Convento de São João Evangelista / Convento do Beato António / Fábrica da Antiga Companhia Industrial de Portugal e Colónias

IPA.00005194
Portugal, Lisboa, Lisboa, Beato
 
Arquitectura religiosa, maneirista e barroca. Convento de Lóios. Torna-se um dos melhores exemplos de arquitectura industrial de Lisboa.
Número IPA Antigo: PT031106070146
 
Registo visualizado 780 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Convento / Mosteiro  Convento masculino  Congregação dos Cónegos Seculares de São João Baptista - Frades Lóios

Descrição

Planta composta pelo rectângulo em que se inscreve a antiga igreja e pelas primitivas dependências conventuais organizadas em U em torno do claustro. A construção constitui-se em volumes diferenciados, com cobertura em telhados de uma, duas e quatro águas. Precedida de galilé, a antiga IGREJA apresenta uma fachada (S.) organizada em três registos, observando-se no piso térreo o portal, em arco de volta inteira, encimado por óculo e ladeado por janelas rectangulares. Um friso opera a transição para o segundo, onde se abrem janelas retangulares com vergas de cantaria salientes. O último registo, precedido por cornija, era ritmado por óculos ovais, hoje entaipados com excepção do central. O INTERIOR é constituído por uma só nave - subdividida em altura por um piso assente numa estrutura de ferro oitocentista, com dez capelas laterais, transepto inscrito e capela-mor profunda. Do primitivo complexo conventual destacam-se ainda o claustro, de dois pisos e integralmente de cantaria de mármore, atualmente coberto por uma estrutura metálica, apresenta em cada uma das suas alas sete arcos de volta inteira encimados por janelas de sacada rectangulares. O refeitório é um compartimento de planta retangular coberto por abóbada em arco abatido. No muro lateral direito abrem-se seis janelas e podem ainda observar-se vestígios do primitivo revestimento azulejar do final de Seiscentos, do tipo albarradas. No muro de topo rasgam-se outras duas janelas. A escadaria, conducente ao piso superior, desenvolve-se a partir de um espaço ao qual se acede por três arcos trilobados em dois lanços retos que se reunem num patamar intermédio, de onde parte um só lanço central até ao andar superior; é ladeada por semi-balaustradas encastradas nos muros. No átrio superior observam-se quatro portas com almofadas salientes e emolduramento de mármore.

Acessos

Alameda do Beato, Rua do Beato

Protecção

Categoria: IIP - Imóvel de Interesse Público, Decreto n.º 29/84, DR, 1.ª série, n.º 145 de 25 junho 1984 *1 / Parcialmente incluído na Zona de Proteção da Fábrica A Nacional (v. IPA.00027678)

Enquadramento

Urbano, destacado, implantado a meia-encosta, com acesso por ampla alameda, a Alameda do Beato, tendo, na fachada posterior, a linha férrea.

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Religiosa: convento masculino

Utilização Actual

Comercial: espaço de eventos

Propriedade

Privada: pessoa colectiva

Afectação

Sem afetação

Época Construção

Séc. 15 / 17 / 20

Arquitecto / Construtor / Autor

ARQUITECTO: Porfírio Pardal Monteiro (1948). ENGENHEIRO: Pedro Kopke Pardal Monteiro.

Cronologia

Séc. 15 - construção de uma ermida com o orago de São Bento, por ordem de D. Estêvão de Aguiar, abade de Alcobaça; é oferecida à rainha D. Isabel como prenda de casamento, destinando-a, aquela, à fundação de uma Congregação de Cónegos de São Salvador de Vilar de Frades; 1461 - já depois da morte da rainha, D. Afonso V executa a obra, instalando no local uma comunidade religiosa de Cónegos Regrantes de São João Evangelista (Lóios), constituindo-se assim o convento; 9 março - bula do Papa Pio II a autorizar a fundação; séc. 15, final - a comunidade é apoiada financeiramente pela rainha D. Leonor; 1570 - 1602 - residência neste convento do Padre António da Conceição que angariou os necessários meios para a construção da nova igreja e para efetuar melhoramentos no edifício; este religioso, beatificado no séc. 18, acaba por ficar ligado à toponímia ("sítio do Beato António", "Convento do Beato"); 1622 - construção da capela-mor por D. Joana de Noronha, que tresladou para o local as ossadas do seu irmão, falecido em Ceuta, em 29 de abril de 1553; séc. 17, meados - o convento possui 2000 cruzados de renda e nele habitavam 37 religiosos e 26 criados; 1697 - decorrem obras no convento, tendo sido construído o claustro e a escada regral; 1755, 01 novembro - o edifício regista poucos danos causados pelo terramoto; na sequência do terramoto, os frades abandonam o convento, levando várias riquezas que ele possuía, incluindo tumulária; foi instalado no local o Real Hopital Militar; final - um incêndio destrói o pouco do recheio artístico que o edifício possuía; 1834 - a igreja foi assaltada, tendo sido roubadas várias alfaias; 1835 - transferência da sede da paróquia para a igreja do antigo convento dos Grilos (v. PT031106070311); 1843 - aquisição do edifício pelo industrial João de Brito, que nele instala uma fábrica de vapor de moagem de pão e bolachas, bem como uma oficina de carpintaria; 1840, cerca - um incêndio consumiu a antiga igreja e parte do antigo complexo conventual; 1845 - instala-se no que resta do edifício uma fábrica de tabacos e, mais tarde, a Companhia Industrial de Portugal e Colónias; 1948 - data do projecto, da autoria de Porfírio Pardal Monteiro; 1952 - ano de conclusão das obras; 1998, novembro - elaboração da Carta de Risco do imóvel pela DGEMN; 1999 - aquisição do espaço pelo grupo Cerealis; 2004, 28 julho - incêndio destrói a cobertura da escadaria e parte das antigas dependências conventuais.

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes portantes; estrutura mista.

Materiais

Alvenaria mista, cantaria de calcário, mármore, alvenaria de tijolo, ferro fundido, azulejos, madeira, estuque pintado.

Bibliografia

ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, Vol. III, Livro XV, Lisboa, 1939; BARBOSA, Inácio de Vilhena, Fragmentos de um Roteiro de Lisboa (Inédito), in Annuario do Archivo Pittoresco, vol. IV - VIII, Lisboa, 1861 - 1865; CAEIRO, Baltazar Matos, Os Conventos de Lisboa, Lisboa, 1989; CASTRO, João Baptista de, Mappa de Portugal, Lisboa, 1762 - 1763; CONSIGLIERI, Carlos e OUTROS, Pelas Freguesias de Lisboa. Lisboa Oriental, Lisboa, 1993; História dos Mosteiros, Conventos e Casas Religiosas de Lisboa, Vol. 1, Lisboa, 1950; PEREIRA, Luis Gonzaga, Monumentos Sacros de Lisboa em 1833, Lisboa, 1927; SANTOS, Raul Esteves dos, Os Tabacos e a Sua Influência na Vida da Nação, Lisboa, 1974; SOUSA, J. M. Cordeiro de, O Panteon dos Condes de Linhares em Xabregas, in Olisipo, n.º 18, 1942.

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DSID, Arquivo Pessoal de Porfírio Pardal Monteiro (PPM NT5 UAC74.1, 74A, NT10 UAC74, 74B); IGESPAR: IPPAR

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN/DSID, Carta de Risco; CMLisboa: Arquivo de Obras (Processo nº 40.453)

Intervenção Realizada

Séc. 20, início - transformação do espaço da igreja em silos de cereais; 1983 - obras de recuperação geral; séc. 20, década 90 - recuperação da fachada, no contexto da EXPO 98 "Caminhos do Oriente".

Observações

*1 - DOF... Antigo Convento do Beato António, abrangendo a Igreja, o claustro, o refeitório e a escada de acesso ao pavimento superior e os elementos que lhe estão adjacentes, na Alameda do Beato e Rua do Beato.

Autor e Data

Teresa Vale e Carlos Gomes 1994

Actualização

Laura Figueirinhas e Lobo de Carvalho 1998
 
 
 
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