Igreja e Convento de Nossa Senhora do Carmo

IPA.00005677
Portugal, Faro, Tavira, União das freguesias de Tavira (Santa Maria e Santiago)
 
Arquitectura religiosa, rococó, neoclássica. Igreja conventual de carmelitas descalços, de planta em cruz latina com uma só nave de quatro tramos. Retábulos da nave rococó, retábulos colaterais neoclássicos, retábulo-mor eucarístico; teto com arquiteturas perspetivadas ilusionistas. Igreja emblemática do rococó nacional e uma das mais sumptuosas do Algarve, destacando-se a retabulística polícroma e dourada rococó e neo-clássica, nomeadamente o retábulo-mor, referência da talha nacional, dos mestres Domingos de Almeida e Patricio Malatesta; a pintura sobre madeira do tecto da capela-mor, de caracter ilusíonistico, dos melhores exemplares da região, do pintor louletano Joaquim José Rasquinho, juntamente com as telas das paredes laterais com episódios da vida de Santo Elias.
Número IPA Antigo: PT050814050032
 
Registo visualizado 300 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Convento / Mosteiro  Convento masculino  Ordem dos Irmãos Descalços de Nossa Senhora do Monte do Carmo - Carmelitas Descalços

Descrição

Planta composta pelo corpo da igreja de nave única, transepto e capela-mor, pela sacristia, anexo e dependências conventuais; volumes articulados, cobertura diferenciada em telhado de duas águas (na nave e capela), de quatro e duas águas na parte conventual, em domo com lanternim no cruzeiro. IGREJA: fachada principal a S. com quatro corpos: corpo central de um só registo, delimitado por cimalha com cunhais com embasamento de cantaria soco e cimalha em massa e frontão recortado com quatro urnas, cruz de ferro e painel de azulejos no tímpano; portal de verga recta arquitravada ladeado por colunas de capitéis jónicos; embasamento e frontão borrominesco com armas carmelitas; sobre o portal, janelão de verga recta arquitravada com frontão triangular; corpos laterais delimitados por soco e cimalha com beirado com janelões emoldurados de massa; adossado a O. campanário com três sineiras sobre platibanda e um vão de verga recta com ornamentação em massa. Fachada a N. com nartex de três arcos planos em cantaria, encimados por janelão de verga curva e portal com a inscrição de 1792. INTERIOR: nave com pavimento em soalho de tábua corrida e cobertura em abóbada de berço, de 4 tramos marcados por arcos torais descarregando em pilastras, ambos de massa pintada a cinza simulando cantaria; coro-alto assente em arco abatido de cantaria sobre mísulas pétreas; no pavimento do subcoro, de cada lado, lápide sepulcral epigrafada; três altares de cada lado encimados por três janelas; do lado da Epístola o altar de Nossa Senhora da Conceição, de Santa Efigénia e de Santa Teresa de Ávila; do lado do Evangelho os altares de Santo António, São Simão Stock e de Santo Elias; todos os altares são em madeira pintada simulando cantaria e apresentam retábulos e mesas de altar de madeira e talha dourada e polícroma; zona dos altares laterais elevada, separada da nave por degrau contínuo pétreo, com pavimento de ladrilho preto e branco, que se prolonga pelo subcoro; de cada lado, afrontados, um púlpito, de caixa de madeira sobre bases pétreas com marmoreados, com acesso por portas de molduras pétreas e vergas rectas. Arco cruzeiro de volta perfeita assente em pilastras de alvenaria pintada simulando cantaria sobre bases pétreas, separado da nave por degrau pétreo; cruzeiro e braços do transepto com pavimento de ladrilho marmóreo, branco e negro em xadrez; cruzeiro coberto por cúpula; nos topos dos braços do transepto, porta de molduras pétreas encimada por janela de verga recta com cornija curva, a do lado da Epístola dando acesso à Sacristia e a do lado do Evangelho constituindo a entrada principal da igreja, com guarda-vento de marcenaria; os alçados do transepto apresentam rodapé pétreo e pinturas murais simulando cantarias polícromas, a verde, azul, vermelho e amarelo. Arco triunfal de volta perfeita revestido por madeira pintada simulando pedra e mármores, separado da capela-mor por degrua pétreo; altares colaterais de madeira pintada com retábulos de talha; em frente duas portas de verga recta com cornija curva, dão acesso aos púlpitos e coro-alto. Capela-mor com pavimento idêntico ao do cruzeiro e cobertura em abóbada de berço com forro de madeira com pintura perspectivada figurando Nossa Senhora entregando o escapulário a São Simão Stock, rematado com friso em talha polícroma; teia em ferro e 3 degraus pétreos em U envolvendo os alçados, com pavimento de ladrilho; alçados revestidos de madeira pintada simulando marmoreados e frisos emoldurando quatro telas, figurando episódios da vida de Santo Elias; altar-mor de madeira pintada sobre pódio de 2 degraus pétreos com pavimento a ladrilho; retábulo-mor de madeira pintada assente em base de alvenaria em arco abatido. Sala do trono com pavimento de ladrilho cerâmico. CONVENTO: fachada principal a N. de 3 corpos de dois registos cada: primeiro corpo a O. de 3 panos delimitados por pilastras, cunhais e cimalha de cantaria, com três vãos por piso: no piso térreo 3 arcos de volta perfeita, entaipados e com vãos rectangulares posteriores; no andar nobre 3 janelas de verga recta arquitravada com cornija curva, sendo a central rematada por nicho em cantaria com arco pleno e cornija recortada. Corpo central de pano único e 2 registos delimitados por cunhais de cantaria com embasamento, soco e friso de cantaria; no piso térreo arco pleno parcialmente entaipado com portal emoldurado sobreposto de óculo; no andar nobre janela de peito de verga curva com cornija recortada. Terceiro corpo rasgado no piso térreo por 5 janelas de cantaria de verga recta e no andar nobre por 6 janelas, uma, central, de sacada com guardas de ferro forjado e 5 de peito. Fachada O. de pano único rasgado por duas janelas de sacada, de arco pleno e guardas de ferro forjado, e por 2 frestas verticais.

Acessos

Largo do Carmo

Protecção

Categoria: MIP - Monumento de Interesse Público, Portaria, n.º 722/2012, DR, 2.ª série, n.º 237, de 07 dezembro 2012

Enquadramento

Urbano, planalto, adossado. A igreja abre a fachada principal para praça ampla e o convento para logradouro murado com portão de ferro.

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Religiosa: convento masculino

Utilização Actual

Religiosa: igreja / Cultural e recreativa

Propriedade

Privada: Igreja Católica / Privada: pessoa colectiva / Pública: municipal

Afectação

Declaração de rectificação nº. 467/2011, DR 2ª. Série, nº. 39 de 24 de Fevereiro 2011

Época Construção

Séc. 18

Arquitecto / Construtor / Autor

ARQUITETO: Frei Manuel da Conceição (risco da igreja); ENTALHADORES: Domingos de Almeida e Patricio Malatesta (retábulo-mor); PEDREIRO: Diogo Tavares e Ataíde; PINTOR: Joaquim José Rasquinho.

Cronologia

1737 - data inscrita no portal do convento assinalando o início da construção; 1747 - demarca-se terreno destinado à Igreja, com planos da autoria do arquitecto carmelita, Padre Frei Manuel da Conceição, de Lisboa; execução do risco da fachada, executada pelo mestre pedreiro Diogo Tavares e Ataíde; 1780 - feitura de retábulo da capela-mor; 1784 - douramento do retábulo da capela-mor por Domingos de Almeida e pelo italiano Patricio Malatesta; 1792 - conclusão a fachada; 1983, 28 novembro - Proposta da CM de Tavira para a classificação do Convento e Igreja do Carmo; 2001, 08 março - nova proposta da CM de Tavira para a classificação da Igreja da Venerável Ordem Terceira de Nossa Senhora do Carmo; 2001, 09 julho - Proposta do IPPAR/DRFaro para abertura do processo de instrução da classificação do Convento e Igreja do Carmo; 2002, 15 maio - Despacho do Vice-Presidente do IPPAR determinando a abertura do processo de classificação; 2002, 13 dezembro - Proposta do IPPAR/DRFaro para a classificação como IIP - Imóvel de Interesse Público; 2003, 07 maio - Parecer do Conselho Consultivo do IPPAR a propor a classificação da Igreja de Nossa Senhora do Carmo como IIP; 2003, 23 maio - Despacho de homologação de classificação como IIP pelo Ministro da Cultura.

Dados Técnicos

Paredes autoportantes

Materiais

Alvenaria rebocada e caiada, telha de canudo, cantaria, mármore, pedra bujardada, talha dourada.

Bibliografia

ANICA, Arnaldo Casimiro, Tabira e o seu Termo, Memorando Histórico, Tavira, 1993; LAMEIRA, Francisco Ildefonso C., Roteiro das Igrejas de Tavira, Monografias 5, Faro, 1996; VASCONCELOS, Damião Augusto de Brito, Notícias Históricas de Tavira 1242-1840, Tavira, 1989.

Documentação Gráfica

CMTavira

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Administrativa

Intervenção Realizada

CMTavira: 2000 - obras de recuperação e adaptação a centro de ciência viva e outras actividades culturais.

Observações

Autor e Data

Francisco Lameira 1997 / Rosário Gordalina 2003

Actualização

 
 
 
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