Porca de Murça

IPA.00005266
Portugal, Vila Real, Murça, Murça
 
Arquitectura religiosa, proto-histórica. Berrão em pedra, considerado pelos estudiosos como estátua votiva e o que leva a admitir a existência de um culto zoolátrico, onde determinados animais eram sagrados, mas a que foi feita a atribuição errada de fémea imortalizando-se com a designação de Porca de Murça.
Número IPA Antigo: PT011707050006
 
Registo visualizado 643 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Estrutura  Religioso  Monumento escultórico    

Descrição

Sobre soco de planta rectangular de ângulos curvos, assenta plinto rectangular, bastante alto, demarcando a base, com os ângulos igualmente curvos, tendo nas faces laterais almofada em losango saliente e terminando em diferentes molduras. Suporta escultura zoomórfica representando um porco ou berrão, lavrada numa peça única de granito, de grau grosso, com muitos grãos de quartzo, apresentando pequenas quantidades de mica branca. A escultura apresenta no focinho a marcação dos olhos, em covinhas cónicas, com a testa curta, acentuada e inclinada, seguindo-se um focinho grosso e curto, sem marcação de boca; tem simuladas as orelhas pelo saliente correspondente à nuca, estendendo-se para os lados. No dorso tem espinhaço, embora não muito saliente, que se espraia na altura do pescoço formando as saliências que deverão corresponder às orelhas; no lado direito na metade inferior da barriga tem bucara. Na sua retaguarda são representados o ânus e os órgãos sexuais, persistindo a maior parte da saliência do testículo esquerdo, enquanto que o direito foi destruído por picotado.

Acessos

Largo 31 de Janeiro, ao km 145 da EN 15. VWGS84 (graus decimais) lat.: 41,407264; long.: -7,453384

Protecção

Inexistente

Enquadramento

Urbano, isolado, numa das principais praças da vila, de planta triangular, pavimentada a calçada à Portuguesa, formando motivos ondulados, enquadrada com placas ajardinadas, pontuadas de árvores e com bancos de jardim, e circunscrita por estradas, uma delas que atravessa a povoação; implanta-se no centro da praça e inserida numa placa ajardina com flores. Nas imediações, ergue-se a Igreja Paroquial (v. PT011707050004) e um pouco mais à frente, numa outra praça, o Pelourinho (v. PT011707050001) e o edifício da Câmara Municipal.

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Religiosa: monumento escultórico

Utilização Actual

Cultural e recreativa: marco histórico-cultural

Propriedade

Pública: municipal

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Proto-História

Arquitecto / Construtor / Autor

EMPRESA DE RESTAURO: Statua (2005).

Cronologia

Proto-História - época de construção do berrão; 757 - segundo a lenda, os habitantes da vila obrigavam-se a pagarem até ao fim do mundo o foro de três arráteis de cera, anualmente, junto ao monumento *1; 1548 - referida pela primeira vez por João de Barros, como se erguendo na mesma praça onde ficava o pelourinho de Murça "hu grande Boi feito de pedra mui antigo, como hu que està na ponte de Salamanca"; séc. 19, 2ª metade / séc. 20, 1ª década - durante as lutas eleitorais travadas entre regeneradores e históricos ou progressistas, a Porca, emblema do Município, era pintada ora de azul, vencendo os regeneradores, ora de vermelho, vencendo os progressistas; 1880 - carta de Martins Sarmento ao Prof. Leite de Vasconcelos comunicando-lhe que o informaram de que em certos casos de crime, a mudança da porca que ainda mostrava restos de pintura vermelha, dava sinal de culpabilidade ou inocência do réu; 1892 - fotografia mostrava que a porca estava na praça fronteira à Câmara Municipal, em posição lateral e virada para o antigo Convento Beneditino; 1907 - a porca implantava-se já sobre o plinto ovalado actual, no ângulo S. da Praça do Município, o qual era rodeado por gradeamento de ferro; segundo António Luís Pinto da Costa, a construção do plinto ovalado e da grade à volta teria sido construído, apenas em 1912, por António Alves de Medeiros e Francisco Gonçalves de Oliveira, emigrantes em São Tomé; 1910, 5 Outubro - aquando da implantação da República, a porca foi pintada de vermelho e verde; 1927 - aquando da dissolução do julgado de Murça e a sua integração no de Alijó, a porca foi pintada de preto e de branco, mas como a tinta preta não pegou, ficou só de branco; 1930, década - transferência da porca para a Pç. 31 de Janeiro, posteriormente designada de 25 de Abril, por iniciativa da Câmara Municipal, sendo presidente José Baptista Lobo; ajardinamento da praça 31 de Janeiro; 1958, Outubro - ajardinamento da praça onde se implanta a porca, com projecto do Arquitecto Heitor Bessa; 2004 - visita para elaboração da Carta de Risco pela DGEMN/DREMNorte.

Dados Técnicos

Sistema estrutural elementar.

Materiais

Estátua e plinto em granito.

Bibliografia

ALVES, Francisco Manuel, Memórias Arqueológicas-Históricas do Distrito de Bragança, vol. IX, Porto, 1934, p. 546; CARDOSO, Nuno Catharino, Pelourinhos de Traz-os-Montes, Lisboa, 1936; COSTA, António Carvalho da, Corografia Portugueza e descripçam topografica do famoso reino de Portugal, tomo I, Lisboa, 1706, p. 644; COSTA, António Luís Pinto da, O Concelho de Murça (Retalhos para a sua história), Murça, 1992; FERNADES, João Luís Teixeira, Murça. História, Gentes, Tradições, Murça, 1985; JÚNIOR, Joaquim Rodrigues dos Santos, Berrões proto-históricos do Nordeste de Portugal, Porto, 1975, p. 14 - 23; LEAL, Augusto Soares d'Azevedo Barbosa de Pinho, Portugal Antigo e Moderno, vol. 5, Lisboa, 1975, p.591; LOPO, Joaquim de Castro, Excursão a Torre D. Chama, O Archeologo Português, 1 (9), Lisboa, 1895, p. 232 - 237; VASCONCELLOS, José Leite de, Religiões da Lusitânia, vol. III, Lisboa 1913, p. 16 - 20.

Documentação Gráfica

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID, DGEMN/DREMN

Documentação Administrativa

Intervenção Realizada

CMM: 1918 - colocação da escultura em plinto, na Pç. 5 de Outubro, junto à Igreja Paroquial de Murça; 1933 - deslocação da escultura para o Lg. 31 de Janeiro, em Murça; 1970, década - arranjo da Praça 5 de Outubro, onde se erguia a porca; 2004 - reestruturação da praça 5 Outubro; 2005 - obras de recuperação pela empresa Statua e com o apoio da DGEMN na elaboração do processo.

Observações

*1 - Segundo a lenda, no séc. 08, a povoação e o seu termo era assolada por grande quantidade de ursos e javalis. Os senhores da vila através de montarias acabaram por extingui-los ou escorraça-los para longe, mas havia uma porca, outros diziam uma ursa, que se tornara o terror dos povos, devido à sua grande corpulência, ferocidade e por ser tão matreira que não conseguiam matá-la. Em 757, o Senhor de Murça conseguiu finalmente matar o animal. Assim, como memória da façanha e reconhecimento pelo benefício, construiu-se o actual monumento, comprometendo-se os habitantes da povoação, por si e seus sucessores, a pagarem anualmente de foro, até ao fim do mundo, cada fogo 3 arráteis de cera, junto ao próprio monumento. *2 - O berrão tem 1,70 de comprimento, a largura das patas posteriores é de 34 cm e as anteriores de 25 cm e 55 cm entre umas e outras; a altura no aprumo das patas posteriores é de 92 cm e no das anteriores 95 cm; perímetros: nas virilhas 2,05 cm, a meio da barriga 2,11 cm, nas axilas 2,10, no pescoço 1,70 e da ponta do focinho 87 cm; a traseira tem 91 cm de altura e 50 de largura.

Autor e Data

Ricardo Teixeira e Paulo Amaral 1996 / Paula Noé 2007

Actualização

 
 
 
Termos e Condições de Utilização dos Conteúdos SIPA
 
 
Registo| Login