Igreja Paroquial de Constantim / Igreja de Santa Maria da Feira

IPA.00006003
Portugal, Vila Real, Vila Real, União das freguesias de Constantim e Vale de Nogueiras
 
Arquitectura religiosa, barroca. Igreja paroquial de planta longitudinal composta por nave e capela-mor, mais baixa e estreita, interiormente de espaços diferenciados e coberturas em tecto de madeira de perfil curvo. Fachada principal terminada em frontão triangular, com portal de verga recta encimado por frontão interrompido por nicho e ladeado por dois vãos com frontões, possuindo no tímpano nicho com imagem. Fachadas laterais com cunhais apilastrados, rematadas por friso e cornija e rasgadas por portas travessas e janelas de capialço, possuindo campanário ladeando a fachada principal, com duas sineiras. Na fachada lateral esquerda adossam-se duas capelas, uma de construção tardo-românica e outra rococó. No interior, existência de coro-alto, quatro capelas laterais confrontantes na nave, albergando retábulos de talha dourada, um maneirista, e três barrocos, dois de estilo nacional e um joanino, púlpito no lado do Evangelho e retábulo-mor maneirista. Igreja de fundação medieval profundamente reformada no séc. 17 e sobretudo no 18, época de que data a fachada principal, terminada em frontão de ângulos inferiores abertos e horizontalizados, dinamizando a estrutura; caracteriza-se por certa riqueza decorativa, documentada nos remates em duplo friso e cornija moldurada, nos fustes almofadados das pilastras, elementos geométricos e aletas ladeando os nichos que surgem a coroar o portal axial e o tímpano da fachada e nas estrias das janelas nessa mesma fachada. Possui adossado à fachada principal uma capela de características românicas, terminada em meia empena, percorrida por cornija decorada com motivos fitomórficos, lateralmente sobre cachorrada, coberta interiormente por abóbada de berço e tendo em cada uma das faces amplos arcos entaipados. A outra capela lateral adossada, ainda que de fundação seiscentista, foi reformada pouco depois das obras da igreja, em estilo barroco, com elementos estruturais semelhantes aos da igreja, mas com decoração na cartela e brasão mais recortada. No interior da nave, o baptistério surge num vão de arco de volta perfeita no sub-coro, mas avançando da estrutura muraria, albergando pia baptismal octogonal, provavelmente do séc. 17. O púlpito é acedido por porta de verga recta. O retábulo da capela de São José é maneirista, de planta recta e um eixo com remate em tabela, possuindo já em barroco nacional as colunas e os painéis com acantos em alto-relevo ladeando o nicho central. Os retábulos da Capelas das Almas e da Nossa Senhora de Fátima são barrocos, de estilo nacional, com igual estrutura, de planta recta e corpo côncavo, destacando-se o das Almas pela iconografia do painel central, que concilia a representação das Almas com a da Santíssima Trindade, numa figuração horizontal. O retábulo da capela de Nossa Senhora do Rosário é um pouco posterior, em estilo joanino, salientando-se dos demais pelo uso, nos quarteirões definidores do eixo, de anjos tocheiros de vulto, vestidos à romana, pela profusão decorativa do ático e elemento nasoniano na mísula, de fragmentos de cornija invertidos. O retábulo-mor, maneirista, apresenta nas tabelas que encimam os eixos laterais representações de frades, iconografia que remete a sua proveniência para um convento. Nele destaca-se o sacrário, em forma de enorme templete, com cobertura em cúpula, integrando sacrário giratório com faces decoradas com cenas da Paixão de Cristo. O retábulo na capela de São Frutuoso, até 1985 a servir de colateral do Evangelho na nave, é tardo-barroco, conciliando elementos joaninos e rococós, recortados, com urnas neoclássicas e tendo frontal de altar rococó.
Número IPA Antigo: PT011714070022
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Templo  Igreja paroquial  

Descrição

Planta longitudinal composta de nave única e capela-mor, mais baixa e estreita, ambas rectangulares, tendo adossado a S. a Capela do Senhor da Cana Verde, rectangular, corpo rectangular correspondente à actual casa mortuária, Capela de São Frutuoso disposta transversalmente e sacristia rectangular, e a N. corpo do campanário. Volumes escalonados com coberturas diferenciadas em telhados de duas águas na igreja e capela de São Frutuoso, a três na sacristia e a uma no corpo e capela do Senhor da Cana Verde. À excepção da capela do Senhor dos Passos, que tem aparelho de cantaria aparente, as fachadas apresentam-se rebocadas e pintadas de branco, com pilastras toscanas nos cunhais, de fuste almofadado, as da igreja e capela de São Frutuoso coroadas por pináculos sobre plintos, percorridas por embasamento de cantaria, e rematadas em duplo friso e cornija, sendo as laterais sobrepujadas por beiral. Fachada principal orientada, terminada em frontão triangular, de ângulos inferiores abertos e horizontalizados, rematado por cruz de cantaria sobre plinto; portal central de verga recta com moldura ladeada por pilastras toscanas assentes em plintos, ambos almofadados, suportando entablamento, com a data 1726 inscrita ao centro do friso e integrando lateralmente plintos avançados decorados com motivos geométricos, e frontão de volutas interrompido por nicho; este tem arco de volta perfeita sobre pilastras, moldurados, abóbada concheada e alberga imagem do orago, ladeado por aletas volutadas e encimado por plinto galgado com cruz de cantaria; no alinhamento das pilastras possui pináculos sobre plintos decorados por motivos geométricos. Ladeiam o portal duas janelas rectangulares, de moldura marcada com sulcos, encimados por frontões triangulares. No tímpano surge nicho, de arco de volta perfeita, assente em pilastras molduradas, com abóbada concheada albergando sobre mísula a imagem de Virgem com o Menino, sobrepujada por coroa sobre o arco; enquadram-no estrutura de cantaria ornada por aletas volutadas e almofadas em losango, delimitada por pilastras molduradas que suportam frontão triangular, de tímpano decorado com losangos. À fachada lateral esquerda, adossa-se sensivelmente avançada, a capela do Senhor dos Passos, seguida de anexo, também em cantaria aparente, de dois pisos, rasgando-se no primeiro porta simples de verga recta e no segundo três janelas de peitoril, capela de São Frutuoso e sacristia; na capela-mor rasga-se uma janela de capialço. Fachada lateral direita da igreja rasgada por porta travessa, de verga recta, ladeada por silhar com cruz inscrita num círculo, e duas janelas de capialço na nave e por uma porta e janela do mesmo tipo na capela-mor. Campanário adossado no alinhamento da fachada principal, de dois registos, abrindo-se no primeiro, a toda a largura, vão de arco de volta perfeita sobre pilastras, encimado por relógio circular, e no segundo duas sineiras, igualmente de arco de volta perfeita, albergando sinos, ladeados por aletas, e encimado por cornija coroada por plintos com pináculos; às sineiras, acede-se por escada de ferro a partir do coro-alto. INTERIOR com paramentos rebocados e pintados de branco, com pavimento de lajes de granito e coberturas em falsa abóbada de madeira de perfil curvo, com tirantes de ferro. Coro-alto de madeira assente em quatro mísulas pétreas, com guarda em balaustrada também de madeira, possuindo de ambos os lados portas de verga recta. No sub-coro, portal ladeado por duas pias de água benta semicirculares, abrindo-se, no lado do Evangelho, o baptistério, com arco de volta perfeita avançado da caixa murária, albergando pia baptismal facetada sobre pé circular e com tampa de madeira piramidal, sendo fechado por portas de duas ordens de balaústres torneados. No lado da Epístola, surge arco de volta perfeita com pequeno altar. Ao longo da nave dispõem-se quatro capelas laterais confrontantes, duas de cada lado, com arcos de volta perfeita sobre pilastras toscanas, e retábulos de talha dourada de planta recta e um eixo, ladeadas por pequeno nicho de arco de volta perfeita para as alfaias; do lado do Evangelho, sensivelmente ao centro, possui ainda púlpito, de bacia rectangular, assente em mísula de acantos, com guarda de balaústres e acedido por porta de verga recta de moldura simples, e junto à porta travessa da Epístola, pia de água benta gomada. A porta do lado do Evangelho acede ao anexo, actual casa mortuária, de paredes em cantaria aparente, pavimento em tabuado de madeira e tecto também de madeira, possuindo escadas de ligação ao púlpito e escada para o segundo piso onde possui sala de apoio, com paredes rebocadas e pintadas ou em cantaria aparente e tecto esconso. Arco triunfal de volta perfeita sobre pilastras toscanas, ladeado por mísulas com imaginária. Na capela-mor, sobre supedâneo acedido por vários degraus centrais, retábulo-mor de talha dourada, de planta recta e três eixos, delimitados por seis colunas, duplas ao centro, de fuste liso profusamente ornado com cartelas, elementos fitomórficos e querubins, e com o terço inferior marcado e igualmente decorado, assentes em duas ordens de plintos, paralelepipédicos, único ao centro; no eixo central abre-se tribuna de arco de volta perfeita, pintado a marmoreados fingidos, interiormente decorado com apainelados de talha, de fundo pintado com flores, e cobertura em caixotões decorados com rosetão, albergando trono expositivo com resplendor; nos eixos laterais surgem apainelados com mísulas para imaginária. Ático composto na zona central por quatro quarteirões que sustentam cornija e frontão de volutas interrompido por elemento decorativo; sobre os eixos laterais surgem dois painéis figurativos, com imagens de frades, ladeados por enrolamentos. Sacrário em forma de templete, bastante amplo, de planta pentagonal delimitado por colunas de fuste liso decorado com elementos fitomórficos e com terço inferior marcado, sendo duplas na face frontal, suportando arquitrave, de friso ornado por elementos vegetalistas e cornija assente em plintos e consolas; nas duas faces laterais abrem-se nichos de arco de volta perfeita sobre pilastras, e na frontal acolhe sacrário giratório, representando-se em cada uma das faces, delimitadas por quarteirões ornadas de acantos, cenas da Paixão de Cristo: Ascensão de Cristo, Crucificação, Flagelação e Prisão de Cristo. Cobertura em falsa cúpula, encimada pela imagem do crucificado. Altar paralelepipédico, com marcação de sebastos e sanefa, decorados por concheados e formando três painéis, ornados de cartelas com concheados. Uma porta do lado do Evangelho acede à sacristia, rebocada e pintada de branco, com lavado de espaldar rectangular, envolto em moldura, rematada por cornija recta, e com uma bica carranca, possuindo bacia frontal ovalada. CAPELA DO SENHOR DA CANA VERDE terminada em meia empena, rematada com cornija decorada por motivos fitomórficos, que na fachada lateral N. assenta em cachorros, sendo rasgada frontalmente por portal largo de arco abatido encimado por óculo, curvo superiormente. INTERIOR de cantaria aparente, possuindo de ambos os lados a marcação de amplos arcos abatidos, entaipados, o do lado da Epístola com pequeno nicho para as alfaias; na parede testeira, surge um outro arco, mas de volta perfeita, onde se encaixa actual altar de pedra; pavimento de lajes e cobertura em abóbada de berço. CAPELA DE SÃO FRUTUOSO com pilastras toscanas nos cunhais, de fuste moldurado, suportando frontão triangular, de ângulos inferiores abertos e horizontalizados, possuindo o friso no seu alinhamento mais saliente e com almofadas rectangulares, e sendo sobrepujados por pináculos piramidais sobre plintos igualmente ornados com almofadas, e cruz sobre plinto no vértice. Portal de verga recta moldurada encimada por ampla cartela recortada delimitada por elementos volutadas e flor-de-lis interrompendo a cornija; no tímpano, sobre pequena fresta de arejamento, surge brasão envolto em paquife estilizado. INTERIOR rebocado e pintado de branco com pavimento em lajes de granito e cobertura de madeira formando caixotões; na parede testeira retábulo de talha policromada a bege, azul e dourado, de planta recta e três eixos.

Acessos

Constantim, Rua da Igreja; Rua de São Frutuoso

Protecção

Categoria: IIP - Imóvel de Interesse Público, Decreto nº 45/93, DR, 1.ª série, n.º 280 de 30 novembro 1993

Enquadramento

Urbano, isolado, no interior da povoação, adaptada ao desnível do terreno. Ergue-se num gaveto, à face das ruas, em plataforma sobrelevada, possuindo frontalmente pequeno adro precedido por vários degraus. A fachada lateral direita e a posterior são vedadas por muro baixo, encimado por gradeamento de ferro, sendo o pavimento junto da primeira em calçada à portuguesa, integrando frente à porta travessa as datas de 1985 - 1993, e à posterior em terra batida; ali surgem vários elementos de cantaria, como cruzeiro simples, no recanto entre a sacristia e a capela-mor, lápides sepulcrais e outros elementos.

Descrição Complementar

INSCRIÇÕES: A capela de São Frutuoso possui, sobre o portal, cartela com a inscrição: "SENHOR IESVS / O R(everen)DO SERAPHIM AL(vare)Z / CAVALLEIRO ROMA / NO E PAR(ac)O DE S(ão) LOVRENÇO / MANDOV REEDIFICAR. ESTA / SVA CAPELLA. NO ANNO DE / 1738". No interior, possui na parede do lado do Evangelho silhar com a seguinte inscrição "ESTA OBRA MA/NDOV FAZER / ANT(óni)O CORDEIR/IRO POR SVA C/ONTA ERA DE 1671." TALHA: As duas primeiras capelas laterais, dedicadas às Almas (Evangelho) e a Nossa Senhora de Fátima (Epístola), possuem igual estrutura: são retábulos de planta recta e um eixo côncavo, definido por quatro colunas de fuste torso, profusamente ornado de elementos fitomórficos e com o terço inferior marcado, assentes em consolas vegetalistas, e com capitéis coríntios, e por duas pilastras com o mesmo tipo de decoração, prolongando-se superiormente em três arquivoltas, as duas exteriores torsas, unidas no sentido do raio; ao centro abre-se nicho de volta perfeita, albergando, no lado do Evangelho, um relevo de talha policroma com representação das Almas e, no topo, a Santíssima Trindade, numa figuração horizontal e, no lado da Epístola, painel decorado com acantos. Banco com apainelados de acanto. Altares paralelepipédicos, o do Evangelho, igualmente com acantos enrolados e cartela central recortada, e, o da Epístola, decorado por elementos vegetalistas e cartela quadrangular central, de ângulos recortados com brasão. A capela de São José, no lado do Evangelho, possui retábulo de talha dourada de planta recta e um eixo delimitado por colunas torsas de fuste decorado por pâmpanos e fénices, assentes em plintos paralelepipédicos com acantos e com capitel coríntio; no centro, possui pequeno nicho de arco de volta perfeita sobre pilastras, ambos decorados com acantos, de fundo pintado a azul celeste e com mísula para imaginária; é ladeado por quatro painéis de acantos, os centrais de relevo bastante pronunciado; compõem o ático friso decorado de acantos e querubim central, encimado por cornija, assente em mísulas, sobre a qual assenta tabela rectangular horizontal, com painel florido pintado, entre quarteirões, e encimado por querubim central, rosas e outros elementos fitomórficos de talha; altar paralelepipédico, com enrolamentos de acantos marcando os sebastos e sanefa, possuindo dois painéis laterais pintados com flores e um central com pedra de armas, esquartelada. Capela de Nossa Senhora do Rosário com retábulo de planta recta e um eixo de corpo côncavo, definido por quatro pilastras, as exteriores mais finas, decoradas com acantos e concheados, e quatro quarteirões com anjos tocheiros de vulto, assentes em consolas com anjos atlantes, e com capitéis coríntios; no eixo central, nicho de perfil curvo com drapeados fingidos e lambrequins, com o fundo pintado de azul e decorado de acantos, contendo imaginária sobre mísula, decorada com fragmentos de cornija invertidos. Ático formado por friso de querubins e cornija de ressaltos, encimada por três arquivoltas de diferentes dimensões e decoradas com motivos fitomórficos, tendo entre si enrolamentos, motivos concheados, palmetas estilizadas e, ao centro, flanqueado por dois anjos de vulto, escudo português encimado por coroa. Altar paralelepipédico, com marcação de sebastos e sanefa, tudo profusamente decorado com motivos fitomórficos. Retábulo da Capela de São Frutuoso de três eixos delimitados por quatro pilastras toscanas de fuste almofadado e decorado por elementos fitomórficos, assentes em plintos paralelepipédicos ornados com florões; no eixo central, abre-se nicho de arco de volta perfeita e nos laterais dispõem-se mísulas com imaginária; ático formado por pequeno espaldar com drapeados fingidos e pintados de vermelho e dourado, encimado por cornija com lambrequins e acrotério recortado e urnas laterais. Altar paralelepipédico, com frontal decorado por motivos fitomórficos e cartela central com concheados; na base do nicho, encontra-se embutido um sacrário. No supedâneo de um dos altares da igreja e no antigo portão da entrada do adro surge o brasão dos Teixeira e Coelho.

Utilização Inicial

Religiosa: igreja paroquial

Utilização Actual

Religiosa: igreja paroquial

Propriedade

Privada: Igreja Católica (Diocese de Vila Real)

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 14 / 17 / 18

Arquitecto / Construtor / Autor

PEDREIRO: António Fernandes (1747).

Cronologia

1096 - Concessão de foral pelo conde D. Henrique a Constantim de Panóias, representando a primeira tentativa de dar ao vasto território uma sede ou cabeça de vulto e privilégios, parecendo ter sido precedida do estabelecimento de povoadores, reforçando a população; 1128, abril - confirmação da concessão por D. Afonso Henriques; 1164, 10 Abril / Novembro - falecimento de São Frutuoso, ou Frutuoso Gonçalves, natural de Constantim, e em cuja igreja seria sepultado depois de lá exercer a paroquialidade, originando um grande culto; 1258 - Inquirições na paróquia de Santa Maria da Feira de Constantim; 1321 - D. Dinis visita Constantim para ver a relíquia da Santa Cabeça de São Frutuoso; 1410, 13 Outubro - instituição testamentária de Fernão Vasques da Granja, cavaleiro, e sua mulher, Inês Lourença, estipulando que depois dos seus falecimentos fossem sepultados na capela de Nossa Senhora do Rosário que possuiam na igreja; devia-se cantar a dois coros por suas almas rezando-se diariamante as horas canónicas e, à segunda-feira, missa de Requiem, na 3ª dos Anjos, na 4ª da Trindade, na 5ª do Santo Espírito, na 6ª da Cruz e no sábado e domingo de Santa Maria; declaravam o seu sobrinho Rodrigo Afonso como responsável pelo cumprimento destas determinações e de manter uma lâmpada acessa diante da Santa Maria e outra onde os administradores estavam sepultados; posteriormente, o vínculo passou para a Coroa e dele se fêz mercê ao desembargador Domingos de Sousa Santiago Ferraz; 1472, 20 dezembro - D. Afonso V une no único morgado de Santa Ana duas capelas, a de São Brás, jazigo da família, com missa quotidiana, a de sábado cantada, e a do Hospital, de invocação do Espírito Santo, ou do Bom Jesus do Hospital, com quatro missas cada semana, e fez dela mercê a João Teixeira de Macedo, do Conselho do Rei; 1505 - instituição de missas na capela de São Lourenço por Francisco de Melo e sua mulher D. Brites Pereira, moradores no lugar de Constantim, por alma de seu único filho que morrera; 1671 - data da inscrição no interior da capela lateral de São Frutuoso, assinalando a sua construção por e a expensas de António Cordeiro; 1721 - documento refere que a fama milagrosa da relíquia da Santa Cabeça de São Frutuoso, colocada num sacrário, era conhecida não só em Portugal, mas também na Galiza e em Castela; para além dos vários milagres que se atribui à relíquia, a tradição diz ser de especial virtude para as pessoas mordidas por animais danados, que bastavam tocá-la uma vez para ficarem curadas, mas se a mordida fizesse ferida tinham de tocá-la 9 dias contínuos e fazer romaria por fora da igreja; dizia-se ainda que o pão tocado na relíquia nunca se estragava; 1726 - data inscrita na verga do portal principal; 1732 - a Igreja de Constantim era do padroado do Convento de São Martinho de Caramos da Província de Entre Douro e Minho, o qual era da Ordem dos Cónegos Regrantes de Santo Agostinho, e o prior do convento apresentava a igreja com título de vigário; tinha uma Irmandade das Almas, com grande número de irmãos, cinco capelas, com suas instituições de morgados e bens a ela vinculados: a do Rosário, administrada por João de Sousa de Sequeira, da cidade de Lisboa; a de Santa Ana, administrada por Bernardo José Teixeira Coelho de Melo Pinto, de Vila Real; a capela de São Lourenço, administrada pelo conde de Alvor, governador de Armas da Província; a de Nossa Senhora da Piedade, instituída por Brites Alves, viúva de um certo Borges, e administrada por Francisco Borges, de Ponte de Lima, com obrigação de duas missas semanais; e a capela do Santo Nome de Jesus, instituída por António Cardoso, do lugar de Constantim, e administrada por Francisco Dias Farroco, com obrigação de seis missas por ano; 1736 - data do primeiro registo de casamento documentado; 1738 - data na cartela encimando o portal da Capela de São Frutuoso, assinalando a sua reedificação pelo reverendo Serafim Álvares, cavaleiro romano e páraco de São Lourenço; 1747, 12 fevereiro - contrato do mestre pedreiro António Fernandes, de Mateus, para fazer a capela-mor e sacristia da igreja, por 297$000, o qual se comprometia a terminar a obra durante o mês de Outubro do mesmo ano, após o que seria vistoriada por dois mestres do mesmo ofício; estiveram presentes ao acto os oficiais da igreja Luís Correia e Lucas André Ribeiro, "homens de contas da igreja", e o páraco Manuel Leite de Lemos, reitor da igreja; 1751 - data do primeiro registo de baptismos documentado; 1764, 20 janeiro - Decreto do Arcebispo de Braga, D. Gaspar, mandando-se transladar os ossos de São Frutuoso para a Igreja de Constantim; 1777 - data do primeiro registo de óbito documentado; 1979 - o telhado da sacristia havia caído e o da igreja e capelas ameaçava ruir; 1980 - plano de reparação da cobertura da Igreja incluído no orçamento da DGEMN, mas que não se chegou a concretizar; 1985 / 1986 - apeamento dos dois retábulos colaterais da nave, postos de ângulo, sendo o do lado do Evangelho transferido para a Capela de São Frutuoso e desconhecendo-se o paradeiro do que existia no lado oposto; até esta data, a cobertura da capelam-mor era decorada com painéis pintados, no centro dos quais surgiam símbolos da Paixão e, no central, símbolos eucarísticos envoltos por uma glória de querubins.

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes portantes.

Materiais

Estrutura rebocada e pintada ou com paramentos aparentes; elementos estruturais, pilastras, embasamentos, frisos e cornijas, molduras dos vãos, pias de água benta, pia baptismal, lavabo da sacristia, mísulas de suporte do coro, bacia do púlpito e outros em granito; coro-alto, portas do baptistério e guarda do púlpito em madeira; portas em madeira; retábulos em talha dourada; grades de ferro; janelas com vidros simples; pavimentos de granito ou de madeira no anexo; coberturas interiores em madeira ou granito e exterior em telha de barro.

Bibliografia

ALVES, Natália Marinho Ferreira, ALVES, Joaquim J. B. Ferreira, Subsídios para um dicionário de artistas e artífices que trabalharam em Trás-os-Montes nos séculos XVII-XVIII, Sep. Da Revista de História, vol. V, Porto, 1983; AZEVEDO, Correia de, Vila Real de Trás-os-Montes, Porto, s.d.; Frutuoso, in Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, vol. 11, Lisboa, 1945, p. 928; LEAL, Augusto Soares d'Azevedo Barbosa de Pinho, Portugal Antigo e Moderno. Diccionario ..., vol. 2, Lisboa, 1876; SOUSA, Fernando de, GONÇALVES, Silva, Memórias de Vila Real, vol. 1 e 2, Vila Real, 1987; MARIZ, José (Coordenação), Inventário Colectivo dos Registos Paroquiais, vol. 2 - Norte, s.l., 1994.

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DSID, DGEMN/DREMN

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID, DGEMN/DREMN

Documentação Administrativa

Arquivo Distrital de Vila Real: Arquivo Paroquial (datas extremas: 1737 - 1888); IHRU: DGEMN/DSID, DGEMN/DREMN

Intervenção Realizada

Comissão Fabriqueira: 1985 - Início de obras de beneficiação das fachadas, com tratamento dos rebocos exteriores na nave e sacristia; DGEMN: 1986 - obras de reparação da cobertura - 1ª fase; Comissão Fabriqueira: 1987 - beneficiação da rede eléctrica e sonora, renovação dos rebocos interiores na igreja e capela de São Frutuoso; DGEMN: 1988 - recuperação das coberturas da nave e capela de São Frutuoso, onde se fez um novo tecto de caixotões; Comissão Fabriqueira: 1988 - execução de nova cobertura na capela-mor; 1989 - arranjo do muro lateral N. que delimita o adro, execução de novo escadório de acesso à igreja e de acesso ao campanário a partir do coro; DGEMN: 1989 - continuação das obras de beneficiação interior; 1991 - beneficiação das coberturas e renovação do corpo anexo; Comissão Fabriqueira: 1994 - obras de recuperação e beneficiação da igreja.

Observações

Autor e Data

Isabel Sereno e João Santos 1994 / Paula Noé 2004

Actualização

 
 
 
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