Convento de Santo António / Convento de São Francisco

IPA.00000549
Portugal, Beja, Serpa, União das freguesias de Serpa (Salvador e Santa Maria)
 
Arquitectura religiosa, manuelina, maneirista, barroca. Convento de origem gótica com igreja de portal inscrito em alfiz e arco triunfal ambos em arco quebrado de grande depuração de formas mas trabalhado nos elementos vegetalistas de capitéis e molduras; frontaria precedida de ampla galilé, sem torre sineira; instalações conventuais do lado N. organizadas em torno do claustro. Na contrafortagem e remate da galilé está presente o tardo-gótico alentejano de cariz mudéjar; as abóbadas do claustro, refeitório e sala do capítulo apresentam grande arrojo construtivo, de perfil rebaixado, quase plano, assentes em mísulas, patenteiam as soluções tecnicamente avançadas do Manuelino, patenteando ainda uma riqueza decorativa típica deste estilo, de temática maioritariamente vegetalista. Os arcos plenos de acesso às capelas laterais da Epístola utilizam uma linguagem clássica fria, maneirista, com molduras almofadadas assentes em pilastras e frontões triangulares vazados por óculos. O barroco afirma-se principalmente na decoração, em especial no tecto pintado, perspectivado, da Capela dos Terceiros, subvertendo a rigidez do espaço edificado. Afinidades arquitectónicas com o Convento da Conceição de Beja (v. PT040205110004), alicerçado no tardo-gótico batalhino. Tal como a de Beja a igreja teria inicialmente cobertura em madeira. Conjugação de originais e arrojados sistemas de polinervuras nas abóbadas manuelinas. Configuração estrutural excepcional do pequeno claustro, com arcos rebaixados sobre colunas com capitel, base e anel intercalar, revelando o naturalismo manuelino; curiosa modinatura dos contrafortes intercalares, com chanfros em papo de rola, dispostos entre tramos e na diagonal dos ângulos do claustro. Capela dos Terceiros com tecto integralmente revestido de pintura com arquitecturas ilusórias.
Número IPA Antigo: PT040213050001
 
Registo visualizado 2111 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Convento / Mosteiro  Convento masculino  Ordem de São Francisco - Franciscanos (Província dos Algarves)

Descrição

Convento de planta composta por vários edifícios rectangulares e quadrangulares adossados, de volumetrias diferenciadas. Igreja de planta longitudinal, composta por nártex, nave e ábside rectangulares a que se adossam a S. duas capelas laterais quadrangulares e a Capela dos Terceiros rectangulares. A N. da igreja o claustro de planta quadrada, rodeado pelas dependências conventuais. Massa de volumes articulados, horizontalista, com coberturas diferenciadas em terraço sobre o nártex e telhados na igreja e demais dependências. IGREJA: Fachada principal orientada, antecedida por nártex a que se acede por dois degraus; este possui dois panos frontais e um lateral resguardado por murete, intercalados por contrafortes cilíndricos rematados por pináculos cónicos de base octogonal envolvidos por merlões chanfrados; cada pano é vazado por um arco quebrado de dupla moldura reentrante de arestas chanfradas; remate em cornija coroada por merlões chanfrados; cobertura interna em abóbada polinervada estrelada de dois tramos, com bocetes e mísulas lavradas. Fachada da nave de pano único, delimitado por cunhais e vazado por portal inscrito em alfiz, em posição descentrada, em arco quebrado de 5 arquivoltas assentes em colunelos com capitéis de decoração vegetalista e bases troncocónicas e rematado por pedras de armas com emblemática manuelina e insígnias franciscanas; remate em empena angular encimada por cruz de ferro e vazada por janelão em arco polilobado. Do lado N. da frontaria abre-se a porta de acesso à portaria do convento, em arco pleno com dupla moldura de cantaria reentrante, de arestas chanfradas. Do mesmo lado existe um painel de azulejos figurativos, azúis e brancos, representando Nossa Senhora do Carmo. Adossado à fachada S. um corpo de dois panos definidos por pilastra e cunhal, o primeiro cego e o segundo de dois pisos, com um porta ladeada de janelas no primeiro e três janelas no segundo; remate em cornija com beirado. A N. adossa-se um corpo de dois panos divididos por pilastra e delimitados por cunhais, com três registos divididos por molduras: no primeiro uma porta de verga recta moldurada de cantaria, onde se inscreve um arco polilobado, no segundo piso uma janela de sacada em cada pano e no terceiro uma janela no primeiro pano; este remata-se em frontão triangular e o segundo pano em beiral sobre cornija. Segue-se corpo recuado com anexos adossados ao nível do primeiro piso e com duas janelas de sacada no segundo, sendo rematado por cornija e beiral. Fachada S. com embasamento saliente onde se rasgam quatro janelas, encimado por um piso com três janelas rematado por cornija e beiral; sague-se muro recuado com portão moldurado de cantaria em arco contracurvado que dá acesso às dependências conventuais. INTERIOR: igreja de nave única com porta provida de guarda vento em madeira e ladeada por duas pias de água benta de cantaria; a O. coro-alto iluminado pela janela em arco quebrado da frontaria com balaustrada de madeira assente na abóbada do sub-coro, de berço abatido, dividida em dois tramos por arcos diafragma emoldurados e apoiados em pilastras de cantaria. Do lado do Evangelho prolonga-se uma moldura de cantaria ao nível dos capitéis das pilastras, criando um lambrim estucado e marmoreado a rosa, interrompido pela porta de acesso ao Claustro, em arco trilobado sobre colunelos com capitéis vegetalistas e bases facetadas; à direita da porta uma pia de água benta de cantaria e uma capela pouco profunda em arco pleno sobre pilastras com pedra de armas na chave, precedida de degrau e resguardada por teia com balaústres de madeira, possui altar de urna envolvido por retábulo de talha dourada e polícroma com nicho em arco rendilhado emoldurado e rematado por frontão interrompido e volutas; do lado da Epístola um arco pleno de chave saliente com pedra de armas, apoiado em pilastras, dá acesso a capela de testeira facetada coberta por abóbada de aresta, tendo no pavimento um degrau com tampa de sepultura epigrafada e brasonada, o altar é de urna com banqueta e três nichos em arco pleno sobre pilastras, um em cada pano do topo; segue-se porta de comunicação com outra capela, enquadrada por arco pleno inscrito em pano de cantaria rematado por frontão vazado por óculo assente em duas ordens de pilastras almofadadas, albergando altar com túmulo do Senhor Morto, com decoração de brocado e marmoreado, encimado por banqueta e retábulo de talha dourada com sacrário e dois nichos sobrepostos, o primeiro em arco trilobado com colunas salomónicas e o segundo rematado por sanefa curva ladeada por panejamentos e pilastras com atlantes coroadas por anjos, dois nichos laterais em arco pleno com mísulas, tudo enquadrado por colunas salomónicas encimadas por volutas e elementos vegetalistas; cobertura interna em abóbada de nervuras que formam quadrado central e lanternim; segue-se capela idêntica à do lado do Evangelho. A nave é coberta por abóbada de berço apoiada em cornija envolvente e reforçada por 1 arco toral e tirantes. Arco triunfal ladeado por mísulas de estuque, em arco quebrado sobre colunelos com capitéis vegetalistas prolongados lateralmente em friso. Capela-mor com lateralmente revestida por silhares de azulejos de padrão azúis e amarelos, abrindo-se uma porta de cada lado, a da direita de acesso à capela dos Terceiros, e uma janela do mesmo lado; na parede de topo retábulo de talha dourada com sacrário encimado por anjos que ladeiam pintura enquadrada por coroa e pavilhão de talha sobre os quais se abre camarim em arco pleno, tudo ladeado por mísulas e colunas salomónicas que suportam frontão interrompido com anjos; cobertura em abóbada polinervada estrelada sobre mísulas, com bocetes decorados com as armas reais. CAPELA DOS TERCEIROS FRANCISCANOS (SACRISTIA): paredes revestidas de painéis de azulejos figurativos azúis e brancos em dois registos com cenas da vida de São Francisco; cobertura em abóbada de berço abatida integralmente decorada com pinturas murais de perspectiva arquitectónica enquadrando um painel central de moldura polilobada representando a Imaculada Conceição rodeada de anjos que seguram símbolos marianos, tendo lateralmente medalhões com santos franciscanos. CLAUSTRO: 4 alas idênticas de 2 pisos, com 3 tramos no piso inferior, o central mais largo, divididos por contrafortes de andares, o primeiro de cantaria, com chanfros em papo de rola; cada tramo é aberto por um arco rebaixado de intradorso chanfrado, assente em colunelos com bases facetadas sobre plintos, anéis e capitéis de decoração vegetalista; as galerias são cobertas por abóbadas polinervadas estreladas de cinco tramos por ala, com nervuras chanfradas e bocetes de cantaria, sobre mísulas; o pavimento é calcetado com pedra preta e branca, desenhando quadrifólios; o piso superior é vazado por janelas arqueadas de vão idêntico aos arcos do primeiro piso; remate em beiral. Ao centro da quadra um canteiro polilobado ladeado por quatro canteiros baixos em forma de mandorla, na parede O. uma porta em arco pleno de acesso ao REFEITÓRIO: coberto por abóbada polinervada rebaixada com nervuras de arestas chanfradas, bocetes e mísulas de cantarias. Na parede virada a E. abre-se porta para a SALA DO CAPÍTULO em arco pleno com moldura de cantaria onde se encaixam duas pias de águas benta; cobertura em abóbada polinervada rebaixada de quatro tramos atravessados por cadeia longitudinal, pintada com elementos vegetalistas e enrolamentos de folhas de acanto, com bocetes e mísulas de cantaria e nervuras pintadas com marmoreados.

Acessos

Largo de São Francisco, Rua de Santo António, junto à Estrada do Carrama, à saida E. de Serpa, na estrada para Vale de Vargo

Protecção

Categoria: MN - Monumento Nacional, Decreto de 16-06-1910, DG n.º 136 de 23 junho 1910

Enquadramento

Peri-urbano, isolado. Implanta-se num vale no limite da área urbana. É precedido dum vasto largo empedrado a que se acede por estrada, no final da qual existe um cruzeiro.

Descrição Complementar

Capela dos Terceiros Franciscanos com revestimento parietal integral de azulejos setecentistas em azul e branco, com cenas da vida de S. Francisco, estilisticamente integráveis no período dos mestres; na abóbada pintura mural ilusionística. Silhar de azulejos polícromos de padrão de laçarias, seiscentistas, na capela-mor.

Utilização Inicial

Religiosa: convento masculino

Utilização Actual

Assistencial: lar

Propriedade

Privada: Igreja Católica / Privada: Misericórdia

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 16

Arquitecto / Construtor / Autor

ARQUITECTO: Rodrigo Esteves

Cronologia

1463 - Mandado edificar pelo Infante D. Fernando, duque de Beja, para os frades xabreganos; 1502 - Reedificação manuelina; Séc. 16, finais - Construção das capelas laterais, coro-alto e abóbada da nave; séc. 18, início - Construção da Capela dos Terceiros; 1834 / 1836 - Extinção das Ordens Religiosas e expulsão dos frades; 1924 - Inauguração do Seminário Diocesano de Nossa Senhora de Guadalupe; 1940 - Transferência do Seminário para Beja.

Dados Técnicos

Estruturas autoportantes, autónomas e mistas.

Materiais

Paredes de alvenaria mista de pedra, cal e tijolo, rebocadas e caiadas; cantarias de calcário; abobadilhas de tijolo rebocadas e caiadas; telhados de telha marselha; pavimentos de tijoleira, mosaico, soalho e seixos rolados; portas, tectos e caixilharias de madeira; retábulos de talha dourada; escaiolas marmoreadas; azulejo; vidro; ferro.

Bibliografia

LEAL, Pinho, Portugal Antigo e Moderno, vol. IX, Lisboa, 1880; Guia de Portugal, vol. II, Lisboa, 1932; CABRAL, João, Arquivos de Serpa, Serpa; 1971; Tesouros Artísticos de Portugal, Lisboa, 1976; SILVA, José custódio Vieira da, O tardo - gótico em Portugal - a arquitectura no Alentejo, Lisboa, 1989; FREIXO, J. M. Graça, Memória Histórico-Económica de Serpa; Serpa, 1996.

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN/DSID, DGEMN/DSARH

Intervenção Realizada

DGEMN: 1968 - Reconstrução de coberturas e de pavimentos, execução de rebocos e pinturas; 1984 - Continuação da reconstrução de pavimentos, limpeza de coberturas, execução de rebocos.

Observações

Autor e Data

Isabel Mendonça 1994 / Ricardo Pereira 2000

Actualização

 
 
 
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