Jardim das Damas / Jardim do Palácio Nacional de Ajuda

IPA.00005963
Portugal, Lisboa, Lisboa, Ajuda
 
Espaço verde de recreio. Jardim de estilo barroco patente na geometria e simetria presentes tanto no traçado do jardim como na forma e disposição da vegetação. O desenho desenvolve-se a partir de eixos que definem canteiros de formas geométricas, marcados por sebes talhadas de buxo, entre os quais se destaca a presença de diversas peças de água. Localizado numa zona intimamente ligada à história da cidade e do país, o Jardim das Damas é um espaço de valor arquitectónico e histórico indiscutível. A sua relação com o Palácio Nacional da Ajuda e os elementos que o compõem fazem deste jardim um local com uma ambiência única, ao mesmo tempo que permite desfrutar de uma vista excepcional sobre o palácio, o rio e a cidade.
Número IPA Antigo: PT031106010061
 
Registo visualizado 1309 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Espaço verde  Jardim  Jardim  Barroco    

Descrição

Jardim de planta irregular, implantado numa encosta orientada a SE. a N. do Palácio da Ajuda, murado a O., N. e E., ficando toda parte S. exposta ao palácio. O jardim desenvolve-se à cota do andar nobre do palácio, estruturando-se em duas plataformas pavimentadas em saibro com canteiros de traçado geométrico, marcadas por um mirante situado no extremo NO., o seu ponto mais alto. Além do acesso a partir do palácio, o jardim é também acessível a pela Calçada do Mirante, onde existe uma porta situada no muro N. e um portão no limite E., e pela Calçada da Ajuda onde existe outra porta e outro portão. A ligação entre as diferentes plataformas e o mirante é feita por caminhos de degraus rampeados em tijolo com canteiros rebaixados, que se desenvolvem adjacentemente aos muros limítrofes N. e O., revestidos por rosa-banksia (Rosa banksia lutea e Rosa banksia banksia) e vinha virgem (Parthenocissus quinquefolia e Parthenocissus tricuspidata). O caminho N. liga a plataforma superior, cota à qual se desenvolve o piso térreo do mirante, de onde se pode desfrutar da vista sobre o rio. O caminho O. estende-se ao longo de todo o limite O. do jardim, fazendo a ligação entre as duas plataformas e o piso do palácio que lhe da acesso. A PLATAFORMA SUPERIOR ocupa a zona NO. do jardim, adotando uma forma aproximadamente triangular, destacando-se no canto NO. o MIRANTE. O seu centro é marcado por um lago de planta circular com uma fonte ao centro, em torno do qual se desenvolvem canteiros delimitados por sebes de buxo (Buxus sempervirens). No canto E. desta plataforma umas escadas em pedra calcária dão também acesso à plataforma inferior e de frente destas encontra-se uma pequena cascata revestida por pedra irregular. Com exceção do limite N., que é definido pelo muro que suporta o caminho de acesso ao 1º piso do mirante, os seus limites são definidos por muro coroado por laje de pedra calcária, que envolve a plataforma inferior a N. e O. A PLATAFORMA INFERIOR apresenta uma forma retangular que se desenvolve paralelamente à fachada N. do palácio, adoptando no extremo O., uma forma aproximadamente triangular que se desenvolve para S. paralelamente á fachada O. Esta é confinada por muro a N., E. e O., sendo todo o limite S. delimitado por muro com balaustrada em pedra calcária. O tabuleiro retangular é estruturado por três caminhos paralelos de direção O.- E. que se interligam transversalmente. Um percurso central que termina a O. num tanque de forma oval e a E. em escadas de modo a acompanhar o declive do terreno e dois percursos periféricos, um junto ao muro N. e outro junto à balaustrada. Entre eles encontram-se canteiros delimitados por dupla sebe de buxo (Buxus sempervirens), cujos cantos são marcados por exemplares de murta (Myrtus communis), com dois alinhamentos de magnólias (Magnolia grandiflora) e plátanos (Platanus sp.) junto aos caminhos periféricos. Junto à balaustrada, alinhada centralmente com a fachada do palácio, destaca-se a CASCATA em pedra irregular, de planta aproximadamente semicircular, ladeada por duas escadarias em pedra calcária, que se desenvolvem contiguamente à balaustrada, com jaulas no patamar inferior. Estas dão acesso à base do muro que suporta o jardim e ao talude de declive acentuado que faz a transição entre o palácio e o jardim*2. No tabuleiro triangular, entre dois canteiros delimitados por sebe de buxo (Buxus sempervirens) com olaia (Cercis siliquastrum) e romãzeira (Punica granatum), encontra-se um lago de planta semicircular com paredes revestidas por mosaico em pedra travertina. Este situa-se à cota da base do muro de suporte, elevando-se o seu repuxo até à cota da plataforma inferior.*3.

Acessos

Calçada da Ajuda, Calçada do Mirante

Protecção

Categoria: IIP - Imóvel de Interesse Público, Decreto n.º 33 587, DG, 1.ª série, n.º 63 de 27 março 1944 / ZEP, Portaria, DG, 2.ª série, n.º 253 de 29 outubro 1959 *1

Enquadramento

Urbano. Pertencente ao Palácio da Ajuda (v. IPA.00004722) situa-se no alto da colina da Ajuda o que lhe permite, em certos pontos, desfrutar de vistas sobre a cidade, o rio Tejo e a margem S.. O jardim desenvolve-se paralelamente à fachada N. do palácio, à cota do seu andar nobre, sendo delimitado a N. pela Calçada do Mirante e a O. pela Calçada da Ajuda. Na sua evolvente encontram-se outras construções associadas à presença da Família Real na Ajuda, nomeadamente a Torre sineira da Capela Real da Ajuda (v. IPA.00006106) a E., o Paço Velho da Ajuda (v. IPA.00023333) a O. e a S. deste o Jardim Botânico da Ajuda (v. IPA.00009867).

Descrição Complementar

O mirante é um edifício de planta pentagonal irregular, com dois pisos e um terraço. O piso térreo foi transformado num posto de informação e infraestruturas de apoio ao jardim e o 1º piso numa cafetaria. O 1º piso destaca-se como uma torre no topo do jardim. Três fachadas com janelas expostas ao jardim são envolvidas por uma varanda pavimentada em tijolo, delimitada por muro revestido por painéis de azulejos e no seu interior, uma escada em caracol situada no canto NO. dá acesso ao terraço. Este, também pavimentado em tijolo, é delimitado por balaustrada em pedra calcária com bancos nos vértices.

Utilização Inicial

Recreativa: jardim

Utilização Actual

Recreativa: jardim

Propriedade

Pública: Estatal

Afectação

DGPC

Época Construção

Séc. 18 / 20

Arquitecto / Construtor / Autor

ARQUITETOS: Manuel Caetano de Sousa (atr.); Elsa Duarte (1988-1998). ARQUITETOS PAISAGISTAS: Mário Fortes (1988-1998); Rita Gonçalves (1988-1998).

Cronologia

1755 - após o terramoto a Família Real muda-se para o Alto da Ajuda, local onde não houve tantos estragos; 1756 - o Rei D. José mandou construir no Alto da Ajuda um palácio em madeira, onde a Família Real viveu durante cerca de 30 anos, conhecido por Paço de Madeira ou "Real Barraca"; Séc. 18, 2ª metade - construído durante o reinado de D. Maria I, o jardim integrava-se no conjunto de jardins, hortas e pomares que envolviam a "Real Barraca", mas nuca foi terminado; 1760 - abertura da Calçada nova, mais tarde designada por Calçada da Ajuda; 1794 - a "Real Barraca" foi destruída por um incêndio, ao qual sobreviveram apenas a capela e a biblioteca, o que levou à necessidade construção de um novo palácio de carácter definitivo, em "pedra e cal", O jardim não foi incluído no projeto do novo palácio e foi deixado ao abandono; 1795 - começou a construção do novo palácio cujo projeto não contemplava a reintegração do jardim mas sim a sua demolição, estando o seu espaço destinado a uma monumental praça de entrada. Devido à falta de verbas o projeto nunca foi concluído, o que permitiu preservar o jardim que foi deixado ao abandono; 1862 - com a ocupação do palácio por D. Luís I e D. Maria Pia o jardim foi remodelado e adaptado a pomar, ao qual se acedia por um passadiço a partir da ala O. do palácio; 1910 - com a implantação da República o jardim foi novamente abandonado chegando a ser ocupado por oficinas e estaleiros*4; 1944 - o jardim foi classificado como Imóvel de Interesse Público; 1988 - teve início a elaboração do projeto de recuperação do jardim, elaborado por uma equipa composta pelos historiadores Graça Mendes Pinto e Francisco Louro, pelos arqueólogos Carlos Jorge Ferreira e Ana Nunes, pelos arquitetos paisagistas Mário Fortes e Rita Gonçalves e pela arquiteta Elsa Duarte; 1991 - conclusão do projeto de recuperação do jardim; 1994 - começaram as obras para implementação do projeto de recuperação do jardim; 1998 - as obras de recuperação foram concluídas mas o jardim nunca chegou a abrir ao público; 2004 - foi elaborado um projeto recuperação do jardim, pelo arquiteto paisagista João Ceregeiro, que não chegou a ser realizado.

Dados Técnicos

A significativa diferença de cotas existente é vencida através da criação de muros de suporte e consequente terraceamento, permitindo a contenção e regularização do terreno. O jardim encontra-se construído sobre laje sob a qual se encontram os reservatórios de água e as salas de bombagem.

Materiais

INERTES: pavimento em saibro; escadas e pavimento em tijolo burro; delimitação de canteiros em lancil de pedra calcária; muros e tanque em alvenaria; painéis de azulejos; lagos, coroamento de muros, cantarias, balaustrada e elementos escultóricos em pedra calcária; mosaico em pedra travertina; revestimento das cascatas em pedra calcária irregular. VEGETAIS: árvores - magnólia (Magnolia grandiflora), olaia (Cercis siliquastrum), plátano (Platanus sp.), romãzeira (Punica granatum); arbustos - buxo (Buxus sempervirens), murta (Myrtus communis); trepadeiras - rosa-banksia (Rosa banksia lutea e Rosa banksia banksia), vinha virgem (Parthenocissus quinquefolia e Parthenocissus tricuspidata).

Bibliografia

ATAÍDE, M. Maia - Monumentos e Edifícios Notáveis do Distrito de Lisboa: Concelho de Lisboa. Lisboa: Assembleia Distrital, 1988, 5º vol. 3º t.; CARITA, Hélder, CARDOSO, Homem - Tratado da Grandeza dos Jardins em Portugal. Lisboa: Círculo de Leitores, 1987; CARVALHO, Ayres de - Os Três Arquitectos da Ajuda: do Rocaille ao Neoclássico. Lisboa: Academia Nacional de Belas-Artes, 1977; DIAS, Gabriel Palma - As Intervenções Joaninas nas Quintas de Belém à Ajuda, in Encontro dos Alvores do Barroco à Agonia do Rococó. Fundação das Casas de Fronteira e Alorna, 20 a 23 Junho 1994 (policop.); DIAS, Gabriel Palma - Os Primeiros Projectos Para o Palácio da Ajuda - O Desenho e a Realização de Manoel Caetano de Souza, in Encontro dos Alvores do Barroco à Agonia do Rococó. Fundação das Casas de Fronteira e Alorna, 20 a 23 Junho 1994 (policop.); FORTES, Mário - Jardim das Damas. Texto policopiado. Sd; FORTES, Mário - Jardim das Damas: Esboço histórico e plano de intervenção. Texto policopiado. Sd; GIL, Júlio - Os mais belos palácios de Portugal. 2ª Edição. Lisboa: Verbo, 1996; Jardim das Damas in DGPA, (http://www.patrimoniocultural.pt/pt/patrimonio/patrimonio-imovel/pesquisa-do-patrimonio/classificado-ou-em-vias-de-classificacao/geral/view/72758), consultado em 12 maio 2014; Jardim das Damas in Câmara Municipal de Lisboa, (http://www.cm-lisboa.pt/en/equipments/equipment/info/jardim-das-damas), consultado em 12 maio 2014.

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DRML; IGESPAR: IPPAR

Documentação Fotográfica

IHRU: SIPA, DGEMN/DSID, DGEMN/DRML; IGESPAR: IPPAR

Documentação Administrativa

Intervenção Realizada

IPPAR: 1994 / 1995 / 1996 / 1997 / 1998 - obras de recuperação do jardim; IPPAR: 2007 - limpeza do jardim e mirante.

Observações

*1 - DOF: "Zona circundante do Palácio Nacional da Ajuda a saber: 1) o Jardim das Damas, com o seu mirante e outras obras arquitectónicas, único recinto ao ar livre que terá acesso direto do andar nobre do Palácio; 2) Sala de Física, pavilhão independente, do séc. 18, com obra de pintura, estuques, talha, etc.; 3) torre sineira, do séc. 18; 4) o chamado Paço Velho, ao N. do Jardim Botânico e com a frontaria para a Calçada da Ajuda. Contém quatro interessantes tectos, ricamente decorados, com pinturas e dourados que precisam de restauro; 5) o Jardim Botânico da Ajuda, com casas anexas ao S. (onde morou Brotero) e outra no ângulo SE." *2 - estava prevista a criação de acessos ao palácio, situado a cotas inferiores, mas estes nunca foram resolvidos. *3 - o jardim não se encontra aberto ao público. *4 - "Da "Real Barraca" apenas nos ficou o lugar dos seus jardins, o das Damas com o belo mirante que supomos delineado pelo arquitecto Manuel Caetano e decorado com graciosos azulejos da fábrica do Rato. Este mirante, embora desprezado, ainda existe; mas há alguns anos atrás, se não fosse o nosso grito de indignação talvez tivesse ido abaixo para endireitar a calçada... o traçado do jardim com a sua balaustrada, um lago e uma cascata, ainda o podemos apreciar numa planta exposta do palácio. Hoje apenas resta um campo para criar galinhas, nabos e hortaliças e também algumas ervas daninhas.".

Autor e Data

João Machado 2005 / Mafalda Jácome 2014 (no âmbito da parceria do IHRU / APAP)

Actualização

Luísa Estadão 2007
 
 
 
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