Palácio da Galeria / Centro Cultural da Cidade de Tavira / Museu Municipal de Tavira

IPA.00005653
Portugal, Faro, Tavira, União das freguesias de Tavira (Santa Maria e Santiago)
 
Palácio urbano quinhentista com loggia renascentista-maneirista no segundo piso virada para o rio, de triplo arco de volta perfeita com intradorso decorado com elementos florais e capitéis de idêntica temática, profundamente remodelado em época barroca. Edifício de planta rectangular irregular, em amplo declive na colina genética de Tavira, no sentido S. - N., com fachada principal virada para o coração da cidade, com janelas de sacada no andar nobre. Loggia com capitéis estilisticamente aparentados com os da Igreja da Misericórdia de Tavira (v. PT050814060003) (CORREIA, 1987), facto que permite vislumbrar a acção de André Pilarte, que detinha a mais importante oficina activa em Tavira nos meados do Séc. 16, à qual se associam outros imóveis no Algarve, numa vasta região do Sotavento, desde a Matriz de Moncarapacho à Matriz de Alcoutim (v. PT050802010013) passando pela Igreja de Cacela Velha (V.PT050816010008), bem como a Matriz de Mértola ( v. PT040209040002 ) e a Igreja de Salvador de Ayamonte, mas sobretudo em Tavira, como testemunham, as Igrejas de Santa Catarina de Fonte do Bispo e de Nossa Senhora da Conceição de Tavira (v. PT050814020014 ),a Casa na R. do Poço do Bispo (v. PT050814060061), a Casa na R. Almirante Cândido dos Reis ( v. PT050814 0071) e o Edifício Irene Rolo (v. PT050814050047). Retábulo-mor e colaterais barrocos, de talha nacional, com decorações em pâmpanos e colunas pseudosalomónicas. Nos alçados das naves, figurando as obras de Misericórdia (Corporais do lado da Epístola, Espirituais do lado do Evangelho) e cenas da vida de Cristo, painéis de azulejo, azuis e brancos, recortados superiormente, formando silhar, de produção joanina já com elementos rococó. O óculo apresenta semelhanças (CORREIA, 1988) com o da fachada principal da Conceição de Tomar (v. PT031418120005).
Número IPA Antigo: PT050814050023
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Residencial unifamiliar  Casa  Palacete  

Descrição

Planta rectangular composta por edifício principal, loggia, pavilhão de exposições temporário e amplo terraço a N. Volumes articulados; massas dispostas verticalmente com cobertura heterogénea em telhado de tesouro de quatro águas (duas secções longitudinais sobre parte do edifício que se implanta a uma cota mais baixa e duas secções transversais sobre a parte mais elevada), três águas sobre a loggia e cúpula sobre um pequeno poço adossado à fachada posterior do edifício principal. Fachada principal virada a E., definida maioritariamente a dois registos, passando a três registos na cota mais baixa, sem que existam elementos divisores distintos, marcada por fortes cunhais de pilastras adossadas; primeiro registo organizado em três panos: pano central ocupado pelo portal principal, aberto não simetricamente no alçado (desviado para S.), de arco recto inserido numa moldura também recta de cantaria trabalhada, decorada com caixotões relevados e três conjuntos de métodas fingindo uma arquitrave; pano S. com uma janela quadrangular de moldura em cantaria com lintel desenvolvido superiormente formando ligeira cornija; para S., não existem mais janelas neste registo pela cota elevada que obrigaria a quebrar a simetria do conjunto; pano S. composto por oito janelas idênticas à do pano S., simetricamente abertas no alçado; diante da R. da Galeria, que leva ao largo da Misericórdia, uma porta de arco contracurvado e moldura em cantaria abre-se entre as 4ª e 5ª janela, a uma cota mais baixa mas elevando-se até ao nível do parapeito das janelas; segundo registo igualmente composto por três panos simétricos axialmente seguindo o registo inferior; pano central composto por janela quadrangular, assente na arquitrave definida pelo lintel do portal, protegida com gradeamento simples de ferro e ladeada por composições de volutas contracurvadas que se elevam até ao lintel, sendo sobrepujada por um frontão circular interrompido que delimita superiormente o tímpano, decorado com um motivo floral central; separados da janela, mas seguindo uma solução de frontão circular interrompido de menores dimensões, dois brasões amplamente decorados com motivos florais e geométricos circulares, maioritariamente volutas; pano S. ostenta três janelas rectangulares dispostas verticalmente que seguem a mesma solução da janela do pano central, mas sem a profusão de volutas contracurvadas nos níveis inferiores; pano N. com oito janelas simetricamente abertas sobre as do registo inferior; para N., o terreno é delimitado por uma cerca de muro alto, a toda a extensão do espaço desocupado relativo ao Palácio, onde existe uma porta entaipada, de arco recto em grossa cantaria. Fachada lateral S. adossada ao Parque municipal e à elevada cota do terreno, com construção de um terraço em cimento. Fachada lateral N. é a mais alta de todo o edifício e organiza-se a três registos de panos únicos; primeiro registo: corresponde ao piso inferior do edifício e possui duas portas nos extremos, de arco recto em cantaria, separadas por uma pequena janela rectangular disposta verticalmente no eixo do alçado; segundo registo corresponde ao primeiro piso da fachada principal e possui quatro janelas harmonicamente abertas no alçado, de perfil idêntico às janelas do primeiro registo da fachada principal; terceiro registo com quatro janelas idênticas às do piso superior da fachada principal, com gradeamento de ferro e frontão curvo interrompido definindo um tímpano. Fachada posterior mais complexa e organizada em três corpos distintos, de registos diferenciados; corpo N. a dois registos, definidos a partir de um terraço que se eleva ao nível do primeiro piso da fachada principal: primeiro registo com uma janela quadrangular com moldura em cantaria simples a S., e uma porta de arco de volta perfeita parcialmente interrompido, dando a sensação de continuar pela caixa murária; arco preenchido com materiais modernos; segundo registo ocupado por uma janela idêntica à anterior, mas aberta no eixo do alçado; corpo central corresponde à loggia e é bastante saliente dos restantes, compondo-se igualmente em dois registos; primeiro registo sem decoração, mas delimitado por amplos contrafortes que arrancam do nível de separação de registos; segundo registo integralmente composto por um arco de volta perfeita, inserido num alfiz reentrante, suportado por pilares cilíndricos de tambor, base trabalhada e capitéis vegetalistas, sendo as aduelas decoradas com motivos florais no intradorso; alçado N. da loggia organizada em dois registos, existindo no primeiro uma porta de arco de volta perfeita, muito diferente em proporção das originais, ligeiramente desviada para E.; segundo registo compõe-se de duplo arco de volta perfeita suportado por três pilares idênticos aos do alçado O.; loggia termina com pequenos pináculos nas extremidades, desenvolvendo-se o telhado sobre linha de beiral; a partir do interior da loggia, uma escadaria com arco de volta perfeita e abóbada de canhão descendente levaria ao portal principal, mas está hoje entaipada pela manutenção dos trabalhos arqueológicos; terceiro corpo corresponde às dependências a S. do palácio; prolongamento para N. do extremo O. da loggia em direcção a um pequeno poço; fachada posterior do Palácio com quatro portas de acesso ao interior, sendo a segunda com moldura em azulejos de figura avulsa definindo superiormente uma cruz também em azulejos; restantes vãos modernos. Pavilhão de exposições temporárias existe a O. da loggia, ocupando dois registos e desembocando na Calçada de D. Ana; edifício desenvolvido transversalmente em relação à orientação do Palácio, com entrada no segundo registo a partir de um pequeno terraço diante da loggia; fachada voltada a O. organizada a dois registos; primeiro registo ocupado integralmente por um portal de arco quebrado, de grossa cantaria e algum desgaste nas aduelas, a que se acede por três degraus; segundo registo muito elevado com janela quadrangular de moldura em cantaria; fachada virada a S., para o terraço do Alto de Santa Maria, visível apenas no segundo registo, com quatro portas de arco recto dispostas não harmonicamente no alçado; prolongamento do Pavilhão de exposições para N., a dois registos, com porta de acesso de arco recto a partir do pátio interior que comunica com a loggia; elevação do segundo registo em forma de torre no ângulo NE. deste edifício. INTERIOR: leitura prejudicada pelo parcial entaipamento de estruturas ainda em escavaçãoarqueológica. A partir da entrada principal, situada diante da R. da Galeria, acede-se ao piso inferior através de uma escadaria descendente e ao primeiro piso do palácio através de um lanço de escadas relativamente estreitas; uma primeira sala, a S., apresenta três tramos definidos por arcos abatidos com aplicações em estuque; átrio central comunica com o pátio exterior central, a partir do qual se acede à loggia, com uma escadaria no sentido N. - S. e ao Pavilhão de exposições temporárias, a partir da porta de arco recto no pátio exterior; loggia faz a comunicação com o terceiro piso, onde existe um hall rectangular com soalho e tecto de madeira a anteceder o auditório, um amplo espaço rectangular, de piso plano, que dá para a fachada principal do edifício.

Acessos

Rua da Galeria, Calçada de D. Ana e Largo de D. Ana

Protecção

Categoria: MIP - Monumento de Interesse Público, Portaria, n.º 888/2013, DR, 2.ª série, n.º 240, de 11 dezembro 2013

Enquadramento

Urbano, meia encosta, parcialmente adossado; implantado em pleno centro histórico de Tavira, na encosta genética da cidade na sua vertente N., em acentuado declive S. - N. Impacto urbanístico confere ao conjunto o estatuto de ser um dos edifícios mais emblemáticos da cidade, vendo-se a uma grande distância para N. e para E., no fundo os núcleo principais de expansão extra-muros de Tavira. Na secção S. o terreno do Palácio é delimitado por muro de vedação alto, que o separa do adro posterior da Igreja de Santa Maria do Castelo (v. PT050814050001), da Alcáçova ( v. PT050814060002) e para SO., o Convento de Nossa Senhora da Graça (v. PT050814050018). Fachada principal virada a E., para o centro comercial e ribeirinho, separando-se da Pr. da República, a principal da cidade, por casario térreo e de dois andares, onde se implanta a Igreja da Misericórdia (v. PT050814060003), parte das muralhas (v. PT050814060002) com a porta da vila e o Edifício B. N. U. (v. PT050814060050). A N., a calçada de acentuado declive conduz até ao rio, situando-se muito próximo a Capela de Nossa Senhora da Piedade (v. PT050814050022) e a Estação Elevatória da Fontinha (v. PT0814050055). Para O., a uma cota muito mais baixa, edifícios térreos e de dois pisos, com quintais e terraços com abundante vegetação e árvores de fruto. Vias públicas muito estreitas diante das fachadas principal e posterior, zona mais alta de toda a colina a S. e um Largo rectangular a N.

Descrição Complementar

Edifício emblemático do centro histórico de Tavira, com grande impacto urbanístico sobre as vertentes N. e E. da colina principal da cidade. Fachada barroca bastante longa, harmónica e simétrica, virada para o núcleo principal de Tavira; portal barroco de grande relevo, com tratamento muito cuidado e sóbrio ao nível do primeiro registo e profusão decorativa a ladear a janela monumental do segundo registo; loggia renascentista é única em todo o Algarve, constituindo uma das mais interessantes do período renascentista no país. Moldura exterior de um arco da fachada posterior em azulejo barroco de figura avulsa. Transformação em Centro Cultural e Museu Municipal levou à integração no edifício de outras construções de menor dimensão, entre as quais importa realçar o portal gótico da Cç. de D. Ana.

Utilização Inicial

Residencial: casa

Utilização Actual

Cultural e recreativa: centro de exposições / Cultural e recreativa: museu

Propriedade

Pública: municipal

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 16 / 18 / 20 / 21

Arquitecto / Construtor / Autor

ARQUITETOS: André Pilarte (conj.) (Loggia renascenstista) e José Lamas (adaptação a Centro Cultural da Cidade de Tavira)

Cronologia

Séc. 15 - data do portal gótico no edifício adossado ao Palácio (actual piso inferior do Pavilhão de Exposições Temporárias); Séc. 16, 1º metade - construção do Palácio, de que resta a loggia; 1635, 17 de Maio - António de Aragão de Sousa casa com D. Antónia de Abranches; 1635, 1 de Agosto - D. Mécia de Gusmão, mãe de António de Aragão de Sousa e viúva de Luís de Aragão de Sousa, faz doação de parte do edifício a seu filho, mais propriamente as casas onde morava D. Antónia de Abranches; 1650, 3 de Agosto - Antónia de Abranches é já viúva; 1662 - Testamento de D. Antónia de Abranches deixando os bens a sua sobrinha, D. Maria Pereira e instituindo uma renda anual perpétua de 11$000 réis ao Hospital do Espírito Santo de Tavira (v. PT050814060035), ficando conhecido este encargo como "Capela de Dona Antónia de Abranches"; consta também do testamento que caso sua sobrinha morresse sem herdeiros, que o Hospital entraria na posse destes bens, 1690 - Referência a esta capela de D. Antónia de Abranches e leilão do Palácio, sendo comprado por D. Catarina Constantina, mãe de D. Maria Pereira, pelo preço de 11$000 réis anuais; esta senhora possuía também a propriedade a S. do Palácio, no prolongamento deste imóvel até ao Alto de Santa Maria; 1715 - Morte de D. Catarina Constantina, sem deixar herdeiros directos, legando a propriedade a um seu sobrinho, Álvaro Faria de Mello, residente em Beja; 1737 - Álvaro de Mello pretendeu desfazer-se do Palácio e do encargo anual, mas não encontrando comprador, desistiu da sua posse a troco de vinte moedas de ouro de 4$800 réis cada, ficando assim o Hospital na posse plena do imóvel; 1737, 4 de Setembro - Hospital afora o Palácio ao Brigadeiro Francisco Pereira da Silva Pacheco, comandante militar na cidade, pelos mesmos 11$000 réis anuais; 1738, 28 de Novembro - Francisco da Silva Pacheco tomou de aluguer à Câmara Municipal uma azinhaga que ligava as traseiras da igreja de Santa Maria à actual Cç. de D. Ana, via pública que cortava ao meio as suas propriedades; nesta data já o brigadeiro possuía a propriedade correspondente ao Alto de Santa Maria; Séc. 18, década de 40 - Brigadeiro ocupa a antiga azinhaga; 1753, antes de - Venda desta grande propriedade ao juíz-desembargador João Leal da Gama Ataíde, que aí estabeleceu residência, legando-a posteriormente a seus filhos; 1920, década de - por morte da filha de João Gama Ataíde, D. Maria Bárbara Micaela da Silva Mascarenhas, viúva do capitão-mor de Faro, o Palácio fica desabitado e entra em degradação; 1863 - Hospital põe à venda o imóvel, com o quintal a S. no Alto de Santa Maria, sendo comprador a Câmara Municipal, pela quantia de 471$675 réis, para aí instalar o Tribunal Judicial, Repartição de Finanças e Tesouraria da Fazenda Pública; 1864 - Câmara arrenda o quintal do Alto de Santa Maria, 1930 - fim do aluguer camarário do quintal do Alto de Santa Maria, por se dar início à obra de construção do Depósito de Água que ainda ali existe; 1948 - Transferência da escola masculina de Tavira para o edifício da Escola na Avenida da Estação; 1960, 15 de Dezembro - Decreto de criação da Escola Técnica de Tavira, que se instalou no Palácio da Galeria; 1984, 28 setembro -Proposta de classificação pela CM de Tavira; 1991, 29 novembro - Proposta de abertura do processo de classificação pelo IPPC; 1991, 05 dezembro - Despacho de abertura do processo de classificação pelo Presidente do IPPC; 1997 - Parte do Palácio funcionava como armazém; 1997, Agosto - conclusão do Estudo Prévio para a Reabilitação e Adaptação do Palácio da Galeria a Centro Cultural de Tavira, da responsabilidade do Arq. José Lamas *1; 1999 - Câmara Municipal adjudica à ENGIL a primeira fase de obras; 2001, Outubro - Inauguração do espaço como Centro Cultural; 2006, 02 novembro - Proposta do IPPAR/DRFaro para a classificação como IIP - Imóvel de Interesse Público; 2003, 07 maio - Parecer favorável à classificação pelo Conselho Consultivo do IPPAR; 2003, 26 maio - Despacho de homologação de classificação como IIP - Imóvel de Interesse Público pelo Ministro da Cultura; 2015, 21 agosto - publicados no DR, 2.ª série, n.º 163, os Despacho 9511/2015, 9512/2015 e 9513/2015 relativos à autorização da incorporação definitiva no Museu de bens arqueológicos provenientes dos trabalhos arqueológicos realizados no Alto de Santa Ana (v. IPA.00002848), Ermida de São Roque (v. IPA.00009148) e Sítio da Torre.

Dados Técnicos

Paredes autoportantes

Materiais

Alvenaria rebocada e caiada, telha de canudo, cantarias trabalhadas, caixilharias em madeira e em vidro, guardas de ferro, estuque, soalhos de madeira.

Bibliografia

ANICA, Arnaldo Casimiro, Tavira e seu termo. Memorando histórico, vol. 1, Tavira, Câmara Municipal de Tavira, 1993; IDEM, Tavira e seu termo. Memorando histórico, vol. 2, Tavira, Câmara Municipal de Tavira, 2001; CORREIA, José Eduardo Horta, A arquitectura religiosa do Algarve de 1520 a 1600, Lisboa, Publicações Ciência e Vida, 1987; IDEM, "A arquitectura do Renascimento em Tavira" in Actas das I Jornadas de História de Tavira, Tavira, Clube de Tavira, 1992, pp. 81-88; PINTO, Cristina, "Tavira espalha cultura em rede de museus", Jornal do Barlavento, 13/12/2001; VASCONCELOS, Damião Augusto de Brito, Notícias históricas de Tavira 1242 - 1840, anotações de Arnaldo Casimiro Anica, Tavira, Câmara Municipal de Tavira, 1989.

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DSID; CMTavira

Documentação Fotográfica

DGEMN: DSID; CMT

Documentação Administrativa

CMTavira; IPPAR

Intervenção Realizada

CMTavira: 2000 - 2001 - obras de adaptação a Centro Cultural e a Museu Municipal de Tavira.

Observações

*1 - entre as várias propostas não seguidas que constavam deste projecto, salientava-se a demolição do Depósito de Água no Alto de Santa Maria, intenção chumbada em referendo concelhio realizado a 13 de Junho de 1999, e a construção de um parque de estacionamento subterrâneo.

Autor e Data

Francisco Lameira 1997 / Paulo Fernandes 2002

Actualização

 
 
 
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