|
|
|
Conjunto urbano Elemento urbano Espaço de confluência Praça
|
Descrição
|
| Espaço em forma de paralelograma irregular, limitado a N. e S. pelas igrejas de São Tiago (PT020603190008) e de São Bartolomeu (PT020603190039), respectivamente, e a E. e O. por alinhamentos de edifícios de volumetria média de 5 / 6 pisos, com lojas no andar térreo. Ao centro implanta-se o pelourinho assente em base quadrangular de 3 degraus, coroada por 4 braços em cruz e haste com esfera armilar, rosa-dos-ventos e cruz de Cristo. Na Praça confluem, a O., as ruas dos Esteireiros, das Azeiteiras e Adelino Veiga; a N., a Rua Eduardo Coelho; a E., as Escadas de São Tiago e de São Bartolomeu, junto às extremidades N. e S., respectivamente. A numeração dos prédios faz-se a partir da esquina com a Rua dos Esteireiros, junto à igreja de São Bartolomeu. |
Acessos
|
| Escadas de Santiago, Escadas de São Bartolomeu, Rua das Azeiteiras, Rua dos Esteireiros, Rua dos Gatos. |
Protecção
|
| Incluído na Zona Especial de Protecção da Igreja de Santiago (PT020603190008) / Inclui Igreja de São Bartolomeu (PT020603190039) |
Enquadramento
|
| Urbano. Situada no coração da Baixa, em terreiro plano entre a Alta e o rio Mondego. Implanta-se paralelamente à Rua Ferreira Borges, eixo principal de circulação pedonal da Baixa, com acesso directo através das escadas de São Tiago e São Bartolomeu. A Rua dos Gatos une aquele espaço ao Largo da Portagem. Espaço cívico devolvido ao uso e circulação pedonal, lugar de lazer com algumas zonas verdes. |
Descrição Complementar
|
| Nº.19-31 - edifício do antigo hospital real, ocupado por estabelecimentos comerciais no rés-do-chão, casas de habitação e uma pensão nos andares; a fachada para a praça divide-se em 2 corpos: o da esquerda com 2 andares, tem janelas de sacada com verga direita, friso e cornija no 1.º andar e sinais de 3 vãos antigos, em forma de arco, entremeados por 2 janelas rectangulares no 2.º; o da direita tem 3 andares com 4 sacadas de verga direita, friso e cornija sobrepujadas de outras tantas janelas de verga direita, cornija e friso em cada andar. N.ºs 32-33 - casa da esquina N. da R. das Azeiteiras, com rés-do-chao, 3 andares e ático; o piso térreo está ocupado por loja comercial; no 1.º andar, quase encostadas, rasgam-se 2 sacadas de verga curva e cornija em traçado mistilínio; no 2.º e no 3.º, 2 janelas em cada, de aventais recortados, tendo cimalhas como as de sacada. N.ºs 34-36 - 1.º andar de prédio muito adulterado, vêm-se 2 sacadas com verga de cornija e bacias ligadas formando varanda corrida, com grades de ferro recortado. N.ºs 37-42 - casa na esquina S. da R. Adelino Veiga feita pela justaposição de duas iguais, de 3 vãos; apresentam rés-do-chão, entresolho, 3 andares e ático; tem janelas rectangulares no entresolho, varanda corrida no andar nobre, com grades de bandinha curva, mais 2 andares com janelas de igual recorte, cujas ombreiras descem até à cimalha das inferiores, em forma de pilastra misulada; na fachada que dá para a R. Adelino Veiga ostenta, em cada andar, 3 janelas de avental rectangular e almofadado. N.ºs 43-49 - casa na esquina N. da R. Adelino Veiga, recuada cerca de 5 metros relativamente ao alinhamento anterior; tem 4 pisos e 7 vãos; no 1.º andar, sacadas com bacias ligadas nos 5 vãos centrais e independentes nos vãos extremos; no 2.º, janelas de avental almofadado, aventais que assentam em falsas bacias de sacada, que se apoiam em cachorros, simulando remate dos vãos inferiores; cimalha, em forma de entablamento, com friso ornado pelas mísulas da cimalha e espaços intermédios almofadados; na cimalha, gárgulas cilíndricas, correspondendo ao intervalo dos vãos; acima do entablamento, ático com parede inclinada revestida a telha marselha e os 7 vãos dos pisos regulares. N.ºs 50-53 - prédio de esquina com a R. Eduardo Coelho, delimitando a praça a N.: 6 pisos, incluindo o entresolho e o ático, e 4 vãos; em largura sacadas no andar nobre, cujas bacias assentam em cachorros, a formar varanda corrida; as janelas dos 2 andares acima têm avental rectangular. N.ºs 68-71 - edifício do restaurante Praça Velha; tem rés-do-chão e 6 andares e 4 vãos por piso; janelas de verga curva e remate muito levantado. N.ºs 72-73 - prédio alto e estreito de 7 pisos, cada com 2 vãos; janelas de avental com verga e ombreiras com molduras extensivas ao avental nos 3.º, 4.º e 6.º pisos; no 5.º sacadas com grades de ferro recortado. N.º 89 - prédio junto às Escadas de São Bartolomeu; tem 6 pisos e 2 vãos; no 1.º andar e no último janelas de sacada; no 2.º e no 4.º sacadas com varanda corrida que apoiadas em cachorros, simulando coroamento das ombreiras das janelas inferiores; revestimento azulejar de padronagem azul e branco com faixa lateral. N.º 90 - prédio de 7 pisos, incluindo o entresolho e 2 vãos; no 2.º e 4.º andares varandas com grades de ferro forjado; revestimento azulejar com padronagem de policromia pobre. N.º 96 - casa de 8 pisos com entresolho e 3 vãos por piso; janelas de sacada com varanda corrida, no andar nobre; sacada ao centro e janelas de avental recortado e cimalha direita, no 2.º; 3 janelas, no 3.º, idênticas às de baixo; os 3 andares superiores seguem o esquema do 3.º, embora denunciando remodelação recente; N.º 107 - casa curiosa, com 7 pisos e apenas um vão por piso; 2 janelas de avental rectangular sobrepostas, no 2.º andar e no 3.º; janelas de sacada nos 2 seguintes. N.ºs 109-111 - é a última casa deste alinhamento e da Praça; tem rés-do-chão e 4 andares de 2 vãos cada; janelas de avental rectangular no 1.º, 2.º e 3.º andares; um registo de azulejos azul e branco com enquadramento de concheados entre as janelas do 1.º *2. |
Utilização Inicial
|
| Não aplicável |
Utilização Actual
|
| Não aplicável |
Propriedade
|
| Não aplicável |
Afectação
|
| Não aplicável |
Época Construção
|
| Séc. 12 / 16 |
Arquitecto / Construtor / Autor
|
| |
Cronologia
|
| Época romana - terá existido no sítio o grande circo, junto à via Olissipo-Bracara Augusta, que seguia o curso das actuais ruas Ferreira Borges, Visconde da Luz e Direita; 957 - já documentada (BORGES, 1987) a construção da igreja de São Bartolomeu que incentivou em redor um primeiro núcleo de crescimento da cidade extramuros; 1109, cerca ) - reconstrução da igreja de São Bartolomeu em românico (BORGES, 1987) ; séc.12, finais - construção da colegiada de Sao Tiago (sagrada em 1206), também românica. Vai-se configurando o terreiro lugar do mercado abastecedor da cidade; 1441 - Existiam os açougues, que serviam de corro aos touros nas corridas, nos dias de Corpo de Deus, Visitação de Santa Isabel e do Anjo Custódio. Por cima dos açougues o Paço dos tabeliães *4. Em torno da praça vão-se estruturando as ruas e ruelas da Baixa, em direcção ao rio, a Santa Cruz e a Santa Justa, outros núcleos de povoamento extramuros. Tal como hoje existiriam escadinhas de acesso quer à Alta, pela Porta de Almedina, frente às escadas de São Bartolomeu, quer ao Corpo de Deus, onde fora da muralha, se acomodou a judiaria; séc.16 - período áureo do núcleo da Praça Velha e vida económica, social e administrativa da cidade, ali confluem os serviços públicos e equipamentos mais importantes, novos ou renovados. Ali se realizaram peças teatrais, cerimónias fúnebres da quebra dos escudos, fogueiras de auto de fé, construção de pavilhões para festas, danças populares. A par da reestruturação da praça, crescem também a volumetria dos alinhamentos da Calçada e Rua de Coruche, as actuais Rua Ferreira Borges e Visconde da Luz; 1756 - reconstrução total da Igreja românica de São Bartolomeu, por ruína da anterior, que hoje conserva; séc.18 - a praça perde o hospital e a Misericórdia; o hospital instala-se no colégio jesuíta e a Misericórdia na velha Sé; 1867 - com a inauguração do Mercado D. Pedro V, na Quinta de Santa Cruz, a Praça perde o seu papel preponderante, como espaço de mercado, e passa a ser designada por Praça Velha; séc. 20 - recente arranjo urbanístico beneficia o pavimento e é integrada no seu centro uma reconstituição do pelourinho da cidade *3; 2000, Setembro - projecto de requalificação da Praça, espaço urbano considerado de grande potencial para o lazer e entretenimento, contempla repavimentação, remodelação das infraestruturas em particular a nível subterrâneo e reforço da arborização do espaço da Baixa da cidade |
Dados Técnicos
|
| Não aplicável |
Materiais
|
| Não aplicável |
Bibliografia
|
| DIONÍSIO, Sant'Anna e outros, Guia de Portugal. Beira Litoral, III-1, 2.ª ed., Lisboa, 1984 (1.ª ed., Lisboa, 1944); CORREIA,Vergílio e GONÇALVES, A. Nogueira, Inventário Artístico de Portugal. Cidade de Coimbra, Lisboa, 1947; ALARCÃO, Jorge de, As Origens de Coimbra in Actas das I Jornadas do Grupo de Arqueologia e Arte do Centro, Coimbra, 1979; DIAS, Pedro, Coimbra. Arte e História, Porto, 1983; BORGES, Nelson Correia, Coimbra e Região, Lisboa, 1987; ROSSA, Walter, A Musa do Mondego in Guia Expresso das Cidades e Vilas Históricas de Portugal, 7, Lisboa, 1996; Jornal Diário de Coimbra, Coimbra, 1 Setembro 2000, p.6. |
Documentação Gráfica
|
| IHRU: DGEMN/DSID, DGEMN/DREMC; AHMC (Arquivo Histórico da Câmara Municipal de Coimbra); DGOTDU: Arquivo Histórico (Plano de Ordenamento, de Extensão e Embelezamento da Cidade de Coimbra, Arq. urb. Etienne de Groër, 1940) |
Documentação Fotográfica
|
| IHRU: DGEMN/DSID, DGEMN/DREMC; IMC (Imagoteca Municipal de Coimbra) |
Documentação Administrativa
|
| IHRU: DGEMN/DSID, DGEMN/DREMC |
Intervenção Realizada
|
| |
Observações
|
| *1 - A Praça velha teve a designação de Praça de São Bartolomeu até 1867, altura em que passou a funcionar no mercado de D. Pedro V. *2 - Trata-se de registo de 5 por 10 azulejos representando Cristo Crucificado com Nossa Senhora coroada ao lado. Num pequeno espaço inferior, uma alma no fogo e a legenda: «P.N.A.M.A Pas ALM.» (leitura de GONÇALVES, 1947). *3 - No período das cheias do Mondego as ruas a O. e N. da Praça eram invadidas pelas águas. *4 - 1590 -este Paço era destinado às audiências do Juiz dos orfãos e para tribuna da câmara nos dias de jogos e corridas; 1678 - servia de casa de arrecadações e das Junta dos 24 mesteres. Depois do terramoto de 1755 foi Paço do Concelho. |
Autor e Data
|
| Francisco Jesus 1998 |
Actualização
|
| Anouk Costa, Cláudia Morgado, Rita Vale 2010 |
| |
| |
|
|
| |