Igreja Paroquial de Carrazedo de Montenegro / Igreja de São Nicolau

IPA.00000629
Portugal, Vila Real, Valpaços, Carrazedo de Montenegro e Curros
 
Arquitectura religiosa, maneirista e barroca. Igreja paroquial de planta longitudinal composta por nave única e capela-mor, mais baixa e estreita, interiormente com tectos de madeira e bastante iluminada pelos vãos axiais e laterais, e com sacristia adossada em eixo, acedida por corredores laterais. Fachada principal harmónica, com corpo central tripartido, terminado em tabela com imagem do orago, flanqueada por aletas e rematada em frontão triangular, e os laterais correspondendo às torres sineiras, mais altas, com panos definidos por pilastras sobrepostas e com registos marcados por frisos e cornijas, tendo nos panos centrais galilé, com arcos de volta perfeita, coberta por abóbada de cruzaria e tendo portais de verga recortada, encimados por cornija contracurvada; no plano superior abrem-se janelas de moldura recortada ou rectilínea, encimadas por frontões. Fachadas laterais com nave rasgada por frestas de capialço e porta travessa de verga recta encimada por nicho com imagem, e janelas rectangulares na capela-mor e sacristia. Interior com coro-alto assente em três arcos de volta perfeita sobre pilares, apresentando lateralmente de cada lado três confessionários embutidos, púlpito de bacia rectangular sobre mísula com guarda em balaustrada acedidos por porta com escada rasgada no interior da caixa murária e duas capelas laterais com retábulos de talha dourada, barrocos, de planta recta e um eixo. Arco triunfal de volta perfeita sobre pilastras acede à capela-mor, que possui retábulo-mor de talha dourada tardo-barroco, de planta recta e três eixos. Igreja paroquial de grande imponência, não só em termos regionais, mas sobretudo relativamente à povoação onde se ergue, o que é ainda mais acentuado pela implantação no cimo do morro, com a povoação a desenvolver-se em plano inferior. A igreja foi reformada no século 16 e no 18, em estilo maneirista, conservando várias inscrições alusivas. Revela grande profusão na decoração em cantaria, com molduras recortadas, de perfil convexo, contracurvado, cartelas, elementos fitomórficos e volutados, indiciando a amplitude dos bens que sustentaram a sua reforma. O segundo registo da fachada principal é percorrido por balaustrada embutida e ao nível do remate, integra vários nichos com imagens, para além da do orago. As torres sineiras são salientes do corpo da igreja, apresentando acesso posterior por escada de cantaria com arranque volutado. As portas travessas constituem um eixo verticalizante pela sobreposição de elementos e carácter longilíneo do nicho, com imagem. O esquema da capela-mor, com corredores laterais, acedidos por portas exteriores actualmente entaipadas e transformadas em janelas jacentes, e que comunicam com a sacristia em eixo, da mesma altura, é menos comum no distrito. No interior, o coro-alto possui, de ambos os lados, nichos de cantaria, salientes da caixa murária, com altares; os pilares de sustentação do coro possuem de ambos os lados pias de água benta gomeadas, duas delas encimadas por elementos fitomórficos em arco; sobre os acrotérios da guarda elevam-se finos pilares de suporte de apainelado de madeira, com painel pintado, o qual faz a separação da cobertura da nave da do coro-alto. As capelas laterais, no topo da nave, albergam retábulos de talha com estrutura em barroco nacional, e decoração de várias épocas, nomeadamente o baldaquino, lambrequim, quarteirões e orelhas em barroco joanino; os apainelados centrais do corpo são já posteriores. Retábulo-mor tardo-barroco, com elementos já neoclássicos, como a decoração dos plintos, banco e do trono. Anjos tocheiros oitocentistas.
Número IPA Antigo: PT011712070004
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Templo  Igreja paroquial  

Descrição

Planta longitudinal composta por nave, com galilé flanqueada por duas torres quadrangulares salientes, e capela-mor, mais baixa e estreita, tendo adossado à fachada posterior sacristia, acedida por corredores laterais, tendo a mesma largura e altura da capela-mor. Volumes escalonados com coberturas diferenciadas em telhados de duas águas. Fachadas rebocadas e pintadas de branco, com cunhais apilastrados. Fachada principal virada a O., harmónica, com cinco panos, os laterais correspondendo às torres sineiras mais altas, definidos por várias ordens de pilastras toscanas e de registos separados por duplo friso e cornijas. O pano central termina em tabela rectangular, disposta na vertical, definida por duplas pilastras de capitel jónico, terminada em cornija côncava e convexa e frontão triangular interrompido, frontalmente com imagem, coroado por acrotério com globo gomeado e cruz latina de braços circulares, e, lateralmente, por pináculos; a tabela é ladeada por aletas e ao centro possui nicho em arco de volta perfeita, em torçal, sobre pilastras almofadadas, interiormente concheado e albergando imagem, enquadrado por aletas relevadas e duas colunas sobre plintos paralelepipédicos almofadados e de capitel jónico, suportando arquitrave, encimado por friso convexo e frontão interrompido por elemento fitomórfico. O pano central possui galilé rasgada por três arcos de volta perfeita sobre pilastras, sobrepostos por cartelas recortadas, inscritas, a central decorada por anjos, elementos fitomórficos e coroa, interrompendo a cornija. As torres possuem marcado um arco semelhante ao da galilé, encimadas por cartelas em S, mas fechado e rasgado por janela rectangular jacente, gradeada, com moldura de topos curvos. O segundo registo, percorrido por balaustrada de cantaria embutida, é rasgado em cada um dos panos por janela rectangular, moldurada, as das torres de topo curvo encimadas por relógios metálicos, e as do corpo central encimadas por friso e frontão semicircular ou, a do centro, triangular. As torres têm no terceiro registo nicho em arco de volta perfeita, interiormente em cantaria e albergando imagem pétrea, ladeado por duplas pilastras sustentando friso e frontão triangular; no quarto registo têm, vão em arco de volta perfeita sobre pilastras, contendo sino; as torres são rematadas por balaustrada, com acrotérios paralelepipédicos, com almofadas em losango, coroados por pináculos, nos cunhais, onde também têm gárgulas de canhão; cobertura em coruchéu piramidal, ornado com cornija sobreposta por elementos fitomórficos coroados por catavento de ferro. Galilé com cobertura de três tramos, em abóbada de cruzaria de ogivas, com bocetes vegetalistas, o central formando pingente. Portal central de verga recortada, com molduras convexas, encimado por cornija contracurvada e elementos fitomórficos bastante relevados e cartela com AM. Os portais laterais possuem igualmente verga recortada e dupla moldura, encimada por cornija contracurvada, cartela, o da esquerda com estrela e com sol e o da direita com lua, e apontamento fitomórfico. Fachadas laterais com pilastras de ângulo almofadadas, terminadas em friso, ritmado por argolas de ferro, e cornija sobreposta por beirada simples. A torre sineira possui no segundo registo balaustrada embutida e vão rectangular, moldurado, de topo curvo, no terceiro ampla almofada rectangular relevada com florão central, e no quarto sineira em arco de volta perfeita sobre pilastras, albergando sino. As torres têm acesso pela face posterior, através de escada de cantaria, de dois lanços perpendiculares, com guarda plena de cantaria, com arranque volutado. No topo do patim tem porta de verga recta com moldura encimada por friso e frontão de volutas interrompido por S. A nave é rasgada por duas frestas de capialço e porta travessa de verga recta, ladeado por duplas pilastras toscanas suportando duplo friso, inscrito, e frontão triangular interrompido, sobreposto por cornija onde assenta nicho longilíneo em arco de volta perfeita, albergando imagem de pedra, São Gonçalo de Aamrante, na lateral esquerda e uma Pietá na lateral direita, entre duas pilastras, rematado por friso e frontão de volutas interrompido por pinha; ladeia o nicho dois plintos relevados encimados por urnas. Sobre os cunhais posteriores da nave, dispõem-se dois plintos paralelepipédicos de faces almofadadas coroadas por bolas. Na capela-mor abre-se num registo inferior duas portas de verga recta, molduradas, transformadas em janelas jacentes, e, superiormente, duas janelas rectangulares, também molduradas, e todas elas gradeadas. Na fachada lateral direita possui ainda brasão entre as janelas. No corpo da sacristia abre-se um eixo de vãos rectilíneos, na lateral esquerda composta por porta transformada em janela jacente e janela, e, na oposta por porta e duas janelas, interligadas, todas gradeadas. Fachada posterior terminada em cornija recta e rasgada por janela rectangular gradeada. INTERIOR com paredes rebocadas e pintadas de branco, com embasamento de cantaria e azulejos recentes monocromos azuis sobre fundo branco, de padrão, formando silhar, pavimento de madeira com zona central em cantaria de granito e tecto de madeira envernizada, de perfil curvo, tendo ao centro cartela com Imaculada Conceição, sobre cornija de cantaria. Coro-alto de cantaria sobre três arcos de volta perfeita, separados por pilastras toscanas, sobrepostas na face interna e externa por pia de água benta de perfil curvo, exteriormente ornado por motivo fitomórfico de formas bastante pronunciadas, encimado por reservatório concheado, as da face interna encimadas por cornija com elementos fitomórficos criando pináculos. Tem guarda em balaustrada de cantaria, com acrotérios no alinhamento das pilastras, os quais suportam pilares com marcação de bases almofadas, que sustentam painel de madeira pintado com painel rectangular representando a Última Ceia. O coro é acedido de ambos os lados por portas de verga recta, molduradas, encimadas por friso e frontão semicircular. Ao lado abre-se nicho avançado, de perfil curvo, terminado em cornija contracurvada, interiormente de cantaria albergando imaginária. O sub-coro é coberto por abóbada de cruzaria, de três tramos, com nervuras assentes em mísulas. No topo do lado do Evangelho, num vão em arco de volta perfeita, surge o baptistério com soco de planta circular, vedado por guarda de ferro, interiormente tendo pia baptismal, de bacia circular e tendo na parede registo de azulejos com representação do Baptismo de Cristo. No vão do lado da Epístola, surge altar com imaginária. Na nave, abrem-se lateralmente, de cada lado, três confessionários embutidos, rectilíneos, interiormente de cantaria aparente, seguidos de porta travessa ladeada por pia de água benta facetada, a do lado da Epístola, de almofadas côncavas, inferiormente gomeada e com cabo. Segue-se púlpito de bacia rectangular em cantaria, assente em mísula volutada, com teia em balaústres e acedido por porta de verga recta, moldurada, com ligação por escada no interior da caixa murária a partir de porta também de verga recta, moldurada. No topo da nave existe, confrontante, capela em arco de volta perfeita sobre pilastras, encimado por friso e cornija de cantaria, albergando retábulo de talha dourada de planta recta e um eixo. Ladeia a capela pequeno nicho de alfaias. Arco triunfal de volta perfeita, almofadado, sobre pilastras toscanas também almofadadas, com parede envolvente revestida a azulejos de padrão iguais aos do silhar, integrando dois painéis figurativos, representando a Anunciação em composição bipartida, surgindo, do lado do Evangelho, a figura da Virgem e, do da Epístola, o Anjo Gabriel; sobre o arco surge registo oval com o Agnus Dei. Capela-mor sobrelevada, com pavimento em cantaria e tecto de madeira de perfil curvo, pintado ao centro com cartela representando uma Adoração da Custódia, assente em cornija de cantaria. Lateralmente possui porta e janelas encimadas por sanefas de talha. Sobre supedâneo de três degraus, surge o retábulo-mor em talha dourada, de planta recta e três eixos, definidos por duas pilastras laterais, de fuste decorado por motivos fitomórficos e terço inferior estriado, e por duas colunas centrais, de terço inferior canelado e fuste liso envolvido por espira fitomórfica, assentes em dupla ordem de plintos paralelepipédicos, ornados de elementos fitomórficos, e de capitéis coríntios; no eixo central abre-se tribuna de perfil curvo, de moldura ornada de elementos fitomórficos e volutas, e com fecho fitomórfico, sendo interiormente com apainelados e albergando trono expositivo, com faces almofadadas com festões, encimado por resplendor com IHS; nos eixos laterais surgem apainelados delimitados com motivos fitomórficos, e com florão, cartela recortada e mísula suportando imaginária. Sobre o friso ornado de festões, desenvolve-se o ático adaptado ao perfil da cobertura, possuindo ao centro espaldar curvo decorado com resplendor com Delta Luminoso envolto em grinalda, terminado em cornija; lateralmente tem duas urnas. Banco com apainelados contendo motivos fitomórficos e integrando sacrário central, tipo templete, ornado de elementos vegetalistas e rematado por cornija com baldaquino e cúpula. Sotobanco com portas de acesso à tribuna, ornadas de elementos vegetalistas, encimadas por cornija abatida. Altar paralelepipédico com frontal ornado de motivos fitomórficos e cartela de concheados contendo meia lua. Os portais laterais da capela-mor acedem aos corredores de ligação à sacristia, com as paredes rebocadas e pintadas de branco e com silhar de azulejos igual ao da nave. Sacristia com dois lavabos lavrados, encimada por sala de reuniões paroquiais e para catequese, com acesso por escada de pedra.

Acessos

Carrazedo de Montenegro, Bairro da Igreja

Protecção

Categoria: IIP - Imóvel de Interesse Público, Decreto nº 28/82, DR, 1.ª série, n.º 47 de 26 fevereiro 1982

Enquadramento

Urbano, isolado, em plataforma artificial sobranceira à rua que corre fronteira, formando adro, pavimentado a lajes de cantaria de granito, delimitado por habitações, salão paroquial junto à fachada posterior e pelo cemitério implantado a N.. Frontalmente, o adro é definido por balaustrada de cantaria, intercalada por plintos paralelepipédicos coroados por pináculos com bola; em frente do portal principal integra ainda um cruzeiro dos Centenários, composto por plinto paralelepipédico, tendo na face frontal azulejo com imagem de Nossa Senhora da Conceição, coluna de fuste com os dois terços inferiores facetados e o último liso, capitel dórico, encimada por tabuleiro, acrotério e cruz latina de cantaria, com os braços percorridos por sulco. O adro tem acesso por duas escadas laterais de vários degraus. Do outro lado da estrada, e enquadrado por habitações, desenvolve-se escadório, alternando lanço de escada ladeado por placas arelvadas bilaterais com arbusto central, com dois lanços paralelos intercalados por placa arelvada central e duas bilaterais.

Descrição Complementar

Na fachada principal as cartelas sobre os arcos tem inscritas por A. V. M. S. P. C., que significa Ave, Virgem Maria, Sem Pecado Concebido, sendo o M. central encimado por coroa sustentada por dois anjos. Nos nichos surgem as imagens pétras de São Nicolau (padroeiro), ao centro, Santa Bárbara, à direita, e um frade franciscano, à esquerda; no tímpano tem a imagem de São Francisco Xavier. Sobre o portal lateral N. existe a inscrição S. GONÇALO DE MARANTE. Sobre o portal lateral S. existe a inscrição: POR AVTHORIDE. DE S. A. S. OSI. D. IOZ.EPH. AICEB.ESI. DE BRAGA. SE FES ESTA. OBIA. DE. ESMOLAS. DE N. S. A'ANUNCIAÇÃO. NOS A.NOS. DE 1746. THE 1752. SENDO POR. DES.TA. IGRA. FRACO. MZS.NAL. DES. PO. DE SAPIAOS. P. N. A. M. PL.AL. M:. Tradução: por autoridade de sua alteza, o senhor D. José, Arcebispo e senhor de Braga se fez esta obra de esmolas de Nossa Senhora da Anunciação nos anos de 1746 até 1752, sendo reitor desta igreja Francisco Martins, natural de São Pedro de Sapiães. Pai Nosso e Ave Maria pela sua alma. Na parede da capela-mor existe brasão do comendador D. Pedro da Cunha, com escudo esquartelado, o I e o IV de ouro, com nove cunhas de azul, postas 3, 3 e 3, e o II e o III de prata, com cruz florenciada e vazia de vermelho, com bordadura cosida de prata, carregada de cinco escudetes de azul, cada escudete carregado de cinco besantes de prata, postos em sautor. No timbre um grifo sainte de ouro, semeado de cunhas de azul, com asas de um no outro, e paquife. Inferiormente, tem a inscrição DOM PEDRO DA CUNHA DO CONSSELHO DEL REI NOSSO SENHOR SENDO COMENDADOR MANDOU FAZER ESTA CAPELA 1577. As capelas colaterais albergam retábulos de planta recta e um eixo, definido por duas pilastras decoradas por motivos vegetalistas e duas colunas torsas com espira fitomórfica que se prolongam no ático em duas arquivoltas de igual decoração; possuem nicho profundo delimitado por duas colunas, de espira fitomórfica e terço inferior ornado de elementos fitomórficos, assentes em mísulas com anjos atlantes, e de capitel coríntio que se prolonga no ático numa arquivolta com a mesma decoração; o nicho tem nas paredes laterais apainelados lisos sobrepostos por mísula com imaginária; o corpo do retábulo é ladeado por orelhas recortadas e volutadas e encimado por baldaquino com lambrequim assente em quarteirões. Altar paralelepipédico de frontal tripartido ornado de cartelas e acantos enrolados.

Utilização Inicial

Religiosa: igreja paroquial

Utilização Actual

Religiosa: igreja paroquial

Propriedade

Privada: Igreja Católica (Diocese de Vila Real)

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 16 / 18

Arquitecto / Construtor / Autor

PINTOR: Victor Mendes, de Braga (séc. 20).

Cronologia

Séc. 11, finais - construção de uma primitiva igreja no local; 1258 - referência à povoação de Carrazedo nas Inquirições ordenadas por D. Afonso III; séc. 13, finais - o povo de Montenegro pediu a D. Dinis a sua separação de Chaves e a criação duma nova vila em Celeirós (Friões); 1301, 12 Junho - data do 1º foral; reunido o povo no lugar de Celeirós (Friões), no centro da terra de Montenegro e no sopé do antigo castro leu-se a carta de D. Dinis em que ele ordena a Heitor Vicente e a Fernão Pires, tabelião de Braga, com o escrivão, que fossem à terra de Montenegro e firmassem com os interessados a renda prometida e as condições que se estipulassem, e escolhessem o lugar onde a vila deveria ser estabelecida; escolheu-se fazer a vila sobre o cabeço que dominava Celeirós e que ficasse chamada Vila Boa de Montenegro; entre muitas outras das condições, o concelho devia cercar a vila de muro; 16 Agosto - D. Dinis concede ao concelho para a ajuda da cerca ou muralhas da nova vila a anúdeva devida à coroa em "terra" de Barroso e de Panóias até Mirandela; 1302 - Chaves, ofereceu à coroa 4 mil libras, pagas em três prestações, com a condição de anular a resolução relativa à nova vila; 5 Março - D. Dinis concedeu a Chaves tudo o que solicitara, retendo para si o padroado de todas as igrejas feitas ou que se fizessem; 1303, 20 Março - D. Dinis dá novo foral à Vila Boa de Montenegro reservando o direito de padroado; 1304, 21 Julho - na sequência do concelho de Montenegro não ter pago as 3 mil libras de renda a que se tinha obrigado, nos prazos estipulados, e entendendo o rei que de futuro não as poderia pagar, e porque a póvoa que aí se instituísse trazia algum prejuízo aos concelhos vizinhos, D. Dinis participa ao povo de Montenegro a resolução de não se fazer tal póvoa e que a terra de Montenegro ficasse vizinhança com Chaves e se procedesse, em todas as coisas, como os outros do seu termo, tendo de contribuir anualmente com 400 libras, no dia de São João Baptista; os conflitos continuaram; 1307, 17 Julho - rei ordena que as 200 libras que Montenegro tinha que pagar fossem cobradas por um procurador escolhido pelos montenegrinos; 1320 / 1321 - no catálogo das Igrejas, mandado elaborar por D. Dinis, para o pagamento de taxa, a de Carrrazedo foi taxada em 450 libras; 1554, Outubro - visitador manda acrescentar a igreja e pôr em cada um dos altares laterais, sua estante, bem feita e pintada a óleo; feita a igreja, devia-se mudar logo a pia baptismal para junto do "outão" do campanário, no lado do Evangelho, com seu tabuleiro de 2 degraus lavradas de bocel e boa cantaria; já que se mudava a pia baptismal, o visitador manda fazê-la de novo, oitavada com o seu tabuleiro, dando pelo peito de um homem; as pessoas que tivessem dívidas à igreja, que foram lançadas, feitas as obras, as deviam pagar no prazo de 10 dias, sob pena de o capelão as evitar na igreja e ofícios divinos; manda-se fazer ao pé do retábulo-mor um tabuleiro de boa cantaria, com dois degraus, de parede a parede, e o degrau de cima com 5 palmos de largura, sob pena de 500 reais; o comendador não cumpriu no tempo ordenado, incorrendo na pena de 2 mil reais; 1556, Janeiro - na visitação, determina-se que o tabuleiro da pia baptismal fosse quadrado e que pusessem na pia uma cobertura fechada; o comendador deveria mandar pôr sob o retábulo um escabelo pintado, mandar pregar o retábulo na parede para ficar direito e pôr-lhe cortinas; Outubro - manda-se na visitação que o comendador colocasse no altar-mor, toalhas francesas finas e que os fregueses mandassem lajear no corpo da igreja a parte que estava por lajear; o comendador deveria por o sacrário sobre o banco do altar-mor e, porque o sacrário era mais largo que o banco, devia-se forrá-lo por baixo do sacrário com madeira e pintá-lo; 1557 - o visitador achou o adro muito mal limpo, condenando os fregueses em 100 reais de pena, mandando o capelão evitá-los na igreja e ofícios divinos até terem pago; 1558 / 1560 / 1561 / 1563 / 1564 / 1565 - visitador ordena ao comendador retalhar a capela e rebocá-la ao redor dos "outões"; 1558 / 1570 - visitador ordena os fregueses retalhar toda a igreja e a mandem "precintar pelo cume"; 1560 - visitador estipula que os fregueses colocassem nos altares laterais toalhas francesas e um pano fino para os defuntos, com uma cruz; 1561 - visitador manda os fregueses taparem os buracos das paredes onde "seja de estar" o coro e os "precintem" com cal; 1563 / 1564 - ordena-se ao comendador mandar forrar o altar de bom tabuado de "macho-femea"; 1564 - visitador ordena ao comendador compor o sacrário dourado com sua fechadura; 1564 / 1567 / 1580 - manda-se o comendador pôr uma vidraça na fresta da capela com rede fina e "precintar" as paredes da mesma; 1565 / 1567 - visitador ordena os fregueses "precintar" todo o corpo da igreja, fazendo chã toda a igreja e aplanar o adro; 1565, 12 Agosto - na visita de Frei Bartolomeu dos Mártires, manda-se que os fregueses, no prazo de dois anos, pusessem nos altares de fora da igreja dois retábulos em branco, sem pinturas, cada ano um, e daí a um ano se pintariam a óleos por mão de bom oficial de boas tintas finas, dourado nas partes necessárias, com as imagens que tiverem, com os seus guardas-pós ou frontispícios, sob pena de 2$000; 1565 / 1570 - ordena-se ao comendador mandar mudar as portas das tulhas da igreja que tinham serventia pelo adro; 1567 - visitador manda ao reitor que notifique os fregueses para conservarem as cruzes que estão pelos caminhos e as ponham na parte onde é costume estarem e manda pôr na porta travessa um bom ferrolho; 1567 / 1570 - visitador manda o comendador caiar a sacristia por dentro e por fora e, até à Páscoa, pusesse quatro mesas de corporais com suas guardas e um confessionário de madeira, com cadeira "raso" e encosto da parte do penitente; 1569 / 1571 - os rendeiros Gaspar Mendes e Francisco de Barros estavam obrigados a dar contas das obras da igreja e dos retábulos, na sequência da visitação; 1570 - visitador manda que todas as obras de pedraria, carpintaria e dos altares não se fizessem nem arrematassem sem sua licença; 10 Abril - o visitador vigário geral da comarca ordena que até ao São João os fregueses cumprissem com os painéis dos altares de fora, conforme fora ordenado, sob pena de 1$000 e os que na altura tinham sido feitos, não os recebia, por serem pequenos e mal feitos; 1571, 11 Maio - o visitador Francisco Rebelo achou a igreja muito pequena para o grande tamanho da freguesia, não cabendo nela a terça parte dos fregueses; por isso mandou alargá-la ou fazê-la de novo; 1572, 8 Outubro - o visitador D. Frei Bartolomeu dos Mártires manda o comendador cumprir, até à Páscoa de 1574, com o alargar dez palmos em vazio e fazer a capela-mor conforme ao corpo da igreja, toda de boa esquadria, bem limpa, e que no comprimento, largura e altura fosse acomodada ao corpo da igreja e forrada de boa madeira, retalhando-a, "precitando-a" pelo cume e bordas, com uma fresta bem rasgada com vidraça e rede, sob pena de 30 cruzados; recomenda aos paroquianos repararem a igreja, que estava muito arruinada; ordena-se também que se faça a sacristia, lajeada e com fresta igual; manda que, em vez de se forrar o sacrário, se pusesse um cofre, forrado de veludo carmesim, por dentro, e com cravação dourada, por fora; 1573 - o visitador, licenciado Francisco Rebelo, manda aos caseiros do assento da igreja fazer nos portais que iam para a Silva e para a serra umas grades muito bem feitas; manda que não se dê a obra da igreja a não ser a bons oficiais; pelas visitações, percebe-se existir a confraria do Santíssimo Sacramento entre outras; 1574 - a obra já estava iniciada; manda-se fazer armário no baptistério, forrado de madeira; visitador determina que o reitor, no prazo de 15 dias, fizesse o Inventário de todos os ornamentos da Igreja, separando os dos fregueses dos do comendador, num livro, e pusesse numa tábua todas as missas obrigadas a defuntos, a "fazenda" e peças e seus possuidores; 1576 - visitador manda os fregueses acabar a obra até ao dia do Natal; manda forrar o sacrário; 1577 - data da inscrição sob o brasão do comendador D. Pedro da Cunha assinalando a conclusão da capela-mor da actual igreja, nas traseiras da antiga igreja, que se manteve de pé; 1580 - visitador manda lajear a sacristia ou forrá-la de madeira; 1580 / 1581 - manda-se ao comendador pôr no retábulo pintado e dourado como se lhe mandara, sob pena de 20 cruzados, e fazer um escabelo para o pé do altar, sob pena de $100; 1581 - manda-se os fregueses fazer, até ao dia de todos os Santos, um sino, sob pena de 1$000, uma estante pintada e uma sobreporta; séc. 16, 2ª metade - já existiam na igreja as confrarias do Nome do Senhor, a de Nossa Senhora do Rosário, a de São Roque e a do Santíssimo Sacramento; séc. 17, início - Montenegro é elevado a vila e cabeça de concelho; 1664, 9 Abril - falecimento do reitor Domingos Magalhães, sepultado na capela-mor; 1700, até - faziam-se os sepultamentos no interior da igreja e alguns no adro; possuía campanário e uma só porta na igreja, um púlpito, um confessionário, uma pia de água benta ladeando as portas travessas e a porta principal; 1722, 28 Dezembro - falecimento do reitor da igreja Félix Machado, sepultado no lado da Epístola da capela-mor; 1746 / 1752 - o Reitor Francisco Martins mandou construir a actual igreja com as esmolas de Nossa Senhora da Anunciação, conforme se lê na inscrição do frontão da porta travessa direita, a qual foi erguida sobre as ruínas das duas anteriores; 1754, 13 Outubro - morte do reitor Francisco Martins, sendo sepultado na capela-mor; 1758, 28 Maio - segundo o curo Domingos Pires, nas Memórias Paroquiais, a freguesia pertencia ao bispado de Miranda do Douro e tinha termo próprio, misto com a vila de Failde, tendo ambas uma só câmara, mas cada vila tendo o seu juiz ordinário; era terra do rei e tinha 39 vizinhos e 86 pessoas; a igreja erguia-se no cimo de um cabeço, que tinha a N. a altura de um quarto de légua; nele havia muitas fragas e uma fonte perene que o povo não utilizava por ser distante da vila, que se implantava para S., a cerca de 2 ou 3 tiros de pedra; tinha orago de Nossa Senhora da Assunção, muito milagrosa, a qual apareceu no côncavo de uma fraga arrumada ao adro da igreja, para O., e de onde se tiravam picos com que se saravam muitos enfermos e outros a "cobrem lambendo os poses no mesmo côncavo"; a igreja tinha duas naves, na do S. tinha um altar colateral com titular de Cristo crucificado; em frente deste na nave que ficava a N. estava outro colateral dedicado a Nossa Senhora do Rosário, para O. ficava a nave do campanário, para E. ficava a capela-mor em cujo trono estava Nossa Senhora da Assunção; este último tinha Irmandade; o pároco era cura anual apresentado pelo bispo de Miranda, tendo de côngrua 6$500, 30 alqueires de pão meado e 19 almudes de vinho; 1806, 28 Agosto - visitador manda argamassar os telhados, caiar a igreja por dentro e por fora, fazer duas portas novas para as torres; viu os telhados da igreja todos arruinados; as frestas da nave e portaria precisavam de vidros, ordenando fazer estes trabalhos no prazo de um ano, sob pena de 6$000; a sacristia precisava de novo arcaz e vidros nas frestas da capela-mor, reforma da porta para o adro e um crucifixo para o altar-mor, mandando fazer isso ao fabriqueiro da igreja no prazo de seis meses, sob pena de 6$000; 1815, Maio - ladrões roubaram dois cálices, um vaso pequeno de levar o Santíssimo Sacramento aos enfermos e cruz do sacrário; 1822, 30 Outubro - observando o visitador que a igreja estava em estado deplorável, no que respeita à capela-mor, sacristia, casa da residência, ordena que o juiz da igreja, no prazo de três meses, a mande compor, principalmente retalhar o corpo da igreja, sob pena de 3$000; 1825, 27 Abril - visitador manda compor o sino grande, que estava quebrado "dealbar" o corpo da igreja por dentro e por fora, artilhar e argamassar, forrar e pintar os confessionários, bem como fazer umas portas novas e pôr vidros nas frestas e sacras nos altares colaterais, dando ao juiz da igreja o prazo de seis meses para a obra sob pena de pagar do seu bolso 2$000; 1834, 18 Outubro - o Provedor interno de Chaves, José António Ramos ordena ao juiz do povo de Carrazeda de Montenegro que se venda a casa da Senhora da Anunciação, construída para receber as esmolas do Senhor e na época devoluta, só tendo as paredes, para usar o dinheiro na construção do cemitério; não havendo quem a comprasse, a pedra deveria servir para os muros do cemitério; 1850, 6 Março - constava da lista dos julgados que formavam o distrito de Vila Real; 1853, 31 Dezembro - extinção do concelho de Carrazeda de Montenegro; 1892 - data do portão para o cemitério; 1897, 9 Maio - erecção da Associação do Sagrado Coração de Jesus, pelo P. António de Barros de Vilela Seca, Director Diocesano, ficando director local o Reitor Timóteo José de Morais Castro Barroso, pároco na freguesia, após se ter comprado uma imagem do Sagrado Coração de Jesus; séc. 20 - pintura dos painéis da nave e capela-mor por Victor Mendes, de Braga; 1927 / 1934, entre - o Pe Cândido Lemos mandou colocar painel com Última Ceia no coro, revigorou a devoção ao Apostolado da Oração e comprou a imagem nova do Sagrado Coração de Jesus que se venera no seu altar; 1940 - data do cruzeiro dos Centenários integrado na balaustrada do adro; 1948 - Monsenhor Silvino Nóbrega manda colocar junto ao arco triunfal dois painéis, o da direita dedicado a Nossa Senhora da Anunciação e o da esquerda ao Arcanjo São Gabriel; 1953 - data do falecimento José Saraiva, deixando 100 mil escudos à igreja, com o qual se construiu o salão paroquial e de festas na zona posterior do adro; 1990, 18 Julho - Carrazedo de Montenegro é elevada a vila; 1999, 13 Maio - Valpaços é elevada a cidade.

Dados Técnicos

Sistema estrutura de paredes portantes.

Materiais

Estrutura rebocada e pintada; frisos, cornijas, pilastras, pináculos, molduras dos vãos, nichos, cruz escada para as torres, pias de água benta, bacia dos púlpitos, balaustrada do coro, lavabos e outros elementos em cantaria de granito; pavimento em lajes de granito e soalho; tecto em falsa abóbada de berço, de estuque, no coro-alto, e de madeira na nave e capela-mor; retábulos de talha dourada; guardas dos púlpitos em talha; painéis pintados; silhar de azulejos; cobertura de telha; algerozes metálicos.

Bibliografia

CAPELA, José Viriato, BORRALHEIRO, Rogério, MATOS, Henrique, As Freguesias do Distrito de Vila Real nas Memórias Paroquiais de 1758. Memórias, História e Património, Braga, 2006; MARTINS, A. Veloso, Monografia de Valpaços, Porto, 1978; MINHAVA, Padre Ângelo, Carrazedo de Montenegro - Memórias, Vila Real, 1990; Património Arquitectónico e Arqueológico Classificado, Inventário, Lisboa, 1993, vol. III, Distrito de Vila Real, p. 37; Tesouros Artísticos de Portugal, Lisboa, 1976, p. 175; VALBEL, Joaquim de Castro Lopo, O Concelho de Valpaços, Lourenço Marques, 1954.

Documentação Gráfica

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN/DSID

Intervenção Realizada

PROPRIETÁRIO: 1927 / 1934, entre - o padre Cândido José de Lemos mandou soalhar a igreja e fazer de mosaico a passadeira em mosaico entre as portas travessas e do guarda-vento ao arco triunfal; 1967, depois - o pároco António Barroso de Oliveira mandou dourar os altares da igreja e restaurar a residência paroquial, que estava em ruínas, onde gastou à sua custa 2.300 contos; 1990, década - substituição dos tectos da igreja.

Observações

No adro da igreja existiam cruzes de pedra, cruzeiros sobre bases, nas quais se fazia anualmente ladainhas, mas foram cedidas pelo pároco Cândido Lemos, à Música de Carrazedo para sobre elas se fazer construir um coreto na praça para concertos ao domingo.

Autor e Data

Isabel Sereno e Paulo Dordio 1994 / Paula Noé 2008

Actualização

 
 
 
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