Igreja Paroquial de Malhada Sorda / Igreja de São Miguel

IPA.00005793
Portugal, Guarda, Almeida, Malhada Sorda
 
Igreja paroquial de construção medieval, de que não existem quaisquer vestígios, reconstruída no séc. 16, de que subsiste a estrutura e o porta axial, com obras de remodelação no séc. 17 e na segunda metade do séc. 18, correspondendo à sua integração no novo bispado de Pinhel. Na época medieval era dedicada a São João Baptista, o que se alterou na época moderna, passando a ser dedicada a São Miguel, correspondendo à intensificação do culto das Almas. É de planta retangular composta por nave de cinco tramos, marcados exteriormente por contrafortes e interiormente por arcos diafragma que descarregam em pilares, capela-mor, sacristia e torre sineira, construída no final de Setecentos. Tem coberturas diferenciadas a duas abas na nave, com um dos tramos com caixotões pintados com cenas da vida da Virgem e de Cristo, e em abóbada de berço abatido na capela-mor, pintado em trompe l'oeil, iluminada uniformemente na nave e unilateralmente na capela-mor, por frestas retilíneas, a lateral esquerda com porta travessa. Fachadas rematadas em frisos e cornijas. Fachada principal rematada em empena, com portal de volta perfeita e arestas côncavas, enquadrado por estrutura arquitetónica, datável de Seiscentos, composta por colunas e frontão triangular. Está antecedida por muro com amplo portal de carácter arquitetónico, de volta perfeita, com pilastras e remate em frontão sem retorno, contendo nicho em abóbada de concha, que datará do mesmo período da torre sineira, com a qual se interliga, com interessante escada com coluna de arranque volutada. Interior com coro-alto de madeira, sustentado por colunas que integram pias de água benta, tendo batistério na parede fundeira e dois púlpitos confrontantes. No lado da Epístola, nicho adossado, amplamente iluminado por vãos de volta perfeita. Arco triunfal bastante amplo, de arestas biseladas e revestido a madeira pintada e talha, que prolonga os retábulos colaterais, de talha barroca joanina, de corpo côncavo e um eixo. Retábulo-mor de talha dourada de estilo barroco nacional, de corpo reto e três eixos. A igreja encontra-se rodeada por necrópole e mantém no interior o pavimento em, taburnos, correspondente ao primitivo cemitério. As pinturas murais seguem gravuras de Albrecht Durer.
Número IPA Antigo: PT020902130009
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Templo  Igreja paroquial  

Descrição

Planta retangular composta por nave, capela-mor, sacristia adossada ao lado esquerdo e capela lateral no lado direito, de volumes articulados com coberturas diferenciadas em telhados de duas e três águas, o do templo prolongando-se em aba sobre a sacristia. Tem torre sineira isolada, adossada ao muro do adro, com cobertura em coruchéu piramidal facetado. Fachadas em cantaria de granito aparente ou em alvenaria rebocada e pintada de branco, as laterais marcadas por contrafortes, e rematadas em frisos e cornijas. Fachada principal virada a ocidente, rematada em empena e rasgada por portal de volta perfeita e aresta côncava, assente em impostas salientes, flanqueado por duas colunas dórico-coríntias, que sustentam friso e frontão triangular, integrando reserva com decoração delidas, flanqueada por enrolamentos; sobre as colunas, pináculos piramidais; no lado esquerdo, pequena fresta a iluminar o batistério. Fachada lateral esquerda rasgada por porta travessa de verga reta e moldura simples, flanqueada por duas janelas retilíneas; é marcada pelo corpo da sacristia, rasgado por janela retilínea e por pequena porta na face virada a ocidente. A fachada lateral direita possui duas janelas semelhantes às do lado oposto, surgindo, ao centro, pequena capela saliente, com três janelas de volta perfeita, uma em cada face. Fachada posterior rematada em empena cega, tendo, no corpo da sacristia, duas janelas retilíneas. INTERIOR com as paredes rebocadas e pintadas de branco, percorridas por lambril de cantaria, ritmado por cinco tramos, com pilares visíveis no interior, em correspondência aos contrafortes exteriores, que descarregam arcos diafragma, de perfis abatidos, o do último tramo com evidências de pinturas murais, formando acantos, rocalhas, anjinhos e motivos vegetalistas. Coberturas de madeira em duas abas, no último tramo com caixotões pintados, e pavimento em lajeado, formando 136 taburnos. Coro-alto de madeira assente em colunas toscanas sobre plintos galbados e integrando pias de água benta; tem acesso por escadas no lado da Epístola. Portal axial protegido por guarda-vento de madeira e vidro. Na parede fundeira, abre-se arco de volta perfeita, de acesso ao batistério, elevado por um degrau e protegido por teia metálica, pintada de preto. É em cantaria de granito aparente, com cobertura em abóbada de berço e pavimento em lajeado. No interior, a pia batismal, em cantaria de granito, composta por pequena coluna e taça hemisférica, de bordo saliente. No lado do Evangelho, nicho para alfaias, com porta de madeira. Confrontantes, dois púlpitos quadrangulares, com bacia em cantaria e guarda de balaústres, com acesso por escadas. No lado da Epístola, capela lateral enquadra a imagem do Senhor dos Passos, com acesso por arco de volta perfeita, assente em pilastras toscanas, com o interior coberto de madeira pintada de azul, em três abas. Arco triunfal de volta perfeita, assente em pilastras de arestas biseladas, revestido a madeira pintada com rocalhas, acantos, enrolamentos, anjos, figuras híbridas e motivos vegetalistas. Está flanqueado por capelas retabulares colaterais, dedicadas a Nossa Senhora do Rosário (Evangelho) e ao Sagrado Coração de Jesus (Epístola), que se prolongam sobre o arco, revestindo-o a talha dourada, com cartela central, sobrepujada por baldaquino. Capela-mor com cobertura de madeira, em falsa abóbada de berço abatido, pintada em "trompe l'oeil", formando quadraturas de nichos com albarradas, colunas, arquitraves, pontuadas por festões, aves e acantos, que convergem para a cena representada ao centro, um "Agnus Dei", envolvido por anjos, pela pomba do Espírito Santo e por Deus Pai, constituindo uma Santíssima Trindade em glória. Na parede testeira, o retábulo-mor de talha dourada, de corpo reto e três eixos definidos por quatro colunas torsas, percorridas por pâmpanos, assentes em plintos paralelepipédicos e que se prolongam em duas arquivoltas igualmente torsas, unidas por aduelas no sentido do raio, dando origem a apainelados de acantos. Ao centro, tribuna de volta perfeita e moldura rendilhada, contendo trono expositivo de cinco degraus, com o intradorso coberto por painéis de acantos. Cada um dos eixos laterais possui mísula de acantos, enquadrada por painéis pintados a imitar lacado. Altar em forma de urna, pintado de marmoreados fingidos, decorado por acantos, sobre o qual surge o sacrário envolvido por colunas torsas, encimado por dossel e com a porta ornada por Cristo Redentor. Na casa da tribuna, surgem vários painéis de pinturas murais. Sacristia com arcaz de madeira de castanho e lavabo em cantaria de granito, composta por espaldar recortado, rematado por cornija em cortina, tendo cavidade para a água, de volta perfeita, que liga à bica em forma de florão, que verte para taça retilínea, de bordo saliente e boleado. TORRE SINEIRA separada, de dois registos definidos por entablamento e balaustrada de cantaria, o inferior com várias janelas retilíneas, algumas com molduras recortadas e decoradas por motivos vegetalistas, com porta a meia altura, acedido por escadas de cantaria de granito, com coluna de arranque volutada. No segundo registo, quatro ventanas amplas e de molduras boleadas, sobrepujadas por entablamento, com gárgulas de canhão e rematada por pináculos do tipo balaústre; na face frontão, pequeno espaldar profusamente decorado e com concha, contendo inscrição delida.

Acessos

Malhada Sorda, Rua da Igreja. WGS84 (graus decimais): lat.: 40,534727; long.: -6,913159

Protecção

Categoria: IIP - Imóvel de Interesse Público, Decreto n.º 67/97, DR, 1.ª série, n.º 301 de 31 dezembro 1997

Enquadramento

Urbano, isolado, situado no extremo sul da vila, junto ao Largo do Chafariz, em aglomerado disperso e linear, estruturado pela via pública. Está implantado em zona plana, rodeado por alto muro, parcialmente em alvenaria de granito, sendo em cantaria junto à torre e de alvenaria rebocada e pintada de branco no lado direito; cria um adro estreito com acesso por portal de aparato, formado por estrutura em cantaria de granito, capeada a cantaria, flanqueada por pilastras, firmadas por pináculos e rasgada por amplo arco de volta perfeita, assente em pilastras e com fecho saliente. Remata em frontão triangular sem retorno, com cruz latina no vértice, vazado por nicho em abóbada de concha sobre pilastras toscanas. Este acesso, forma um exo-nártex fechado lateralmente por dois portões metálicos, o do lado esquerdo, de acesso à sineira, o do lado oposto, ao lado direito do adro. Este está pavimentado a lajeado e a saibro e integra uma necrópole, com sepulturas em cota superficial. Está envolvido por casas de habitação unifamiliares, de dois pisos, e terrenos de cultivo.

Descrição Complementar

Na TORRE SINEIRA, a data "1785". No TERCEIRO ARCO DIAFRAGMA da nave, surge incisa a data "1597" e "Q.S.T", divisa do orago. No SEGUNDO ARCO, a data "1796". O QUINTO TRAMO da nave possui catorze caixotões pintados enquadrados por talha pintada de marmoreados fingidos e dourados, formando rosetões nos ângulos, a representar cenas da vida da Virgem. JUNTO AO PORTAL AXIAL, silhar com a data "1691". Os RETÁBULOS COLATERAIS são semelhantes, de talha dourada, cada um deles de corpo côncavo e um eixo definido por quatro colunas torsas, percorridas por espira fitomórfica, e quatro pilastras ornadas por acantos. Ao centro, nicho de perfil contracurvo, encimado por cornija, de onde se dependuram falsos drapeados a abrir em boca de cena, com o fundo pintado. A estrutura remata em fragmentos de frontão. O do lado do Evangelho possui edícula jacente, com porta de madeira e vidro, contendo imaginária. Altar paralelepipédico. Sobre o SACRÁRIO, uma cartela recortada tendo a inscrição "SENHOR / DO BOM / DESPACHO". NA CASA DA TRIBUNA, surgem pinturas murais, formando vários painéis com molduras largas, decoradas por motivos fitomórficos, a representar a "Criação de Adão", "Criação de Eva", "Adão e Eva no Paraíso", "Pecado original", "Expulsão do Paraíso" e "São Miguel Pesando as Almas".

Utilização Inicial

Religiosa: igreja paroquial

Utilização Actual

Religiosa: igreja paroquial

Propriedade

Privada: Igreja Católica (Diocese da Guarda - Arciprestado de Almeida)

Afectação

Sem afetação

Época Construção

Séc. 16 (conjetural)

Arquitecto / Construtor / Autor

PINTOR: Bastião Afonso (séc. 16, atr.).

Cronologia

1320 - 1321 - no Catálogo de Todas as Igrejas, a Igreja de São João de Malhada Sorda é taxada em 20 libras; integra o termo de Vilar Maior e o bispado de Ciudad Rodrigo; 1458 - a igreja é incluída na Diocese de Lamego; séc. 16 - provável pintura do retábulo, atribuível a Bastião Afonso; 1597 - data marcada no segundo arco, que corresponderá a uma fase de reconstrução da igreja medieval, dando origem à estrutura do atual templo; séc. 16 - séc. 17 - provável alteração de orago, de São João para São Miguel; 1691 - data no interior, junto ao portal axial; 1758 - surge referida nas Memórias Paroquiais de Vilar Maior, a cuja igreja se encontrava anexa; a paróquia tinha 210 fogos; 1769 - a igreja é integrada na Diocese de Pinhel; 1785 - data incisa na torre sineira, que poderá corresponder à sua construção, que, segundo a tradição local, se deve aos donativos de duas moradores na povoação, conhecidas como as "Cegonhas"; 1796 - data incisa no terceiro arco, indicando, presumivelmente, uma fase de reconstrução; 1882 - com a extinção da Diocese de Pinhel, a paróquia é integrada na Diocese da Guarda; 1885 - construção do novo cemitério.

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes portantes, reforçadas por contrafortes exteriores, travadas por estrutura de coberturas em barrotes e vigas de madeira assentes sobre arcos em silharia de granito, que dividem a nave em cinco tramos.

Materiais

Estrutura em alvenaria e cantaria de granito, parcialmente rebocada e pintada; cruzes, pináculos, socos, cunhais, cornijas, torre sineira, escadas, colunas do coro-alto, pias de água benta, pia batismal, bases dos púlpitos, pavimentos e supedâneo em cantaria de granito; coberturas, portas, guarda-vento, guarda do coro-alto, pavimentos e mobiliário de madeira; grades das janelas em ferro forjado; cobertura em telha cerâmica.

Bibliografia

ALDEA, Q., MARIN, T., VIVES, J. - Diccionario de História Eclesiastica de España. Madrid: Instituto Enrique Florez - consejo superior de investigaciones cientificas, 1972; ALMEIDA, Fortunato de - História da Igreja em Portugal. Porto: Portucalense Editora, S.A.R.L, 1967, vol. I; BARROCO, Manuel Joaquim, Panoramas do distrito da Guarda: apontamentos referentes aos concelhos e freguesias do distrito, s.l., s.d.; CARVALHO, José Vilhena de - Almeida - subsídios para a sua história. Viseu: Junho de 1988; CASTRO, José Osório da Gama e - Diocese e distrito da Guarda. Porto: 1902; NOGUEIRA, José A.Anes D. - «Malhada Sorda» in Beira Alta. Viseu: 1977, vol. XXXVI, fasc. 2 e 3, 3º trimestre, pp. 333-334; JORGE, Carlos Henrique Gonçalves - O Concelho de Vilar Maior em 1758 - Memórias Paroquiais. Leiria: 1991; SERRÃO, Vítor - «A Arte da Pintura na Diocese de Lamego (séculos XVI-XVIII)», in O Compasso da Terra - a arte enquanto caminho para Deus. Lamego: Diocese de Lamego, 2006 vol. I.

Documentação Gráfica

DGPC: DGEMN/DREMCentro/DM

Documentação Fotográfica

DGPC: DGEMN/ DSID, DGEMN/DREMCentro/DM, SIPA; Diocese da Guarda: Departamento do Património Cultural

Documentação Administrativa

DGPC: PT DGEMN:DSID-001/009-004-1064/6

Intervenção Realizada

DGEMN: 1999 / 2000 - recuperação de coberturas, incluindo a reparação da estrutura de madeira, isolamento e substituição de telhas; consolidação de arco interior; 2001 / 2002 - escavação arqueológica na zona envolvente; renovação de rebocos e da instalação elétrica; construção de drenagem periférica e exterior ao imóvel; reparação do coro em madeira, limpeza de cantarias exteriores, consolidação do pórtico exterior e da torre sineira que incluiu demolição de escadaria interior em betão; fornecimento de caixilharias em madeira; reabertura de janela no coro, devolução dos níveis exteriores do recinto para cotas originais com a remoção de entulhos ali existentes.

Observações

Autor e Data

Paula Figueiredo 2018 (no âmbito da parceria DGPC / Diocese da Guarda)

Actualização

 
 
 
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