Mosteiro de Nossa Senhora do Bom Sucesso / Colégio de Nossa Senhora do Bom Sucesso

IPA.00005851
Portugal, Lisboa, Lisboa, Belém
 
Arquitectura religiosa, maneirista e barroca. Convento feminino de Dominicanas Irlandesas. Integra-se no pequeno conjunto de edifícios religiosos do século 17 que evidenciam uma opção pela planta centralizada coberta por cúpula. É um dos raros conventos que mantém a ordem original.
Número IPA Antigo: PT031106320288
 
Registo visualizado 2434 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Convento / Mosteiro  Mosteiro feminino  Ordem de São Domingos - Dominicanas

Descrição

O convento organiza-se em torno do claustro, de planta quadrada, com 4 alas volumetricamente paralelepipédicas cobertas por telhados a 2 e 4 águas. No ângulo SO. implanta-se a igreja, organizada planimetricamente dentro de um octógono irregular, sendo a cobertura em telhado piramidal com contrafortes rematados por pináculos. No exterior destaca-se, no muro N., o portal com emolduramento de cantaria, verga recta e encimado por nicho em arco de volta inteira, albergando uma imagem de Nossa Senhora do Bom Sucesso. Do pátio pelo qual se acede ao interior da propriedade distingue-se o corpo E. do complexo arquitectónico, organizado em 3 andares, separados por frisos de cantaria, animados por janelas de peito e, entre 2 contrafortes de cantaria, uma porta com emolduramento calcário rusticado e sobre cuja verga recta se observa uma pedra de armas dos Condes de Atalaia. INTERIOR (Igreja): o espaço centralizado é porém marcado por um eixo longitudinal determinado pela localização da capela-mor, relativamente profunda na qual se destaca o retábulo em baldaquino suportado por 8 colunelos de jaspe matizado e, sob a abóbada de pedraria o sacrário, em prata, atribuído a Evano, sendo as pinturas a óleo sobre cobre que o decoram da autoria de Bento Coelho da Silveira (actividade 1648 - 1708), encimado por coroa real em prata (séc. 19), em substituição do Cristo crucificado que ali existia. Nos 6 panos de muro laterais rasgam-se arcos de volta inteira que abrigam, do lado do Evangelho, 3 altares em talha e, do lado da Epístola, 2 altares ladeando a porta de acesso desde o exterior. No eixo dos arcos surgem pinturas figurando santos da ordem dominicana e acima delas abrem-se vãos iluminantes. Tanto no coro-alto como no baixo, localizados no enfiamento da capela-mor e delimitados por teias (a superior, de origem e em ferro forjado, a inferior em latão, dos anos 50) na face comunicante com o corpo da igreja, observam-se cadeirais, revestimento azulejar (em silhar e frontais), pintura de cavalete e imaginária diversa. O claustro, desenvolve-se em 2 andares e com fonte ao centro da quadra.

Acessos

Rua Bartolomeu Dias, n.º 53 e Rua da Praia do Bom Sucesso. WGS84 (graus decimais) lat.: 38.695232, long.: -9.211691

Protecção

Categoria: IIP - Imóvel de Interesse Público, Decreto n.º 67/97, DR, 1.ª série-B, n.º 301 de 31 dezembro 1997

Enquadramento

Urbano, adossado, isolado por pátio murado. Nas proximidades do Centro Cultural de Belém (v. PT031106320401).

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Religiosa: mosteiro feminino

Utilização Actual

Educativa: colégio de ensino regular

Propriedade

Privada: Igreja Católica

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 17

Arquitecto / Construtor / Autor

ARQUITECTO PAISAGISTA: Atelier Castel-Branco, Arquitectura paisagista (2010); CONSTRUTOR: Manuel Cerqueira de Campos (séc. 17). DESENHADOR: João Nunes Tinoco (atr., séc. 17). ENTALHADOR: Manuel da Costa Barbudo (1746). OURIVES: João de Sousa (séc. 17). PINTORES: Bento Coelho da Silveira (séc. 18); Inácio de Oliveira Bernardes (1745).

Cronologia

Séc. 17 - provável desenho do sacrário em prata por João Nunes Tinoco, realizado pelo ourives João de Sousa; construção do edifício por Manuel Cerqueira de Campos; 1626 - início do processo que conduziria à fundação de um convento neste local, sob o patrocínio da condessa da Atalaia, D. Iria de Brito, filha e herdeira de D. Diogo Pereira, conde da Feira e viúva do 2º conde da Atalaia D. Francisco Manuel; 1628 - doação, pela condessa da Atalaia, da quinta que possuía em Pedrouços para a edificação de um convento, de monjas jerónimas, com o orago de Santa Paula; 1639 - intervenção do dominicano irlandês Dominic O'Daly (também conhecido por Fr. Domingos do Rosário) junto de Filipe III no sentido de o convento que se pretendia instituir fosse entregue a uma comunidade de 50 freiras dominicanas irlandesas; 1639 - concessão da licença régia para a constituição do cenóbio, a qual é acompanhada pelas necessárias autorizações do provincial da ordem dominicana (Fr. João de Vasconcelos) e do arcebispo de lisboa (D. Rodrigo da Cunha); 1639 - fundação oficial do convento, o qual ficaria subordinado ao convento de frades dominicanos do Corpo Santo; 1645 - lançamento da primeira pedra do edifício, pela prioresa Madre Maria Madalena de Cristo, vigária in capite; 1669 - no âmbito da sua viagem por Portugal Cosme de Médicis visita a igreja; 1670 - transferência do Santíssimo Sacramento para a igreja, a qual devia estar concluída; 1688 - conclusão das obras do complexo conventual sob a orientação de Manuel Cerqueira de Campos; séc. 18 - pintura de telas por Bento Coelho da Silveira (1630-1708), o qual pinta os medalhões de cobre do sacrário; 1743 - oferta de uma imagem de Cristo Crucificado pelo infante D. Manuel (irmão de D. João V), colocada no nicho maior do sacrário; 1745 - pintura de telas por Inácio de Oliveira Bernardes; 1746 - execução do retábulo de talha da capela de Nossa Senhora do Rosário potr Manuel da Costa Barbudo; 1755, 1 Novembro - o terramoto afecta pouco o edifício; 1820 - com a implantação do Liberalismo, as freiras - na sua maioria irlandesas - conhecem dificuldades, contornadas no entanto pelas relações diplomáticas privilegiadas entre Portugal e a Inglaterra e a protecção então dispensada pelo monarca português; 1833 - segundo Luís Gonzaga Pereira, a igreja é de planta oitavada, com acesso por pátio fechado e tem na capela-mor a imagem do orago, tendo na nave cinco capelas; 1860 - no convento passa a funcionar um colégio feminino, efectivando-se uma prática que, embora circunscrita às descendentes dos católicos irlandeses, a comunidade já vinha experimentando desde a terceira década de oitocentos; 1892 - campanha de obras no convento, responsável designadamente pela aplicação de soalho na igreja; 1897 - nova campanha de obras, durante a qual se procede à realização de alguns altares da igreja; 1910 - aquando da proclamação da República, as freiras são afastadas do convento por 2 a 3 semanas, tendo desaparecido várias peças e alguns documentos foram queimados pela madre prioresa - de novo são protegidas das medidas republicanas anticlericais, incluindo a possibilidade de manterem um ensino religioso; 1955 - as freiras abandonam o regime de clausura e expandem a actividade educativa com a inauguração de instalações anexas; 1996, 02 maio - despacho de abertura do processo de classificação pelo presidente do IPPC; 1996, 11 abril - parecer favorável à classificaçãoc omo Imóvel de Interesse Público do Conselho Consultivo do IPPAR; 01 maio - Despacho de homologação da classificação pelo Ministro da Cultura; 1999, 11 agosto - elaboração da Carta de Risco do imóvel pela DGEMN; 2000 - continua a assegurar, em regime de externato, educação primária para os dois sexos e secundária feminina; 2010 - reabilitação do claustro e reposição do sistema hidráulico da fonte.

Dados Técnicos

Paredes autoportantes, estrutura mista, tectos em abóbada, contrafortes.

Materiais

Alvenaria mista, reboco pintado, cantaria de calcário, mármore, estuques pintados, madeira dourada e pintada, azulejos, ferro forjado.

Bibliografia

ATAÍDE, M. Maia, (dir. de), Monumentos e Edifícios Notáveis do Distrito de Lisboa, Lisboa-Tomo III, Lisboa, 1988; Belém - Reguengo da Cidade, Lisboa, Câmara Municipal de Lisboa, 1998; CAEIRO, Baltazar Matos, Os Conventos de Lisboa, Lisboa, 1989; CATARINA, Lucas de (Frei), História de S. Domingos, Vol. II, Porto, 1976 (1ª ed. 1767); COSTA, António Carvalho da, Chorographia Portugueza, Lisboa, 1712; COUTINHO, Maria João Fontes Pereira, A produção portuguesa de obras de embutidos de pedraria policroma (1670-1720). Lisboa, Dissertação de Doutoramento em História da Arte apresentada à Faculdade de Letras de Lisboa, 2010, 3 vols.; MARIA. Agostinho de Santa (Frei), Santuário Mariano, Lisboa, 1933; Monumentos, n.º 18, 21, 24, Lisboa, DGEMN, 2003-2004, 2006; NÉU, João B. M., Em Volta da Torre de Belém (v.2 - Pedrouços e Bom Sucesso), Lisboa, 1998; PEREIRA, Esteves, RODRIGUES, Guilherme, Portugal Dicionário, Vol. II, Lisboa, 1905-1911; PEREIRA, Luís Gonzaga - Monumentos Sacros de Lisboa em 1833. Lisboa: Oficinas Gráficas da Biblioteca Nacional, 1927; PORTUGAL, Fernando, MATOS, Alfredo de, Lisboa em 1758. Memórias Paroquiais de Lisboa, Lisboa, 1974; SANCHES, José Dias, Belém e Arredores Através dos Tempos, Lisboa, 1940; SANCHES, José Dias, Belém do Passado e do Presente, Lisboa, 1970; SERRÃO, Vítor, História da Arte em Portugal - o Barroco, Barcarena, Editorial Presença, 2003; SOUTO, António de Azevedo Meyrelles do, Uma Relíquia Setecentista em Via de Desaparecer, in Olisipo, Ano XXVI, Nº 102, Abril 1963; SOUSA, Luís de (Frei), ENCARNAÇÃO, António da (Frei), SANTA FERREIRA, Margarida Maria Ribeiro Gomes, A Igreja do Convento de Nossa Senhora do Bom Sucesso, Lisboa, 1985 (texto policopiado, Biblioteca do Colégio do Bom Sucesso).

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DSID, DGEMN/DRMLisboa

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID, Carta de Risco, DGEMN/DRMLisboa; Biblioteca do Colégio do Bom Sucesso, Fotografias do Convento

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN/DSID, Carta de Risco, DGEMN/DRMLisboa; Biblioteca do Colégio do Bom Sucesso, Relatório das obras realizadas desde 1860

Intervenção Realizada

1909 - assoalhado o coro baixo e pintura das paredes; 1956 - substituição da grade do coro-baixo; 1960 / 1970 - colocação de pináculos como remate da cúpula e nos vértices do octógono, alteração do portal principal, criando-se um nicho para albergar uma imagem de Nossa Senhora do Bom Sucesso, reparação da cúpula; 2002 - colocação de sub-telha nos telhados das capelas laterais N., remoção de platibanda, e reposição do desenho primitivo dos vãos; 2003 / 2004 - recuperação e impermeabilização das coberturas do coro e ante-coro alto; restauro do tecto, altares, paredes, telas e cadeiral do coro alto; rpeamento das platibandas, para feitura de novos telhados com beirado simples e rebaixamento do mesmo ao nível dos vãos, de forma a evitar as sucessivas infiltrações no templo; revestimento dos parapeitos com folhas de cobre; restauro do sacrário da capela-mor; obra paga pela World Monuments Fund; 2005 / 2006 - beneficiação das casas dos antigos trabalhadores em espaços de formação para a comunidade das Irmãs Dominicanas Irlandesas.

Observações

Autor e Data

Teresa Vale e Carlos Gomes 1995

Actualização

Ângelo Silveira 2006
 
 
 
Termos e Condições de Utilização dos Conteúdos SIPA
 
 
Registo| Login