Palácio Braamcamp / Edifício da Biblioteca Municipal / Casa-Museu Anselmo Braamcamp Freire

IPA.00006234
Portugal, Santarém, Santarém, União de Freguesias da cidade de Santarém
 
Palacete barroco, de dois pisos, o inferior reservado a serviços, o superior a habitação, com 2 portais simétricos rasgados na fachada principal, o da direita de acesso ao átrio e a ampla escadaria que conduz ao andar nobre, o da esquerda comunicando com as cavalariças e zonas de serviço. O edifício repete a tipologia dos edifícios solarengos setecentistas, na organização do espaço e na decoração tardo-barroca da própria fachada, a nível de ornatos da cantaria dos vãos. O palácio foi inicialmente rasgado por arco abobadado, permitindo o acesso à Rua da Amargura, actual Rua Brancaamp Freire e ao chafariz.
Número IPA Antigo: PT031416120086
 
Registo visualizado 74 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Residencial unifamiliar  Casa  Palacete  

Descrição

Planta composta por vários polígonos adossados. Massas articuladas com cobertura em telhado de 4 águas. Fachada principal virada a E., adaptando-se à linha sinuosa da rua, de 3 panos separados por pilastras e 2 pisos delimitados por frisos, enquadrada lateralmente por cunhais almofadados e emoldurada por rodapé e cimalha saliente; no piso térreo, 2 portais iguais, ladeados por janela, nos panos laterais, uma janela a meio do pano central, ladeada à esquerda por vão em arco redondo, abobadado; piso nobre rasgado por portas-janelas com frontões mistilíneos alternando com simples remates em arquitrave, abrindo para balcões com sacadas em ferro, nos panos laterais, para um balcão corrido no pano central. Os portais e as janelas do piso superior são enquadrados por molduras em cantaria, com ornatos geométricos, enrolamentos, festões e flores. Fachada lateral direita rasgada por janelas de vão rectangular. INTERIOR: O portal do pano direito da fachada E. dá acesso a vestíbulo empedrado, com várias portas rasgadas de acesso a uma sala de exposições e à zona da biblioteca; no eixo do portal um arco redondo sobre pilastras toscanas dá acesso a ampla escadaria de lanço simples, que se divide em 2 lanços depois de patamar intermédio, convergindo num patamar superior. Deste comunica-se por 3 portas de acesso com várias salas intercomunicantes, que deitam para a fachada principal e para o jardim. O portal do pano esquerdo dava outrora acesso a zonas de serviço. No eixo do vão abobadado do pano central e comunicando com o jardim nas traseiras do edifício, um corredor com paredes em cantaria e abóbada de berço em tijolo, correspondente à antiga passagem coberta, que ligava a povoação ao chafariz; nas zonas circundantes vários arcos em tijolo dividiam as lojas do piso térreo e serviam de sustentação ao piso nobre.

Acessos

Rua Braancamp Freire

Protecção

Em estudo

Enquadramento

Urbano, planalto, flanqueado. Implantado na malha urbana, na extremidade do planalto sobre o Vale de Torres, por cima do chafariz de El-Rei ou de D. Rita (em vias de classificação), nas proximidades das escadinhas do Milagre, que dão acesso à Igreja do Milagre (v. PT031416120008), cuja torre sineira se ergue por trás da sua fachada. A fachada posterior abre para jardim que cerca o palácio do lado O. e S..

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Residencial: casa

Utilização Actual

Cultural e recreativa: biblioteca / Cultural e recreativa: casa-museu

Propriedade

Pública: municipal

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 18 / 19

Arquitecto / Construtor / Autor

Desconhecido.

Cronologia

1798 - o sargento-mor de Santarém, Manuel Nunes Gaspar, casado com D. Rita Mariana Gil de Freire, compra as duas moradias que ladeavam à esquerda e à direita da Rua dos Fiéis de Deus, através da qual se fazia o acesso ao chafariz vizinho; terá então construído o palacete, que se sobrepõe à rua, cujo acesso é contudo mantido pela construção de um arco; 1869 - Anselmo Braamcamp Freire, neto de Manuel Gaspar, compra o palácio ao seu irmão, o 2.º Barão de Almeirim; terá então sido encerrado o arco de passagem e criado um jardim nas traseiras, na zona onde passava a rua; 1877, 23 Agosto - arrematação das obras da biblioteca, edifício que viria a ser incorporado na Biblioteca Municipal; 1880, 13 Junho - inauguração da biblioteca com o nome de Biblioteca Municipal Camões; estava junto às Escolas do Salvador; 1921 - Anselmo Braamcamp Freire lega o seu palácio e todo o seu recheio à Câmara Municipal de Santarém; 1917, 05 Julho - falecimento do Cónego Joaquim Maria Duarte Dias, deixando a sua biblioteca à instituição; 1926, 20 Abril é entregue o legado anterior e abre ao público a Biblioteca e Museu Braamcamp Freire, com as funções de biblioteca pública e municipal, pinacoteca e casa museu; 1945, 16 Dezembro - inauguração do Museu dos Coches no local, por iniciativa do Grupo de Amigos do Museu e Obras de Arte de Santarém, com o espólio doado pelo Barão de Almeirim, que também deu o edifício; 1971, 7 Agosto - Fausto Simões apresenta estudo para ampliação da biblioteca municipal de Santarém; 1973, 29 Outubro - o mesmo autor apresenta uma segunda proposta (ML NP299.DGEMN); 1977 - devido ao mau estado do edifício, a Biblioteca é transferida para o edifício do Museu; início de um projecto de remodelação; 1986 - instalação da Biblioteca no local, após obras de remodelação e ampliação.

Dados Técnicos

Estruturas autoportantes e autónomas.

Materiais

Estrutura em alvenaria de pedra e tijolo, telhado cerâmcio, cantaria em cunhais, molduras, degraus, pavimentos; caixilharia em madeira; pavimentos em madeira, pedra e tijoleira.

Bibliografia

ALMEIDA, José António Ferreira de, Tesouros Artísticos de Portugal, Lisboa, 1976; BRAZ, José Campos, Santarém raízes e memórias - páginas da minha agenda, Santarém, Santa Casa da Misericórdia de Santarém, 2000; CUSTÓDIO, Jorge, Casa-Museu Anselmo Braancamp Freire / Biblioteca Municipal de Santarém in Património Monumental de Santarém, Santarém, 1997; MENDES, Octávio da Silva Paes, Santarém Monumental, Roteiro, Santarém, 1988; SEQUEIRA, Gustavo de Matos, Inventário Artístico de Portugal, vol. 3, Lisboa, 1949; SERRÃO, Vítor, Santarém, Lisboa, 1990; SARMENTO, Zeferino, História e Monumentos de Santarém, Santarém, 1993.

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DSID, Arquivo Pessoal Manuel Laginha (ML NP 299)

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID, SIPA

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN/DSID

Intervenção Realizada

Posto a descoberto o arco de acesso à passagem abobadada no interior do edifício, sendo o mesmo resguardado por vidro.

Observações

Autor e Data

Isabel Mendonça 1997

Actualização

 
 
 
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