Casa dos Andresen / Departamento de Botânica da Faculdade de Ciências

IPA.00005537
Portugal, Porto, Porto, União das freguesias de Lordelo do Ouro e Massarelos
 
Palacete romântico, de planta quadrangular com lanternim saliente na cobertura, caracterizada por um espaço central quadrado de pé-direito duplo. Simetria na composição de todos os alçados, com a repetição sistemática do mesmo tipo de vão. Elementos decorativos revivalistas, como as grinaldas, os frontões interrompidos, as pilastras, capitéis vegetalistas e os frisos relevados. Palacete de características românticas tardias apresenta uma transição para o modernismo, no volume simples com grandes envidraçados e planta de grande clareza conceptual. O hall como o centro da casa, o espaço por excelência na composição arquitectónica.
Número IPA Antigo: PT011312060136
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Residencial unifamiliar  Casa  Palacete  

Descrição

Edifício de planta quadrangular, com cave sobreelevada e dois pisos. Volume simples, com coberturas em telhado de quatro águas formando ao centro um lanternim octogonal, com cobertura piramidal revestida a chapa, encimada por um pára-raios. A fachada principal simétrica, orientada a N. com pilastras em reboco nos extremos é subdividida em três corpos através de outras duas pilastras e apresenta adossada ao eixo uma escadaria abrindo em leque e varandim com balaustrada em granito. Ao centro portal de entrada, em arco de volta perfeita, com frontão triangular de cornija inferior interrompida, encimada por janela de sacada com guardas de ferro e frontão triangular sobre pilastras. Lateralmente duas amplas portas de sacada com guardas em grade de ferro fundido no primeiro e segundo piso e alinhados postigos engradados da cave. As quatro pilastras rebocadas, rematadas por capitéis com decoração vegetalista prolongam-se até uma cornija saliente, onde apoia uma grade contínua de ferro que envolve toda a construção. Entre as pilastras, um friso contínuo em alto-relevo com motivo geométrico. As fachadas laterais, iguais entre si, apresentam o mesmo número de aberturas, as mesmas molduras e igual desenho de caixilharias. A fachada posterior marcada também por cinco amplas aberturas de sacada iguais às das fachadas laterais nos dois pisos, contornadas por pequena moldura saliente rebocada, apresenta adossada ao nível do primeiro piso uma varanda em toda a extensão apoiada em pilares, de capitel também com decoração vegetalista. Esta varanda é interrompida ao centro por uma escada de tiro de acesso ao jardim. Tem-se acesso à casa através de um hall, com três portas com molduras entalhadas e lambril de azulejos figurativos da fábrica do Carvalhinho. A partir deste hall, o espaço interior é caracterizado por um grande átrio quadrangular de pé-direito duplo, para onde se abrem diversas salas, e a antiga cozinha. Sobre este espaço debruça-se uma varanda em todo o seu contorno com guarda de ferro, apoiada em cada ângulo numa coluna de ferro. Nos quatro ângulos das paredes, uma lareira com frente em mármore, que se prolongam para o segundo nível constituindo nova lareira. As paredes entre as diversas portas são decoradas por elementos vegetalistas relevados em estuque. A iluminação deste espaço é produzida por um lanternim octogonal, com janelas em guilhotina.

Acessos

Lordelo do Ouro, Rua do Campo Alegre, n.º 1191 a 1239

Protecção

Em estudo

Enquadramento

Urbano, isolado. A quinta ou o designado jardim Botânico (v. IPA.00021770), faz frente a N. com a Rua do Campo Alegre, a E. com a Rua Entrecampos e a S. com a Via de Cintura Interna. Para E. da quinta localizam-se alguns palacetes, nomeadamente a casa dos Burmester, e a do Primo Madeira. A forma do lote onde se insere o Jardim Botânico é trapezoidal. O seu limite E. é constituído por um muro alto, em alvenaria de granito. A confrontar com a Rua do Campo Alegre um pequeno muro rebocado encimado por um gradeamento em ferro fundido. No interior deste lote, relativamente à Rua Campo Alegre, ergue-se paralelamente palacete, no enfiamento da Rua António Cardoso.

Descrição Complementar

Nos vidros das portas de acesso interiores está gravado o monograma AH.

Utilização Inicial

Residencial: casa

Utilização Actual

Educativa: faculdade

Propriedade

Pública: estatal

Afectação

Época Construção

Séc. 20 (conjectural)

Arquitecto / Construtor / Autor

ARQUITETO: Nuno Valentim (séc. 21).

Cronologia

Séc. 19 - Conhecida por Quinta Grande, era propriedade do médico françês Jean Pierre Salabert; 1820 - passou a ser propriedade de João José da Costa; Séc. 20, início - provável construção da Casa por João da Silva Monteiro, capitalista regressado do Brasil; 2016, setembro - data prevista para a abertura da Galeria da Biodiversidade do Museu de História Natural e da Ciência da Universidade do Porto, culminando as obras de adaptação que decorrem há seis anos.

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes portantes.

Materiais

Paredes exteriores de alvenaria de granito rebocadas pelo lado exterior e interior; cobertura em estrutura de madeira e revestida a telha de barro; tectos estucados; revestimento de pavimentos em madeira ou mosaico cerâmico; caixilharias em madeira pintada; grades em ferro pintados.

Bibliografia

AMORIM, Miguel - «Universidade dá à cidade três novos museus». In Jornal de Notícias. 06 maio 2015, p. 28; CARVALHO, Patrícia - «Reitoria da Universidade do Porto em obras para receber um grande museu». Público. Porto: 13 março 2015, p. 17; PACHECO, Helder, Porto, Lisboa, 1988; QUARESMA, Maria Clementina de Carvalho, Inventário Artístico de Portugal, Cidade do Porto, Lisboa, 1995.

Documentação Gráfica

DGPC: DGEMN:DREN

Documentação Fotográfica

DGPC: DGEMN:DSID

Documentação Administrativa

Intervenção Realizada

Anos 80 / 90 - Obras de adaptação da cave (instalação de laboratórios); 2011 / 2012 / 2013 / 2014 / 2015 / 2016 - obras para instalação da "Galeria da Biodiversidade", polo do museu universitário, com projeto do arquiteto Nuno Valentim, representando num investimento de 4 milhões de euros, com ajudas da comunidade europeia.

Observações

O palacete também propriedade da família da Sophia de Mello Breyner e Andresen. O jardim encontra-se bastante degradado por falta de jardineiros. Detém ainda belas espécies arbóreas, patenteando uma concepção romântico no seu desenho. Encontra-se inacabada a ampliação da antiga casa dos empregados, próxima do portão nº 1239.

Autor e Data

Isabel Sereno 1998

Actualização

 
 
 
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