Palácio das Carrancas / Museu Nacional Soares dos Reis

IPA.00005684
Portugal, Porto, Porto, União das freguesias de Cedofeita, Santo Ildefonso, Sé, Miragaia, São Nicolau e Vitória
 
Palácio urbano neoclássico construído em pleno período urbanístico de Francisco de Almada e Mendonça. Apresenta bem evidente as características da arquitectura paladiana inglesa, de que John Carr foi um dos representantes, na composição de um alçado da fachada do edifício muito próxima de uma secção da fachada nascente do Hospital de Santo António.
Número IPA Antigo: PT011312080020
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Residencial unifamiliar  Casa  Palácio  

Descrição

O conjunto dos volumes é constituido, fundamentalmente, por quatro partes: o Palácio propriamente dito com três pisos e águas furtadas, com planta em "U", as galerias com um piso que prolongam os dois braços daquele e são ligadas por uma terceira galeria transversal, o pátio central contido pelo edifício e, finalmente, um amplo espaço livre, nas traseiras. Compartimentação horizontal e embasamento rusticado; andar nobre muito levantado; corpo central saliente e apoiado em três arcos e coroado por um frontão; ritmo das aberturas do primeiro andar com o uso alternado de frontões curvos e triangulares; medalhões sublinhados por grinaldas nos frontões; platibanda de balaústres rematada por vasos e urnas; cobertura inclinada de várias águas e desenho geométrico regular.

Acessos

Rua de D. Manuel II; ao logradouro pela Rua Adolfo Casais Monteiro

Protecção

Categoria: IIP - Imóvel de Interesse Público, Decreto nº 24 003, DG, 1ª série, n.º 136, de 12 junho 1934 / ZEP / Zona "non aedificandi", Portaria, DG, 2ª série, n.º 73, de 27 março 1962*1

Enquadramento

Urbano, isolado. Próximo do Hospital de Santo António (traseiras). A imponência do edifício é diluída pela sua inserção no cadastro (uma série de lotes disponíveis), com o alinhamento da fachada pelo perfil da rua, sem lhe proporcionar um espaço envolvente mais desafogado. O acesso aos anexos, faz-se pelas entradas laterais com portões de ferro que comunicam com as traseiras por escadas exteriores de um e outro lado do edifício (antigo acesso às instalações da fábrica localizada nas actuais galerias do Museu).

Descrição Complementar

Ao longo dos anos de uso a ocupação do espaço foi sofrendo alterações, devidas à mobilidade da família e à frequente existência de hóspedes. No entanto podem-se esboçar alguns princípios de utilização dos vários pisos. No primeiro piso encontramos o grande átrio de entrada à volta do qual se distribuiam as armazéns, cavalariças e cocheiras. O andar intermédio, terá sido utilizado pela família, e o andar nobre reservado para as personagens importantes que aqui se alojavam. O último andar deveria ser destinado aos criados, e as oficinas da fábrica e talvez a cozinha ocupassem as duas alas que rodeavam o jardim interior.

Utilização Inicial

Residencial: casa

Utilização Actual

Cultural e recreativa: museu

Propriedade

Pública: estatal

Afectação

DGPC, Decreto-Lei n.º 114/2012, DR, 1.ª série, n.º 102 de 25 maio 2012

Época Construção

Séc. 18

Arquitecto / Construtor / Autor

Joaquim da Costa Lima Sampaio (atr.); Luís Chiari (atr. - estuques e mobiliário); Vieira Portuense (atr. - pinturas dos tectos); Arq. Fernando Távora (projecto de remodelação e ampliação).

Cronologia

Séc. 18 - D. Brites Maria Felizarda de Castro adquire uma série de lotes de terreno, para aí edificar uma grande casa de habitação e fábrica; 1800 / 1801 - a família Moraes e Castro para aí se mudará levando a alcunha que deviam ao lugar onde anteriormente haviam habitado - os "Carrancas" e lhes é concedido o uso do brasão de armas; 1808 - Residência do Corregedor-Mor Tamboreau e do general Marquez de Valladares; 1809 - Residência do general Soult e quartel general do general Wellesley; 1832 - Residência de D. Pedro; 1861 - Promessa de venda do palácio a D. Pedro V; 1894 - Inauguração do velódromo localizado no terreno da quinta do palácio; 1903 - arranjo urbanístico na parte fronteira; 1915 - testamento do rei D. Manuel que determinava que o Palácio fosse entregue à Misericórdia, só conhecido em 1932; 1937 - Obras de adaptação do edifício a Museu; 1991, 09 agosto - o museu é afeto ao Instituto Português de Museus, Decreto-Lei n.º 278/91, DR, 1.ª série-A; 2001 - o presidente da Câmara reformula o projecto do túnel de Ceuta (iniciado em 1996), passando este a ter duas saídas uma no Carregal e outra na Rua D. Manuel II, junto à porta do Museu; 2005, 14 Janeiro - o IPPAR chumba o prolongamento do túnel de Ceuta; 2 Maio - é decretado o embargo da obra de prolongamento do túnel; 29 Julho - inauguração do Túnel de Ceuta, apenas com saída junto ao Jardim do Carregal, mantendo-se fechada a saída para a rua D. Manuel II; 2007, 29 março - o imóvel é afeto ao Instituto dos Museus e Conservação, I.P. pelo Decreto-Lei n.º 97/2007, DR, 1.ª série, n.º 63.

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes portantes.

Materiais

Pavimentos térreos em lages de granito e em mármore nos quartos de banho; no 1º piso em soalho de madeira, granito e mármore ou mistos contendo dois destes materiais; 2º piso em soalho de madeira; paredes em alvenaria de pedra; tectos do piso térreo em abobadilhas rebocadas e dos restantes pisos planos estucados; cobertura em telha de barro. Todo o edíficio é rebocado à excepção dos embasamentos em granito e outros elementos no mesmo material, nomeadamente molduras de vãos de portas e janelas, cornijas, balaustrada e outros

Bibliografia

Os Carrancas e o seu Palácio, Museu Nacional de Soares dos Reis, 1984; Ministério das Obras Públicas, Relatório da Actividade do Ministério no ano de 1952, Lisboa, 1953; QUARESMA, Maria Clementina de Carvalho, Inventário Artístico de Portugal. Cidade do Porto, Lisboa, 1995; PAIS, Alexandre Manuel Nobre da Silva, Presépios Portugueses Monumentais do século XVIII em Terracota [ dissertação de Mestrado na Universidade Nova de Lisboa ], Lisboa, 1998.

Documentação Gráfica

DGPC: DGEMN:DREMN

Documentação Fotográfica

DGPC: DGEMN:DSID

Documentação Administrativa

DGPC: DGEMN:DSID

Intervenção Realizada

1940 - Obras de adaptação do edifício a Museu; 1967 - Reconstrução e reparação de caixilharias exteriores e reparação ligeira da instalação eléctrica da residência do conservador; 1968 - Ampliação e restauro, conservação geral e do exterior, serralharia e beneficiação da instalação eléctrica; 1969 - Reestruturação do edifício existente e ampliação das instalações; reparação da instalação eléctrica e de aquecimento; 1971 - Reestruturação e remodelação interna; 1972 - Continuação da reestruturação e remodelação interna; 1973 - Beneficiação da cobertura e de drenagem da fachada nascente e continuação dos trabalhos anteriores; 1974 - Trabalhos de construção civil e electricidade; 1975 - Limpeza dos vãos do telhado e beneficiação das coberturas; 1976 - Reestruturação e benfeitorias em diversos sectores do Museu; 1977 - Pinturas exteriores, construção de grades e reconstrução de caleiras; 1978 - Reparação e pintura das caixilharias das fachadas nascente e poente; 1979 - Reparação das coberturas e pinturas interiores; 1980 - Trabalhos de conservação e pinturas interiores; instalação de alarme contra incêndio; obras de remodelação e beneficiação na central térmica; 1981 - Diversos trabalhos de benificiação; 1982 - Continuação dos trabalhos do ano anterior, da instalação eléctrica e das carpintarias exteriores; 1984 - Beneficiação do sistema automático de detecção e alarme de incêndios; 1985 - Trabalhos de beneficiação e recuperação do guarda vento; 1986 - Beneficiação da instalação de aquecimento central e obras diversas; IPPC: 1987 - Pinturas interiores; 1992 - Construção de acessos verticais, sanitários e ligação por escada dos dois pátios exteriores; 1993 - Remodelação das galerias do 1º andar e área ocupada pela secretaria e direcção do museu e construção de um edifício anexo para depósito; 1994 / 1999 - terceira fase de obras de ampliação e beneficiações diversas.

Observações

*1 - DOF: Palácio das Carrancas, abrangendo as consolas e alçados de talha dourada e decorada de pinturas que existem numa das salas, do lado Nascente do andar nobre, feitas para a mesma sala, como parte integrante da sua decoração arquitectónica. Os produtos manufacturados nas fábricas de galões de Ouro e prata destinavam-se a um consumo de luxo - eram pormenores decorativos aplicados no vestuário e indumentária eclesiástica e profana, civil e militar, sendo a Casa Real um dos grandes consumidores. O acervo do Museu foi constituído, na sua origem, pelas colecções do Museu Portuense (proveniente dos conventos abandonados em 1833 com a revolução liberal) e do museu Municipal do Porto (antiga colecção João Allen) a que se acrescentaram doações e aquisições posteriores. O acervo contem, nomeadamente, peças de mobiliário, fainça e ourivesaria no campo das artes decorativas e obras de pintura e escultura da 2ª metade do séc. 19 e início do actual, sendo de destacar as produzidas por Henrique Pousão e António Soares dos Reis.

Autor e Data

Isabel Sereno e João Santos 1994

Actualização

 
 
 
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