Casa do Major Pessoa / Edifício Arte Nova na Rua Dr. Barbosa Magalhães, n.º 9 a 11 / Museu Arte Nova

IPA.00005402
Portugal, Aveiro, Aveiro, União das freguesias de Glória e Vera Cruz
 
Casa unifamiliar Arte Nova de três pisos, de planta retangular com logradouro murado e ajardinado com pequeno mirante. Típico edifício de arquitectura de "Fachada" onde a exuberância exterior não condiz com a simplicidade interior. Água furtada com vão em arco japonês, característica regional aveirense, também presente no edifício da Barrica (v. PT020105120010 ) e no hotel das Américas (v. PT020105120038 ). Toda a fachada é preenchida por pedra lavrada, com motivos florais envolvendo janelas, arcos e varandas, para rematarem em cimalha de movimentos ondulantes. Painéis de azulejos da Fábrica Fonte Nova (v. PT020105120020, PT020105120041, PT020105120008 e PT020105120032 ) e da oficina de Jorge Colaço. Na fachada principal duas águias (uma no 2º piso, outra no topo da água furtada), e malmequeres, lírios e folhas de acanto, distribuídos pela sua superfície. Os acessos (escadas) apenas permitem ligar internamente o r/c ao 1º andar. O acesso aos pisos superiores faz-se por escadaria exterior que parte do logradouro.
Número IPA Antigo: PT020105120010
 
Registo visualizado 538 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Residencial unifamiliar  Casa    

Descrição

Planta retangular, de massa simples e cobertura em telhado de duas águas com água furtada destacada. Evolui em três pisos revestido a cantaria; fachada principal de grande decoração plástica, com conchas, malmequeres, lírios, girassóis, folhas de acanto, volutas, todos lavrados em pedra. O rés-do-chão é formado por colunas de bronze «patiné», , com lambril multicolor com motivos animais e vegetais. O andar nobre, entre arcarias, é revestido de esmaltes painéis em cristal de Veneza, e o superior é constituído por uma arcada com varandim corrido, ornamental, de ferro forjado e cantaria. Na água furtada sobressai arco de 3/4 de círculo (arco japonês), como fecho das contracurvas da cimalha, sobrepujado por águia de grande porte que domina uma serpente. Ao centro destacam-se as iniciais do proprietário e a data de construção em bronze dourado. A entrada para as traseiras do imóvel é feita por portal encimado pelo monograma M P (Mário Pessoa) em ferro forjado, e enquadrado por pilares rematados por capitéis com elementos condizentes, sobressaindo no varandim, como no exterior, painéis em tons verdes e amarelos vivos, e um outro de figuras femininas, ou ainda jarros vermelhos de intenso colorido.

Acessos

Rua Dr. Barbosa Magalhães, n.º 9 a 11; Travessa do Rossio. WGS84 (graus decimais) lat.: 40.641850, long.: -8.655703

Protecção

Categoria: IIP - Imóvel de Interesse Público, Decreto nº 67/97, DR, 1ª Série-B , nº 301 de 31 de setembro 1997

Enquadramento

Urbano, voltado para o canal da Ria de Aveiro. Integrado em frente urbana contínua, onde se destacam outros edifícios de qualidade arquitectónica, também Arte Nova (v. PT020105120008, PT020105120026 e PT020105120440 ). Pequeno jardim nas traseiras voltado para rua paralela.

Descrição Complementar

No interior são de destacar: o mobiliário, os candeeiros, as peças decorativas, e outros adereços arte nova de acordo com a época. A maior riqueza reside nos painéis de azulejo, quer panorâmicos quer naturais / florais e estampilhados, em relevo ou não, mas da época da casa.

Utilização Inicial

Residencial: casa

Utilização Actual

Cultural e recreativo: museu

Propriedade

Pública: Municipal

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 20

Arquitecto / Construtor / Autor

Francisco da Silva Rocha; CANTEIRO: João Augusto Machado; PINTORES DOS AZULEJOS: Lícinio Pinto e Carlos Branco; ARQUITECTO: Mário Sarabando (2005 - proj. de adaptação a museu)

Cronologia

1904 - data do projecto inicial com a construção de 2 pisos (1ª. fase de construção); 1907, 30 de Nov. - requerida a licença de construção para o 2º projecto com ampliação de mais um piso (2ª. fase de construção); 1907 - data de painel de azulejos assinado por Licínio Pinto e Carlos Branco da Fábrica Fonte Nova; 1908 - execução de cantarias pelo conimbricense João Augusto Machado, segundo periódico da época; 1909 - conclusão da obra, segundo mesmo periódico; 1996, 9 fevereiro - Proposta da CM Aveiro; 18 março - proposta de classificação como IIP da DRC; 7 maio - parecer favorável do Conselho Consultivo do IPPAR; 1996, 10 julho - despacho de homologação do Ministro da Cultura; 1999, 10 Fevereiro - elaboração da Carta de Risco do imóvel pela DGEMN; 2001 - aquisição do edifício pela Câmara Municipal de Aveiro a Maria Emília Pessoa Leitão (R. 64, nº 362, 2º Esq., 4500 Espinho); convite pela CMA a 5 arquitectos para elaboração do projecto de recuperação do imóvel; 2003 / 2004 - Diagnóstico prévio do estado de conservação do imóvel executado pela Universidade de Aveiro / Departamento de Engenharia Civil, a pedido da Câmara Municipal de Aveiro; elaboração do projecto de adaptação / recuperação pela CMA de autoria do arquitecto Mário Sarabando; 2009, 17 dezembro - proposta da DRCCentro de ZEP conjunta ao Edifício Arte Nova na Rua João Mendonça, nº 5 a 7 e ao Edifício Arte Nova ou Casa do Major Pessoa; 2010, 11 fevereiro - devolvido à DRCCentro por despacho do Director do IGESPAR para aplicação do Decreto-Lei n.º 309/2009, DR, 1.ª série, n.º 206 de 23-10-2009; 6 julho - proposta da DRCCentro mantém delimitação de ZEP conjunta; 2011, 7 novembro - parecer da SPAA do Conselho Nacional de Cultura concordante com a delimitação, mas propondo a fixação de duas ZEP totalmente idênticas.

Dados Técnicos

Paredes autoportantes.

Materiais

Paredes portantes e divisórias interiores em tabique de madeira; fachadas em cantaria de pedra calcária, fixa às paredes de adobe por alvenaria em pedra de Eiró argamassada; estrutura de coberturas em asnas de madeira; pisos em estruturas de madeira e soalho, e em estrutura metálica (vigas) e abóbadas de caixotão em tijolo (abobadilhas); azulejos, ferro forjado (varandas), madeira (caixilharias), vidro.

Bibliografia

Campeão das Províncias, nº 5719, de 11 de Janeiro 1908, pp. 80; NEVES, Amaro, Aveiro, Do Vouga ao Buçaco , Aveiro, 1989; NEVES, Amaro, Autarquia tenta comprar Casa Major Pessoa, in Diário Regional, de 21 de Agosto 1997; NEVES, Amaro, A Arte Nova em Aveiro e seu Distrito, Aveiro, 1998, pp. 60 - 62 e 165; CMA, Aveiro - Cidade Arte Nova (Guia e CD-ROM), Aveiro, 1999.

Documentação Gráfica

CMA

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID, Carta de Risco; CMA: Arquivo Fotográfico, Gabinete de Património

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN/DSID, Carta de Risco, DREMC; CMA

Intervenção Realizada

CMA: 2005 - início das obras de recuperação e adaptação a museu (em curso)

Observações

O trabalho escultórico da água furtada é atribuído ao canteiro conimbricense Sr. Machado; os portões em ferro forjado com motivos florais do piso térreo são trabalho de Lourenço de Almeida. Painéis de azulejos interiores da autoria de Carlos Branco e Licínio Pinto.

Autor e Data

Luísa Falcão 1999

Actualização

 
 
 
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