordem dos Eremitas de Santo Agostinho - Gracianos

Descrição

Complexo arquitectónico circundado por muro (do qual ainda restam vestígios) constituído por: igreja e dependências conventuais (das quais se reconhecem a sacristia, o claustro e as celas). De planta longitudinal composta, o complexo é formado por 2 corpos distintos, um orientado de O. para E. (igreja) e outro orientado de N. para S. (celas). No lado S. do convento encontram-se vestígios de um possível canal (onde se identificam restos de cerâmica vidrada) que transportaria água para o edifício. O convento é provido de blocos de cantaria em todos os seus cantos. IGREJA: no corpo orientado de E. para O. fica a igreja do convento de nave única com cabeceira quadrangular sem transepto. Quer na nave quer na cabeceira existem vestígios de coberturas: abóbada de berço sem marcação de arcos torais no caso da nave e abóbada de arestas no caso da cabeceira, permanecendo ainda 2 das mísulas de cantaria onde assentariam os arranques da abóbada *1. Nota-se na parede frontal da cabeceira a existência de um orifício que poderia ser de um óculo, provavelmente redondo e emoldurado por cantaria, do qual hoje não restam vestígios. Na parede S. da cabeceira persiste ainda uma outra janela rectangular, na qual se podem observar orifícios redondos que proveriam possivelmente de gradeamentos. Na nave, na parede S., assinala-se a existência de 3 janelas rectangulares: a 1ª insere-se num arco de volta perfeita e, tal como a 2ª, só em parte é emoldurada por cantaria; a 3ª, mais pequena, tem a moldura completa. Subsiste ainda nesta parede parte de um arco de volta inteira também emoldurado por cantaria; na parede N., encontra-se ainda o arranque de um arco de volta perfeita em cantaria correspondente à 1ª janela da parede S. *2. POSSÍVEL SACRISTIA: a N. da cabeceira descobre-se uma estrutura rectangular, sem janelas visíveis, bastante mais baixa que o arranque das abóbadas da cabeceira, onde se identifica bastante claramente o arranque de uma abóbada de berço. CLAUSTRO: no lado de fora da parede N. da nave da igreja reconhecem-se os arranques de 5 abóbadas de aresta que faziam parte de um edifício que devia ser mais baixo que a nave da igreja. As abóbadas encontram-se agrupadas em 3 grupos: 2 com 2 abóbadas e um que se acha entre estes 2 e que é separado deles por 2 arcos torais, dos quais se notam ainda os arranques *3. CELAS: no corpo orientado de S. para N. nota-se, ainda de pé, uma parede com a respectiva empena de uma construção dividida em 2 andares. O andar inferior, cujo pavimento se encontra coberto de areia, está divido em 3 compartimentos, sendo qualquer deles coberto por abóbadas de berço. Cada um destes compartimentos dispunha de uma porta ou janela tendo o compartimento central, por cima dessa porta ou janela, um pequeno óculo. No andar superior, também dividido em 3 compartimentos, só o central é abobadado *4. Cada um dos compartimentos compreende uma janela rectangular; o compartimento central, por cima dessa janela, possui uma outra mais pequena.

Acessos

Praia de Santa Rita, Vimeiro. WGS84 (graus decimais) lat.: 39,163516, long.: -9,355824

Protecção

Categoria: IIP - Imóvel de Interesse Público, Decreto n.º 29/90, DR, 1.ª série, n.º 163 de 17 julho 1990 (terceiro edifício em ruínas), Decreto n.º 45/93, DR, 1.ª série-B, n.º 280 de 30 novembro 1993

Enquadramento

Rural. Meio coberto pelas areias, implanta-se perto da praia e de habitações de veraneio, não possuindo qualquer arranjo da área envolvente.

Descrição Complementar

AZULEJARIA: séc. 17 (soterrada).

Utilização Inicial

Religiosa: convento masculino

Utilização Actual

Devoluto

Propriedade

Privada: pessoa singular

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 09 / 12 / 16 / 18

Arquitecto / Construtor / Autor

Desconhecido.

Cronologia

Séc. 9, meados - data apontada por frei António da Purificação para a sua fundação. Segundo o cronista o mosteiro foi construído neste local ermo devido aos constantes ataques que os monges sofriam dos muçulmanos da vila de Torres Vedras. O convento foi edificado para uns em honra de Santa Rita (derivando daí o nome da actual praia) e para outros em honra de Nossa Senhora da Assunção *5. Foi denominado posteriormente por convento dos beneditinos da ordem dos eremitas descalços, de convento dos eremitas de Santo Agostinho ou, como é conhecido actualmente, de Convento de Nossa Senhora da Graça de Penafirme. Quanto ao seu fundador são apontadas várias hipóteses: um frade alemão, rei D. Dinis e um eremita estrangeiro de nome Guilherme; séc. 12, meados - campanha de obras por iniciativa de S. Guilherme: existe a hipótese de um restauro ou de uma reconstrução de raiz; 1226 - doação feita pela Câmara Municipal de Torres Vedras ao convento; 1387, antes de - já existia como convento dos eremitas de Santo Agostinho *6; séc. 14 - D. Dinis deixa ao convento por testamento 100 libras; 1547 - segundo o «Livro de Memórias da Província» dá-se a fundação do 2º convento; 1575 - o então prior quis forrar as celas, que antes eram somente cobertas de telha vã; só foi realizada parte da obra uma vez que o provincial, que então era Frei Miguel dos Santos, achou ser aquela uma forma de fazer esquecer aos religiosos o exemplo vindo da humildade e pobreza dos seus antepassados. Por esta altura o mosteiro era um reflexo da pobreza em que viviam os religiosos: era mais pequeno que um mosteiro de padres capuchos com celas muito pequenas e tectos muito baixos, o claustro tinha um só andar, a igreja era pequena, e somente esta e a sacristia tinham cobertura; 1597 - segundo frei António da Purificação data do início da nova edificação (2ª), construída junto à primeira; 1642 - as obras do convento ainda não haviam terminado. Residiam nessa altura somente 12 religiosos; 1861 - conservam-se ainda alguns dos seus vestígios num areal a cerca de 1/4 légua para N. do actual convento; 1735/1755 - fundação da 3ª edificação, sob o impulso do provincial frei António de Sousa, da Casa de Távora; 1755 - existência de um cruzeiro de pedra no cimo do monte que se encontra a E. do mosteiro e que, segundo reza a lenda, foi colocado em memória de um monge que na manhã de 1 de Novembro de 1755, durante ou após o terramoto, terá ainda conseguido subir até ao referido monte tendo de seguida morrido de exaustão; 1755, depois de - após o terramoto o convento torna-se inabitável e é transferido para 2.5 Km para o interior. O convento que passou a ser um seminário *7 utilizou na sua construção pedras do antigo convento; 1834 - depois da extinção das ordens religiosas é comprado em hasta pública em Lisboa por José Avelino Nunes de Carvalho, negociante da vila; 1834 ou 1835 - a sua principal quinta é dada ao Almirante Bartorius; aquisição do imóvel por José Avelino Jesus de Carvalho.

Dados Técnicos

Estrutura mista

Materiais

Alvenaria mista ( pedra / tijolo ) e calcário

Bibliografia

PURIFICAÇÃO, frei António da, Chronica da Antiquissima Provincia de Portugal da Ordem dos Eremitas de S. Agostinho, Parte Primeira, Lisboa, 1642; 1642; TORRES, Manuel Agostinho Madeira, Descripção Historica e Economica da Villa e Termo de Torres Vedras, Coimbra, 1861; LOPES, Flávio (coord. de), Património Arquitectónico e Arqueológico Classificado, vol. II, Lisboa, 1993; AZEVEDO, Carlos Moreira, Agostinhos in Dicionário de História Religiosa de Portugal, vol. A-C, Lisboa, 2000.

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID; IGESPAR: IPPAR

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN/DSID

Intervenção Realizada

S. Guilherme: séc. 12, meados - campanha de obras: possível restauro ou reconstrução de raiz; 1547 ou 1597 - fundação do 2º convento; prior do convento: 1575 - tentativa de forrar as celas que antes eram somente cobertas de telha vã; provincial frei António de Sousa, da Casa de Távora: 1735/1755 - fundação do 3º convento; 1755, depois de - o novo seminário, que vem substituir o convento, utiliza na sua construção pedras do antigo convento.

Observações

*1 - na separação da cabeceira e da nave existiria um arco toral; *2 - supõe-se que neste lugar existia a figura de Nossa Senhora da Assunção presentemente no seminário; *3 - estas estruturas encontram-se ligadas por buracos feitos no aparelho da nave da igreja; *4 - os compartimentos laterais eram cobertos provavelmente por tectos de madeira; *5 - frei António da Purificação documenta que as únicas lendas enraizadas, popularmente ligadas a este local, se dividem em 2 grupos distintos: o 1º liga-se a uma imagem milagreira da Assunção de Nossa Senhora, que se encontrava no altar-mor deste convento, a que o povo tinha grande devoção e o 2º prende-se com a cura de enfermos, a salvação de pessoas de desastres e o impedimento da própria igreja de arder; *6 - fez parte da primeira difusão desta ordem que se situou entre 1234 e 1387. Em conjunto com este convento foram ainda fundados os de Torres Vedras, Vila Viçosa e Santarém; *7 - este seminário (Seminário Diocesano de Penafirme) a partir do 25 de Abril de 1974 passou a funcionar também como escola secundária.

Autor e Data

Paula Noé 1991

Actualização

Sara Andrade 2001
 
 
 
Termos e Condições de Utilização dos Conteúdos SIPA
 
 
Registo| Login