Palácio do Correio-Mor

IPA.00006303
Portugal, Lisboa, Loures, Loures
 
Arquitectura residencial, barroca. Palácio barroco integrado na tipologia dos palácios de planta em U, fechada, com pátio de circulação e escadaria desenvolvida interiormente. O exterior, assinala divisão social do espaço - dependências agrícolas no 1º, alojamento de funcionários no mezanino e andar nobre no 2º - e caracteriza-se pela sobriedade das linhas e maior destaque da ala central. Contrasta com exuberância decorativa interior a nível de azulejos, trabalhos de estuque e pinturas. O Palácio constitui um excelente exemplar da arquitectura civil barroca devido às suas grandes dimensões e riqueza decorativa interior. Em contrapartida, a capela parece-nos de dimensões demasiado exíguas em relação ao mesmo. A ala esquerda resulta da readaptação do pequeno palácio ali existente, o que se reflecte na maior irregularidade e divisão do espaço interior.
Número IPA Antigo: PT031107070012
 
Registo visualizado 1810 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Residencial senhorial  Casa nobre  Casa nobre  Tipo planta em U

Descrição

Planta em U, composta, com corpo central avançado na fachada posterior e integrando capela e torre adossada à ala esquerda. Alçados de 2 pisos, separados por friso, e mezanino intermédio; coberturas ritmadas a 4 e 1 água. Alçados de fenestração regular: porta de verga recta e curva e óculos ovais no 1º; janelas quadrangulares no intermédio; e janelas de sacada e frontão triangular no 2º. Na ala central, fonte entre vãos curvos de acesso ao pátio de circulação; janelas de diferente modinatura e sacada corrida no 2º piso; interrompendo linha dos telhados, frontão contra-curvado com imagem de Nª. Sª. da Oliveira e fogaréus acentuando pilastras. No 1º piso dependências agrícolas, adega de 3 naves, cavalariça e cozinha revestida a azulejos de figura avulsa, peças de carne e peixes pendentes. Acesso ao andar nobre pela escada desde o pátio interior; no topo, fonte com "Samaritana" e figura alada segurando medalhão com busto de um dos proprietários. Salas com lambris de azulejos, pinturas e trabalhos de estuque; destacamos sala central, figurando paralelamente em azulejos a vida do homem e a construção de um navio; sala dos troféus, a das Estações, a da Fauna e a da Música. Capela rectangular com paredes revestidas a estuques, retábulo com tela entre colunas e tecto de caixotões. Junto à fachada posterior, jardim de buxos, lago central e algumas estátuas. Da quinta realçamos a cascata e o tanque com painéis de azulejos com as "Metamorfoses de Ovídio".

Acessos

Ramal da EN 8, Loures - Malveira, estrada circundando os jardins. WGS84 (graus decimais) lat.: 38,827561; long.: -9,184348

Protecção

Categoria: IIP - Imóvel de Interesse Público, Decreto n.º 47 508, DG, 1.ª série, n.º 20 de 24 janeiro 1967 *1

Enquadramento

Urbano. Implantação harmónica isolada à saída de Loures, numa área arbórea e com grande terreiro fronteiro. Principal portão de acesso, fechando alas laterais do palácio, com verga curva e pedra de armas no tímpano do frontão ondulado.

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Residencial: casa nobre

Utilização Actual

Comercial: espaço de eventos

Propriedade

Privada: pessoa colectiva

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 18

Arquitecto / Construtor / Autor

ARQUITECTO: António Canevari (atr.); F. G. Berger (1967). ESTUCADOR: Escola de José da Costa Nogueiros. PINTOR DE AZULEJO: Bartolomeu Antunes.

Cronologia

1606 - Luís Gomes da Mata, proprietário da quinta, foi investido no cargo de correio-mor do reino, desta forma a quinta tomou este título. C. 1730 - Luís Vitório de Sousa Coutinho da Matta, 1º Correio-Mor, mudou-se para o solar da Quinta da Matta, onde hoje fica a ala Sul; 1735 - adaptação da praça actual depois da morte do pai, José António da Matta de Sousa Coutinho; 1744 - inscrição na torre; 1790 (até) - prolongamento das obras no palácio, segue-lhe seu filho, Manuel José da Matta S. C., o último Correio-Mor, devido reincorporação do cargo na coroa; recebe uma renda, é nobilizado e aluga palácio até 1812; 1833 - regressa do estrangeiro e cede-o para albergar feridos das lutas civis; melhoramentos, pintura do tecto da sala do brasão, pinturas em painéis sobreportas e restauro de azulejos; 1859 - passa para a sua filha, Maria Assunção da M. S. C., casada com diplomata brasileiro; 1871 - estuques nas sala Central e de Música; 1875 - Até esta data, pertenceu aos descendentes do último correio-mor,condes e marqueses de Penafiel, arruinada, a propriedade, é vendida a Quirino Luís António Louza; a filha, Filipa Maria Lousa Canha, casada com José Baptista Canha, empreende alguns restauros mas morrendo, o palácio foi abandonado e entrou em decadência; 1961 - morre Maria da Assunção Lousa Canha, que representava a família. 1966 - passou para Miguel Quina que empreende total restauração; cria-se Casa Agrícola da Quinta da Matta; 1975 - propriedade nacionalizada.

Dados Técnicos

Paredes autoportantes.

Materiais

Alvenaria rebocada e cantaria. Calcário, azulejos, estuques, pinturas, telas, madeira.

Bibliografia

AZEVEDO, Carlos de, FERRÃO, Julieta, GUSMÃO, Adriano de, Monumentos e Edifícios Notáveis do Distrito de Lisboa, Lisboa, 1963; VASCONCELOS, Florido de, Consideração sobre Estuque Decorativo, Boletim do Museu Nacional de Arte Antiga, vol 5, nº 2, Lisboa, 1966, p. 34 - 43; AZEVEDO, Carlos de, Solares Portugueses, Lisboa, 1969; TAMAGNINI, Matilde Pessoa de Figueiredo, Palácio do Correio-Mor em Loures, Sep. Belas Artes, nº 13, Lisboa, 1961; VAZ, Maria Máxima, Património Histórico-Artístico, Loures Tradição e Mudança - I Centenário da Formação do Concelho 1886 - 1986, vol. 1, Loures, 1986, p. 87 - 136; MECO, José, Azulejaria Portuguesa, Lisboa, 1989; Carta Arqueológica do Município de Loures, Loures, 2000;

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Administrativa

Intervenção Realizada

1967 - CIMOBIM (Companhia Imobiliária e do Investimento SARL) autorizada a proceder ao restauro e reintegração do palácio, conforme projecto do arquitecto F. G. Berger; 1976 - interrupção dos trabalhos, quando estavam concluídos os restauros de ala esquerda e corpo central, zonas de serviços.

Observações

*1 - DOF: Palácio e Quinta do Correio-Mor. A designação do palácio advém de ter pertencido a Luís Gomes da Matta, correio-mor do reino durante o reinado de D. Filipe II. Os lambris de albarradas das várias salas, os de figura avulsa da cozinha e os figurativos da sala de Caça inserem-se na designada "grande produção joanina", sendo os últimos de Bartolomeu Antunes; da 1ª fase do rococó são: os da sala das Estações e da Fama, pintados apenas a azul, bem como os da sala dos Troféus e de Música, inserindo-se os 2 últimos no grupo dos mais originais da época.

Autor e Data

Paula Noé 1991

Actualização

 
 
 
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