Cine-Teatro de Estarreja

IPA.00000616
Portugal, Aveiro, Estarreja, União das freguesias de Beduído e Veiros
 
Cine-teatro modernista, de planta retangular, com corpo de camarins adossado e torre do corpo de escadas localizada no ângulo da fachada principal. Volumetria compacta, de desenvolvimento horizontal, desenhada por linhas rectas. Coberturas escalonadas, planas e em terraço. Pala a proteger a entrada principal. Fenestração tripartida, verticalizada e generosa na fachada principal, a assinalar o piso 1 e contrastando com os panos cegos dos alçados. A recente recuperação interferiu na leitura deste edifício modernista, em particular no interior. Actualmente, insere-se no grupo de auditórios de planta rectangular, de cena contraposta, com auditório comportando plateia com pendente e um balcão, mantendo os camarotes laterais - 2 de cada lado -, mas sem utilização. Dispõe de palco, com boca de cena rectangular, avant-scène e fosso de orquestra sem plataforma regulável. A caixa de palco, preta, está dotada de subpalco com quarteladas, com dois níveis de varandas e teia. Cabina de projecção em espaço independente, localizada por cima do 1.º balcão, mantendo os primitivos espaços laterais correspondentes à cabina dos bombeiros e à cabina de enrolamento. Régie de som e de luz partilham o mesmo espaço, em cabina própria, situada ao fundo da plateia. Camarins individuais e colectivos distribuídos verticalmente, em corpo próprio, de fácil comunicação com o palco. Trata-se assim de um auditório tipo A1 (salas de espectáculos) de 2.ª categoria (entre 500 a 1000 lugares), com palco de tipo B2 (espaços cénicos integrados), com espaços de apoio dos tipos C1 (locais de projecção e comando), C2 (locais de apoio) e C3 (locais técnicos e de armazenagem) *1. O cine-teatro está preparado para a realização de espectáculos, por compra ou aluguer da sala, de teatro, dança, música e cinema. Também admite a realização de conferências, podendo assegurar tradução simultânea.
Número IPA Antigo: PT020108020003
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Cultural e recreativo  Casa de espetáculos  Cine-teatro  

Descrição

Edifício de planta rectangular, desenvolvida segundo o eixo NE.-SO., em três pisos, de disposição horizontal e de volumetria compacta. Observado do exterior, o edifício oferece uma leitura clara, acentuada pela ausência de construções nos terrenos adjacentes, expondo-se, muito em particular, a NO.. Trata-se de uma massa paralelepipédica, de ângulos rectos e arestas vincadas, com alçados laterais extensos que se desenvolvem a todo o comprimento do terreno, pouco fenestrados ou cegos, tingidos uniformemente de branco mas rigidamente recortados, anunciando três corpos funcionalmente diferenciados: o mais alto e estreito, no topo SO., com cobertura plana, corresponde à CAIXA DE PALCO; o intermédio, mais longo e de cobertura ondulada, a ocultar a instalação de ar condicionado construída recentemente sobre a primitiva cobertura plana, respeita ao espaço do AUDITÓRIO; o mais baixo e igualmente estreito, no topo NE., onde se rasga a fachada principal, de cobertura em terraço, corresponde aos ESPAÇOS DE APOIO AO PÚBLICO e aos acessos mais nobres (átrio, foyer, bar, bilheteira, etc.). A uniformidade do volume é ainda quebrada pela existência de um corpo vertical quadrangular, localizado no ângulo nascente do edifício, que se eleva além do remate do alçado SE., e se destaca ainda mais na face NO. devido ao recorte do terraço acessível sobre a fachada principal. Este corpo, que assume a forma de torre destacada, corresponde às escadas que asseguram comunicação entre todos os pisos, do átrio - antes entrada reentrante aberta, actualmente fechada por portas de vidro a assinalar a entrada no interior do cine-teatro - ao terraço. Igualmente a SE., cresce três pisos acima do solo o corpo dos camarins, adossado e comunicante com a caixa de palco. Este corpo não ultrapassa a linha vertical limite do corpo do auditório, nem o friso horizontal de marcação da base da sua platibanda, tem porta própria de comunicação com o exterior (vulgo, porta de artistas) e acesso facilitado por um pavimento calcetado, paralelo à fachada lateral SE., parte integrante da propriedade do cine-teatro, constituinto também um escoamento fácil e seguro (em caso de incêndio) do público, uma vez que para este acesso dão as portas laterais da plateia. No conjunto, destaca-se a fachada principal, quer nos elementos compositivos, quer na aplicação de materiais que introduzem diversidade de textura e cor. Uma pala saliente, assente sobre grossas colunas de pedra, assinala a entrada, precedida de degraus. Os três vãos aqui criados estão fechadas por portas de vidro, recurso que permitiu, no projecto de recuperação, reconverter um espaço antes aberto num espaço interior e protegido, não anulando completamente, através da transparência, um dos recursos mais característicos de organização do espaço nos cine-teatros dos anos 40: a entrada reentrante, com acesso lateral às bilheteiras, de atendimento para o exterior, e acesso frontal às portas principais de entrada no edifício. Fora das horas de atendimento, corriam-se os gradeamentos. Sobre a pala da entrada, e num paramento único, a assinalar o piso nobre - o amplo foyer do piso 1, com bar, polivalente na sua capacidade de animação cultural - rasgam-se três amplos vãos de sacada, enquadrados por moldura pétrea sustentada a terços por colunas embebidas a marcar a tripartição da fenestração. Num edifício onde a penetração da luz natural era extemporânea e indesejável, a fenestração generosa era deixada para os espaços de sociabilidade, de estar e de encontro, que intervalavam as sessões de projecção, quando não suscitavam actividade própria, como salão de festas. Também o corpo de escadas, autónomo e independente, podia beneficiar de luz natural. A torre pode assim ser rasgada nas faces Se. Ee NE. por dois amplos vãos, contínuos, hoje com caixilharia de alumínio e envidraçados, substituindo as primitivas adufas com forma de dente de serra, sobrepostas em fiadas, igualmente características da arquitectura dos cine-teatros da época a que pertence o de Estarreja.INTERIOR: A organização dos espaços funcionais do cine-teatro é, naturalmente, tributária da estrutura definida pelo projecto dos anos 40. Todavia, o interior, resultante das obras de recuperação, encontra-se bastante modificado, fruto da adaptação de um antigo cine-teatro às actuais condições de produção e exibição de espectáculos, bem como às opções tomadas para diminuir o impacto de certos constrangimentos - como a excessiva lotação da sala -, para introduzir novos espaços, necessários à gestão e programação de actividades, ou para atender à valorização dos elementos caracterizadores do edifício enquanto exemplar da arquitectura de meados do séc. 20. Espaço do AUDITÓRIO - espaço independente, ligado ao palco pela boca de cena, estabelecendo uma relação de palco/público de cena contraposta. A planta é rectangular, atingindo a lotação da sala 502 lugares distribuídos por plateia (306) e 1.º balcão (196). Plateia com pendente, com coxias longitudinais central (até meio da plateia), a terços (segunda metade posteior da plateia, onde se localiza a régie) e lateral (lado esquerdo) e tranversais (central) e de boca, equipada de cadeiras fixas, de estrutura em madeira, com assento e espaldar forrados de tecido esverdeado. As paredes da sala são revestidas por apainelados de madeira, o pavimento está forrado de alcatifa, também em tom esverdeado e o tecto, que integra a regulável e a climatização da sala, é suspenso e translúcido. O auditório conta ainda com um balcão, projectado sobre a sala em consola, com guarda opaca, revestida a argamassa de cimento e pintada de cor clara. Tem dois níveis e acentuada pendente. O 2.º balcão foi anulado, criando-se no seu espaço, gabinetes para a administração do cine-teatro. Espaços cénicos - o PALCO, ligado à sala pela boca de cena, tem uma área de cena de 10 m x 10 m, coxias direita, esquerda e de fundo, paredes pretas e soalho de madeira disposto paralelamente à boca de cena. A boca de cena (10 x 6 m) é rectangular, de estrutura de betão, mantendo a configuração original, embora desvalorizada: as superfícies laterais onduladas de enquadramento estão pintadas de preto, por motivos cénicos e técnicos, e a altura da boca de cena encontra-se, por idênticas razões, diminuída, por força da altura do vão da sala ter baixado com a introdução de um novo tecto suspenso. Á altura da parte superior da boca de cena encontra-se uma ponte técnica, oculta pelo tecto suspenso, bem como painéis acústicos sobre o avant-scène (11,5 m x 2m), formado pela cobertura do fosso de orquestra. Espaços técnicos - a CAIXA DE PALCO tem teia a 14 m do palco, de piso em madeira e estrutura em betão. Dispõe de dois níveis de varandas laterais e de fundo, em ferro, e sub-palco de estrutura em ferro, dotado de quarteladas. Uma plataforma elevatória, situada no canto direito do subpalco, assegura o acesso de carga ao palco. A régie de som e a régie de luz partilham o mesmo espaço, ao fundo plateia. ESPAÇOS DE ESTAR PARA O PÚBLICO - acomodam-se na parte da frente do edifício, em espaços sobrepostos. Os ACESSOS realizam-se por escada principal localizada na zona do átrio / foyer do piso 0, directamente comunicante com o foyer do piso superior e portas de entrada para o 1.º balcão. A escada situada na torre, antes para garantir acesso separado ao 2.º balcão, liga todos os pisos, inclusive ao da direcção (piso 2).

Acessos

Rua Visconde de Valdemouro

Protecção

Categoria: IM - Interesse Municipal, Decreto nº 67/97, DR, 1ª Série-B, nº 301, de 31 Dezembro 1997

Enquadramento

Urbano. Localiza-se no centro de Estarreja, junto a um dos eixos de circulação estruturante na localidade, junto ao seu núcleo "histórico", formado pela Praça onde se situa a Câmara Municipal e outros edifícios de referência. Todavia, o Cine-Teatro, integra hoje um tecido urbano em renovação, e, de alguma forma, miscigenado, descaracterizado. A frente urbana NE., dianteira ao edifício, é marcada por construção residencial recente, dissonante com a envolvência histórica do lugar, assinalada, no essencial, por edifícios do séc. 19 e alguns do séc. 20, mas de arquitectura qualificada. Já o lado SO., nos terrenos confrontantes com o Cine-Teatro, mantém-se uma zona por redefinir, com implicações na valorização deste equipamento cultural municipal: a NO., um terreno devoluto a aguardar nova construção; a SE., uma estação de serviço.

Descrição Complementar

EQUIPAMENTO DE TEATRO - Mecânica de Cena: sistema de suspensão - 5 varas manuais e 10 varas contrapesadas. Iluminação cénica: dimmers - 72 circuitos digitais; órgão de luzes; equipamento de apoio à iluminação - 5 calhas electrificadas para varas, contando com torres de iluminação; equipamento de iluminação - 73 projectores. SONORIZAÇÃO CÉNICA: 12 microfones, colunas de som e equipamento de gravação / reprodução, permitindo a realização de conferências, a reprodução de suportes para espectáculos diversos, o reforço acústico para espectáculos de teatro e espectáculos de música e espectáculos de música amplificada. AUDIOVISUAIS - sistemas de projecção de 35 mm, 16 mm e 8 mm; ecrã rígido, em tela perfurada. EQUIPAMENTO CÉNICO: Cortina de boca, em veludo azul, de abrir para os lados, com mecanismo de abertura motorizado, e de abrir para cima, suspensa em vara contrapesada; cena preta - 4 bambolinas e 10 pernas em flanela; ciclorama em tecido, de cor branca; rolos de linóleo para dança de cor preta. INSCRIÇÕES: 1. Torre das escadas, piso 0 - Inscrição gravada, comemorativa. Leitura: HOMENAGEM AO ACTOR ALVES DA CUNHA / UM GRUPO DE ADMIRADORES POR INICIATIVA DO CÍRCULO CULTURAL DE ESTARREJA (9- 12- 950).

Utilização Inicial

Cultural e recreativa: cine-teatro

Utilização Actual

Cultural e recreativa: cine-teatro

Propriedade

Pública: municipal

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 20

Arquitecto / Construtor / Autor

ARQUITECTO: Ângelo Graça Ramalheiro; MESTRE DE OBRAS: Manuel Tomé

Cronologia

1947 / 1950 - construção do edifício, promovida pela Empresa Cinematográfica Aveirense; 1950, 12 Março - inauguração; 1950 /1970, décadas de - o Cine-Teatro vive de uma programação que assegurava cartaz cinematográfico com apresentação de espectáculos teatrais, sobretudo musicados ou de revista, tanto produzidos por companhias profissionais como por grupos amadores; 1980, década de - a crise preanunciada nos anos 70 acentua-se; 1991 - deixa de exibir regularmente filmes; 1992 - a Empresa Cinematográfica Aveirense, que mantém a propriedade do imóvel desde a sua construção, encerra o Cine-Teatro; 1993 - a Câmara Municipal de Estarreja desencadeia processo de aquisição: realiza um inquérito às escolas, associações culturais e empresas do concelho sobre o eventual interesse de comprar e recuperar o antigo cine-teatro; 1993, Junho - a Igreja Universal do Reino de Deus manifesta interesse na aquisição do edifício; 1993, Setembro - a Empresa Cinematográfica Aveirense solicita à Direcção-Geral dos Espectáculos e das Artes a desafectação da actividade teatral do imóvel; 1993, Outubro - a DGEAC indefere o pedido; 1994 - surge um projecto de recuperação do imóvel, da responsabilidade da Câmara, onde, a par da valência teatral, se integra a futura Biblioteca Municipal, intenção que virá posteriormente a ser abandonada; 1994, Junho - assinatura do protocolo de colaboração entre a Câmara Municipal de Estarreja e a Secretaria de Estado da Cultura, com o objectivo de o município adquirir o cine-teatro: o valor situava-se em 80.000$00, sendo a comparticipação da SEC, na ordem dos 50%: 1994 - o cine-teatro é finalmente comprado à Empresa Cinematográfica Aveirense pela Câmara Municipal de Estarreja; 1996, 2 Maio - despacho de homologação como VC; 1997 - estudo prévio e anteprojecto para a recuperação do Cine-Teatro; 2001 - publicação do concurso público com a designação da empreitada para a remodelação do Cine-Teatro, iniciando-se as obras; 2005, 18 Junho - inauguração do Cine-Teatro Municipal de Estarreja, profundamente remodelado, com um concerto de música clássica dado pela Orquestra do Norte; 2008, 18 junho - inauguração, após obras de recuperação.

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes portantes

Materiais

Betão armado, tijolo, azulejos, ferro (guardas), madeira, vidro, mármore, mosaico hidráulico, alcatifa.

Bibliografia

Remodelação do Cine-Teatro de Estarreja, Jornal de Arquitectos, n.º 168-169, Mar. 1997, pp. 49-51; http://www.patrimoniocultural.pt/pt/patrimonio/patrimonio-imovel/pesquisa-do-patrimonio/classificado-ou-em-vias-de-classificacao/geral/view/70990 [consultado em 14 outubro 2016].

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DSID; CMEstarreja: Arquivo de Obras

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Administrativa

CMEstarreja: Arquivo de Obras

Intervenção Realizada

CME: 2000 / 2005: projecto de recuperação do cine-teatro.

Observações

*1 - Elementos que respeitam e adoptam a classificação do "Regulamento das Condições Técnicas e de Segurança dos Recintos de Espectáculos e Divertimentos Públicos", vide Anexo ao Decreto regulamentar n.º 34/95 (art. 2º e art. 3º).

Autor e Data

Paulo Dordio 1997 / Filomena Bandeira 2006

Actualização

 
 
 
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