Palácio Nacional de Sintra / Palácio da Vila

IPA.00006135
Portugal, Lisboa, Sintra, União das freguesias de Sintra (Santa Maria e São Miguel, São Martinho e São Pedro de Penaferrim)
 
Arquitectura residencial, gótica, mudéjar, manuelina, renascentista, romântica e revivalista. Palácio real composto por conjunto orgânico de corpos de vários estilos, com coberturas individualizadoras, adossados assimétricamente a partir de um núcleo medieval e organizados em redor de pátios interiores, com implantação irregular adequada ao desnível do terreno. Nas estruturas das caixas murárias dos núcleos joanino e manuelino estão presentes técnicas mudéjares, com aparelho de pedra entrecruzada por tijolos, e revestimentos azulejares hispano-mouriscos de aresta. enxaquetados e relevados, e alguns pavimentos em alicatados. Chaminés cónicas monumentais, de aparato, filiadas em modelos das de abadias medievais francesas e inglesas e com semelhanças estilísticas com as do Palácio dos Condes de Almada, em Lisboa (v. PT031106310027), o mesmo se aplica ao modelado do estuque e a própria composição aproximam-se do estuque da sala nobre do Palácio do Machadinho, Lisboa (v. PT031106370318) decorada em 1755. O revestimento cerâmico das suas salas constitui o maior conjunto de azulejos hispano-mouriscos não só do país como da Península Ibérica. A sala do banho ou sala do esguicho constitui um interessante exemplo de casa de fresco aberta para um dos pátios do palácio, já que previa um sistema de refrescamento por esguichos de água. A decoração em estuque conjuga-se de forma harmónica com o revestimento integral de azulejos da mesma época, com motivos decorativos idênticos, sugerindo uma encomenda decorativa integrada.
Número IPA Antigo: PT031111110006
 
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Registo

 
Conjunto arquitetónico  Edifício e estrutura  Residencial senhorial  Paço real    

Descrição

Planta irregular, composta por aglomerado de corpos adossados, organizados no seu conjunto aproximadamente em V aberto segundo eixos NO.-SE. e NE.-SO., envolvendo pátios e flanqueado a O. por jardins, ambos de planimetria irregular. Volumes articulados constituídos por corpos paralelepipédicos de diferentes massas horizontalistas e verticalistas, com especial destaque para as 2 chaminés cónicas implantadas sobre a Cozinha e para o corpo da Sala dos Brasões. Coberturas diferenciadas, individualizadoras dos vários corpos, de telhados a 2 e 4 águas. Frontaria a SE., composta por 8 panos: o do corpo central é elevado e recuado relativamente aos que o ladeiam, com 2 registos: no 1º uma arcada de 4 arcos quebrados de arquivoltas reforçadas, amplo vão e curto pé-direito, abertos para galeria abobadada de canhão com lunetas, tendo fronteira a caixa murária em que se abrem janelas; na parede da esq. localiza-se a porta da bilheteira e sobre esta há vestígios de ter existido uma escada transversal; à dir. estreita escada de pedra de acesso ao 2º piso; no 2º registo 5 janelas maineladas, em arco peraltado sobre colunelos com capitéis salientes, aparentando ajimezes, com emolduramento rectangular, a central de sacada com varandim de ferro; remate em cornija encimada por merlões triangulares denteados; à esq. do pano central 2 corpos de alinhamentos diferenciados: o extremo é transversal e recuado, antecedido por escada e patamar com balaústres, com pano de 3 registos, tendo no 1º porta em arco pleno, no 2º 1 janela de sacada, à esq., e 2 pequenas janelas quadrangulares e no 3º 2 janelas maineladas, rematado em cornija; o corpo seguinte, longitudinal, é avançado, delimitado por cunhais, o pano lateral esq. cego, o frontal vazado em 2 registos, no 1º janela em arco rebaixado e no 2º janela mainelada, o pano lateral dir. com 1 porta rectangular; rematado em cornija; à dir. do pano central outro corpo longitudinal avançado, com panos laterais superiormente vazados por janelas de sacada contínuas, separadas por pilares; pano central com 3 registos: no 1º porta em arco pleno, no 2º janela de sacada, mainelada, de duplo arco deprimido peraltado e no 3º tripla janela rectangular de sacada; remate em beiral; segue-se corpo recuado antecedido de escada em ângulo, com pano frontal de 3 registos: o 1º vazado por alpendre sobre pilares, no 2º porta rectangular, à esq., encimada por janela quadrangular e, à dir., janela rectangular, e no 3º 3 janelas rectangulares; pano lateral vazado no 1º registo e os 2 superiores marcados por 1 janela rectangular; remate em beiral; pano de corpo intermédio recuado, inferiormente vazado por arco abobadado sobre rampa, encimado por janela dupla rectangular de sacada e pequeno vão transversal; em alinhamento mas desnivelado pano do corpo manuelino com 3 registos: o 1º com função de embasamento com 3 portas em arco pleno intercaladas por pequenas aberturas quadrangulares de capialços profundos, e o 2º e 3º marcados por 3 janelões mainelados, de duplo arco pleno decorado com rosetas e com intradorso rendilhado, enquadrados por meias-colunas que sustentam 2 arcos cairelados e 2 em cortina, tangentes, esculturados como troncos podados e rematados por romãs; remate em cornija encimada por merlões triangulares denteados; à dir. corpo mais baixo, aberto ao nível do 2º e 3º registos por arcadas triplas de arcos plenos sobre colunelos os 2 vãos laterais providos de parapeitos lisos, tendo pequena janela quadrangular entre os 2 registos; remate em cornija encimada por merlões triangulares denteados. Fachada NE.: corpo saliente com pano frontal de 4 registos: no 1º e 2º 1 janela em arco rebaixado, no 3º e 4º 2 janelas geminadas idênticas às do corpo manuelino, tendo num registo intermédio uma janela em arco rebaixado; remate em cornija encimada por merlões triangulares denteados, intercalados por pequenos pináculos; segue corpo recuado, inferiormente cego e com os 2 registos superiores vazados por 2 janelas idênticas à do corpo manuelino. Acede-se à fachada posterior através da rampa coberta por túnel aberto no corpo intremédio, tendo à esq. 2 arcos sobre pilar facetado, com anel torso e capitel vegetalista, e à dir. 2 portas em arco rebaixado; segue-se nas caixas murárias dos corpos que ladeiam o túnel, à esq. 2 portas e 2 janelas rectangulares encimadas por 3 pequenas janelas duplas em arco quebrado e uma simples, semi-oculta; do lado N., sobre o arco do túnel 2 janelas em 2 registos; segue-se outro arco encimado por janela e 2 arcobotantes; à dir. 2 janelas em 2 registos e sob o arco 1 porta, saindo-se por arco quebrado para o Terreiro da Meca, delimitado a NE. por muro com conversadeiras e canteiros. A fachada posterior, volvida a N., apresenta uma complexa articulação de corpos salientes e reentrantes em diversos níveis e sobre plataformas: no extremo esq. corpo manuelino de 2 panos divididos por pilastra, o 1º de 4 registos tem no 1º janela rectangular, no 2º janela mainelada idêntica às das outras fachadas, no 3º janela em arco rebaixado e no 4º janela mainelada; o 2º pano tem inferiormente escada que desemboca em porta rectangular ao nível do 2º registo, no 3º 2 janelas rectangulares, no 4º janela mainelada em duplo arco rebaixado com intradorso vegetalista. Segue-se, em plano elevado, pano da cozinha com porta em arco quebrado e pano da capela com janela rectangular com bandeira rendilhada e 1 janelão em arco quebrado; pano da tribuna com janela em arco quebrado; corpo saliente com porta em arco quebrado e janela rectangular e, lateralmente arco quebrado cego encimado por janela rectangular; pano de corpo reentrante com passagem aberta no 1º registo por arco em asa-de-cesto inscrito em arco quebrado, no 2º janela mainelada idêntica à da fachada principal e pequena janela rectangular, no 3º registo janela em arco de asa-de-cesto simples e outra dupla, mainelada; pano de corpo estreito saliente com 2 janelas duplas em asa - de - cesto em 2 registos; segue-se escada de 2 lanços, com porta a meio, adossada a corpo com porta e 2 janelas rectangulares gradeadas, o 2º registo é reentrante com janela dupla em arco de asa-de-cesto; corpo destacado com janela em arco trilobado com intradorso policêntrico, seguindo-se pano cego; no extremo dir., salienta-se o volume cúbico da Sala dos Brasões, tendo na fachada E. porta em arco rebaixado e janela rectangular no 1º registo e janela dupla mainelada em arco policêntrico no 2º; na fachada N. embasamento muito alto, 2 janelas em arco rebaixado no 1º registo e 2 janelas duplas em arco policêntrico no 2º, que se repetem na fachada O; remate em pombal sob cornija. Fachada SO. antecedida por jardins e pátios sobre plataformas altas e muradas: o Pátio dos Tanquinhos, o Jardim dos Príncipes e o Pátio do Leão (ou da Audiência) com arcos ultrapassados num alfiz de traçado regular, e a S. o Jardim da Araucária, contornando uma horta, e o Jardim da Preta com acesso por escadaria, tendo um tanque e 2 figuras de barro em relevo figurando uma preta e um pajem e, ao centro uma coluna helicoidal, sobre tambor oitavado, de 3 toros enroscados revestidos com fiadas de rosetas estilizadas e rematados em anel com corrente, intercalados com faixas de folhas de acanto encimadas por flor; os capitéis são baixos com coroas de folhagem e o remate, em pinha cónica, é igualmente vegetalista de que sobressaem pequenos cogulhos e carrancas *1. Volvidos para os jardins, à dir. do corpo da Sala dos Brasões, pano com 2 janelas duplas polilobadas flanqueando outra inscrita em moldura rectangular; pano de corpo baixo com porta em arco quebrado e janelas rectangulares; corpo avançado com porta e janelas rectangulares e, à dir. corpo inferiormente vazado por sequência de arcos plenos. A fachada posterior do Corpo O. da frontaria é vazado por janelas rectangulares. INTERIOR: Os inúmeros compartimentos estão ligados entre si sucessivamente, e organizam-se em torno de 4 pátios que intercalam os volumes construídos. Ao cimo de uma escada helicoidal a Sala dos Archeiros, antigo terraço coberto, possui um pórtico arquitravado em 2 planos, formando ângulo recto e estabelece ligação entre as alas joanina e manuelina. Circulando para O. a Sala dos Cisnes (antiga Sala dos Infantes): rectangular, com grandes portas nos topos e janelas em arco rebaixado a vazar as paredes laterais, todos os vãos envolvidos por azulejos enxaquetados verdes e brancos superiormente recortados em forma de castelos e torres; num canto uma lareira de mármore sobre colunelos; pavimento de tijoleira com entrançado e cobertura em tecto de masseira com caixotões octogonais de molduras polícromas e douradas em que se inscrevem cisnes com gargantilhas douradas. No Pátio do Esguicho (ou Pátio Central) um longo tanque revestido de azulejos de aresta e, ao centro uma coluna torsa com decoração vegetalista e remate cónico com figuração antropomórfica; a N. colunata que acede a casa de fresco (Gruta dos Banhos) de paredes revestidas com azulejos figurativos azuis e brancos, com um sistema de repuxos; tectos decorados com grinaldas de estuque branco, azul e ocre a envolver cenas mitológicas. A Sala das Pegas: rectangular, com revestimento parietal de silhar de azulejos de aresta e uma lareira esculpida em mármore de Carrara *2, cobertura de tecto de masseira apainelado com figurações de pegas segurando cartela no bico com dístico "POR BEM"; na parede S. porta para o pequeno Pátio da Audiência e do lado oposto acesso ao Quarto de D. Sebastião revestido com silhar de azulejos relevados com parras. A Sala das Sereias (antigo Guarda-Roupa) tem silhar de azulejos de aresta e tecto apainelado com figuração de uma nau ladeada por sereias. A Sala Moura ou dos Árabes (Câmara ou Quarto de D. João I) é quadrangular, com pavimento de tijoleira centrado por fonte e paredes revestidas com silhar de azulejos enxaquetados verdes e brancos, de aresta e corda-seca, encimado por maçarocas relevadas; pavimento de tijoleira com entrançados. No Pátio de Diana revestimento de azulejos relevados e ao centro uma fonte. Uma escadaria dupla ascende à Sala das Galés com tecto de berço de madeira onde está pintada a Barra de Lisboa com várias embarcações. Pátio da Carranca com tanque revestido de azulejos relevados com esferas armilares. Sala da Coroa com tecto apainelado com escudo real. Quarto de D.Afonso VI com porta em arco quebrado e pavimento cerâmico alicatado. Na antiga torre da Meca a Sala dos Brasões: quadrangular, com porta em arco polilobado e paredes revestidas de painéis de azulejos figurativos azuis e brancos com cenas galantes e de caça; cobertura em cúpula octogonal de caixotões sobre trompas de ângulo apoiadas em nervuras, pintada concentricamente com brasões de armas de 72 famílias nobres portuguesas, painéis octogonais com cavalos, brasões dos 8 filhos de D. Manuel, e, no fecho, as armas reais. Capela: planta longitudinal rectangular, com tribuna, de nave única com paredes pintadas a fresco com pombas, altares com frontais de azulejos de aresta e pavimento de tijoleira e azulejos alicatados; cobertura em tecto de alfarje com perfil de abóbada de berço. Cozinha de 2 tramos separados por arcos quebrados, inteiramente revestida de azulejos brancos colocados na diagonal, sob as bases octogonais das chaminés monumentais. Na sala de D. Manuel uma porta de colunelos torsos e revestimento parietal com silhar de azulejos de aresta.

Acessos

Largo Rainha D. Amélia. VWGS84 (graus decimais) lat.: 38,797686, long.: -9,390634

Protecção

Categoria: MN - Monumento Nacional, Decreto de 16-06-1910, DG, 1.ª série, n.º 136 de 23 junho 1910 / Incluído na Área Protegida de Sintra - Cascais (v. PT031111050264)

Enquadramento

Urbano. Destacado, em posição altimétrica no centro da vila, implantado em terreno irregular com o maior desnível a E. e circundado por arruamentos. Antecedido por lg. desnivelado e por amplo terreiro de 2 patamares com escadarias e balaustrada, tendo ao centro fontanário de 2 taças, a superior em concha encimada por pequeno castelo de pedra. Adossado à fachada posterior há um estreito terraço em patamar (Terreiro da Meca) com lanços de escada que descem para um lg. comprido (Jogo da Pela).

Descrição Complementar

AZULEJOS: Sala dos Árabes: silhar de composição geométrica enxaquetada a verde e branco formando linhas oblíquas, com as portas debruadas com cercaduras e enjuntas revestidas com azulejos relevados com motivos vegetalistas estilizados, tudo rematado por friso de azulejos recortados com maçarocas. Quarto de D. Afonso VI: revestimento parietal e de solo com alicatados. Sala das Pegas (antiga Sala de Audiência): revestimento parietal com silhar de azulejos hispano-mouriscos de corda seca, com motivos geométricos contínuos, rematados por friso recortado de azulejos renascentistas com pequenas urnas. Sala dos Cisnes (antiga Sala Grande ou dos Infantes): silhar de azulejos enxaquetados em que alternam placas verdes, azuis e brancas, havendo no coroamento figurações de edifícios imaginários segundo a técnica do esgrafito sobre azulejos verdes. Quarto de D. Sebastião: silhar de azulejos relevados fabricados por encomenda em Sevilha, com claras influências das terracotas italianas, de temática naturalista. No Pátio do Esguicho silhar baixo de azulejos hispano-mouriscos de corda seca com motivo de folhas de hera e no Pátio da Carranca com esferas armilares; ESTUQUES: Sala do banho / Gruta dos Banhos / Gruta dos Esguichos: (Casa de Fresco abrindo para o Pátio Central ou do Esguicho ) - Tecto da sala principal: abóbada de espelho sobre planta rectangular, delimitada por sanca. o pano central, horizontal, é delimitado por cornija movimentada, conformando-se aos ressaltos perspectivados de mísulas nos lados maiores, e arqueado em frontões semicirculares, nos lados menores, interrompida nos cantos e a meio dos lados maiores por concheados; a composição é delimitada inferiormente por moldura paralela à sanca. No pano central uma cena alegórica alusiva à arquitectura: 6 meninos pairam no meio de nuvens, 3 deles segurando o globo terrestre, um empunhando um compasso, outro um esquadro, um terceiro uma planta (1). Os panos laterais maiores são intercalados por cartelas rodeadas por concheados e por reservas com reticulados, enquadrando urnas floridas (2, 3); a meio dos panos menores cartelas de fundo reticulado enquadradas por concheados em C, encimadas por medalhões de folhas de loureiro, centrados pelas iniciais entrelaçadas "D.J." (Dom José?) (4, 5); nos cantos, cartelas compostas por concheados flamíferos, com reservas reticuladas, encimadas por urnas floridas perspectivadas, enquadram alegorias às 4 estações: a Primavera - meninos com flores (6); o Verão - meninos ceifando (7); o Outono - meninos vindimando (8): o Inverno - meninos aquecendo-se à fogueira (9); nos panos maiores, dos lados das cartelas, mísulas com volutas perspectivadas, de onde pendem grinaldas; plumas e elementos vegetalistas preenchem os fundos, alternando com meninos sentados na moldura paralela à sanca. Sobre a cornija meninos rodeados por troféus empunham emblemas alusivos aos deuses do Olimpo: nos ressaltos das mísulas, nos panos maiores, um menino empunhando o feixe de raios (10), um menino com caduceu na mão e o elmo alado na cabeça (11), um outro com o pássaro (12), um outro ainda com o sol no toucado e um vaso na mão (13); nos panos menores, sobre os frontões semicirculares, um menino montando um golfinho e empunhando o tridente (14), do lado oposto um meninosentado num arcaz com uma seta na mão (15).Tecto da Alcova (com acesso por arco rasgado na parede oposta à entrada): tecto em abóbada em asa de cesto sobre planta rectângular; a composição é definida por cartelas vazias formadas por concheados em C; uma moldura lisa delimita inferiormente o tecto. A meio da mlodura oval dois meninos, um deles coduzindo um carro e empunhando o tridente. As cartelas dos ângulos são à moldura central por volutas perspectivadas, de onde pendem grinaldas.

Utilização Inicial

Residencial: paço real

Utilização Actual

Cultural e recreativa: monumento

Propriedade

Pública: estatal

Afectação

Parques do Monte da Lua, Decreto-Lei nº 205/2012, DR, 1.ª série, n.º 169

Época Construção

Séc. 14 / 15 / 16 / 18 / 19 / 20

Arquitecto / Construtor / Autor

ARQUITECTO: Luís Benavente (atr. 1950); Rosendo Garcia de Araújo Carvalheira (séc. 19). BATE-FOLHAS: Afonso Álvares; Diogo Fernandes. CARPINTEIROS: Álvaro Gil (1469-1483); Francisco da Costa (1754); João Cordeiro (1486); Luís Fernandes (1625); Pêro Torres (1518). ENGENHEIRO: Carlos Mardel (séc. 18); Custódio Vieira (1734). ESTUCADOR: João Gorssi (séc. 18). MARCENEIRO: Móveis Serrano (1950). MESTRE-de-OBRAS: António Morais (séc. 16); Diogo Fernandes (1524); Diogo Rodrigues (1523); João Garcia de Toledo (atr., séc. 14-séc. 15); João Rodrigues (séc. 15); Marcos Fernandes (1526); Martim Rodrigues (séc. 15); Salvador Rodrigues (séc. 16). MESTRE-DE-OBRAS: Diogo Gil (1439). MESTRE dos CANOS: Baltasar Fernandes (1567); Marcos Fernandes. PEDREIROS: Gonçalo Gomes (1508-1518); Luís de Alverca (1449); Manuel Luís (1706); Pêro de Carnide (1508); Pêro Pexão (séc. 16); Pedro de Torres (1508-1510). PINTORES: Diogo Teixeira (1590); Gonçalo Gomes; Nuno Gonçalves (1470). SERRALHEIRO: Gabriel Gomes (1541).

Cronologia

Séc. 10 - primeira referência a um alcácer ou residência de alcaides mouros em Sintra feita pelo geógrafo árabe Al-Bacr; 1147 - Após a conquista de Lisboa consequente rendição de Sintra, D. Afonso Henriques inclui o antigo alcácer nos bens da Coroa, designando-o de "domus"; 1152 - D. Afonso Henriques doa as "prefactas domus" de Sintra a D. Gualdim Pais, mestre da Ordem dos Templários; 1186 - o Papa Urbano III confirma que os paços fazem parte dos bens da Ordem, posteriormente ocupados pela rainha D. Isabel; 1281 - D. Dinis ordena obras de restruturação, ordenando aos mouros forros de Colares a renovação das casas reais incluindo os "mea palatia de oliva" (o Chão de Oliva era o centro da vila de Sintra), localizando-se o quarto real a N., na zona mais elevada, junto da capela; 1336 - o paço é reavido pela Ordem de Cristo; 1345 - uma escritura feita em nome da rainha D. Beatriz, esposa de D. Afonso IV, determina de novo a posse do Palácio por parte da Coroa incluindo-se nas propriedades da Casa das Rainhas, em troca de Ega e Torre da Murta; 1385, 4 Dez. - D. João I doa os paços de Sintra a D. Henrique Manuel de Vilhena, conde de Seia; 1386 - confiscados os bens do conde, o palácio volta à posse da Coroa e vai ser instituído como Palácio Real; séc. 14, final / séc. 15, início - importante campanha de obras responsável pela denominada "ala joanina" com 3 núcleos: o 1º organizado em redor de um pátio, constituído pela Sala Grande ou dos Infantes (futura Sala dos Cisnes), seguindo-se a Sala das Pegas, salas intermédias (de D. Sebastião, da Sereia, de César), Sala dos Árabes, Quarto de Hóspedes, cozinha e capela; o 2º núcleo da Casa da Meca (Câmara de D. Afonso V) e o 3º voltado para o Terreiro da Meca, com entradas altas vazadas na muralha; este conjunto vai ser descrito por D. Duarte; a SE. localizavam-se os serviços e as estrebarias; as obras são atribuíveis a João Garcia Toledo; 1415 - D. João I reune-se aqui com os Embaixadores que enviou à Sicília, com a missão de investigarem sobre as possíveis condições da conquista da cidade e Ceuta; 1426 - D. João redige o seu testamento em Sintra; séc. 15, 3ª década - D. Duarte frequenta assiduamente o Paço de Sintra, sobretudo no Verão, sendo autor de uma descrição do mesmo; 1432 - aqui nasce o futuro rei D. Afonso V; 1439 - é mestre da obra dos canos Diogo Gil, o qual fez a obra de encanamento do chafariz do claustro das mulheres e respectivo chafariz; 1449, 15 Junho - nomeação de Luís de Alverca como pedreiro das obras do Paço; 1459 - carta régia que refere obras no Paço para melhor comodidade da Corte e do próprio rei que aí vem pousar; 1469 - nomeação de Álvaro Gil como carpinteiro do Paço, cargo confirmado em 1483 por D. João II; 1470 - pintura de um retábulo do Espírito Santo para a capela, por Nuno Gonçalves; 1481 - falecimento de D. Afonso V nos Paços e aclamação de D. João II no pátio do Jogo da Pela; 1486, 03 Maio - é nomeado carpinteiro do Paço João Cordeiro; 1490, 12 Julho - o pedreiro João Rodrigues é nomeado mestre de obras dos paços, substituindo o pai Martim Rodrigues, cargo posteriormente confirmado por D. Manuel; 1497, 29 Julho - confirmação da nomeação de João Cordeiro, carpinteiro, como mestre de obras dos paços; 1498 - a campanha de obras manuelina tem por objectivo alijeirar a massa do edifício, com abertura e reformulação de alguns vãos, e enriquecer a decoração interior com aplicação de azulejos hispano-árabes que revestem chão e paredes de várias salas; articulação dos vários corpos por meio de pátios interiores vazados e providos de tanques e fontes; ordena-se a Diogo Fernandes, bate-folha de Lisboa, que prepare todo o ouro necessário para as obras dos paços; séc. 16 - nomeação de Manuel Luís como mestre dos canos de água; 1501, 31 Julho - estando nos paços de Sintra, D.Manuel recebe a notícia da chegada da armada de Pedro Álvares Cabral do Brasil; 1507 - desenhos de Duarte d'Armas da vila de Sintra vista de S., SE. e O., vendo-se no 1º a fachada da Sala dos Infantes com 4 janelas geminadas sobre outros tantos arcos plenos; 1508 / 1510 - decorrente da frequente permanência da Corte em Sintra tem início a 2ª campanha de obras manuelina, registada no "Livro de Receita e Despesa" do vedor e recebedor André Gonçalves: construção do "aposento do Príncipe", por Pedro de Carnide, Pedro de Torres e Gonçalo Gomes, da Sala dos Brasões, da Estrebaria da Meca; colocação do tecto da Capela para o qual o mestre carpinteiro João Cordeiro executou " rosas", "estrelas" e "rezimbros"; assenta-se um portal e 2 janelas na Casa da Fazenda; lageamento do "patim das Damas" e do "laranjal do sol"; reboca-se o "jogo da pela"; renovação de pinturas de câmaras e da Capela; compra de madeira, telhas, tijolos, chumbo, couceiras e de milhares de azulejos "de toda a sorte" que foram transportados a partir do Convento da Pena e do estaleiro do Mosteiro de Santa Maria de Belém; 1515 / 1519 - 3ª campanha de obras incluindo a execução das pinturas da Sala dos Brasões; construção da ala manuelina; 1518 - Gonçalo Gomes é pedreiro das obras do Paço; nomeação de Pêro Torres como carpinteiro da obras do Paço; 1519, 9 Setembro - Alvará para se dar madeira para as obras dos Paços; 1521 / 1555 - durante o reinado de D. João III constrói-se o corpo entre as alas joanina e manuelina, o corpo que arranca do Pátio de Diana (Sala das Galés), o pórtico-galeria e a escada helicoidal que conduz à Sala de D. Manuel, o terraço das Audiências e a fonte de Diana; 1523 - é mestre dos canos da água Diogo Rodrigues, com o ordenado de 5000 reais; 1524, 21 Maio - pagamento a Diogo Fernandes e Pedro Peixão pelasas obras de ladrilho; 11 Junho - Pêro Pexão foi nomeado mestre dos canos de água do palácio, sucedendo a João Rodrigues; recebe 4000 reais por ano; 8 Agosto - pagamento a João Rodrigues, mestre das obras dos paços; 1526, 14 Maio - carta de nomeação de Marcos Fernandes como mestre dos canos dos paços, em substituição do cunhado, João Rodrigues; 1533, 5 Maio - pagamento aos mestres Marcos Fernandes e João Rodrigues; 21 Agosto - nomeação de André Gonçalves para almoxarife das obras dos Paços; 1541 - nomeação de Gabriel Gomes como serralheiro das obras dos canos do Paço; 1542 / 1543 - nomeação de Pedro Peixão como mestre dos canos; 1543, 24 Janeiro - nomeação de Pêro Pexão para mestre dos canos de chumbo do palácio; 1545, 29 Abril - mandado do rei para se substituir Pedro Peixão, quando estiver doente, por Baltasar Fernandes, pedreiro; 1556, 29 Abril - nomeação de Baltasar Fernandes para mestre dos canos; final - é mestre das obras do paço António Morais; 1564, 24 Janeiro - nomeação de Fernão Neto para almoxarife das obras; 1567, 23 Outubro - nomeação de mestre dos canos de chumbo e de alvenaria do Paço de Fernandes Baltazar; 1590 - pintura de um Pentecostes para a Capela por Diogo Teixeira, hoje no Museu de Odrinhas; 07 Fevereiro - nomeação de Salvador Rodrigues como mestre das obras dos canos do palácio; séc. 17 - sob a orientação do conde de Soure decorrem obras de alteração e ampliação; 1625, 09 Maio - nomeação de Luís Fernandes como carpinteiro do Paço; 1683 - após um cativeiro de 9 anos num quarto do paço, aqui morre D. Afonso VI; 1683 / 1706 - durante o reinado de D. Pedro II renovaram-se as pinturas dos tectos de algumas salas, incluindo a dos Brasões; séc. 18, 1ª metade - D. João V designa o paço de Sintra como "formoso palácio dos reis antigos" e ordena obras de conservação a cargo de Custódio Vieira (restauro do teco da Sala dos Cisnes) e Manuel do Couto (restauro do tecto da Sala das Pegas); 1703 - nomeação do pedreiro Manuel Luís para mestre das obras dos canos do Paço; 1734 - é mestre dos Paços Custódio Vieira; 1754, 08 Agosto - é nomeado carpinteiro do Paço Francisco da Costa, com o ordenado de $400; 1755 - o terramoto causou bastantes danos na Sala dos Cisnes, reconstruída à "antiga" por iniciativa do Marquês de Pombal, e derrubou a torre militar que se elevava sobre a Sala dos Árabes causando alguns estragos; restauros a cargo de Carlos Mardel com colocação de merlões e edificação dos corpos que vão do Jardim da Preta ao pátio dos Tanquinhos e Sala dos Archeiros, que une as alas joanina e manuelina cobrindo uma escada espiral; 1760 - quando Guiseppe Baretti visita o Palácio diz que apenas subsistiam as Salas dos Cisnes, das Pegas e dos Brasões e que D. José o mandara reconstruir ao gosto mourisco; 1784 / 1787 - D. Maria I permenece frequentemente em Sintra com a Corte e uma orquestra de capela e manda executar várias obras, encomendando azulejos de "esfera armilar" para colmatar possíveis faltas; séc.18, meados - foi executado o revestimento de estuque do tecto atribuível à oficina de João Grossi - activo em Portugal entre 1748 e 1781- (Machado, 1818); séc. 19 - obras de restauro levadas a cabo por Rosendo Garcia de Araújo Carvalheira; 1838 - D. Maria II e D. Fernando instalam-se no Paço de Sintra durante as obras do Palácio da Pena; 1863 - campanha de redecoração de carácter revivalista com especial incidência no mudéjar, como memória árabe, e manuelino, nomeadamente nos vãos do corpo principal e ala manuelina, pátios e revestimentos azulejares, da resp+onsabilidade do arq. Joaquim Possidónio da Silva; 1885 - D. Luís oferece um banquete aos exploradores de África: Brito Capelo e Roberto Ivens; 1886 - segundo uma ilustração de Haupt a escadaria da fachada principal localizava-se à esq. dando acesso directo a uma porta rectangular aberta no 1º arco quebrado, estando os seguintes entaipados e providos de janelas duplas em arco pleno; séc. 19, final / séc. 20, início - o Paço de Sintra serve de residência de veraneio a D. Carlos e D. Amélia, que executou desenhos sobre o mesmo; 1910 - após a implantação da República o imóvel é incorporado no Património do Estado e procede-se à demolição de várias construções anexas ao palácio; 1930 / 1940 - vasta campanha de restauros a cargo do arquitecto Raúl Lino, responsáveis pela introdução de vários elementos revivalistas, estruturais e decorativos, nomeadamente azulejos de "esfera armilar" encomendados à Escola António Arroio e à Fábrica Viúva Lamego (SIMÕES, 1969); 1950 - aquisição de 100 cadeiras de braços, através da Comissão para a Aquisição de Mobiliário, para a mesa de banquetes da Sala dos Cisnes, desenhadas provavelmente pelo arquitecto Luís Benavente e fabricadas pela firma Móveis Serrano; 1969 - estragos provocados pelo sismo; 1992, 01 junho - o imóvel é afeto ao Instituto Português do Património Arquitetónico, pelo Decreto-lei 106F/92, DR, 1.ª série A, n.º 126; 2000, 17 Novembro - abertura de concurso público para recuperação dos muros exteriores e da casa do jardineiro e adjudicação para ampliação e remodelação da loja existente, incluindo o fornecimento de mobiliário e equipamento; 2007, 29 março - o imóvel é afeto ao Instituto dos Museus e Conservação, I.P. pelo Decreto-Lei n.º 97/2007, DR, 1.ª série, n.º 63; 2012, 25 maio - é afeto à DGPC pelo Decreto-Lei n.º 115/2012, DR, 1.ª série, n.º 102.

Dados Técnicos

Paredes autoportantes e estruturas mistas.

Materiais

Alvenaria mista rebocada; cantarias de calcário e mármore; azulejos; estuque; madeira; ferro; telha; tijolo; vidro.

Bibliografia

AAVV, Dar Futuro ao Passado, Lisboa, 1993; ALMEIDA, João de, Reprodução Anotada do Livro das Fortalezas de Duarte Darmas, Lisboa, 1943; AREZ, Ana Brito, O Palácio Nacional de Sintra, Mafra, 1993; AZEVEDO, Carlos de, Solares Portugueses, Lisboa, 1988; AZEVEDO, Carlos de, FERRÃO, Julieta, GUSMÃO, Adriano de, Monumentos e Edifícios Notáveis do Distrito de Lisboa, Vol. II, Lisboa, 1963; AZEVEDO, José Alfredo da Costa, A Vila Velha - Ronda pelo Passado, Sintra, 1984; AZEVEDO, José Alfredo da Costa, Obras de José Alfredo da Costa Azevedo, Memórias do Tempo, Vol. V, Sintra, 1998; CARITA, Hélder, CARDOSO, Homem, O Oriente e o Ocidente nos Interiores em Portugal, Barcelos, s.d.; COELHO, António Borges, Sintra - Os Paços da Vila, in Boletim Cultural da Assembleia Distrital de Lisboa, nº 81, Lisboa, 1975; COURELA, Liseta Nascimento, SILVA, Maria João, SOUSA, Pedro Manuel, Paço de Sintra - As Fachadas do Passado e do Presente, Lisboa, 1987 (texto policopiado); COSTA, Francisco, O Paço Real de Sintra - Novos Subsídios Para a Sua História, Sintra, 1980; DIAS, Pedro, Arquitectura Mudéjar Portuguesa: Tentativa de sistematização, Mare Liberum, nº 8, Dezembro de 1994; Escola Profissional de Recuperação do Património de Sintra, Relatório da intervenção no repuxo da Sala dos Árabes (por Paulo Ferreira), Cacém, 1998; FREIRE, Anselmo Braancamp, Brasões da Sala de Sintra, Lisboa, 1899; GIL, Júlio, Os Mais Belos Palácios de Portugal, Lisboa, 1992; HAUPT, Albrecht, A Arquitectura do Renascimento em Portugal, Lisboa, 1986; IPPAR, Património. Balanço e Perspectivas (2000-2006), s.l., 2000; JUROMENHA, Visconde de, Cintra Pinturesca, Lisboa, 1905; LINO, Raul, Os Paços Reais da Vila de Sintra, Lisboa, 1948; MACHADO, Cirilo Volkmar, Memórias, 2ª ed., 1922, p. 215; MECO, José, Azulejaria Portuguesa, Lisboa, 1985; Ministério das Obras Públicas, Relatório da Actividade do Ministério no Ano de 1961, 1º Vol., Lisboa, 1962; MEDINA, Gregório de, Portugal - Roteiro Turístico, artístico e Histórico, Rio de Janeiro, 1980; PEREIRA, Fernando António Baptista, Descidas do Espírito Santo em programas iconográficos retabulares dos séculos XV e XVI, in ARTIS, Lisboa, Instituto de História da Arte da Faculdade de Letras de Lisboa, 2004, n.º 3, pp. 161-197; PROENÇA, Raul, (dir. de), Guia de Portugal, Vol. I, Lisboa, 1924; RIBEIRO, José Cardim, Património Mundial - Sintra, C.M.Sintra,1995; SABUGOSA, Conde de, O Paço de Cintra, Lisboa, 1903; SANTOS, Reinaldo, O Azulejo em Portugal, Vol. I, Lisboa, 1957; SEBASTIÃO, Luís Filipe, Palácio da Vila Vai ser Pintado, in Público, Lisboa, 20.07.1994; SERRÃO, Vítor, Sintra, Lisboa, 1989; SERRÃO, Vítor, Tomás Luís e o antigo retábulo da Igreja da Misericórdia de Aldeia Galega do Ribatejo, in ARTIS, Lisboa, Instituto de História da Arte da Faculdade de Letras de Lisboa, 2002, n.º 1, pp. 211-235; SIMÕES, J. M. dos Santos, A Azulejaria em Portugal nos Séculos XV e XVI, Lisboa, 1969; SILVA, Jorge H. Pais da, Páginas de História da Arte, Vol. I, Lisboa, 1986; VITERBO, Sousa, Diccionario Historico e Documental dos Architectos, Engenheiros e Construtores Portuguezes ou a serviço de Portugal, Lisboa, Imprensa Nacional, 1904, 3 vols..

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DSID; Escola Profissional de Recuperação do Património de Sintra

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID; Escola Profissional de Recuperação do Património de Sintra

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN/DSID, DGEMN/CAM-309/6 e 365/10; Escola Profissional de Recuperação do Património de Sintra; DGARQ/TT: Chancelarias de D. João II, D. Manuel e D. João III, Núcleo Antigo, doc. 810, Corpo Cronológico, Parte I, maço 6, doc. 100, maço 25, doc. 31, maço 31, doc. 11, maço 81, doc. 83, Parte II, maço 17, doc. 144; maço 117, doc. 169, maço 126, doc. 136, maço 182, docs. 121 e 122, Manuscritos da Livraria: 1928, Livro dos conselhos d'el-rei D. Duarte ou Livro da Cartuxa

Intervenção Realizada

DGEMN: 1922 - construção do tanque diante da fachada principal; reparação da talha da Sala dos Brasões; reparações na Sala dos Cisnes, conclusão dos muros, balaustrada, bancos e escada que liga ao jardim; 1923 - Trabalhos de carpintaria, reforço do muro de suporte do Palácio; 1925 - reparações: telhados, capela, paredes interiores e pavimento da Sala dos Cisnes; 1927 - colocação de azulejos no rodapé da sala dos Brasões 1928 - reparação das coberturas de algumas salas; 1930 - reparações na Sala dos Brasões e no 2º piso da ala manuelina (designado por aposentos de D. Luís): demolição de tabiques divisórios e "reintegração da sala à sua forma primitiva", baseada no piso inferior, devendo a mesma ser coberta com um tecto de maceira apainelado e revestida com silhar de azulejos "para voltar esta sala a possuir o valor da passada riqueza" ; construção e assentamento completo de 2 vãos em "estilo manuelino", adaptação da moldura de um vão de porta em fogão de sala, modificação de vãos de portas; 1939 - demolição de edifícios que impediam a completa visualização da fachada principal e destruição da balaustrada para arranjo do terreiro com escadadria; 1947 - reparação de fendas e assentamento de azulejos soltos nas salas de D. Manuel, Cisnes, Sereias, Cozinha, Quarto e Pátio de D. Sebastião, Pagode Chinês e dependências dos empregados; 1948 - reparações de telhados e na Sala dos Brasões, reintegração da Sala das Galés e vãos de janelas;1951 - reparação e substituição de telhados; 1953 - Limpezas e reparações nas casas do pessoal; arranjo da calçada defronte do Palácio; 1956 - Iluminação exterior e reparações nas coberturas interiores; 1957 - reparação da pintura ornamental dos antigos aposentos da rainha D. Maria Pia, reparações de canalizações das minas e dos telhados; 1958 - consolidação de várias salas, especialmente da Sala dos Brasões; 1960 - reparações interiores; 1960 / 1961 - obras diversas de conservação; continuação das obras periódicas de conservação, pelo Serviço dos Monumentos Nacionais; 1962 - obras de conservação no interior e exterior; 1963 - obras diversas de conservação; 1964 / 1965 - obras diversas de conservação interna e externa, obra de construção civil nos marmoreados do quarto de D. Sebastião e sala de passagem; 1966 - melhoramento da instalação eléctrica, reparação das caixilharias e telhados; 1967 / 1968 - obras diversas de conservação; 1969 - reparações dos danos causados pelo sismo de Fev.: paredes das salas dos Cisnes, manuelina e Cozinha, com substituição de azulejos partidos; 1970 / 1971 - reparações internas e externas e na instalação eléctrica; 1973 - reparação da instalação eléctrica; 1973 / 1974 - Reparações externas e internas com substituição de 20 azulejos verdes do pavimento da Sala Manuelina; 1975 / 1976 / 1977 - obras diversas de reparação interna e externa, incluindo colocação de azulejos verdes em substituição de outros partidos no pavimento da Capela; 1977 - reparação do alpendre e banco do Pátio de D. Sebastião, substituindo 20 cantoneiras de azulejo de barro vidrado verde; conserto de bancos revestidos de azulejo verde e branco do séc. 16 no Pátio do Leão; 1977 / 1981 - instalação do sistema automático de detecção de incêndios; 1978 / 1979 / 1980 - obras de conservação; 1980 - restauro da pintura da capela; 1984 - reparação da instalação eléctrica; 1985 - obras de conservação interior; 1986 - reparações no interior e restauro das coberturas; 1987 - beneficiação da instalação eléctrica; 1988 - beneficiações na casa do guarda; 1991 / 1993 - Obras diversas de beneficiação e conservação interior e exteriores, reparação de coberturas, isolamento e iluminação de silos medievais; IPPAR: 1995 / 1996 / 1997 / 1998 / 1999 - obras de manutenção das chaminés, recuperação e restauro de coberturas, fachadas (1ª fase) e muros de suporte, conclusão do restauro da Sala dos Brasões; Escola Profissional de Recuperação do Património de Sintra: 1998 - intervenção no repuxo de bronze dourado da Sala dos Árabes, com limpeza, desobstrução das canalizações e consolidação das soldaduras, substituição das peças de chumbo, de um interior restauro, por peças de bronze, reposição das peças em falta (tridente e mão), douramento da peça; Monumenta: 2002 / 2003 - manutenção e recuperação das caixilharias de pinho, pintadas com tintas de óleo tradicionais, removendo-se a tinta velha e argamassas soltas, regularização da superfície, imunização e aplicação de preservador, primário, massa e betume, lixagem, retoques e aplicação de tinta de óleo.

Observações

*1 - alguns autores consideram que esta coluna é de um antigo repuxo manuelino, nomeadamente, no séc. 17, António Coelho Vasco descreve-a como integrando uma fonte diante do Palácio, aparecendo já sem o respectivo tanque numa gravura de William Hicking Burnett de meados do séc. 19, em 1935 já estava no Jardim da Preta e foi reconstruída após ter sido derrubada por um temporal em 1941; tem algumas semelhanças formais com a coluna que se encontra no Pátio dos Princípes; *2 - encontrava-se nos Paços Reais de Almeirim, oferta do Papa Leão X a D. Manuel, tendo sido trazida para Sintra após a destruição dos Paços por um incêndio. *3 Nos desenhos do "Livro das Fortalezas" e na iluminura de Bening a arcada do frontespício é constituída por arcos plenos, no 2º registo as janelas são em número de 4 e os merlões são formamlmente diferentes; numa gravura de Haupt de 1886 os vãos dos arcos estão entaipados onde se abrem janelas duplas e uma porta rectangular à esq. e verifica-se que a escadaria era menor, de lanço único à esq., acedendo directamente à porta.

Autor e Data

Paula Noé 1990 / Teresa Vale e Carlos Gomes 1995 / Lina Oliveira 2003 / Isabel Mendonça 2006

Actualização

Margarida Elias (Centro de Investigação em Arquitectura, Urbanismo e Design (CIAUD-FA/UTL)) 2011
 
 
 
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