Povoação de Monsanto / Aldeia de Monsanto

IPA.00005901
Portugal, Castelo Branco, Idanha-a-Nova, União das freguesias de Monsanto e Idanha-a-Velha
 
Vila de fundação religiosa militar com castelo situada em encosta. Conjunto urbano defensivo fronteiriço. Elementos de caracterização da estrutura urbanística - Núcleo urbano tardo-medieval e quinhentista, situado a a meia encosta e dependente de antigo núcleo fortificado. Tipo composto, conjugando características de formação linear com características de crescimento espontâneo disperso. Perímetro global triangular. Elemento estruturador coincidente com eixos viários principais: R. Direita (eixo longitudinal) - R. de Nossa Senhora Castelo ( eixo transversal ). Eixos Quarteirões: configuração irregular. Inexistência de largos significativos *2. Foi sede concelhia medieval e o núcleo urbano dependia do núcleo fortificado inicial, cuja singularidade estava dependente do enquadramento paisagístico e da plasticidade dos rochedos graníticos ciclópicos que incorporou no seu espaço construído. O núcleo tem uma significativa diversidade de tipos arquitectónicos no quadro da construção tradicional beirã e assinalável quantidade de vãos quinhentistas.
Número IPA Antigo: PT020505080013
 
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Registo

 
Conjunto urbano  Aglomerado urbano  Povoação  Vila medieval  Vila fortificada  Ordem religiosa militar (Ordem do Templo)

Descrição

Estrutura urbanística: aglomerado de crescimento linear, apresentando uma forma global triangular, correspondendo a altura do triângulo ao eixo estruturador da Rua Direita e a base à confluência dos eixos radiais com a Rua Direita, desenhando uma estrutura tentacular, mas sustentada por malha pouco densa constituída por vias de traçado sinuoso e quarteirões de configuração irregular, gerando numerosos becos e enclaves. Os limites apresentam-se fluidos, assistindo-se a uma crescente dispersão dos elementos construídos. A Rua Direita é a única via que apresenta relativa rectilinearidade atravessando longitudinalmente o aglomerado. Inexistência de largos do ponto de vista morfológico e funcional, à excepção do Largo da Misericórdia de traçado irregular, constituindo um espaço desnivelado e desconexo, onde se situa o pelourinho. Espaço construído: o tipo arquitectónico dominante está relacionado com os elementos construtivos da casa em alvenaria de granito sem revestimento ou apenas com os vãos caiados, com cobertura em telha de canudo, apresentando do ponto de vista morfológico uma diversidade assinalável, talvez relacionada com a adaptação ao terreno, sendo emblemáticas as construções encravadas entre os rochedos. As casas apresentam geralmente planta rectangular irregular, assinalando-se 3 variantes principais: casa de piso térreo e casa de 2 ou 3 pisos. O acesso aos pisos superiores efectua-se através de escadas interiores ou escadas exteriores, desprovidas de guarda e formando patamar simples ou mais pontualmente possuindo balcão alpendrado com suportes de madeira. Os vãos apresentam lintel recto sem moldura ou com moldura chanfrada. As variantes a estes dois tipos possuem apenas uma incidência pontual e dizem respeito aos vãos em arco conopial decorados por esferas, às molduras de meia-cana e às molduras rectilíneas rematadas por friso saliente, constituindo apontamentos de carácter erudizante inseridos nas construções comuns *1. Por vezes as empenas angulares encontram-se orientadas para a via pública. É frequente as casas de 2 pisos apresentarem no piso superior mísulas de suporte a vasos lateralmente às janelas. Os palheiros e cortes constituem construções de piso térreo e as pocilgas são formadas por vedações com lajes de granito. Pontualmente surgem tipos morfológicos distintos: a casa com janela de sacada e varanda no 2º piso e a casa nobre, por vezes apenas assinalada pelo portal e pedra de armas. As casas nobres de características assumidamente erudizantes e com destacada marcação estilística assumem-se, tal como os edifícios religiosos, como pontos marcantes. As construções recentes ou descaracterizadas encontram-se disseminadas e constituem uma variante negativa, salientando-se o uso da telha de aba e canudo, a colocação de chaminés em betão ou em alvenaria de granito cimentada e a construção imitando a construção tradicional beirã. Edifícios morfologicamente notáveis constituindo pontos marcantes: Torre de Lucano, Portas de Santo António e do Espírito Santo, Pelourinho, Igreja Matriz de São Salvador, Igreja da Misericórdia, Capela do Espírito Santo, Capela de Santo António, Cruzeiros, Casa do Marquês da Graciosa, Casa dos Noronhas, fontanários.

Acessos

Encosta N. do cabeço de Monsanto

Protecção

Categoria: IIP - Imóvel de Interesse Público, Decreto n.º 28/82, DR, 1ª série, n.º 47 de 26 fevereiro 1982 *1

Enquadramento

Rural. Ponto marcante do território. Aldeia situada a meia encosta do cabeço fortificado de Monsanto, na margem direita do Rio Ponsul, dominando as planícies que se estendem a partir da Serra da Gardunha; topografia acentuadamente irregular, determinando ambientes urbanos dominados na zona mais alta por afloramentos graníticos ciclópicos.

Descrição Complementar

Não aplicável

Utilização Inicial

Não aplicável

Utilização Actual

Não aplicável

Propriedade

Não aplicável

Afectação

Não aplicável

Época Construção

Séc. 15 / 16

Arquitecto / Construtor / Autor

Cronologia

Época pré-histórica - provável localização de um povoado fortificado; identificação nas proximidades de materiais paleolíticos, neolíticos e da Idade do Bronze; séc. 02 a.c. - cerco (lendário) do castro localizado no cabeço de Mons Sanctus pelo pretor romano Lúcio Emílio Paulo; séc. 05 - 08 - ocupação visigoda; a povoação denominar-se-ia Monoecipio (A. Elias Garcia, 1950); séc. 09 - 12 - ocupação árabe; 1165 - tentativa de repovoamento e doação a D. Gualdim Pais, Mestre dos Templários, por D. Afonso Henriques; 1172 - doação à Ordem de Santiago; 1174 - concessão de carta de foral por D. Afonso Henriques; referência ao castelo; armamento relativo; 1190 - confirmação da carta de foral por D. Sancho I; provável construção do castelo; 1217 - confirmação da carta de foral por D. Afonso II; 1308 - concessão de carta de feira à ermida de São Pedro de Vila Corça, por iniciativa de D. Dinis; prováveis obras de renovação do castelo nos reinados de D. Dinis e de D. Fernando; 1450 - instituição do condado a favor de Álvaro de Castro por D. Afonso V; séc. 15 - construção da Torre de Lucano; séc. 16, início - levantamento efectuado por Duarte de Armas; obras de renovação do castelo no reinado de D. Manuel; séc. 16 - provável construção da Capela de Santo António e da Igreja da Misericórdia; séc. 16 - 17 - construção da Capela do Espírito Santo; 1694 - ampliação da Capela de Nossa Senhora do Castelo; séc. 17 - 18 - reformulação da Igreja de São Salvador; séc. 18 - construção do Solar dos Pinheiros; séc. 18, 2ª metade - reconstrução da cerca muralhada ordenada pelo Conde de Lippe Schaumburg; 1815 - explosão de um paiol e destruição parcial do castelo devido à acção de um raio; levantamento do castelo efectuado pelo engenheiro militar Maximiano José da Serra; 1834 - a Igreja de São Miguel ainda se encontrava aberta ao culto; 1853 - extinção definitiva do estatuto concelhio, mas conservando a categoria de praça 2ª ordem com uma milícia; 1938 - classificação como Aldeia mais portuguesa de Portugal no concurso promovido pelo S.N.I., assinalando o facto o catavento em forma de galo colocado na Torre de Lucano; 1979 - ruína da fachada principal da Capela de Nossa Senhora do Castelo devido às chuvas; 2013, 28 janeiro - criação da União das freguesias de Monsanto e Idanha-a-Velha por agregação das mesmas, pela Lei n.º 11-A/2013, DR, 1.ª série, n.º 19.

Dados Técnicos

Não aplicável

Materiais

Não aplicável

Bibliografia

COSTA, Carvalho da, Corografia Portuguesa, Tomo II, p. 405, Lisboa, 1706; BARROS, Guilhermino de, O Castelo de Monsanto, Séc. XV, Lisboa, 1879; PROENÇA JÚNIOR, Francisco Tavares, Archeologia do Distrito de Castelo Branco - 1ª Contribuição para o seu Estudo, Leiria, 1910; CHAVES, Luís, A Aldeia Mais Portuguesa de Portugal in Ocidente, Lisboa, 1938, vol. II; MULLER, Adolfo Simões e MARTHA, Cardoso, Monsanto, 1938; CORREIA, Francisco Barbosa Pereira, Monsanto, A Aldeia Mais Portuguesa de Portugal, Lisboa, 1939; CARDOSO, J. Ribeiro, dir., Subsídios para a História Regional da Beira Baixa, Lisboa, 1940 - 1943; GARCIA, A. Elias, As Moedas Visigodas da Lusitanea, Guimarães, 1950; ALMEIDA, Fernando e FERREIRA, O. da Veiga, Antiguidades de Monsanto da Beira, Guimarães, 1956; BUESCU, Maria Leonor Carvalhão, Monsanto, Etnografia e Linguagem, Lisboa, 1961; TRINDADE, José Ferreira, Monsanto in Estudos de Castelo Branco, Castelo Branco, 1961, nº 2; IDEM, Duas Incógnitas no Castelo e mais Notícias sobre Monsanto in Estudos de Castelo Branco, Castelo Branco, 1963, nº 7; ARMAS, Duarte de, Livro das Fortalezas, Lisboa, INAPA, 1990; MILHEIRO, Maria Manuela de Campos, Monsanto, História e Arqueologia, Santa Maria de Lamas, 1972; Monsanto, in Voz do Campo, 11 Maio 2006; http://www.patrimoniocultural.pt/pt/patrimonio/patrimonio-imovel/pesquisa-do-patrimonio/classificado-ou-em-vias-de-classificacao/geral/view/74233 [consultado em 14 outubro 2016].

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN/DSID

Intervenção Realizada

DGEMN: 1940 - obras de restauro no Castelo de Monsanto; reconstrução de muralhas em cantaria; escavação cuidadosa e remoção de terras; 1941 / 1942 - obras de restauro no Castelo de Monsanto; consolidação de muralhas em cantaria; construção de muralhas em cantaria apicoada; construção e assentamento de ameias em cantaria; 1957 / 1958 - obras de restauro no Castelo de Monsanto; consolidação das muralhas; início da reconstrução de uma das torres, cujos silhares se encontravam caídos junto à base; 1981 - obras de conservação na Igreja de São Miguel; remoção de falso degrau da soleira da porta principal; assentamento de grade em ferro nas portas lateral N. e principal; limpeza geral de todo o interior e envolvente imediata; 1986 - beneficiações na zona do Castelo de Monsanto - trabalhos complementares; consolidação de silhares soltos ou afastados; consolidação do pavimento do adarve na zona O.; 1988 / 1989 - obras de consolidação e pavimentação do Castelo e Muralhas de Monsanto; consolidação do topo das muralhas; pavimentação de adarve; pavimentação dos acessos da zona do castelo.

Observações

*1 - DOF: Aldeia Velha de Monsanto. *2 - a incidência das molduras chanfradas e outros vãos de carácter erudizante confirmam que a época de formação urbana deve ser balizada ao longo dos séc.s 15 e 16 e que a fase de consolidação deve ser centrada no séc. 16 e transição para o séc. 17. *23- tipo dominante do espaço construído: casa em alvenaria de granito sem revestimento; diversidade morfológica: casa de piso térreo, casa de 2 ou 3 pisos; escadas interiores ou exteriores; vãos de lintel recto sem moldura ou com moldura chanfrada. Elementos de caracterização da imagem urbana - Sítio: simbiose entre natural e construído; elemento natural determinador do cultural. Noção de distância: condição da função defensiva do núcleo inicial e gerador do actual; ponto de vista contínuo sobre a envolvente natural. Perfil longitudinal N. apresenta linha horizontal de recorte por vezes sinuoso e na qual apenas se destaca o contraponto verticalista da Torre de Lucano. Perfil transversal O. apresenta linha diagonal de sentido ascendente que se prolonga até ao castelo. Perfil SO. caracterizado pela compacticidade do casario e sua adaptação à topografia, não existindo uma clara percepção das ruas. Algumas interferências descaracterizadoras: depósitos de água, cemitério, chaminés. Volumes destacados: Torre de Lucano e algumas casas rebocadas. Direccionalidade: R. de Nossa Senhora do Castelo de pendente acentuada, sublinhando o percurso ascencional em direcção ao castelo. Articulações: portas, escadinhas, becos. Limites fluídos, ambiguamente marcados pelas Portas de Santo António e do Espírito Santo. Cores e texturas dominantes: granito, musgos, telha de canudo e telha vermelha recente. *4 - espaço urbano: regular; pavimentação desadequada. Espaço construído: regular, ruínas pontuais, descaracterizações. A aldeia está a ser intervencionada no âmbito do programa das "Aldeias Históricas de Portugal - Beira Interior"

Autor e Data

Margarida Conceição 1994

Actualização

Augusto Costa 1998
 
 
 
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