Forte de Crismina

IPA.00006073
Portugal, Lisboa, Cascais, União das freguesias de Cascais e Estoril
 
Arquitectura militar, setecentista. Constitui uma das três baterias do Guincho para reforço da defesa da linha de costa compreendida entre o forte implantado na ponta daquele areal e o que se levantava no Cabo Raso, erguendo-se cada uma das baterias nos pontos mais vulneráveis. A bateria de Crismina protegia a praia e o surgidouro que se desenvolve nas suas proximidades e cruzava fogo com o Forte de São Brás de Sanxete. Tal como as outras baterias, possuía bateria de planta poligonal, de três faces desiguais, com os aquartelamentos e o paiol situados na retaguarda da mesma. A bateria de Crismina apresentava configuração semelhante à da Galé, embora o traçado da plataforma lajeada fosse distinto na forma como acompanhava e rematava a face do parapeito e de menores dimensões; dispunha de sete canhoneiras, três viradas a N., 3 a S. e 1 a O., servidas usualmente apenas por três bocas de fogo. Com a construção dos muros de gola, a bateria passou a apresentar uma planta poligonal, com seis lados de diferentes dimensões, integrando o seu interior o quartel e paiol.
Número IPA Antigo: PT031105030019
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Militar  Forte    

Descrição

A construção consiste num recinto murado, de planta hexagonal irregular, e apresenta-se destituída de cobertura. A edificação oferece 3 muros à linha de costa, extremamente arruinados, terão alojado as 3 peças de artilharia que dotavam esta bateria, acompanhados por pavimento lageado a calcário. O acesso processa-se por porta única, de verga curva, no muro E., virado ao interior. Adossados aos ângulos internos NE. e SE. reconhecem-se vestígios de 2 pequenas dependências rectangulares.

Acessos

A S. da praia da Água Doce, Estrada do Guincho. WGS84 (graus decimais) lat.: 38,722781; long.: -9,478425

Protecção

Categoria: IIP - Imóvel de Interesse Público, Decreto n.º 95/78, DR, 1.ª série, n.º 210 de 12 setembro 1978 / Incluído na Área Protegida de Sintra - Cascais (v. PT031111050264)

Enquadramento

Rural, destacado, isolado, implantado na orla costeira, sobre uma ponta rochosa que forma o extremo oriental da praia do Guincho

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Militar: forte

Utilização Actual

Cultural e recreativa: marco histórico-cultural

Propriedade

Privada: pessoa singular

Afectação

Época Construção

Séc. 18 / 19

Arquitecto / Construtor / Autor

ENGENHEIRO: José António Mourão (1832).

Cronologia

1762 - provável construção do baluarte do Guincho e de três baterias de apoio aquando do conflito com Espanha, denominadas de N. para S. de bateria da Galé, bateria Alta e bateria de Crismina; 1777, Março - relatório de inspecção refere que as três baterias estavam em bom estado de conservação; 1793, 14 Janeiro - segundo relatório do Coronel Engenheiro Romão José do Rego, as três baterias estavam muito danificadas; Dezembro - encontravam-se reedificadas e artilhadas; provável construção de um corpo de guarda na bateria de Crismina; 1796 - planta da bateria levantada Sargento-Mor de Engenharia Maximiano José da Serra; 1798 - planta traçada pelo Segundo Tenente Engenheiro João da Mata Chapuzet; 1805 - encontrava-se artilhado e com uma pequena guarnição, como não foi utilizado durante os confrontos com França, foi gradualmente abandonado; 1829 - constava de um só parapeito com canhoneiras arruinadas e uma casa à retaguarda; 1830 / 1832 - elaboração de vários relatórios, projectos e respectivos orçamentos relativos a obras de recuperação e ampliação das baterias, devido aos conflitos entre partidários de D. Miguel e as forças liberais; era necessário proceder à reparação dos parapeitos, merlões e canhoneiras; reparação dos quartéis, armazéns e paióis; rebocos e colocação / substituição de madeiramentos e ferragens (tarimbas, portas e janelas) e fecho das fortificações com um muro de gola, que as envolvesse e no qual seria aberto um portal; 1831 - cada uma das baterias foi guarnecida de seis peças de ferro, duas de calibre 18 e quatro de calibre 12, oscilando as suas guarnições entre os 10 homens previstos (1 cabo, 3 soldados artilheiros e 6 soldados de milícias) e 20 efectivos; 1832 - o comando geral estava entregue a um comandante ou governador, sediado na bateria Alta; 1832, finais - só nesta data viriam a ser construídos e concluídos os muros de gola na bateria de Crismina e nas outras duas seguindo o projecto do Major de Engenharia José António Mourão; 1833 - as baterias são desartilhadas e progressivamente votadas ao abandono; 1854 - encontrava-se em estado de ruína avançado; 1889 / 1899 - ao abrigo da Carta de Lei de 26 de Junho de 1889, foram desclassificadas como fortificações militares e levadas a hasta pública, tendo sido adquiridas por particulares; 1850 - elaboração de orçamento para proceder a obras de recuperação, mas nada se fez; 1895 - arrematado em hasta pública por José Guedes Quinhores de Matos Cabral; 1906 - vendido a Manuel Gomes; 1908 - comprado por António Augusto Carvalho Monteiro, que por sua morte em 1923, vai passando para seus descendentes.

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes portantes.

Materiais

Cantaria de calcário, alvenaria mista, reboco

Bibliografia

SERRA, Maximiano José da, Planta dos Fortes e Fortalezas da Costa Norte do Reino de Portugal, Lisboa, 1796; LOURENÇO, Manuel António Pereira, As Fortalezas da Costa Marítima de Cascais, Cascais, 1964; ANDRADE, Ferreira de, Cascais, Vila da Corte-Oito Séculos de História, Cascais, 1964; Idem, Monografia de Cascais, Cascais, 1969; CALLIXTO, Carlos Pereira, A Praça de Cascais e as Fortificações suas Dependentes, in Revista Militar, II Série, Vol. 30, 1978; GODINHO, Helena Campos, MACEDO, Silvana Costa, PEREIRA, Teresa Marçal, Levantamento do Património do Concelho de Cascais. 1975 - Herança do Património Europeu, in Arquivo de Cascais, nº 9, s.l., 1990; ARROS, Maria de Fátima Rombouts, BOIÇA, Joaquim Manuel Ferreira, RAMALHO, Maria Margarida Magalhães, As fortificações marítimas da costa de Cascais. Lisboa: Quetzal, 2001.

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Administrativa

Intervenção Realizada

1831 - orçamento de 677$000 para reparação do parapeito, merlões e canhoneiras, novo telhado, encascar paredes de alojamento por fora e rebocá-las por dentro; o quartel foi ampliado; com o fim da guerra civil entre liberais e absolutistas, passa ao abandono e pilhagem.

Observações

Autor e Data

Paula Noé 1991 / Teresa Vale e Carlos Gomes 1996

Actualização

Curso Inventariação KIT01 (2.ª ed.) 2009
 
 
 
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