Igreja Paroquial de Cernache do Bonjardim / Igreja de São Sebastião

IPA.00005306
Portugal, Castelo Branco, Sertã, União das freguesias de Cernache do Bonjardim, Nesperal e Palhais
 
Igreja paroquial de estrutura maneirista, muito simples do ponto de vista arquitectónico e muito alterada exteriormente no séc. 19 / 20, destacando-se a decoração do interior, sobretudo das capelas laterais, do Santíssimo e das Almas, inseridas em arcos de volta perfeita, totalmente revestidas a talha dourada e policroma, do estilo joanino, bem como o revestimento azulejar da capela-mor, com cenas historiadas, alusivas ao orago, em azulejo azul sobre fundo branco. É de planta composta por três naves de cinco tramos, capela-mor mais estreita, duas capelas laterais de planta retangular, adossadas às naves, duas sacristias e torre sineira de planta quadrada, com coberturas interiores diferenciadas, de madeira em masseira nas naves e em abóbada de berço de caixotões na capela-mor, iluminadas por frestas e janelas rectangulares, rasgadas nas fachadas laterais. Fachadas com remates em beiral, a lateral direita com porta travessa de verga recta. Interior com as naves separadas por cinco arcos formeiros de volta inteira sustentados por colunas toscanas. Com coro-alto, capelas laterais com retábulos de talha barroca joanina e colaterais e mor de talha dourada de estilo barroco nacional. No lado do Evangelho, órgão positivo neoclássico. que teve de ser colocado na nave, perdendo parte da projecção da sua sonoridade, pela desactivação da tribuna da capela-mor, onde primitivamente se situava, e do coro-alto, mas a caixa constitui um interessante exemplar de talha neoclássica. Sobre o arco triunfal, mantém-se a imagem do Crucificado.
Número IPA Antigo: PT020509040004
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Templo  Igreja paroquial  

Descrição

Planta longitudinal composta por três naves de cinco tramos, capela-mor mais estreita, com duas sacristias de planta rectangular adossadas à capela-mor, duas capelas laterais de planta rectangular adossadas às naves laterais e torre sineira de planta quadrada adossada ao lado esquerdo, de volumes articulados e escalonados, com a capela-mor mais baixa e coberturas diferenciadas em telhados de duas águas na nave central e capela-mor e a uma água nas naves laterais e anexos. Fachadas rebocadas e pintadas de branco, percorridas por faixa pintada de cinzento, escalonada, adaptando-se ao declive do terreno e remates em beiral. Fachada principal voltada a O., em empena trilobada com cornija, marcando a estrutura interna, com cunhais pintados de beje, encimados por pináculos em forma de urna e cruz latina no centro; é rasgada por vãos em arco de volta perfeita assentes em impostas e com pedra de fecho saliente, molduradas, correspondendo a portal, ladeado por duas janelas, encimados por janela central e dois nichos. No lado esquerdo, levemente recuada, a torre sineira de dois registos definidos por cornija, flanqueadas por cunhais apilastrados em cantaria, rasgada, no inferior, por fresta com moldura de cantaria e, no superior, por uma ventana em cada face, em arco de volta perfeita, a principal sobre relógio circular com moldura em forma de estrela de 12 pontas; remata em cornija e possui cobertura em coruchéu piramidal, interrompido a meio por cornija. Fachada lateral esquerda virada a N., marcada pelos corpos escalonados das naves, anexo e capela lateral, sendo visíveis quatro frestas da nave central, uma na colateral, todas em capialço, sendo o anexo rasgado por enorme vão rectilíneo e por três janelas jacentes; a capela lateral possui porta de verga recta com moldura de cantaria, entaipada e uma custódia pintada. O corpo da sacristia é rasgado por janela rectilínea e protegida por grades de ferro pintado de preto e por janela jacente, ambas com moldura em cantaria, surgindo, no corpo da capela-mor, um contraforte pouco espesso e janela rectilínea, também moldurada. Fachada lateral direita virada a S., marcada pelos corpos das naves, capela e sacristia, sendo visíveis quatro frestas da nave central e uma da colateral, todas em capialço, a última com porta travessa de verga recta e moldura de cantaria. A capela é rasgada por janela rectilínea protegida por grades de ferro pintado de preto e a sacristia por por janela e porta de verga recta, surgindo, sobre a empena recta uma sineira em arco de volta perfeita assente em impostas e rematada em cornija. Fachada posterior parcialmente adossada, sendo visível a empena cega, com cruz latina no vértice. INTERIOR rebocado e pintado de branco, percorrido por lambril pintado de azul, encimado por friso de madeira, com três naves definidas por cinco arcos formeiros de volta perfeita, sustentados por colunas toscanas, com pavimento em soalho e cobertura de madeira, em masseira com tirantes metálicos na nave central, mais alta, e de um pano nas laterais, a primeira com a pintura do orago. Coro-alto em madeira, ocupando apenas a nave central, com guarda balaustrada e sem acesso, sob o qual surge o guarda-vento de madeira, tendo, no sub-coro, cobertura em caixotões pintados com enormes acantos policromos. No lado do Evangelho, órgão positivo, de talha marmoreada. Capela lateral do Evangelho, do Santíssimo Sacramento, com acesso por arco de volta perfeita assente em pilastras toscanas, tudo forrado a talha marmoreada de rosa, azul e dourado, sendo o interior totalmente revstido a talha, com cobertura em falsa abóbada de berço com medalhão pintado central, rodeado por acanros estilizados, porta no lado da Epístola e retábulo-mor, tendo pavimento em lajeado de granito. No lado oposto, a Capela das Almas, com acesso por vão em arco de volta perfeit, assente em pilastras toscans sobre plintos almofadados, tudo forrado a talha marmoreada de rosa e azul, pontuada por elementos vegetalistas dourados; tem o interior forrado a talha policroma, com cobertura em falsa abóbada de berço de madeira, dividida em dois caixotões pintados com decoração geométrica e dosi pingentes centrais, com decoração semelhante nas ilhargas e retábulo. Arco triunfal de volta perfeita, assente em pilastras toscanas, encimado por pequena edícula de talha, flanqueada por colunas torsas, contendo um Crucificado, encimado por espaldar recortado de acantos, com cálice pintado, sob os quais surgem as armas de Portugal. É ladeado por retábulos colaterais em talha dourada, dedicados ao Sagrado Coração de Jesus (Evangelho) e a Nossa Senhora (Epístola). Capela-mor elevada por dois degraus, parcialmente rebocada e pintada de branco, com parte dos paramentos revestidos por painéis de azulejos figurativos monocromos, azuis sobre fundo branco, com cenas do martírio de São Sebastião e anjos a segurar os seus atributos, surgindo, nas molduras das janelas, motivos fitomórficos; pavimento em madeira e pedra calcária e cobertura em abóbada de berço com caixotões, sendo o reticulado marcado por cantaria. Confrontantes, portas de verga recta de acesso às sacristias, estando a janela do lado da Epístola entaipada. Retábulo em talha dourada, de planta cõncava e um eixo definido por três colunas torsas ornadas por pâmpanos e duas pilastras com os fustes decorados com acantos, todas assentes em plintos paralelepipédicos com profusa decoração fitomórfica, as quais se prolongam em três arquivoltas unidas no sentido do raio, formando o ático; ao centro, ampla tribuna em arco de volta perfeita, com a boca rendilhada, fundo pintado a imitar brocados e contendo trono expositivo de cinco degraus encimado por baldaquino com lambrequins, na base do qual surge o sacrário.

Acessos

Largo da Igreja

Protecção

Categoria: IIP - Imóvel de Interesse Público, Decreto n.º 43 073, DG n.º 162 de 14 julho 1960 / Decreto n.º 44 075, DG n.º 281 de 05 dezembro 1961

Enquadramento

Urbano, situado junto à EN 238, em zona de pendor inclinado, em plataforma artificial sobranceira à vila, formando um adro delimitado por muro de alvenaria rebocado e pintado de branco, com acesso através de escadaria de dois patamares na face frontal. A capela-mor encontra-se adossada a edifício civil, de planta em L, formada por dois pisos, rasgado, por vãos rectilíneos com molduras em cantaria de granito, algumas prolongando-se na zona inferior, formando falsos brincos.

Descrição Complementar

Na torre, lápide com a inscrição: "MANDADA EDIFICAR POR / JOSÉ JOAQUIM NUNES DA SILVA / EM SEU TSTAMENTO / DE 10-7-1892 / 1893". Retábulo do Santíssimo, de talha dourada e policroma, com marmoreados rosa, azuis e verdes, de planta recta e três eixos definidos por quatro colunas coríntias assentes em plintos paralelepipédicos com as faces almofadadas, surgindo, no centro, painel pintado com moldura contracurvada e, nos laterais, mísulas encimadas por baldaquino; remate em frontão interrompido por espaldar contracurvado com enorme resplendor e altar paralelepipédico, revestido com frontal brocado, ladeado por duas portas em arco abatido e com cornija contracurvada, de acesso à tribuna. O retábulo das Almas é de talha dourada e policroma de marmoreados verdes e azuis, de planta recta e um eixo definido por enorme painel, com moldura contracurvada, superiormente dourada e ornada por acantos, representando as Almas no Purgatório; altar em forma de urna com pequenos acantos dourados, sobre o qual surge um esquife de talha. Os retábulos colaterais são semelhantes, de talha dourada, de planta recta e um eixo, definido por duas colunas torsas ornadas por pâmpanos, as exteriores assentes em consolas, e por duas pilastras com os fustes decorados por acantos, assentes em plintos paralelepipédicos com profusa decoração fitomórfica, que se prolongam em três arquivoltas, as duas exteriores torsas, unidas no sentido do raio, constituindo o ático; ao centro, nicho em arco de vota perfeita com a boca rendilhada, possuindo mísula com a imagem dos respectivos oragos, sob o qual surge sacrário embutido; sotobanco de madeira com apainelados almofadados. Órgão de planta trapezoidal, com um castelo e dois nichos, formando as ihargas, divididos por pilastras toscanas, encerrados em caixa de talha de marmoreados fingidos rosas, azuis e verdes, com pequenos apontamentos dourados; no castelo, os tubos seguem uma disposição cormática em tecto, com pequenas gelosias de acantos, tendo tribuna em janela, ladeada pelos botões dos registos; as ilhargas possuem disposição diatónica, com gelosias de acantos rendilhados; remate em cornija e urnas sobre as pilastras.

Utilização Inicial

Religiosa: igreja paroquial

Utilização Actual

Religiosa: igreja paroquial

Propriedade

Privada: Igreja Católica (Diocese de Portalegre - Castelo Branco)

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 16 / 17 / 18

Arquitecto / Construtor / Autor

ENTALHADORES: António Gomes (1687); Domingos Nunes (1687); Marcelino José Luís do Bom Jardim. PINTOR: Bento Coelho da Silveira (séc. 17).

Cronologia

1554 - 1555 - criação da paróquia de São Sebastião de Cernache do Bonjardim e construção da igreja, sendo o pároco apresentado pelo Prior do Crato; Álvaro Gonçalves Pereira, Grão-Prior da Ordem do Hospital e pai do Condestável Nuno Álvares Pereira possuia o seu paço nesta povoação, a mais populosa do termo da Sertã; 1576 - obras internas na igreja, sendo juiz Gaspar Fernandes e reitor Padre António Fernandes; 1590 - referência ao custo da construção da igreja, por 2.000$000; possuia confraria do Santíssimo Sacramento e confraria de Nossa Senhora do Rosário; 1592 - colocação da cobertura interna, sendo juiz Jerónimo de Matos; séc. 17 - pintura de telas por Bento Coelho da Silveira (1630-1708); levantamento da igreja por Pedro Nunes Tinoco, à ordem do Priorado do Crato; 1614 - reparações na igreja, custeadas por finta lançada sobre os privilegiados de Malta residentes na freguesia; 1618 - desenho da igreja, levantada por Pedro Nunes Tinoco e por encomenda do Prior do Crato Frei Manuel Carneiro; 1674 - visitação; 1687, 13 fevereiro - feitura do retábulo-mor por António Gomes e Domingos Nunes, conforme o de São Bento de Coimbra, pela quantia de 325$000; 1688 - pintura dos tectos das naves, dos arcos e colunas, por iniciativa do vigário Eusébio Leitão; reparação e douramento dos retábulos da capela-mor, de Nossa Senhora do Rosário, das Almas e do Espírito Santo; ampliação da capela-mor para colocação de trono no altar; 1707 - visitação; 1758 - o priorado dava para a fábrica da igreja, 6$000, uma arroba de cera, 8 alqueires de azeite para o Santíssimo e 1$200 para lavar a roupa; 1777, 8 Novembro - o altar de Nossa Senhora da Boa Morte foi privilegiado quotidianamente por breve do papa Pio IV; 1790 - reforma do Altar de Nosa Senhora das Dores, por Crisóstomo José Manso; 1793 - reforma do Altar de Santa Ana por António da Silva Leitão; 1798 - edificação da Capela do Santíssimo por iniciativa de Joaquim Luís do Bom Jardim; a obra de talha foi executada pelo irmão do fundador Marcelino José Luís do Bom Jardim; séc. 18, fins - compra do órgão, colocado na capela-mor; reforma dos altares de Nossa Senhora do Rosário e das Almas; 1831 - o padre recebia 36$800 réis, 60 alqueires de trigo, 20 almudes de mosto e 50$000 réis do pé de altar; os coadjutores recebiam 120 alqueires de trigo, 120 de centeio, 25 de mosto e uma carga de uvas; o tesoureiro recebia 3$200 réis, 60 alqueires de trigo, 20 de mosto e uma carga de uvas; 1834 - o pároco tinha dois coadjutores que recebiam um moio de trigo, 1 de centeio, uma pipa de mosto, meia carga de uvas para tinta e 3 alqueires de azeite; tinha um tesoureiro que recebia um moio de trigo, 20 almudes de mosto, meis carga de uvas para tinta e 2$000; o pároco recebia um moio de trigo, 20 almudes de mosto, 2$000, a que acresciam 4$800 para a casa onde residia; com a extinção da Casa do Infantado, a côngrua era de 180$000; 1893 - demolição da torre sineira que ameaçava ruína e construção de nova torre por legado de José Nunes da Silva; 1959 - o interior da igreja era diferente, havendo, sobre o arco triunfal e a enquadrar a imagem do Crucificado, apainelados de madeira, que rematavam no frontão que actualmente persiste; adossado a uma coluna do lado do Evangelho, púlpito circular, em cantaria, assente em coluna toscana e guarda plena, sendo encimado por baldaquino; a capela-mor era guardada por teia e, no lado do Evangelho, tinha, sobre tribuna de perfil semicircular, o órgão; os retábulos colaterais tinham altares paralelepipédicos.

Dados Técnicos

Estrutura mista.

Materiais

Estrutura em alvenaria de granito, rebocada; modinaturas, pilastras, cornijas, pináculos, pavimentos, pilares, guardas, escadas, fontes, relevos e esculturas em cantaria de granito e calcário; coberturas da nave, capelas, retábulos, coro-alto, órgão e portas em madeira; painéis de azulejo; coberturas exteriores em telha de aba e canudo; janelas com vidro simples; janelas com grades em ferro.

Bibliografia

ALMEIDA, José António Ferreira de, dir., Tesouros Artísticos de Portugal, Lisboa, 1980; BRANDÃO, Domingos de Pinho, Obra de talha dourada, ensamblagem e pintura na cidade e na Diocese do Porto - Documentação, vol. I (séculos XV a XVI), Porto, Diocese do Porto, 1984; COSTA, António Carvalho da, Corographia Portugueza, Lisboa, 1706 / 1712; LEAL, Pinho, Portugal Antigo e Moderno, Lisboa, 1873; DIONÍSIO, Sant'Ana, Guia de Portugal, Lisboa, 1984; FARINHA, António Lourenço, A Sertã e o seu Concelho, Lisboa, 1930; SALVADO, António, Elementos para um Inventário Artístico do Distrito de Castelo Branco, Castelo Branco, 1976; SERRÃO, Vítor, História da Arte em Portugal - o Barroco, Barcarena, Editorial Presença, 2003; TEIXEIRA, Cândido da Silva, Sernache do Bonjardim, Lisboa, 1905; VITERBO, Sousa, Diccionario Historico e Documental dos Architectos, Engenheiros e Construtores Portuguezes ou a serviço de Portugal, Lisboa, Imprensa Nacional, 1904, vol. III; http://www.patrimoniocultural.pt/pt/patrimonio/patrimonio-imovel/pesquisa-do-patrimonio/classificado-ou-em-vias-de-classificacao/geral/view/73338 [consultado em 14 outubro 2016].

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN/DSID, DGEMN/DSARH

Intervenção Realizada

DGEMN: 1961 - plano de obras de arranjo e restauro; reconstrução de rebocos em paredes e abóbadas; assentamento de tijoleira e cantaria em pavimentos; cantaria em guarnecimento de vãos; arranjo da escadaria de acesso ao coro; construção de portas e caixilharias de madeira; reconstrução da guarda do coro; soalhamento de pavimentos; restauro da porta principal e guarda-vento; vitrais; restauro e douramento dos altares; restauro de crucifixo; apeamento de quadros e bandeiras de portas e do púlpito; Proprietário: 1962 / 1963 / 1964 / 1965 - reparação de escadarias e obras diversas; 1969 - obras de adaptação e conservação; transformação dos nichos do primeiro registo da fachada principal em janelas; colocação de mesa de altar recente na capela-mor: aplicação de reboco areado na abóbada de caixotões da capela-mor; 1999 - aprovação condicional do projecto de construção do edifício sede, devido ao seu desenquadramento na envolvente.

Observações

*1 - tinha uma fachada maneirista, circunscrita por duas pilastras toscanas e remate em cornija, sendo rasgada por portal encimado pelo escudo e coroa reais e, superiormente, varandins; na zona inferior, lojas destinadas a salas de aundiência e o salão nobre era forrado de madeira de castanho, mobilado com uma mesa e cadeiras (custaram, em 1782, 43$200), escrivaninha, cofre-cartório e fogareiro a carvão.

Autor e Data

Margarida Conceição 1994 / Paula Figueiredo 2005

Actualização

 
 
 
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