Igreja de Azurara / Igreja de Santa Maria

IPA.00005240
Portugal, Porto, Vila do Conde, Azurara
 
Arquitetura religiosa, tardo-gótica, manuelina, maneirista e barroca. Igreja paroquial de planta retangular e três naves escalonadas, seguindo, tardiamente, esquemas mendicantes, dividida internamente em cinco tramos, definidos por arcos torais e pilares facetados, com coberturas diferenciadas em tetos de madeira nas naves e em abóbada artesoada na capela-mor, escassamente iluminada por frestas rasgadas nas fachadas laterais. Fachada principal tripartida, revelando a estrutura interna, com o lado esquerdo marcado por torre sineira de dupla ventana, tendo os vãos rasgados em eixo composto por portal de volta perfeita, de decoração manuelina, e por rosácea. Fachadas rematadas em cornija e parapeito com ameias decorativas, as laterais rasgadas por portas travessas. Interior com amplo coro-alto, batistério no lado do Evangelho, capelas laterais de talha barroca. Arco triunfal assente em colunelos manuelinos, ladeado por retábulos colaterais de talha maneirista, de dois registos e três eixos, rematados por tabelas. Capela-mor com supedâneo de degraus centrais, setecentista, com retábulo-mor de talha dourada do estilo barroco nacional, de corpo côncavo e um eixo. Igreja paroquial de construção tardo-gótica, mantendo-se arreigada às estruturas mendicantes, com elementos decorativos manuelinos, visíveis no portal axial, enquadrado por alfiz, ornado por elementos vegetalistas platerescos, encimado por nicho que se liga por elementos fitomórficos à estrutura do pórtico. A porta travessa do Evangelho é, claramente, de construção recente, sendo a oposta em arco abatido, com decoração de friso boleado e colunelos manuelinos. Também no interior a decoração fitomórfica impera nos capitéis, pilares e arcos da nave, estes de arestas biseladas, quinhentistas. A torre sineira é possante, típica de Quinhentos, com três registos, janela de sacada ornada e sineiras duplas em cada face. Na fachada posterior, capela adossada, com mísula e cartela recortada, de feição tardo-seiscentista. Interior com capelas laterais reaproveitando estruturas do estilo barroco nacional, ampliadas no séc. 20, com painéis pintados de inspiração rococó, o do Evangelho mantendo o fundo do nicho estofado, a imitar adamascados. Os retábulos colaterais são maneiristas, de dois pisos, com painéis pintados, os do Evangelho bastante adulterados, possuindo, na base, plintos e painéis de decoração rococó, de talha gorda, típicos do norte do país. Capela-mor com supedâneo ornado nos socos por cartelas e motivos vegetalistas. A cobertura da capela-mor apresenta bocetes decorados com motivos régios manuelinos (escudo, esfera armilar e cruz de Cristo), tendo mísulas profusamente ornadas com motivos vegetalistas. Possui dois painéis de azulejo figurativo joanino e uma porta fingida, sendo percetível, nas fotografias da nave, anteriores ao restauro, a existência de reaproveitamentos azulejares, revelando a existência de maior número de painéis primitivamente. O pavimento da nave, em taburnos e lajeado, possui várias lápides sigladas e sepulcrais, amputadas, sendo visíveis algumas inscrições. Na sacristia, o espaldar do armário reaproveita elementos de talha em branco.
Número IPA Antigo: PT011316040005
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Templo  Igreja paroquial  

Descrição

Planta retangular irregular, composta por três naves escalonadas, capela-mor, com capela adossada à fachada posterior, sacristia e torre sineira adossados ao lado esquerdo. Fachadas em cantaria de granito aparente, em aparelho isódomo, exceto na capela posterior, rebocadas e pintadas de branco, percorridas por socos de alvenaria e rematadas em cornija, sendo encimada, nos corpos da nave central e capela-mor, em ameias decorativas, tendo, na base, várias gárgulas de canhão e zoomórficas, em cantaria; a capela-mor possui contrafortes escalonados na fachada posterior. Fachada principal virada a O., com corpo central em empena truncada por pequeno frontão semicircular, parcialmente revestido com placas cerâmicas, assente em cornija, ladeada por consolas e esferas armilares sobre bases troncocónicas. Está dividido em dois registos por friso em toro, o inferior rasgado por portal em arco de volta perfeita, assente em fino colunelo, sobre bases de toros e escócias, com arquivolta boleada, envolvido por arquivolta côncava, ornada por motivos fitomórficos, envolvido por alfiz, flanqueado por pilares torsos, com anel central, encimado por friso fitomórfico, interrompido por acantos. Sobre o friso, pilares retilíneos, encimados por pináculos, de onde evolui friso recortado, que centra nicho, flanqueado por colunas e sobrepujado por baldaquino, ornado por folhagem e, na zona inferior, falsos arcos lobulados. No segundo registo, um óculo circular com molduras múltiplas e pontuado por rosetas. No lado direito, o corpo da nave lateral, em meia-empena e cego. No lado esquerdo e levemente saliente, a torre sineira, com quatro registos separados por cornija, o inferior marcado por pequena fresta, surgindo no segundo, um balcão assente em três mísulas, para onde abre porta de verga reta e moldura simples, encimado por frontão interrompido por volutas e dois escudos, o superior régio e com coroa aberta; no imediato, janela jacente, em capialço, tendo, na face posterior, duas frestas e mostrador do relógio, e, no topo, duas ventanas em cada face, em arcos de volta perfeita. Nos ângulos, pináculos em barrete de clérigo, sobre plintos paralelepipédicos; interior com escadas de caracol, em cantaria de granito. Fachada lateral esquerda com o remate em cornija percorri