Palácio do Barão de Quintela e Conde de Farrobo

IPA.00005195
Portugal, Lisboa, Lisboa, Misericórdia
 
Arquitectura residencial, pombalina. Trata-se de um palácio e da casa-nobre de tradição setecentista, com ecletismos de matriz neoclássica ou neo-barroca que figura "desejos de representação social e simbólica."
Número IPA Antigo: PT031106150052
 
Registo visualizado 2802 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Residencial senhorial  Casa nobre  Casa nobre  Tipo planta retangular

Descrição

Planta rectangular, simples, com 2 pequenos pátios interiores, também rectangulares, a que se adossa a S. corpo rectangular correspondente às antigas cocheiras. A E. jardim murado, em cota superior à fachada principal. Volumetria de dominante horizontal com cobertura efectuada em telhados de duas águas e pirâmidal no lanternim octogonal que se ergue na zona central. Fachadas rebocadas e pintadas de cinzento, com embasamento de cantaria e remate em cornija. Fachada principal a O., de dois e três registos, devido ao declive do terreno, com panos murários delimitados por pilastras romanas colossais, rasgada por portas e janelas, sendo as do último registo de sacada, com molduras recortadas encimadas por cornija e varandas protegiadas por grades de ferro, com mezanino, junto à cobertura, a percorrer toda a fachada. Ao centro, corpo destacado, rematado por frontão triangular aberto por óculo circular, ladeado por urnas com fogaréus. Portal principal, de arco de volta perfeita demarcado na chave, com tímpano de grade, rodeado por revestimento de pedra fendida, ladeado por pilastras com decoração a meia altura e par de janelas, inferiormente e superiomente. No registo superior, três janelas de sacada, sendo a central coroada por frontão curvo, que se abrem para varanda contracurvada, protegiada por grade de ferro. Nos corpos laterais rasga-se na cobertura duas águas furtadas. No seguimento da fachada para S., pátio fechado por alto muro, ritmado por pilastras de cantaria sobrepojadas por vasos, com portal, ao centro, em arco de volta perfeita, com tímpano gradeado, rematado por frontão curvo. O pátio destinado à entrada das carruagens comunica com as antigas cocheiras e com o jardim, por escadaria, junto à fachada lateral S. do palácio, rasgada por portas e janelas, sendo as do registo superior idênticas às da fachada principal. Fachada posterior a E., de um só registo, com janelas de cave, junto ao pavimento e mezzanino junto à cobertura. Panos murários delimitados por pilastras romanas de pedra fendida, rasgada por portas e janelas protegidas por tapa sol. Corpo central destacado, rematado por frontão triangular vazado por óculo circular, ladeado por decoração de grinaldas. Ao centro, porta em arco de volta perfeita, precedida por escadaria de dois lanços rectos divergentes, de acesso ao jardim. INTERIOR com vestíbulo seccionado por arco abatido, dando acesso a escadaria de dois lanços, decorada com pintura a têmpera sobre estuque, representando Os Trabalhos de Hércules e tecto de estuque relevado com uma pintura central figurando Mercúrio; no vitral iluminante do topo do patamar intermédio observa-se uma representação das armas do conde de Farrobo, cuja leitura heráldica é: cruz de prata florenciada em campo vermelho, 3 faixas de ouro, cada uma com uma flor-de-lis, em banda. Possui cobertura com cúpula oitavada, encimada por lanternim. No nível superior, surgem várias portas de acesso às dependências com molduras de mármore cinzento. A Sala Romana ou Salão Nobre abre para a fachada principal, ostenta nas paredes pinturas simulando tapeçarias, cuja temática é O Rapto das Sabinas, seis painéis rectangulares, a representar cenas romanas e um medalhão superior com a lenda de Rómulo e Remo. O tecto é em estuque relevado patinado com pintura a óleo figurando Júpiter. A Sala de Baile tem o tecto em estuque relevado e dourado, com pintura alegórica, alusiva ao Vintismo. A Sala de Jantar abre para o jardim e tem tecto com ornamentos de estuque relevado e dourado em torno de uma pintura central alegórica. A propriedade é delimitada a E. por muro, guarnecido por soco e cimalha de cantaria; nele abre-se um pórtico em arco de volta inteira flanqueado por pares de pilastras de cantaria e superiormente rematado por platibanda monumental decorada por motivos circulares e encimada por vasos ornamentais.

Acessos

Rua do Alecrim, n.º 56 a 72; Rua António Maria Cardoso, n.º 37

Protecção

Categoria: IIP - Imóvel de Interesse Público, Decreto nº 28 536, DG, 1.ª série, n.º 66 de 22 março 1938 *1 / Incluído na classificação da Lisboa Pombalina (v. IPA.00005966) e na Zona de Proteção do Castelo de São Jorge e restos das cercas de Lisboa (v. IPA.00003128)

Enquadramento

Urbano, integrado na malha urbana, implantado em terreno de acentuado declive, em cujas frentes de rua se encontram a cotas muito diferenciadas, adossado a N., junto à fachada principal, à Igreja da Encarnação (v. PT031106150521) e junto à fachada posterior, ao edifício do Chiado Terrasse (v. PT031106150507). Junto à fachada principal abre-se amplo largo com rotunda ajardinada com palmeiras, e ao centro, estátua, em bronze, do escritor Eça de Queirós.

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Residencial: casa nobre

Utilização Actual

Residencial: casa nobre / Política e administrativa: serviços académicos / Comercial: loja

Propriedade

Privada: pessoa singular

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 18 / 19

Arquitecto / Construtor / Autor

ARQUITECTOS: João Baptista Hildebradt (1822). DECORADOR: Giuseppe Cinatti (1822). ESTUCADOR: Félix Salla. PINTORES António Manuel da Fonseca (1822-1878); Domingos Costa (1944).

Cronologia

1757 - aquisição, por Luis Rebelo Quintela, das ruínas do antigo palácio do 2º marquês de Valença e Conde do Vimioso, incendiado em 1729; 1788 - Joaquim Pedro Quintela adquire terrenos contíguos e empreende a edificação do palácio, doando à Câmara um espaço contíguo, para ser feito um largo com o seu nome; 1788 - construção dos jardins, com cascata e vários tanques de água; 1807 / 1808 - o general Junot toma o palácio para sua residência e quartel-general aquando da 1ª invasão francesa; 1817, 1 Outubro - nomeação de Joaquim Pedro Quintela, como primeiro Barão de Quintela; 1820 - General Cabreira estabelece no local o seu quartel general; 1822 - Joaquim Pedro, 2º barão de Quintela e 1º conde de Farrobo, leva a cabo uma campanha de redecoração e enriquecimento artístico do palácio, requisitando os serviços do arquitecto João Baptista Hildebradt, do estucador Félix Salla, do pintor António Manuel da Fonseca e do decorador Cinatti; 1828 - demolição da barraca do largo; parte do palácio foi alugado ao Cônsul de França; 1869, 24 Setembro - morte do Conde de Farrobo; 1873 / 1875 - no palácio funciona o Grémio Literário; 1874 - na sequência da falência dos Quintela - Farrobo, o palácio vai à praça, sendo adquirido pelo capitalista Mendes Monteiro, que o lega a seu filho, António Carvalho Monteiro; 1876 - pensa-se construir um hotel no local; 1878 - o pintor António Manuel da Fonseca restaura as pinturas que ele próprio executara; 1927 - o palácio permanece na posse dos descendentes de Carvalho Monteiro, passando neste ano para a Casa Pombal em virtude do casamento de Maria Nazaré Monteiro de Almeida com Sebastião de Carvalho Daun e Lorena, 8º Marquês de Pombal; séc. 20 - nesta centúria o palácio conhece regime de arrendamento; 1944 - pintura mural de Domingos Costa; séc. 20 - durante as décadas de 80 e 90 funcionou no edifício a escola do Instituto de Artes Visuais e Design, Marketing, S.A. (IADE), posteriormente transferida para o edifício na Avenida D. Carlos I (da autoria do arquitecto Tomás Taveira); 1999, 9 Setembro - elaboração da Carta de Risco do imóvel pela DGEMN; 2006, 22 agosto - parecer da DRCLisboa para definição de Zona Especial de Proteção conjunta do castelo de São Jorge e restos das cercas de Lisboa, Baixa Pombalina e imóveis classificados na sua área envolvente; 2011, 10 outubro - o Conselho Nacional de Cultura propõe o arquivamento de definição de Zona Especial de Proteção; 18 outubro - Despacho do diretor do IGESPAR a concordar com o parecer e a pedir novas definições de Zona Especial de Proteção.

Dados Técnicos

Paredes autoportantes

Materiais

Alvenaria mista, cantaria de calcário, madeira, azulejos, estuque pintado, vitral

Bibliografia

ANACLETO, Regina, Neoclassicismo e Romantismo, in AA VV, História da Arte em Portugal, Lisboa, 1986; ARAÚJO, Norberto de, Inventário de Lisboa, Fasc. 8, Lisboa, 1950; CALADO, Maria, FERREIRA, Vitor Matias, Lisboa. Freguesia da Encarnação (Bairro Alto), Lisboa, 1992; Escola Profissional de Recuperação do Património de Sintra, Relatórios da intervenção na pintura mural da entrada do Palácio Quintela, Cacém, 1993; FRANÇA, José-Augusto, A Arte em Portugal no Século XIX, Lisboa, 1966; GALVÃO-TELLES, João Bernardo, Da Rua Formosa à Rua do Alecrim: um passeio pelas residências lisboetas dos marqueses de Pombal, Olisipo, S.2, nº10, Out. 1999, pp.54-65; VITERBO, Sousa, Diccionario Historico e Documental dos Architectos, Engenheiros e Construtores Portuguezes ou a serviço de Portugal, Lisboa, Imprensa Nacional, 1904, vol. II.

Documentação Gráfica

Escola Profissional de Recuperação do Património de Sintra

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID, Carta de Risco; Escola Profissional de Recuperação do Património de Sintra

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN/DSID, Carta de Risco; CML: Arquivo de Obras, pº nº 8.527; Escola Profissional de Recuperação do Património de Sintra

Intervenção Realizada

Escola Profissional de Recuperação do Património de Sintra: 1993 - intervenção na pintura mural da entrada do edifício, com fixação e consolidação da película cromática, limpeza, levantamento de repintes e protecção da pintura; 1994 - Pintura e limpeza de cantarias da fachada.

Observações

*1 - DOF: ... incluindo os jardins, muros e pórtico de acesso pela Rua António Maria Cardoso.

Autor e Data

Teresa Vale e Carlos Gomes 1994

Actualização

Lobo de Carvalho e Teresa Ferreira 1999
 
 
 
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