Povoado fortificado do Zambujal / Castro do Zambujal

IPA.00006349
Portugal, Lisboa, Torres Vedras, União das freguesias de Torres Vedras (São Pedro, Santiago, Santa Maria do Castelo e São Miguel) e Matacães
 
Aglomerado proto-urbano. Povoado Calcolítico. Povoado fortificado / castro implantado num cabeço de altitude média dominando vales férteis próximos do mar. Apresenta um núcleo central rodeado por muralha reforçada por torreões e, possivelmente, ainda uma segunda cintura de muralhas. Presume-se que existia ainda uma terceira muralha envolvente. Embora se ignore se os construtores do povoado eram indígenas ou origináriosdo Mediterrâneo Oriental, é quase certo que se dedicavam à prospecção, mineração e metalurgia do cobre e que desenvolveram intensas relações comerciais, dentro e fora da Península entre 3000 e 2500 a.c. Trata-se de um dos mais importantes povoados calcolíticos da Península de Lisboa, cuja ocupação que se prolongou até princípios do período argárico, sendo também o povoado do Cobre mais setentrional. Possui duas fases construtivas: primeira chamada "horizonte de importação", segunda pertencente ao período campaniforme.
Número IPA Antigo: PT031113130010
 
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Registo

 
Conjunto urbano  Aglomerado urbano  Povoado  Povoado da Época Calcolítica  Povoado fortificado  

Descrição

Da antiga fortificação resta-nos apenas o núcleo central. O recinto interior, com cerca de 25 m. de diâmetro, é rodeada por sólida muralha, que corre independente a poucos metros. Exteriormente é reforçada por 10 cubelos, pouco distanciados, de planta semicircular e com diâmetro variando entre os 6 e 7 m. Destes, 4 estão completos, 1 incompleto e 5 quase totalmente destruídos. Os panos de muralha alcançam entre 1,60 cm a 3,60 cm de altura e 3 a 7 m. de espessura. Em determinada fase da construção da fortificação exterior existiam seguramente 4 portas (a S., N., NE. e E.), com probalidade de 6 portas ou aberturas de passagem para o recinto entre a fortificação interior e exterior. Eram baixas e estreitas só permitindo a entrada de uma pessoa de cada vez e de gatas. Uma das plantas mostra a conexão entre as galerias do baluarte e estas passagens, assinalando os eixos de tiro das seteiras do mesmo para as passagens da fortificação exterior. As casas, construídas em adobe, tinham planta oval e cerca de 6 m de diâmetro.

Acessos

Em Torres Vedras. WGS84 (graus decimais) lat.: 3 39.074427; long.: -9.285777

Protecção

Categoria: MN - Monumento Nacional, Decreto n.º 35 817, DG, 1.ª série, n.º 187 de 20 agosto 1946 *

Enquadramento

Rural. Ergue-se num dos contrafortes da serra do Varatojo, num plantaforma que cai a pique sobre o vale do rio Sizandro, a 3 Km da vila de Torres Vedras.

Descrição Complementar

Espólio: Museu Municipal de Torres Vedras

Utilização Inicial

Não aplicável

Utilização Actual

Não aplicável

Propriedade

Pública: municipal

Afectação

Época Construção

Calcolítico

Arquitecto / Construtor / Autor

Não aplicável

Cronologia

Calcolítico - edificação num local onde talvez já existisse um povoado de origem neolítica. Segundo Sangmeister, Schubart e L. Trindade (1969), sucederam-se 7 fases construtivas correspondentes a diferentes períodos cronológicos: 1ª - torres maciças, muros relativamente estreitos, fortificação por secções; 2ª - reforço da parte N. do portão por meio de bastiões maciços, fortificações por secções; 3ª - reforço dos muros, pequenas torres semicirculares, fortificações por secções; 4ª - muros fortes, grandes torres semicirculares, fortificação por secções; 5ª - barbacãs salientes, muralhas livres construídas com pequenas placas, fortificações por secções; 6ª - construções maciças de arredondamento, fortificação a toda a volta; 7ª - torres com espaços interiores redondos, cobertas com cúpulas, fortificação em toda a volta ainda utilizada como tal; em data incerta - fortificação parcialmente destruída (sobretudo o núcleo central) pela construção de um casal agrícola no local (o Casal do Zambujal); 1938 - descoberto por Leonel Trindade; 1999, 19 julho - Despacho de abertura do processo de ampliação da classificação à área envolvente; 2003, 07 maio - parecer favorável do Conselho Consultivo do IPPAR, 29 maio - Despacho de homologação do processo de classificação do Ministro da Cultura; 21 novembro - parecer favorável do IPArqueologia; 2004, 06 dezembro - parecer favorável do Conselho Consultivo do IPPAR; 2005, 03 fevereiro - Despacho de homologação da ampliação da classificação da Ministra da Cultura; 2006 - CMTorres Vedras adquire 48 hectares para garantir uma área de protecção ao monumento; 2012, 20 novembro - publicação do Decreto de ampliação da área classificada, abrangendo as terceira e quarta linhas de muralhas, em Decreto n.º 28/2012, DR, 2.ª série, n.º 223.

Dados Técnicos

Materiais

Calcário

Bibliografia

SANGMEISTER, Edward, SCHUBART, Hermanfrid, TRINDADE, Leonel, Escavações no Castro Eneolítico do Zambujal, sep. de O Arqueólogo Português, série III, vol. 3, Lisboa, 1969; SANGMEISTER, Edward, SCHUBART, Hermanfrid, TRINDADE, Leonel, Escavações na Fortificação da Idade do Cobre do Zambujal / Portugal 1970, sep. O Arqueólogo Português, série III, vol. 5, Lisboa, 1971; SANTOS, Manuel Farinha dos, Pré-História de Portugal, Lisboa, 1972; ALMEIDA, José António Ferreira de, Tesouros Artísticos de Portugal, Porto, 1988; ABREU, Daniel, Povoado Pré-Histórico do Zambujal vai ser Recuperado, Frente Oeste, 28 Dez. 1989, p. 10; HUMBERTO, Jorge, O Senhor Castro, Frente Oeste, Torres Vedras, 7 Abril 1994, p. 4; Torres Vedras, Passado e Presente, vol. I, Torres Vedras, 1996.

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Administrativa

Intervenção Realizada

1944, 1959 / 1960 - Escavações arqueológicas; 1964 (a partir de) - escavações feitas pelo Instituto Arqueológico Alemão e pela Universidade de Freiburg; 1994 - limpeza das pedras e estruturas postas a descoberto em anteriores escavações, pela Câmara Municipal de Torres Vedras.

Observações

* DOF Monumento pré-histórico no Casal do Zambujal e terreno circunjjacente, onde assenta uma povoação do Bronze. *1 O IPPAR possui um projecto de arquitectura destinado a restaurar o casal saloio adjacente ao imóvel. Possui ainda um projecto paisagístico que pretende levar a cabo juntamente com a Câmara Municipal, e que engloba vedar o local, criar estacionamentos, embelezá-lo com vegetação diversa, construção de instalações de apoio, passadeiras, percursos com tabuletas explicativas e um pequeno museu.

Autor e Data

Paula Noé 1991

Actualização

 
 
 
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