Igreja Paroquial de Abambres / Igreja de São Tomé

IPA.00005455
Portugal, Bragança, Mirandela, Abambres
 
Arquitectura religiosa, românica e barroca. Igreja paroquial de planta longitudinal com capela-mor quadrada, e frontispício terminado em alta empena truncada por sineira dupla. Decoração interior com pinturas murais quinhentistas do N. de portugal e maneiristas, nas ilhargas e sobre o arco triunfal, pinturas murais de perspectivas e composições retabulares em trompe l'oeil na nave e retábulos barrocos. Capela-mor mais alta do que a nave, possivelmente resultado das intervenções do séc. 18. As pinturas a fresco e com acabamentos a seco, ladeando o arco triunfal, do séc. 16, foram executadas sobre outras pré-existentes, as quais, onde estão visiveis, se encontram picadas para receber o novo reboco pintado; apenas na cena central, sobre o arco triunfal, se confirma correspondência temática. As pinturas da nave, em trompe l'oeil, conferem algum movimento e dinamismo ao espaço. As da capela-mor, caracterizadas essencialmente pelo seu carácter ingénuo e popular, devem ter sido executadas pelo mesmo artista, ainda que apresentem técnicas diferentes.
Número IPA Antigo: PT010407010011
 
Registo visualizado 390 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Templo  Igreja paroquial  

Descrição

Planta composta por nave longitudinal, capela-mor quadrangular e sacristia adossada no lado esquerdo também quadrangular. Volumes articulados em dois corpos bem proporcionados sendo o da capela-mor mais alto. Cobertura em telhado de duas águas na nave e 4 na capela-mor. Alçados em "opus quadratum". Fachada principal, orientada, terminada em sineira de dupla ventana rematada em empena com cruz; Portal de arco sensivelmente apontado. Do lado direito, encosta-se arca tumular com tampa trapezoidal. Fachada lateral direita com portal de arco pleno e cornija assente em modilhões decorados com motivos vários. INTERIOR: com cobertura em falsa abóbada de berço abatido com tirantes de metal; coro-alto, pia baptismal sob o coro, retábulo no lado da Epístola, púlpito com bacia quadrangular no lado do Evangelho com escada de pedra e guardas de madeira com balaústres polícromos. O paramento da nave no lado do Evangelho possui pinturas murais em trompe l'oeil de composição retabular com arquitecturas fingidas. No lado da Epístola, vestígios de composição idêntica quase desaparecida na sua totalidade. Arco triunfal pleno, com intradorso revestido a talha dourada formando caixotões e aduelas pintadas de motivos vegetatistas; nas ilhargas fragmentos de pinturas murais figurando, do lado da Epístola, inferiormente o "Martírio de São Sebastião" e superiormente "Descida da Cruz"; no lado do Evangelho fragmento de outra cena da Paixão; sobre o arco triunfal, "Calvário". Capela-mor com cobertura de madeira curva pintada com balaustrada motivos vegetalistas, medalhões vários e as armas de Portugal; alçados laterais decorados com pinturas murais figurando "A Última Ceia", no lado do Evangelho, e "Natividade", no lado da Epístola. Altar-mor de talha com sacrário e trono central, ladeado por 2 telas figurando, São Pedro e São Paulo, entre colunas salomónicas.

Acessos

Abambres, EN 315, a 17 km de Mirandela

Protecção

Categoria: IIP - Imóvel de Interesse Público, Decreto nº 28/82, DR, 1.ª série, n.º 47 de 26 fevereiro 1982

Enquadramento

Urbano. Situa-se à saída da povoação, tendo no lado Esquerdo o cemitério da aldeia e em redor terrenos cultivados. Possui adro murado.

Descrição Complementar

PINTURA MURAL: diversas campanhas ocupando os alçados da nave, o arco triunfal e a capela-mor. Na nave: composição de colunas e pilastras compósitas suportando frontões enquandrando nichos e apainelados que assentam em balaustrada de segmentos rectos e em arco de volta perfeita; esta pintura é executada a têmpera com gema de ovo e na paleta predominam os tons terra, notando-se também algum verde e vermelho. Na zona do arco triunfal fragmentos da campanha quinhentista figurando em diversos registos episódios da vida de Cristo: no altar colateral do Evangelho, fragmento de estrutura arquitectónica fingida, em tons ocre, que envolveria uma cena ( entretanto perdida ) e da qual sobrevive apenas parte do entablamento, frontão, urna e a data "1584" pintada no friso; superiormente, personagem mutilada, em posição de prece dirigida para o centro do arco triunfal; no altar colateral do lado da Epístola, inferiormente o "Martírio de São Sebastião" com friso divisório com a inscrição, mutilada, "SABATIANES", e arqueiros; superiormente fragmentos do que parece ser uma "Descida da Cruz"; sobre o arco, frisos horizontais ocres e elementos decorativos de tons claros envolvendo fragmentos de composição central com o "Calvário", divisando-se ainda restos do que terá sido uma Nossa Senhora ajoelhada e São João Evangelista envolto no manto vermelho; esta campanha, que apresenta uma policromia uniforme, variando entre os ocres, pretos, azuis suaves e vermelhos, foi executada sobre uma anterior da qual restam apenas alguns vestígios em áreas lacunares. Na capela-mor, sobre o arco triunfal, pintura de motivos vegetalistas entrelaçados em tons vermelho e ocre; as figurações da "Última Ceia" e da "Natividade" são inseridas em molduras fingidas, rodeadas por pintura imitando papel de parede de motivos vegetalistas estilizados, em tons, azuis e vermelhos sobre fundo branco, executadas com recurso a meios mecânicos; a "Última Ceia" foi executada a fresco e a "Natividade" a têmpera tendo como aglutinante cola animal; a paleta de cores é idêntica em ambas, sobressaindo os azuis, vermelhos e ocres; sob a composição da "Natividade", lambril de motivos geométricos: xadrez de cubos rectangulares perspectivados em branco, azul e vermelho.

Utilização Inicial

Religiosa: igreja paroquial

Utilização Actual

Religiosa: igreja paroquial

Propriedade

Privada: Igreja Católica (Diocese de Bragança - Miranda)

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 13 / 16 / 17 / 18

Arquitecto / Construtor / Autor

PEDREIRO: Domingos da Silva (1701).

Cronologia

Séc. 13 - Época provável de construção; 1584 - data campanha pinturas zona do arco triunfal executada sobre pinturas anteriores; séc. 17 - terceira campanha de pintura mural decorativa; 1701 - contrato entre o pedreiro Domingos da Silva, de Vila Real, e o Pe. António Pereira de Abambres, para que, depois de tirar a telha de madeira do corpo da igreja, por conta do padre e da freguesia, a "esborralhar" e tornar a fazer da mesma largura que tinha e com o dobro do comprimento, por 200$000; séc. 18 - pinturas murais da nave e capela-mor e colocação de altares de talha; 1758 - segundo o pároco Francisco Borges Machado nas Memórias Paroquiais, a freguesia pertence ao bispado de Miranda do Douro, comarca de Torre de Moncorvo, termo da vila de Mirandela e é terra do Marques de Távora; tem 310 pessoas; a paróquia acha-se fora do lugar para o lado norte e a igreja, com orago de São Tomé, tem quatro altares: o altar-mor, do orago, o colateral do Evangelho de São Sebastião e o da Epístola de Nossa Senhora do Rosário, e um lateral do Evangelho de Santo Cristo; o pároco e vigário perpétuo apresentado pelo Ordinário e tem de côngrua 20$50, 42 alqueires de trigo e 14 almudes de vinho; 1770 - data do primeiro registo de óbito documentado; 1814 - data do primeiro registo de batismos documentado; 1862 - data do primeiro registo de casamento documentado; 1938 - Cristo Crucificado; 1974, 6 Março - troca de correspondência com a Direcção Geral dos Assuntos Culturais, onde esta Direcção Geral determina a classificação como Imóvel de Interesse Público; 1975 - ruiu parte da armação da cobertura por cima do coro.

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes portantes. Pintura mural a fresco sobre pedra (arco triunfal), pintura mural afresco sobre reboco (alçado N. capela-mor), pintura mural a seco sobre reboco (nave e capela-mor).

Materiais

Estrutura em alvenaria de granito; portas, balaustrada em madeira; pinturas a fresco e a têmpera; retábulos em talha dourada e policromada; gradeamentos de ferro; cobertura exterior em telha.

Bibliografia

ALVES, Natália Marinho Ferreira, ALVES, Joaquim J. B. Ferreira, Subsídios para um dicionário de artistas e artífices que trabalharam em Trás-os-Montes nos séculos XVII-XVIII, Sep. Da Revista de História, vol. V, Porto, 1983; ALVES, Francisco Manuel, Memórias Arqueológico - Históricas do Distrito de Bragança, Bragança, 1990; CAPELA, José Viriato, BORRALHEIRO, Rogério, MATOS, Henrique, As Freguesias do Distrito de Bragança nas Memórias Paroquiais de 1758. Memórias, História e Património, Braga, 2007; CORDEIRO, Olga Telo - Um milhão e meio de euros para recuperar património do Vale do Tua. Jornal Nordeste. 03 fevereiro 2015; COSTA, Augusto, NUNES, José, HESPANHOL, Pilar Pinto, ROCHA, Maria Manuela Guerreiro e FERREIRA, Maria João Mendes, Igreja de São Tomé de Abambres. Intervenções de Conservação in Monumentos, nº 11, Lisboa, 1999, p. 80 - 89; IPPAR, Património Arquitectónico e Arqueológico Classificado, Lisboa, 1993; Quadrifólio, Relatório final do trabalho de análise de pinturas murais que revestem paramentos interiores, abertura de janelas de amostragem para a comprovação da pintura mural subjacente, incluindo-se a apresentação de uma proposta de intervenção para a sua consolidação, conservação e restauro, das igrejas: Igreja Paroquial de Vilarinho de Agrochão, Igreja de São Tomé de Abambres, Igreja de Santa Leocádia, s.l., 1996.

Documentação Gráfica

DGEMN:DSID, DGEMN:DREMN

Documentação Fotográfica

DGEMN:DSID, DGEMN:DREMN; Arquivo "Mural da História"

Documentação Administrativa

DGEMN:DSID, DGEMN:DREMN

Intervenção Realizada

PROPRIETÁRIO: 1975 - reconstrução da cobertura correspondente à parte central do coro; DGEMN: 1995 - 1996 - beneficiação da sacristia e drenagem da empena N.; reparação da cobertura, incluindo substituição de partes deterioradas; assentamento de sub-telha em cartão betuminoso ondulado; execução de guarda-pó de pinho tratado em autoclave assente em escama; reparação de tecto em abóbada; limpeza e tratamento das juntas dos paramentos exteriores; limpeza dos paramentos exteriores; conservação dos vãos; análise de pinturas murais que revestem os paramentos interiores, abertura de janelas de amostragem para a comprovação da pintura mural subjacente, incluindo-se a apresentação de uma proposta de intervenção para a sua consolidação, conservação e restauro; reparação do portal e porta lateral E., nomeadamente a substituição de madeiras e de pinturas, reparação e substituição de ferragens; reparação dos vãos das janelas a E., da nave e capela-mor, decapagem e pintura de grades em ferro e substituição de vidros partidos, assentamento de redes de protecção em malha de arame tremido, montadas em aro de cantoneira, metalizadas e pintadas; 1997 - conservação e consolidação das pinturas murais da nave e capela-mor; beneficiação dos pavimentos interiores; beneficiação e consolidação do coro e escada de acesso; instalação eléctrica; pavimentação envolvente; 1998 - tratamento dos rebocos dos paramentos interiores; aplicação de hidrorepelente nas parede e lajeado exterior N.; consolidação, conservação e restauro do retábulo-mor, do retábulo do Calvário, púlpito, painéis de talha do arco cruzeiro e tecto policromado da capela-mor; restauro das pinturas sobre tela do retábulo-mor e das pinturas sobre madeira no retábulo do Calvário; desmonte e acondicionamento do painel de madeira da parede do arco cruzeiro e dos retábulos colaterais; 1999 - drenagem de humidade no fachada N. da nave; tratamento e conservação da pintura sobre pedra no arco cruzeiro; 2000 - obras de conservação do imóvel; 2005 - consolidação estrutural, obras diversas de conservação nomeadamente na cobertura com a substituição da telha degradada, amarração de tirante solto, reparação das fissuras existentes na nave e na capela-mor, pintura de paramentos interiores e revisão das portas; 2015 - início das obras de recuperação da igreja, no âmbito das medidas compensatórias do Aproveitamento Hidroelétrico de Foz do Tua (AHFT), numa parceria da Direção Regional de Cultura do Norte e da Agência de Desenvolvimento Regional da Vale do Tua (ADRVT), com o financiamento da EDP.

Observações

Autor e Data

Ernesto Jana 1994 / Paula Noé 1998 / Catarina Vilaça e Joaquim Caetano 2002

Actualização

Gabriel Andrade 1998
 
 
 
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