Capela do Divino Coração de Jesus / Capela dos Pestanas

IPA.00005530
Portugal, Porto, Porto, União das freguesias de Cedofeita, Santo Ildefonso, Sé, Miragaia, São Nicolau e Vitória
 
Arquitectura religiosa, revivalista neogótica. Capela neogótica composta por torre sineira, nave única de três tramos e cabeceira semicircular dispostos axialmente. Fachada-torre formando nártex inferiormente. Contrafortes rematados tipo agulha, aberturas e arcos em ogiva e os vitrais como elemento essencial na introdução da luminosidade. A rosácea e os quadrilóbulos repescam o vocabulário das catedrais góticas. Fachada principal precedida por torre sineira, inferiormente aberta criando alpendre, sob o qual se faz a entrada principal. Trata-se de um raro exemplar neogótico no Porto, marcado no seu interior por um excessivo decorativismo e com materiais extremamente onerosos. Detém grande coerência na sua expressão arquitectónica, decoração, mobiliário e peças litúrgicas. As pinturas interiores são inspiradas nas da Sainte Chapelle. Constitui, apesar de ter sido vandalizado, o elemento arquitectónico do conjunto do Palacete dos Pestanas, o que mais conservou a sua tipologia original e caracterização arquitectónica.
Número IPA Antigo: PT011312120078
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Templo  Capela / Ermida  

Descrição

Capela de planta composta por nave única rectangular, de três tramos, cabeceira semicircular antecedida por torre quadrangular, e com torreão octogonal e sacristia rectangular adossadas a O. da nave. Volumes articulados com coberturas diferenciadas em telhado de 2 águas na nave, 4 águas na sacristia e coruchéus lajeados nos torreões. Fachada principal, orientada a S., apresentando no primeiro plano a torre com a base apoiada em dois gigantes e inferiormente aberta, formando alpendre com três arcos quebrados de acesso à capela. Superiormente sobrepõe-se uma rosácea de interior quadrilobado, um relógio redondo e duas aberturas de arco apontado do campanário. O remate da torre é feito em cada face por empena e pináculos nos cunhais. Para cada lado da torre no plano da nave duas esculturas em granito de São José e São Joaquim apoiadas em mísulas decoradas. As fachadas laterais da nave e capela-mor, rebocadas, interrompidas pelos contrafortes em cantaria apresentam ao nível do piso térreo aberturas de arco quebrado alinhadas com as aberturas do mesmo desenho com vitrais da nave. Os contrafortes prolongam-se até à cobertura destacando-se colunelos rematados por pináculos contornados por pequenos florões. Sobre a linha da cornija de cada pináculo ressalta uma gárgula de forma animal. Entre os pináculos uma platibanda vasada com quadrilóbulos em todo o contorno. O torreão octogonal a O., de acesso ao coro e torre sineira, possui quatro pisos separados por friso e abertos por seteiras. O espaço interior coberto por abóbadas de nervuras cruzadas em diagonal, com toros duplos apresenta fechos com decoração vegetalista. Os arcos de um só toro apoiam-se em colunas esguias e delicadas com capitéis vegetalistas diferentes entre si. As paredes e os tectos estão estucadas com pinturas. No lado do Evangelho, junto à capela-mor, púlpito poligonal em pedra. A separar a nave da capela-mor, grade em bronze, modulada em quadrados, com quadrilóbulos que no centro apresentam diversos emblemas em esmalte. O coro em madeira apresenta uma guarda vasada com arcos quebrados. O altar-mor em bronze peça por excelência, é decorada por sete nichos com imagens em baixo relevo, sobre fundo esmaltado e policromado. Na parede da capela-mor, sobre o altar, três imagens: a do Sagrado Coração de Jesus, de Pio X e de Santo Inácio.

Acessos

Rua do Almada

Protecção

Categoria: IIP - Imóvel de Interesse Público, Decreto nº 2/96, DR, 1ª série-B, n.º 56 de 06 março 1996

Enquadramento

Urbano, adossada, estabelecendo apenas uma ligação ao antigo Palácio / Palacete dos Pestanas. O lote onde se insere a capela define o gaveto entre a R. Gonçalo Cristóvão e a R. do Almada e entre esta e a R. Alferes Malheiro. A capela implanta-se recuada relativamente ao muro engradado da antiga residência. Tem-se acesso através de uma escadaria perpendicular à R. do Almada. No embasamento da capela um piso destinado à residência do capelão vence o desnível entre a R. e a cota do jardim. Nas traseiras um gradeamento recente, elemento separador do novo conjunto construído da Maphre, situado sobre o jardim do mesmo palácio. A ligação entre o palácio e a capela é feita através de uma passagem elevada, coberta, em ferro e vidro translúcido, apoiada em colunas de ferro fundido sobre o jardim.

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Religiosa: capela

Utilização Actual

Religiosa: capela

Propriedade

Privada: pessoa singular

Afectação

Época Construção

Séc. 19

Arquitecto / Construtor / Autor

ENGENHEIROS: José de Macedo Araújo Junior. Manuel Gomes da Silva; Barão de Béthune; Soares dos Reis (esculturas de São José e São Joaquim colocadas no exterior); Armando Pinto (pinturas nos estuques interiores).

Cronologia

1878, 12 Setembro - Aprovação do projecto para a capela, mandada construir pelo Eng. José Joaquim Guimarães Pestana da Silva; lançamento da 1ª pedra; 1885 - os autores do altar-mor recebem uma medalha de ouro na Exposição Internacional de d'Anvers; 1890, Março - a capela abre-se ao culto; 1898 - a capela foi benzida; 1928 - Dr. Sebastião dos Santos Pereira de Vasconcelos, proprietário na época do Palácio dos Pestanas e capela manifesta a vontade de fazer uma monografia sobre esta ao editor Marques de Abreu; Anos 50 - o plano Director da cidade do Porto para alargamento da R. Gonçalo Cristóvão e correcção de alinhamentos previa a demolição do palacete; 1974 / 1975 - a casa é sede do partido do Centro Democrático Social e posteriormente ocupada por 20 famílias; 1975, 11 Março - a capela é assaltada pela população; 1977, Novembro - assalto à capela por indivíduos ocupantes do Palácio dos Pestanas.

Dados Técnicos

Estrutura mista.

Materiais

Paredes em cantaria de granito e / ou rebocadas; cobertura da nave revestida a telha de barro; paredes e tecto da nave com estuques pintados.

Bibliografia

PAMPLONA, Fernando de, Um século de pintura e escultura em Portugal, Porto, 1943; PASSOS, Carlos de, Soares dos Reis, o homem e o escultor, Porto, 1948; FRANÇA, José Augusto, A Arte em Portugal no séc. XIX, Lisboa, 1967; O Primeiro de Janeiro, 9 Março 1973, 26 Junho 1978; Comércio do Porto, 30 Junho 1978; JN, 30 Junho 1978, 19 Maio 1981; QUARESMA, Maria Clementina de Carvalho, Inventário Artístico de Portugal: Cidade do Porto, Lisboa, 1995.

Documentação Gráfica

AHMP, Plantas de Casas, Livro 67, folhas 29 a 31

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Administrativa

AHMP, Plantas de Casas, Livro 67, folhas 29 a 31

Intervenção Realizada

Observações

O Eng. José Macedo Junior era uma pessoa bastante conceituada pois tinha colaborado com o Eng. José Joaquim de Matos na direcção das obras da Alfândega do Porto. Quando faleceu Soller em 1833, foi-lhe confiada a direcção das obras do Palácio da Bolsa, assim como em 1886 como representante do governo fiscaliza as obras de construção da Ponte D. Luís. Albano Cordeiro Cascão, condutor de obras Públicas foi quem dirigiu a obra de construção da capela e foi escolhido pelo autor do projecto. A maioria das peças móveis foram executadas na Casa Wilmotte, em Liége assim como de alguns elementos decorativos integrantes da arquitectura, assim como: estátuas de São José e de Nossa Senhora (incluindo pedestais e baldaquinos), rosácea, vitrais, grade da mesa da comunhão, altar com retábulo e tabernáculo. Das peças móveis destacam-se entre outras: castiçais do altar-mor, pálio para a exposição do Santíssimo Sacramento, custódia e cálice em prata dourada e coroas de iluminação. O Barão de Béthune, decorador da Casa Wilmotte, foi o autor do desenho das peças atrás referidas. O Palacete sofreu grandes obras de remodelação e o grande jardim foi ocupado por um prédio de r/c + 6, assim como a marcação do limite da propriedade foi interrompida, para a fruição dos edifícios.

Autor e Data

Isabel Sereno 1998

Actualização

 
 
 
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