Mosteiro de São Pedro de Roriz / Igreja Paroquial de Roriz / Igreja de São Pedro

IPA.00005410
Portugal, Porto, Santo Tirso, Roriz
 
Arquitetura religiosa, românica. Igreja monástica de Agostinhos, de planta retangular composta por nave, capela-mor, adossada à zona conventual, tendo campanário no lado esquerdo, de provável feitura quinhentista, com capela-mor abobadada e marcada por arcaturas cegas, iluminada superiormente por janelas de volta perfeita, e nave em vigamento de madeira, escassamente iluminada por frestas. Fachada principal em empena com os vãos rasgados em eixo composto por portal escavado de perfil apontado, encimado por ampla rosácea. Fachadas rematadas por cornijas, sustentadas por cachorros e bandas lombardas. Interior com coro-alto de madeira, de feitura recente, e batistério no lado do Evangelho. Arco triunfal de volta perfeita, de dupla arquivolta, encimado por óculo. Capela-mor com simples mesa de altar. Antigo mosteiro, com a zona conventual muito alterada e transformada em residência, sendo a antiga casa do Capítulo, com as típicas janelas a ladear o portal de acesso, transformado em sacristia. No exterior destacam-se as bandas lombardas, com cachorros ornados e siglados, e o portal, escavado, com tripla arquivolta, ornada por esferas e com colunas alternadas, cilíndricas e facetadas; possui impostas zoomórficas, encimadas por frisos vegetalistas. Capela-mor marcada por contrafortes e colunas adossadas, com as frestas envolvidas por colunelos, ostentando, em alguns panos, falsas janelas geminadas. As portas que ligam à zona conventual têm perfis de volta perfeita, uma delas com friso fitomórfico, contrastando com a predominância dos vãos apontados, remetendo para um esquema de transição para o Gótico. Capela-mor com interior facetado, marcado por arcaturas cegas. No lado direito da igreja, mísulas denunciam a existência de uma capela, com campanário quinhentista adossado, rematado em empena e com quatro sineiras, uma no topo, com acesso por escadas posteriores. Aparecem vários silhares com inscrições. Junto ao arco triunfal, duas sepulturas armoriadas.
Número IPA Antigo: PT011314190006
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Convento / Mosteiro  Mosteiro masculino  Ordem dos Cónegos Regrantes de Santo Agostinho

Descrição

Antigo núcleo monacal, de planta retangular, formado pela igreja, um pátio e a atual quinta que engloba alguns edifícios antigos e possui um corpo torreado, de feitura mais recente. IGREJA composta por nave, capela-mor de dois tramos, com remate redondo pelo exterior e poligonal pelo interior, e amplo corpo da sacristia no lado direito, de volumes articulados e escalonados com coberturas diferenciadas em telhados de duas águas na nave e em águas múltiplas na capela-mor. Fachadas em cantaria de granito aparente, rematadas em cornija, na principal sustentada por friso de esferas e, nas laterais e capela-mor, por cachorrada em bandas lombardas, algumas decoradas por motivos vegetalistas ou geométricos, possuindo siglas. Fachada principal virada a SO., rematada em empena, bastante alteada relativamente à cobertura, tendo cruz inscrita em círculo no vértice; é rasgada por portal escavado, em arco ligeiramente apontado, composto por três arquivoltas decoradas com bolas e envolvidas por friso exterior de círculos entrelaçados, assentes em seis colunas, duas das quais prismáticas, ornadas por elementos fitomórficos e conchas, com capitéis decorados, estando apoiada em frisos decorados por folhagem e impostas em forma de cabeças de bovídeos; encontra-se protegido por duas folhas metálicas pintadas de verde. O portal está sobrepujado por enorme rosácea composta por círculos vazados e rodeada por frisos vegetalistas e de esferas. Fachada lateral esquerda marcada por oito mísulas de cantaria, onde encostava construção, as ruínas da antiga capela cemiterial de Santa Maria, quatro frestas e, no extremo esquerdo da nave, porta travessa em arco apontado, de duas arquivoltas lisas, a exterior sobre impostas, e protegido por duas folhas de madeira. Da primitiva capela cemiterial resta uma parede com campanário em empena, rasgado por três sineiras de volta perfeita, a do lado esquerdo de maiores dimensões, e uma no topo, de perfil apontado, tendo acesso por escadas no lado SE., que liga a bacia sustentada por quatro mísulas; adossado, muro rasgado por portal em arco apontado, de duas arquivoltas e tendo, no lado esquerdo, silhar com inscrição *1. Fachada lateral direita dividida em dois registos por friso de cantaria, marcado por mísulas de cantaria, a que se adossava estrutura alpendrada, tendo duas portas em arcos de volta perfeita e de dupla arquivolta e, num nível superior, três frestas. O corpo adossado da sacristia tem, na face SO, friso a dividir dois registos, que servem de impostas aos vãos que forma porta em arco apontado e duas janelas com o mesmo perfil, estas protegidas por reixas. Na face SE., possui óculo circular e, na face posterior, duas frestas. A cabeceira é marcada, lateralmente, por dois contrafortes, que marcam o arco da abóbada e por outros quatro que formam a base de colunas adossadas, com capitéis ornados por elementos vegetalistas estilizados, dando lugar a sete panos, três deles com frestas de volta perfeita, escavadas e flanqueadas por colunelos com capitéis decorados; nos demais panos, falsas janelas geminadas; todos os vãos possuem as arestas ornadas por frisos de esferas. A empena do arco triunfal é bastante mais elevada, rasgada por óculo circular. INTERIOR em cantaria de granito aparente, tendo, na nave, cobertura em vigamento de madeira e pavimento em lajeado. Coro-alto de madeira, com guarda vazada e acesso por escadas no lado da Epístola, assente em mísulas de cantaria decoradas. No lado do Evangelho, elevado por alto pódio de cantaria, o batistério, protegido por teia de madeira torneada; a pia é em cantaria de granito, com coluna canelada e torsa, encimada por taça hemisférica, ornada por caneluras. A porta travessa do lado da Epístola ostenta frisos decorativos geométricos. Arco triunfal de volta perfeita, de dupla arquivolta, a interior assente em colunas adossadas ao intradorso do vão, com capitéis decorados por motivos fitomórficos. Junto a este, duas sepulturas armoriadas. Cabeceira com abóbada de berço no primeiro tramo, e no segundo terminando em abóbada de arestas radiais e pavimento em lajeado; os dois tramos são marcados por colunas adossadas, com capitéis fitomórficos, secionados em vários panos formados por arcaturas cegas, de volta perfeita, assentes em colunas cilíndricas ou facetadas, ostentando capitéis decorados por elementos vegetalistas. Ao centro, mesa de altar paralelepipédica em cantaria, tendo, no lado do Evangelho, plinto em cantaria a sustentar pequeno sacrário e um credencia, surgindo, no lado oposto, os assentos dos celebrantes, em madeira.

Acessos

Roriz, Lugar de Fontão, na Rua do Mosteiro de Roriz; Rua do Mosteiro de Santa Escolástica, Rua de São Miguel. WGS84 (graus decimais) lat.: 41,344517; long.: -8, 380586

Protecção

Categoria: MN - Monumento Nacional, Decreto de 16-06-1910, DG, 1.ª série, n.º 136 de 23 junho 1910

Enquadramento

Peri-urbano, isolado, implantado em zona elevada, numa encosta sobranceira ao vale do Rio Vizela, numa zona relativamente planta, antecedido por adro pavimentado a cubos de granito, que acede a uma escada no lado esquerdo e ao interior da atual casa de habitação, o antigo convento, envolvido por parte da antiga cerca, constituindo a Casa do Mosteiro (v. PT011314190010). Fronteiro ao adro, um fontanário. No pátio formado pela Casa e sacristia, várias cantarias lavradas e um parque infantil. Junto ao campanário, uma sepultura antropomórfica.

Descrição Complementar

As mísulas do coro-alto têm formas antropomórficas, representado um casa, a dama exibindo os seios por entre o vestido arregaçado e o homem arregalando os olhos.

Utilização Inicial

Religiosa: mosteiro masculino

Utilização Actual

Religiosa: igreja paroquial

Propriedade

Privada: Igreja Católica (Diocese do Porto)

Afectação

Sem afetação

Época Construção

Séc. 12 / 13 / 20

Arquitecto / Construtor / Autor

ELETRICISTA: Zeferino Joaquim Rosas (1967-1968). EMPREITEIRO: António Domingues Esteves (1931-1933); Augusto de Oliveira Ferreira & C.ª Lda. (1993); Ferreira dos Santos & Rodrigues, Lda. (1978); Francisco Pinto Loureiro (1959, 1962, 1967); Manuel Ferreira Morango (1936); Ricardo Pereira de Barros (1976); Saul de Oliveira Esteves (1971-1972). VIDREIRO: Plácido António Antunes (1937).

Cronologia

1096 - primeira notícia documental conhecida, em que o mosteiro efetua permuta de propriedades; séc. 12 - 13 - construção do edifício atual; 1285 - referência aos dois moinhos do Mosteiro; 1492 - D. João II entrega o mosteiro a um comendatário, com autorização do papa Inocêncio VIII; séc. 16 - construção do campanário no lado esquerdo; 1560 - o Mosteiro passa para os bens da Coroa; 1573 - o mosteiro foi anexado ao padroado da Companhia de Jesus, do Colégio de São Paulo em Braga, uma das principais casas da Companhia; 1580, 10 maio - primeiro registo de óbito na paróquia; 1583, 13 fevereiro - primeiro registo de casamento na paróquia; 1612, 02 junho - primeiro registo de batismo na paróquia; 1706 - segundo o Padre Carvalho da Costa tem, na capela-mor, uma sepultura de João Fernandes Farto; 1759 - após a expulsão dos Jesuítas, a Universidade de Coimbra, herdeira dos seus bens vende o mosteiro ao Dr. Sebastião José Teixeira de Carvalho e Sousa, que efetuou várias alterações nos edifícios, transformando-os em Casa do Mosteiro; séc. 18 - construção das escadas de acesso ao coro-alto; 1758, 22 maio - nas Memórias Paroquiais, assinadas pelo pároco Pedro Gomes Ribeiro, é referido que a paróquia é dedicada a São Pedro e a igreja é antiga e denominada Mosteiro; tem o altar-mor, do Santíssimo e com as imagens do orago e São Lourenço; os colaterais são dedicados a Nossa Senhora do Rosário e ao Santo Cristo; tem as irmandades de Nossa Senhora do Rosário e das Almas; junto à igreja, uma residência dos padres da Companhia de Jesus, onde assistem três padres, um padre procurador de missa e dois companheiros leigos, tendo junto a residência do pároco que é vigário anual, apresentado pelo Colégio de São Paulo de Braga, tendo de rendimento 80$000; séc. 20 - restauro do edifício pela DGEMN; 1930 - Francisco de Vale Cabral oferece um terreno no local para ampliação do adro; 1936 - durante a intervenção, apareceram as colunatas do claustro primitivo; 1937 - transferência de dois retábulo de talha para a Igreja de São Cristóvão de Selho (v. PT010308500119), em Guimarães; 1946 - parecer negativo à proposta do pároco de colocar grades no presbitério e batistério; os bancos deverão ser feitos segundo desenho fornecido pela DGEMN; 1947 - transferência de retábulos de madeira para a capela do Lar Soares Pereira, em Arcos de Valdevez; 1955 - projeto de remoção dos retábulos colaterais, de substituição dos confessionários e revisão da instalação elétrica; 1963 - as Beneditinas Missionárias apresentam queixa pela construção de um muro adossado ao edifício e contra a pretensão da edificação de instalações sanitárias no local; Narciso Soalho de Bessa, pároco da igreja, solicita a remodelação do imóvel, integrando-o na sua traça primitiva, com a remoção das imagens não necessárias ao culto, deslocação dos dois confessionários, a deslocação do altar-mor, conforme as novas normas litúrgicas, reforma da instalação elétrica e a construção de instalações sanitárias, junto ao adro, no lado N.; 1967 - colocação do altar-mor segundo as novas normas litúrgicas; aproveitamento da talha do púlpito para a construção de um ambão; as obras são efetuadas por Francisco Pinto Loureiro; 1976 - construção do parque infantil junto à igreja, pelo pároco; 1977 - proposta de instalação de aquecimento no edifício.

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes portantes.

Materiais

Estrutura em cantaria de granito; frisos, cornijas, cruzes, modinaturas, colunas , colunelos em cantaria de granito; coro-alto de madeira; portas de madeira, exceto a do portal axial, em metal; pavimento em lajeado na capela-mor; pia batismal, plintos, mesa de altar em cantaria de granito; mobiliário de madeira; cobertura de madeira na nave e em abóbada de cantaria na capela-mor, revestidas exteriormente em telha cerâmica.

Bibliografia

ALMEIDA, Carlos A. Ferreira de, Arquitectura Românica de Entre-Douro-E-Minho, Dissertação de doutoramento em História de Arte, Porto, Faculdade de Letras da Universidade do Porto, 1978, vol. 2, pp. 259 - 260; ALMEIDA, Carlos A. Ferreira de, O Românico in História da Arte em Portugal, Lisboa, 1986, vol. 3, pp. 82 - 84; CAPELA, José Viriato, MATOS, Henrique e BORRALHEIRO, Rogério, As freguesias do Distrito do Porto nas Memórias Paroquiais de 1758 - Memórias, História e Património, Braga, Universidade do Minho, 2000; COSTA, António Carvalho da (Padre), Corografia Portuguesa, Lisboa, Valentim da Costa Deslandes, 1706, vol. I, p. 370; Igreja de São Pedro de Roriz, Boletim n.º 9, Lisboa, DGEMN, setembro 1937; Ministério das Obras Públicas, Relatório da Actividade do Ministério no ano de 1952, Lisboa, 1953; REAL, Manuel Luís, S., Pedro, O mosteiro de Roriz na arte românica do Douro Litoral, Santo Tirso, 1982.

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DREMN

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID, DGEMN/DREMN, SIPA; Diocese do Porto: Secretariado Diocesano de Liturgia

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN/DSID, 001/013-1920/2, DGEMN/DSARH-010/236-0010, 0011, 0012, 0013, 0014, 0015, DGEMN/DREMN-1133/21; DGARQ/ADPorto: Paróquia de Roriz

Intervenção Realizada

DOPDPorto: 1882 - arranjo das coberturas e forro dos algerozes com chumbo; demolição do alpendre da igreja, para evitar a concentração de pessoas no exterior durante a celebração do culto, impedindo o decurso do mesmo (DGEMN/DREMN-1133/21); 1923 - limpeza das cantarias; DGEMN: 1931 / 1932 / 1933 - reforma do telhado do templo e arranjo da parede N., desaprumada; redução do coro e demolição das escadas de acesso ao mesmo; 1934 - desentaipamento das portas laterais primitivas e feitura de duas portas de madeira para as mesmas; apeamento e regularização de paredes de cantaria da capela-mor, com demolição de dois contrafortes exteriores; feitura de um muro de suporte para alargamento do adro, conforme projeto da Câmara Municipal de Santo Tirso; obras de António Domingues Esteves; 1935 / 1936 - reconstrução do altar-mor em pedra e toda a sacristia, com apeamento de reconstrução das paredes, do lajeado do pavimento, rebaixado até ao nível primitivo, e colocação de nova cobertura; 1936 - assentamento de um portão de ferro, por Manuel Ferreira Morango; 1937 - feitura de frestas e colocação de vitral nos vãos, pelo vidreiro Plácido António Antunes; reconstrução do telhado da passagem coberta do adro para o claustro; desafrontamento do campanário, demolindo-se as respetivas escadas; assentamento de um portão de ferro no pórtico do campanário; construção de uma escada entre a Casa do Capítulo e a capela-mor; desentaipamento e reparação de duas janelas da cabeceira; 1957 - reaproveitamento de um outro altar de talha, proveniente de outro monumento e desdobrá-lo, de forma a criar dois altares a ladear o arco e retoques de dourado; feitura de novos confessionários; execução de vários capitéis para substituir os que estão em falta; 1959 - reparação do telhado da nave; escavação para regularização do adro e respetivo calcetamento, obra de Francisco Pinto Loureiro; 1962 - reconstrução de um troço ruído do muro de suporte do adro, por Francisco Pinto Loureiro; 1967 - trabalhos de beneficiação, escoramento exterior da parede lateral direita da nave, obra feita pelo construtor civil, Francisco Pinto Loureiro; 1967 / 1968 - feitura de nova instalação elétrica e de som por Zeferino Joaquim Rosas; 1971 / 1972 - reconstrução da parede lateral: desmonte e apeamento de parte da parede lateral direita, consolidação da sapata de fundação, reconstrução do troço apeado, construção de frechais de betão armado e colocação de tirantes de ferro, por Saul de Oliveira Esteves; 1976 - reconstrução da caixilharia da Sacristia e da porta de acesso ao pátio, obra de Ricardo Pereira de Barros; 1978 - reparação das coberturas da nave e sacristia, por Ferreira dos Santos & Rodrigues, Lda.; 1982 - reparação de caixilhos por Oliveira, Pereira & Valente, Lda.; 1993 - reforma da instalação elétrica e revisão das coberturas, por Augusto de Oliveira Ferreira & C.ª Lda..

Observações

*1 - Manuel Real propõe a existência de cinco fases para o desenvolvimento da obra românica desta igreja, identificando-as a partir do estudo do aparelho, do levantamento das marcas de canteiro, e da análise estilística dos elementos arquitetónicos e plásticos; segundo o mesmo autor, a capela de Santa Maria possuía um absidíolo já desaparecido mas com vestígios do seu arranque.

Autor e Data

Isabel Sereno e Ricardo Teixeira 1994 / Paula Figueiredo 2012 (no âmbito da parceria IHRU / Diocese do Porto)

Actualização

Paula Noé 1997
 
 
 
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