Farol da Senhora da Luz

IPA.00005541
Portugal, Porto, Porto, União das freguesias de Aldoar, Foz do Douro e Nevogilde
 
Farol construído na primeira metade do séc. 17, por iniciativa de um abade do Mosteiro de São de Santo Tirso, de que São João da Foz era couto, tipo torre quadrangular, sobre a qual se colocava inicialmente um facho, reformado na segunda metade do séc. 18 e na segunda década do séc. 19, a que se adossou edifício para habitação dos faroleiros, pertencendo ao alumiamento particular do porto da cidade, conforme referido numa carta de 1865. Foi construído no cimo de um monte, de onde se desfruta amplo panorama sobre a barra do Douro e a costa, junto a uma capela com a mesma invocação e também construída pelos monges de Santo Triso, manifestado a grande preocupação do Mosteiro para melhorar as condições de navegabilidade, desde o século 16, onde se destacou a ação do abade comendatário D. Miguel da Silva, que havia mandado edificar o Farol de São Miguel-o-Anjo e um templete avançados no rio, e várias colunas a assinalar os rochedos perigosos. Apresenta fachadas de três pisos, separados por friso, com paredes bastante espessas e interiormente de espaço único, atualmente interligado ao edifício anexo. Na segunda metade do séc. 18, o farol parece ter sido reformado e recebeu uma estrutura de iluminação, no entanto, seria novamente reformado e mais profundamente no século 19, após a destruição causada por um raio, em 1815, e das lutas Liberais. De fato, datam dessa época o tipo de vãos, em arco, com pingentes, rasgados no último piso, e a decoração sob os mesmos, em apainelados, que possuiriam inscrições, conforme gravura de Joaquim Cardoso Vitória Vilanova, e o tipo do brasão das armas reais, na fachada poente, correspondente à usado pelo príncipe regente, depois D. João VI. O brasão da fachada sul deve pertencer ao promotor da obra mas, por enquanto, desconhece-se o seu detentor. Do século 19, e já documentado em gravura, em 1833, será o edifício dos faroleiros, com fachadas de dois pisos, a principal rasgada por vãos retilíneos. A norte implantava-se a ermida de Nossa Senhora da Luz, demolida na década de 30 de Oitocentos, mas de que se conversaram vestígios, na maior espessura da fachada posterior, percorrida por cornija, onde possivelmente assentava a cobertura da ermida, e no contraforte do cunhal noroeste. Assim, os vãos da fachada posterior da torre, sem moldura, são de feitura recente.
Número IPA Antigo: PT011312050080
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Comunicações  Farol    

Descrição

Planta retangular, composta por dois corpos, articulados: a torre do farol, de planta quadrangular, e casa dos faroleiros retangular disposta na fachada lateral nascente, possuindo adossado à fachada posterior dois corpos retangulares, correspondentes às instalações sanitárias e à cozinha, e na principal a dois pequenos espaços de arrumos. Volumes escalonados, com coberturas em telhados de quatro águas na torre e de duas águas no edifício. Fachadas de dois ou três pisos, rebocadas e pintadas de branco, a principal virada a sul e formando dois panos. TORRE DO FAROL com as fachadas de três pisos, separados por friso, o primeiro com cunhais em alhetas na frontaria, terminadas em friso e cornija, possuindo no cunhal noroeste contraforte nos dois pisos inferiores. Na fachada principal surge ao nível do segundo piso, mais baixo que os outros, apainelado côncavo central, sobreposto por um brasão, que tem continuidade no piso inferior, mas em apainelado relevado, com falsos brincos retos. No último piso rasgam-se duas janelas de peitoril, em arco de volta perfeita, interligados por friso horizontal, enquadrando bandeira. A fachada lateral esquerda, possui o piso intermédio com apainelados de cantaria sobrepostos, um côncavo sobreposto pelas armas de Portugal, encimado por cornija reta, prolongando-se para o primeiro piso por apainelado com pequeno recorte e pingentes. No terceiro piso abre-se janela de peitoril semelhante às da fachada sul, mas com moldura sublinhada por cornija curva e rematando inferiormente em pingentes. Na fachada posterior, abre-se porta de verga reta simples de acesso ao interior, e pequena janela quadrangular no segundo piso. INTERIOR: com as paredes de grande espessura, possuindo vão de ligação, ao nível do primeiro e segundo piso, ao edifício adossado a nascente. CASA DOS FAROLEIROS com fachadas de dois pisos, abrindo-se na principal três eixos de vãos, retilíneos, os centrais mais estreitos, e de molduras simples, correspondendo no primeiro a porta, à esquerda, e duas janelas, e no superior a janelas de peitoril. Na fachada posterior, percorrida por cornija, abre-se janela de peitoril no piso térreo.

Acessos

Foz do Douro, Rua do Monte da Luz; Rua do Farol. WGS84 (graus décimais) lat.: 41.154417; long.: -8.677510

Protecção

Categoria: IM - Interesse Municipal, Decreto n.º 2/96, DR, 1ª série-B, n.º 56, de 06 março 1996 *1

Enquadramento

Urbano, adossado. Implanta-se no cimo Monte da Luz, a cerca de 53 m sobre o nível do mar, adaptada ao desnível do terreno, delimitado por muro, com acesso por dois portões, em ferro, de onde se desfruta de vista privilegiada sobre a barra do Douro e a costa, até Espinho. Ao edifício dos faroleiros, adossa-se corpo torreado da antiga Estação Semafórica e Telegráfica Marítima do Monte da Luz, atual sede do jornal "O Progresso da Foz" e, a cerca de 5m do farol, implanta-se torre de vigia do faroleiro. Junto à fachada posterior, ergue-se um outro edifício com fachadas de dois pisos. O monte encontra-se atualmente envolvida por casas de habitação, possuindo frontalmente pequeno espaço ajardinado. No afloramento granítico junto ao farol, foram recentemente descobertas um conjunto de fossetes e subsistem ainda algumas argolas, onde antigamente se prendiam os cabos que içavam as bandeiras de sinalização.

Descrição Complementar

Na fachada poente do farol existe brasão com as armas de Portugal, em escudo oval, contendo os cinco escudetes postos em cruz, numa moldura oval, circundada por bordadura de sete castelos, encimado por cora real, fechada. Na fachada sul, surge brasão de família, ainda não identificada, com escudo francês, com três estrelas de oito raios e braço vestido empunhando uma espada, encimado por elmo com paquife. Timbre: um braço vestido empunhando uma espada do escudo. No logradouro ergue-se torre de vigia do faroleiro, de planta octogonal e cobertura em telhados facetados, de telha preta. Apresenta fachadas rebocadas e pintadas de branco, com dois pisos, o superior mais recuado, criando varandim circundante, com guarda em ferro, acedido por escadas também de alvenaria, com os degraus em cantaria. O primeiro piso é rasgado por porta de verga reta e o segundo por porta e várias janelas em arco, com molduras de madeira. No INTERIOR, o segundo piso é revestido a madeira, pintada de branco, com rodapé, ângulos e molduras dos vãos pintados de verde.

Utilização Inicial

Comunicações: farol

Utilização Actual

Residencial: casa

Propriedade

Pública: estatal

Afectação

Ministério da Defesa Nacional, Marinha de Guerra Portuguesa, Direção de Faróis

Época Construção

Séc. 17 / 18 / 19

Arquitecto / Construtor / Autor

INDETERMINADO: A. Newparth (1913).

Cronologia

Séc. 17, primeira metade - construção de uma torre com facho no Monte de Nossa Senhora da Luz, nas imediações de um templo com o mesmo nome, levando à desativação do Farol de São Miguel-o-Anjo, que passa a funcionar apenas como capela (v. IPA.00003862) *2; 1680 - petição da Confraria de Nossa Senhora da Luz para a "reedificacação" da sua ermida de Nossa Senhora da Luz, que se encontra "muito arruinada, prestes a ruir", alegando "a grande devoção que todos têm à Senhora da Luz, principalmente os Mareantes, pois a primeira luz e conhecimento que têm desta cidade do Porto, é vendo a sua casa de muitas léguas ao mar; e invocando nela a esta Senhora em seus perigos, obra Deus por sua intercessão muitos milagres cada passo" (VASCONCELOS: 1996, p. 258); a referência a uma luz no local faz depreender a existência de um facho; 1758, 01 fevereiro - alvará régio determina a construção de seis faróis, devido aos perigos de navegação na costa: um nas ilhas das Berlengas, no lugar que parecer mais próprio, um no sítio de Nossa Senhora da Guia, ou no mesmo lugar, "onde estes o houve, ou em qualquer outro, que mais acomodadamente seja", um na Fortaleza de São Lourenço, um na de São Julião da Barra, um na costa adjacente à barra da cidade do Porto, "onde mais útil for", outro na altura da vila de Viana, os quais "todos serão erigidos, e acabados com a maior brevidade, que couber no possível, para ficarem nas noites permanentemente acessos com fogos taes, que sempre do alto Mar, e de longe se possão distinguir, em socorro dos referidos Navegantes" (http://www.governodosoutros.ics.ul.pt/?menu=consulta&id_partes=105&accao=ver&pagina=614) *3; 21 abril - segundo o vigário frei Francisco de Jesus Maria nas Memórias Paroquiais da freguesia, São João da Foz tem fora da povoação, para a parte do norte, dois ou três tiros de espingarda, uma ermida com invocação de Nossa Senhora da Luz, "com uma torre velha unida", tudo feito por um abade de Santo Tirso, tendo na torre as suas armas; do terreiro e porta principal da ermida se descobrem as embarcações, numa grande distância para o norte e sul e a barra do Porto; a ermida tem três altares, tendo no altar-mor a Senhora da Luz, festejada em oito de setembro, no colateral do Evangelho São frei Pedro Gonçalves, festejado pelos devotos navegantes na segunda-feira de Pascoela, e no colateral da Epístola Santa Ana; a ermida é fabricada pelas esmolas dos fiéis e antigamente a ela faziam romagem, no seu dia, os moradores da cidade do Porto, Fão e Vila do Conde, tendo atualmente romagem apenas pelas pessoas do lugar, no seu dia e nos em que se festejam Santa Ana e São frei Pedro Gonçalves, servindo, nos outros do ano, de recriação; 1761 - até esta data, a luz do farol é mantida à custa dos marítimos que formavam uma Irmandade na igreja existente no local (SILVA: 1872, p. 147), considerando-se normalmente esta data para a feitura de obras ou para ser "dotado de uma estrutura digna de granjear-lhe a designação de farol" (AGUILAR: 1998, p. 9); 1789 - data da gravura de Teodoro de Sousa Maldonado, com representação da barra do Douro, assinalando os penedos que constituíam ameaça à navegação e, no monte sobranceiro à povoação da Foz, a "Senhora da Luz", referindo-se à capela, bem como a torre do farol (in BARROCA: 2000, p. 16); 1793 - planta da Foz do Douro e dos projetos de fortificação para a defesa da mesma, do coronel Reynaldo Oudinot, representa no Monte da Luz um conjunto edificado, de planta irregular, identificado como N. Srª da Luz (BARROCA: 2000, p. 74-75); 1801 - reorganização do serviço de fachos e atalaias, nesta altura ainda gerida pelos órgãos locais do Senado da Câmara e pelo capitão-mor da cidade; estes solicitam aos sargentos-mores de Gaia, Bouças, Aguiar de Sousa e Maia e aos comandantes de Gondomar e Refojos o envio de Mapas ou Relações dos fachos existentes nos seus distritos, com a indicação de quantos são os indivíduos obrigados a cada facho e seu estado; na Relação elaborada respeitante ao distrito do Julgado de Bouças consta, entre os vários fachos, o de Nossa Senhora da Luz, no sítio do mesmo nome (OLIVEIRA: 2005, pp. 53-54); 1814 - o farol é destruído por um raio (AGUILAR: 1998, p. 9); 1815 - reforma do farol segundo o apontamento feito pelo pintor e gravador portuense Joaquim Cardoso Vitória Vilanova, na sua gravura de cerca de 1833, aludindo à inscrição existente na torre: "FAROL/PELA/RC.C.A.F.N. do R. / ANNO D. 1815"; 1817 - reforma do farol, segundo informação de Francisco Pereira da Silva (SILVA: 1872, p. 147); 1834 - a luz do farol passa a ser de rotação e cores, segundo informação de Francisco Pereira da Silva (SILVA: 1872, p. 147); 1832 - 1833 - durante o cerco do Porto, estabelece-se no Monte da Senhora da Luz uma bateria das forças Liberais; durante as hostilidades, a artilharia das forças Miguelistas, que estavam colocadas a norte, no monte do Crasto, provoca danos consideráveis na a capela e no farol; 1833, cerca - desenho do Farol da Foz, ou da Senhora da Luz, de Joaquim Cardoso Vilanova (in PEREIRA / BARROS: 2000, p. 103); este é então representado com dois corpos: a torre do farol, coroada por alta lanterna, protegida por guarda em ferro, e possuindo inscrição no apainelado do primeiro registo da fachada poente, tendo adossado à fachada nascente, corpo de dois pisos, e, posteriormente à fachada poente, as ruínas da ermida, com dois arcos; 1835 - decide-se mandar demolir a capela; 25 agosto - jornal A Vedeta da Liberdade noticia que as imagens da Senhora da Luz e de São Bartolomeu, existentes na capela da Senhora da Luz, haviam sido transferidas para a Igreja Paroquial da Foz do Douro, tal como fora o retábulo de "entalha de castanho dourada" da Senhora da Luz (in VASCONCELOS: 1996, p. 259) *4; 1854 - o farol volta a ter luz branca, produzida por dezoito candeeiros de Argand com refletores parabólicos, distribuídos em seis grupos de três candeeiros "cada um colocados no sentido vertical em uma árvores circular de ferro com eixo de madeira que gira em pontos de aço, para mais facilmente se limpar, iluminando um sector de 200º, interrompido pelos intervalos de 30º que guardam aproximadamente entre si aqueles seis grupos de candeeiros" (SILVA: 1872, p. 146) *5; 1858, cerca - representação do Farol da Senhora da Luz, a "partir de um calótipo de Frederich William Flower" representa o conjunto da Luz com a torre do farol, edifício adossado e corpo torreado da Estação Semafórica e Telegráfica Marítima do Monte da Luz, a nascente, com o mastro das bandeiras de sinalização, conservando a torre adossado a norte ruínas com dois arcos e, separado, uma outra estrutura; 1864, 22 agosto - Francisco Pereira da Silva, depois de ter sido nomeado inspetor dos faróis, elabora relatório a propor ao ministro da Marinha "a necessidade de mandar vir de Paris com a maior brevidade um apparelho lenticular de Fresnel, de quarta ordem com relampagos vermelhos de 2' em 2', que deve ter um alcance de 13 milhas, e sua competente lanterna, para substituir o pharol actual" (in MOREIRA , 2009, p. 95); 1865 - tendo já chegado a lanterna do novo farol, Francisco Pereira da Silva aguarda ordem para se proceder à sua colocação na "torre actual, visto que a nova torre do edificio que esta projectado para este e outros serviços publicos n'aquelle local pela associação commercial do Porto, ainda terá uma demora que não supporta a urgencia d'este pharol; attendendo tambem a que será facil em qualquer occasião a passagem da lanterna e apparelho de uma para outra torre" (in MOREIRA , 2009, p. 95); Francisco Pereira da Silva, autor do primeiro projeto de alumiamento da costa portuguesa, descreve o Farol da Luz como "uma torre quadrangular construida de alvenaria e cunhaes de cantaria tudo caiado de branco, com uma varanda de ferro na parte superior (...) A luz d'este pharol é branca, produzida por dezoito candieiros de Argand com reflectores parabolicos, distribuidos em seis grupos de tres candieiros cada um collocados no sentido vertical em uma arvore circular de ferro com eixo de madeira que gira em pontos de aço, para mais facilmente se limpar, illuminando um sector de 200°, interrompido pelos intervallos de 30° que guardam proximamente entre si aquelles seis grupos de candieiros. O seu alcance actualmente é apenas de 9 milhas. A lanterna que abriga este apparelho tem 7m,65 de altura, com seis faces de 1m,98 de largo. Não tem pára-raios; e a tiragem do fumo é muito má. (...) A altura de todo o edificio, contada até ao vertice da lanterna, é de 19m,26. Em communicação com esta torre existem algumas casas que servem de alojamento para o pharoleiro e sua familia e de arrecadação e officinas para o pharol, mas tudo muito mal distribuido, e em muito mau estado, não havendo ali tanques de pedra para azeite, como se encontram em quasi todos os outros pharoes. Não ha ali tambem relogio que pertença ao pharol, aindaque encontrei muitos de diversas qualidades na casa do pharoleiro, porque se emprega com dois filhos em os concertar aos particulares. A construção do edificio em que assenta este pharol data do anno de 1680; mas até 1761 apenas havia ali uma luz á custa dos maritimos que formavam uma irmandade com igreja n'aquelle edificio e com a denominação de Nossa Senhora da luz, d'onde veiu o nome para este pharol (SILVA: 1872, pp. 146-147); Francisco Pereira da Silva refere ainda que "Logoque esteja armado o novo pharol, não se póde prescindir de dois pharoleiros para desempenhar o serviço que elle demanda, e principalmente para poderem de noite renderse um ao outro: porque tendo estes pharoes lenticulares só uma luz, é forçoso applicar-lhe toda a vigilancia para que as torcidas nao carbonisem e deixem por esta circumstancia de conservar a necessaria forca de chamma. Quando este novo pharol se achar estabelecido sobre a nova torre que se projecta, o qual deve ficar em communicação com o quartel dos pharoleiros, deposito para o azeite, arrecadação dos utensilios e casa para officina, ficará completo o melhoramento que eu podia propor para a illuminação e accessorios d'esta posição, que é, segundo a opiniao de todas as pessoas competentes, a mais vantajosa para indicar a barra do Porto e para illuminar as suas proximidades" (SILVA: 1872, pp. 147-148); na Carta dos Pharoes e Posições escolhidas ao longo da costa de Portugal, contida no plano de alumiamento de Francisco Pereira da Silva, é indicando numa nota, que a "carta apresenta unicamente os pharóes que formam o sistema de alumiamento ao longo da costa marítima. Os pharóes de N. Srª da Luz, proximo á foz do Douro, o da Guia, São Julião e Bugio, na entrada do porto de Lisbôa, e o da torre do Outão na barra do Sado, pertencem ao alumiamento particular de cada um destes portos, para os quaes e para outros ainda sem luzes adequadas é necessario elaborar os respectivos projectos" (in AGUILAR: 1998, p. 10); ainda neste mesmo ano, procede-se à substituição do antigo aparelho com candeeiros de Argand e refletores parabólicos, por uma ótica de Fresnel de 4ª ordem, tendo de altura focal 53 m; 1866 - numa carta em que se reconhece a necessidade de construir um foral em Leça, é referido que o da Senhora da Luz é um farol "de quarta ordem" (in AGUILAR: 1998, p. 36); 1900, cerca - fotografia desta época documenta o edifício adossado à torre com o piso térreo rasgado por três portas e o segundo com apenas duas janelas de peitoril; 1913, 18 dezembro - modernização do farol, que passa a emitir clarões de cinco em cinco segundos, com o alcance de trinta e oito milhas náuticas, sendo as obras dirigidas pelo oficial da Marinha A. Newparth; 1926 - segundo a Marinha Portuguesa, o farol é desativado, devido à entrada em funcionamento do Farol de Leça, na sequência do qual se deve ter procedido à remoção da lanterna do farol e à construção da cobertura em telhado; 1983 - abertura de uma janela central no segundo piso do edifício adossado a nascente da torre do farol; 1985 - a Câmara Municipal do Porto solicita ao Instituto Português do Património Cultural (I.P.P.C.) a classificação do Farol da Senhora da Luz referindo igualmente a existência de gravuras rupestres na área do farol; dado que este último elemento foi considerado, pelo Serviço Regional de Arqueologia da Zona Norte, de duvidosa intervenção humana, a 9.ª Seção do Conselho Consultivo do I.P.P.C. dá parecer para que seja classificado, como de Valor Concelhio, apenas o Farol da Senhora da Luz; 1990, 30 julho - ofício do I.P.P.C. ao diretor-geral da DGEMN a informar que, por Despacho do Secretário de Estado da Cultura, se determinara a classificação do Farol da Senhora da Luz, como de Valor Concelhio; 2001, 08 setembro - a classificação como Valor Concelhio é convertida para Interesse Municipal, nos termos do n.º 2 do art.º 112.º da Lei n.º 107/2001, publicada no DR, 1.ª série-A, n.º 209.

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes portantes.

Materiais

Estrutura rebocada e pintada; frisos, cornijas, apainelados, brasões e molduras dos vãos em cantaria de granito; portas e caixilharia em alumínio; vidros simples ou martelados; cobertura em telha.

Bibliografia

AGUILAR, J. Teixeira de, NASCIMENTO, J. Carlos, SANTANDREU, Roberto - Onde a terra acaba, história dos faróis portugueses. Lisboa: Pandora, 1998; BARROCA, Mário Jorge - As Fortificações do Litoral Portuense. Lisboa: Edições Inapa, 2001; CAPELA, José Viriato, MATOS, Henrique, BORRALHEIRO, Rogério - As Freguesias do Porto nas Memórias Paroquiais de 1758. Braga: José Viriato Capela, 2009; «Farol da Senhora da Luz» (https://pt.wikipedia.org/wiki/Farol_da_Senhora_da_Luz), [consultado em agosto de 2019]; MOREIRA, Jorge Manuel Dobrões - «Terra à vista» : os primeiros faróis estais no século XVIII .Dissertação de Mestrado. Coimbra: texto policopiado, 2009; OLIVEIRA, Marta Maria Peters Arriscado de - Porto, São Miguel o Anjo: uma torre, farol e capela memória para uma intervenção na obra. Porto: texto policopiado, novembro 2005 (https://hdl.handle.net/10216/70155); PACHECO, Hélder - O Porto. Lisboa: Presença, 1984; PEREIRA, Gaspar Martins, BARROS, Amândio Morais - Memória do Rio. Para uma história da navegação no Douro. Porto: Edições Afrontamento, 2000; PEREIRA, Gaspar Martins, BARROS, Amândio Morais - Memória do Rio. Para uma história da navegação no Douro. Porto: Edições Afrontamento, 2000; QUARESMA, Maria Clementina de Carvalho - Inventário Artístico de Portugal - Cidade do Porto. Lisboa: Academia Nacional de Belas-Artes, 1995; SILVA, Francisco Maria Pereira da - «Projecto de Alumiamento para a costa de Portugal Descripção de todos os pharoes ali existentes, e melhoramentos de que careciam em 1865. Parte II». In Revista de Obras Públicas e Minas. Lisboa: Imprensa Nacional, 1872, pp. 146-168; «Um Farol Pombalino no Porto» (http://visao.sapo.pt/opiniao/historias-portuenses/2017-10-14-Um-farol-pombalino-no-Porto), [consultado em agosto de 2019].

Documentação Gráfica

DGPC: DGEMN:DREMN (DGEMN:DREMNorte/DE)

Documentação Fotográfica

DGPC: DGEMN:DSID SIPA

Documentação Administrativa

DGPC: DGEMN:DSARH (DGEMN:DSARH-010/209-0082/01), DGEMN:DSID (DGEMN:DSID001/013-016-1972/5)

Intervenção Realizada

DGEMN: 1984 - projeto de instalação elétrica.

Observações

*1- DOF: Farol de Nossa Senhora da Luz, Também denominado "Farol da Luz" ou "Farol da Senhora da Luz", no Monte da Luz, com acesso pela Rua do Farol. *2 - Segundo um apontamento do pintor e gravador portuense Joaquim Cardoso da Vitória Vilanova, no seu desenho do farol, de cerca de 1833, na fachada sul da torre existia a inscrição: "FUNDAÇÃO DO EDIFICIO A 22 D'agosto / d. 1630" (GONÇALVES: 1996, p. 261). Já para Marta Arriscado de Oliveira, a "instituição de um farol no alto da Senhora da Luz não está comprovada por documentos antes do século XVII, mas é certo que a existência de um facho, no local, remonta, o mais tardar, ao último quartel do século XV, quando por iniciativa de D. João II, em 1484, são tomadas medidas para o desenvolvimento e regulamentação do funcionamento dos fachos da linha de costa" (OLIVEIRA: 2005, p. 38). A autora considera mesmo que os "fogos perpétuos" na barra do Douro, em São João da Foz, determinados por D. Miguel da Silva, e cuja inscrição alusiva surge na Ermida de São Miguel-o-Anjo, "efetuar-se-iam no farol junto da Senhora da Luz, cuja obra também é atribuída a D. Miguel" (OLIVEIRA: 2005, p. 39). *3 - A maioria dos autores, considera que o Farol da Senhora da Luz foi construído na sequência do alvará régio, datado de 1 de fevereiro de 1758. Contudo, apesar do rei ter determinado a construção de um farol na costa adjacente à barra da cidade do Porto, "onde mais útil for", não há certezas desse farol corresponder à torre no Monte da Luz e dessa ter resultado de uma construção completamente nova na sequência do alvará. *4 - Segundo descrição de Henrique Duarte e Sousa Reis, em 1865, a capela, destruída trinta e três anos antes tinha, "a sua frente voltada para á parte do sul, ainda que ela ficava formando o lado do Evangelho da mesma Capella, que demorava na linha do Poente a Nascente e figurava a porta principal a entrada lateral. Consistia o frontespicio em trez bonitos arcos de cantaria vedados pela parte do Nascente pelo edifício do Farol a que se encostava e ficava no mesmo perfil, e pelo do Poente por huma cozinha que dava entrada para o choro e era habitada por quem curava da decência do templozinho da Virgem. Sobre os trez arcos alteava-se hum panno de parede liza ate finalizar em angulo agudo, e no espaço mais alto delle estava cavao hum nicho com sua vidraça, que encerrava a imagem do orago formando-se assim debaixo dos arcos hum commodo e abrigado alpendre com assentos de pedra a hum e outro lado da porta principal da Capella a qual oferecia em todo o tempo, bom e largo ponto de vista sobre o Oceano Atlelantico (...) " (in VASCONCELOS: 1996, p. 258). No interior, "as mesmas paredes internas (que) em toda a sua extensão e altura eram também de talha em alto relevo, aonde se viam em escultura os mistérios da Senhora, Querubins e Anjos, que mais cobertos de ouro reverberavam dentro do Santuário muita claridade" (in VASCONCELOS: 1996, p. 259). *5 - Segundo Francisco Pereira da Silva, desde 1854 que o Farol da Luz não recebia quaisquer reparos, nem mesmo de pintura, "achando-se por este abandono, tanto o edificio como a lanterna em mau estado de conservação, e bem assim o apparelho optico, que por este motivo e pela má disposição dos candieiros, emitte uma luz de pouca intensidade e que não alcança presentemente mais do que as 9 milhas (...)" (in MOREIRA , 2009, p. 95).

Autor e Data

Paula Noé 2019

Actualização

 
 
 
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