Igreja Paroquial de Soutelinho da Raia / Igreja de Santo António

IPA.00005831
Portugal, Vila Real, Chaves, União das freguesias de Calvão e Soutelinho da Raia
 
Arquitectura religiosa, quinhentista e tardo-barrocos. Igreja paroquial de planta longitudinal composta por nave única e capela-mor, mais estreita, precedida por nártex, interiormente com iluminação unilateral e tectos e tectos de madeira. Fachadas em cantaria aparente, a principal com o nartéx, rasgado em cada uma das faces por arco de volta perfeita, terminado em empena truncada por dupla sineira e a nave rasgada por portal em arco de volta perfeita de aduelas largas, com chanfro. Fachadas laterais terminadas em friso e cornija, a lateral esquerda cega e a direita com porta travessa de em arco de volta perfeita e janela de capialço e fresta; a posterior é cega e termina em cornija recta. No interior tem coro-alto de madeira, púlpito no lado do Evangelho, retábulos colaterais e retábulo-mor em talha policroma tardo-barrocos. Igreja de construção quinhentista ampliada no séc. 19 com a construção de um nártex, rematado em campanário, com dupla sineira. Sobre o portal axial o aparelho possui marcado sulco em empena muito profundo, correspondendo ao local onde assentava antigo alpendre, apoiado também nas duas mísulas que ainda flanqueiam o portal. A porta travessa é em arco de volta perfeita de aduelas largas, mas a sua modinatura não é quinhentista como o axial, mas mais recente.
Número IPA Antigo: PT011703370022
 
Registo visualizado 342 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Templo  Igreja paroquial  

Descrição

Planta longitudinal composta por nártex rectangular, nave única e capela-mor rectangular, tendo adossado à fachada lateral esquerda sacristia. Volumes articulados e coberturas em telhado de três águas na igreja, de uma na sacristia, na continuidade da capela-mor, e de duas no nártex, esta sendo ligeiramente mais baixa. Fachadas em cantaria aparente, sobre soco, terminadas em cornija sobreposta por beirada simples. Fachada principal virada a O., com o nártex rasgado, frontal e lateralmente, por vão em arco de volta perfeita sobre impostas, com cunhais horizontalizados coroados por pináculos piramidais com bola, e com remate sobrelevado, com campanário de dupla sineira, em arco de volta perfeita sobre pilares almofadados, albergando sinos, terminada em cornija recta coroada por empena recortada e vazada por óculo, encimada por cruz latina de cantaria e duas urnas laterais; o campanário é definido por pilastras que se prolongam inferiormente em friso vertical. Sobre o vão do alpendre, abre-se nicho em arco de volta perfeita, com moldura convexa, albergando imagem pétrea de Santa Bárbara, sobre avental inscrito com a data de 1880. Fachada principal da nave terminada em empena, marcada com profundo sulco, também em empena, de sustentação de antigo alpendre, e rasgada por portal em arco de volta perfeita, de aduelas largas, sobre os pés-direitos, com chanfro. Ladeiam o portal duas mísulas de suporte do anterior alpendre; no lado direito do portal dispõe-se pia baptismal, de bacia circular, exteriormente gomada, sobre pé paralelepipédico. Fachada lateral esquerda cega e a oposta com a nave rasgada por porta travessa, em arco de volta perfeita sobre os pés direitos, e uma janela de capialço e fresta de topos curvos, a abrir para o exterior. Fachada posterior com capela-mor cega, terminada em cornija recta e a capela-mor, rasgada por janelo, e terminada em meia empena. INTERIOR com paredes rebocadas e pintadas de branco, tendo na parede do lado do Evangelho vestígios de pinturas murais. Coro-alto de madeira sobre quatro mísulas de cantaria, acedido por escada disposta no lado da Epístola. No sub-coro, existe pia baptismal, de taça circular, exteriormente decorada. No lado do Evangelho dispõe-se púlpito em talha policroma a azul, bege e dourado, de guarda plena, facetada, decorada com motivos vegetalistas sobre almofadas. Arco triunfal de volta perfeita encimado por sanefão de talha policroma a marmoreados fingidos, a azul e dourados, ladeado por dois retábulos colaterais, em talha policroma. Tecto de madeira de perfil curvo, pintado com cartela central contendo uma adoração da Custódia, e com faixas laterais contendo cartelas com elementos vegetalistas. Retábulo-mor em talha policroma.

Acessos

Soutelinho da Raia, Rua do Adro; Rua Direita

Protecção

Categoria: IIP - Imóvel de Interesse Público, Portaria n.º 443/2006, DR, 2.ª série, n.º 49 de 09 março 2006 *1

Enquadramento

Rural, isolado, no planalto da Panadeira, a 850 m de altitude, à entrada da aldeia mista, desenvolvida em plena fronteira entre Portugal e Espanha. Integra-se em plataforma rectangular de topo posterior curvo, adaptada ao declive do terreno e formando adro, vedado por muro, acedido por dois portões. Nas imediações, mesmo o largo inicial da aldeia, ergue-se a Capela da Senhora da Livração (v. PT011703370173), a Capelinha de Nossa Senhora de Fátima e a do Senhor dos Desamparados (v. PT011703370174) e na rua Direita, a fonte de mergulho e tanque lavadouro (v. PT011703370042).

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Religiosa: igreja paroquial

Utilização Actual

Religiosa: igreja paroquial

Propriedade

Privada: Igreja Católica (Diocese de Vila Real)

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 16 / 19

Arquitecto / Construtor / Autor

Desconhecido.

Cronologia

Séc. 16 - época provável da construção, conforme aponta a modinatura do portal axial; 1728 - data do primeiro registo de baptismos documentado; 1744 - obrigação à fábrica do Santíssimo Sacramento, a favor dos moradores da freguesia que querem colocar sacrário com Santíssimo Sacramento na sua igreja e a ele se obrigam com bens para que esteja sempre decente; 1758 - a freguesia pertencia ao Arcebispado de Braga, termo e concelho de Chaves, pertencendo o lugar ao rei e pagando foros à Casa de Bragança; segundo o vigário Silvestre Alvares Crespo nas Memórias Paroquiais da freguesia, o lugar tinha 62 vizinhos, 249 pessoas e 23 ausentes; a igreja estava na entrada do lugar, quase ao pé das casas, tinha orado de Santo António, uma nave e o arco da capela-mor; tinha cinco altares: no altar-mor estava Santo António e o Santíssimo Sacramento, no sacrário, no altar colateral do Evangelho estava a imagem de Nossa Senhora do Rosário e São Bartolomeu e no outro colateral estava a do Menino Deus e Santa Luzia; mais abaixo, no lado do Evangelho estava o altar do Santo Cristo, albergando a imagem de São Sebastião, e no outro correspondente, no lado da Epístola, estava a imagem de Santo Amaro; o pároco era vigário colado; a igreja era apresentada pelo reitor de Vilar de Perdizes e rendia anualmente pouco mais ou menos 60$000; os moradores do lugar tinham a obrigação de pagarem cada ano 200 alqueires de centeio e 3$500 em dinheiro, tudo posto à sua custa no celeiro da vila de Chaves, por obrigação que tinham à Casa de Bragança; por isso o rei, por uma sentença, os isentou de pagarem "fogais" e poderem lavrar e romperem baldios e tudo o que dentro da demarcação que no seu termo se acha sem nenhumas justiças nem Câmaras lho pudessem impedir; tinham também um privilégio de "reguingueiros" de casal cerrado, que alcançaram de D. João V, o qual os isenta de todos os encargos, apenas os obrigavam alguns anos a conduzir algum pão do Assento à dita vila de Chaves; os moradores da freguesia usufruíam ainda o privilégio, dado pelo Conde de Alvor, Mestre de Campo, e General que governou a Província de Trás-os-Montes, em que neste lugar senão fizessem soldados; 1860 - data do primeiro registo de óbitos documentado; 1861 - data do primeiro registo de casamento documentado; 1864 - assinatura do Tratado de Lisboa em que Portugal e Espanha fazem a rectificação das fronteiras, passando as três aldeias do Couto Misto a fazerem parte de Espanha e em troca Portugal ficava com a totalidade das aldeias mistas de Soutelinho da Raia, Cambedo e Lamadarcos, até ali aldeias divididas a meio pela fronteira; na sequência os dois marcos que marcavam a fronteira foram transladadas, o número 198 para o N. do quartel da Guarda Fiscal e o número 197 para a berma do caminho que segue para Vidiferre, cerca de 200 m adiante; 1880 - data inscrita no nicho do nártex, assinalando a sua construção; 1990, Julho - Despacho de classificação como Imóvel de Interesse Público.

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes portantes.

Materiais

Estrutura exterior em alvenaria de granito aparente e interior rebocada e caiada; tectos em madeira com pinturas; pavimento em soalho de madeira e em lajeado de granito no alpendre; portas de madeira; vidros simples; caixilharias de madeira e ferro; retábulo e púlpito em talha policroma; pinturas murais; cobertura de telha.

Bibliografia

AFONSO, Alípio Martins, Conheça Chaves e o seu termo. Um passeio pelo extinto concelho de Ervededo (1232 - 1853) in Rev. Aquae, Flaviae, Chaves, vol. 12, 1994, pp. 191 - 223; CAPELA, José Viriato, BORRALHEIRO, Rogério, MATOS, Henrique, As Freguesias do Distrito de Vila Real nas Memórias Paroquiais de 1758. Memórias, História e Património, Braga, 2006.

Documentação Gráfica

(IPPAR) 86 / 3 (15)

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID; (IPPAR) 86 / 3 (15)

Documentação Administrativa

(IPPAR) 86 / 3 (15)

Intervenção Realizada

Observações

*1 - A Igreja foi classificada conjuntamente com a fonte e tanque da Mina (v. PT011703370042), construída nas imediações. *2 - . A povoação desenvolveu-se em plena fronteira entre Portugal e Espanha, passando a raia pela Rua Norte que vai do Senhor dos Desamparados ao largo da Lamarelha. Os territórios portugueses e galego eram marcados por dois robustos marcos de granito com os números 198 e 197.

Autor e Data

Isabel Sereno 1994

Actualização

Paula Noé 2009
 
 
 
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