Mosteiro de Santa Maria de Semide / Mosteiro de Nossa Senhora da Assunção

IPA.00005126
Portugal, Coimbra, Miranda do Corvo, União das freguesias de Semide e Rio Vide
 
Mosteiro beneditino, que passou a feminino logo nos primórdios, de linhas equilibradas e austeras, de paredes despojadas, vãos de ritmo regular e geométrico; segue modelo das igrejas monacais da época; azulejos da nave de Sousa Carvalho, seguidor de Rifarto, do mesmo fabrico dos azulejos das galerias baixas dos Gerais da Universidade de Coimbra, fabrico coimbrão. Nada conserva da origem medieval. Esculturas do retábulo-mor, atribuído a Frei Cipriano da Cruz, de grande valor artístico em especial a figura de Santa Escolástica; a grade que separa o coro possui assinalável qualidade; as pinturas do cadeiral de carácter ingénuo apresentam marcante regularidade técnica; o órgão insere-se no período rococó. Destaque para os claustros, o primeiro renascentista e o segundo mais tardio centro da grande expansão construtiva de seiscentos, apenas com dois lados e nunca concluído.
Número IPA Antigo: PT020609040002
 
Registo visualizado 411 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Convento / Mosteiro  Mosteiro masculino  Ordem de São Bento - Beneditinos

Descrição

Planta composta, volumes articulados organizados em torno de dois claustros a S. flanqueados por dois corpos de 3 registos cada, desenvolve-se segundo linhas de força horizontais, a cotas diferentes, formando grosseiramente um U.. IGREJA de planta longitudinal simples, regular, coincidência exterior / interior; volumetria de dominante horizontal; cobertura diferenciada em telhado de duas águas na nave e cabeceira; fachada principal, a N., de linhas austeras, vãos de ritmo regular e geométrico em dois registos; possui elementos decorativos apenas no portal axial que dá acesso directo à nave, sensivelmente a meio, flanqueado por duas colunas jónicas de fuste liso; no entabelamento um medalhão em baixo relevo apresenta a imagem de São Bento e sobre aquele o escudo da Ordem, envolvido por folhagem e concheados que em volutas suportam dois anjos de asas abertas. INTERIOR: nave única, limitada nos topos pela capela-mor e coro monástico, desenvolve-se em dois registos de pano único, rematados por cornija corrida que serve de arranque à abóbada de berço; iluminada por 4 janelas de moldura simples; apresenta 6 capelas laterais a abrir para a nave através de arcos a pleno centro, com retábulos de talha; possui silhares de azulejos com cenas da infância de Cristo; Capela-mor encontra-se num plano inferior ao da nave apresenta igual largura, iluminada por duas janelas, com tecto em madeira dividido em 5 séries de caixotões, onde em cada painel se encontra representada uma cena da vida de São Bento; possui retábulo em talha dourada, com 2 esculturas de vulto, São Bento e Santa Escolástica; arco triunfal de volta perfeita em cantaria separa-a da nave; aqui encontram-se altares em talha dourada, no lado do Evangelho dedicado à Virgem, no lado da Epístola a São João Evangelista; corpo da igreja , pia baptismal e coro encontram-se revestidos a azulejo com temática agiográfica: Anunciação, Visitação, Reis Magos, Fuga, Circuncisão; coro separado da nave por por arco de volta perfeita arquitravado munido de grade de ferro com porta central; em redor do arco inserem-se pequenos nichos pintados de volta perfeita com imagens de São Brás e de Nossa Senhora do Calvário; coro iluminado por 4 janelas e revestido a azulejos em tapete, com dois alizares possui cadeiral onde a cada lugar corresponde uma pintura, em geral de Santo beneditino e também órgão sobre tribuna, com imagem de Santa Cecília; nas paredes existem algumas pinturas de cavalete, destacando-se uma figura da cabeça de Cristo com moldura dourada. Claustro mais antigo, de plano inferior, articula-se directamente com igreja; apresenta 2 pisos, de 5 vãos em cada lado, de arcos semi-circulares sobre colunas toscanas de capitéis variados; possui ainda restos de azulejos historiados, posteriores à época do claustro, datados e assinados; restam diversos arcos - capelas no claustro, hoje sem os pequenos retábulos; a S. porta de arco duplo com coluna medial dá acesso à sala do Capítulo que ainda possui vestígios de pinturas nas paredes de temática agiográfica e carácter popular; o claustro novo possui apenas as alas a N. e O., de desenvolvimento muito simples.

Acessos

EN. 171, Est. para Casal de Mosteiro

Protecção

Categoria: IIP - Imóvel de Interesse Público, Decreto nº 45/93, DR, 1ª série-B, n.º 280 de 30 novembro 1993

Enquadramento

Rural, a meia encosta, em plataforma natural de abundantes fontes de água, entre ribeira de Arouce e rio Ceira, envolvido por terras de cultivo e pequeno bosque.

Descrição Complementar

Sala do Capítulo e claustro antigo possuem campas com inscrições da época.

Utilização Inicial

Religiosa: mosteiro masculino

Utilização Actual

Educativa: escola profissional / Assistencial: centro de juventude

Propriedade

Pública: estatal / privada: Igreja Católica

Afectação

Convento e cerca cedidos à CEARTE e Cáritas Diocesana de Coimbra

Época Construção

Séc. 12 / 16 / 17 / 18

Arquitecto / Construtor / Autor

Frei Cipriano da Cruz (atr.) esculturas de São Bento e Santa Escolástica, séc.17-18; Sousa Carvalho ( azulejos claustro antigo, 1784 ); António Xavier Machado e Cerveira (organeiro).

Cronologia

1148 / 1154 - doação da Vila de Semide para a fundação do mosteiro à família Anaia; Semide topónimo provávelmente de origem árabe que significa flor de farinha; 1154, 30 Abril - Carta de Couto do mosteiro dada por D. Afonso I destinando-se a monges, tendo D. João como Abade; são prováveis padroeiros D. João Anaia e D. Martim Anaia, filhos de D. Anião da Estrada, natural das Astúrias e companheiro do Conde D. Henrique; 1164 - Vila de Semide recebe 1ª carta de povoamento concedida por Martim Anaia e sua mulher; 1183 - inclusão na congregação de São Bento (dependente de Tibães); mosteiro converte-se em casa de monjas com Sancha Martins como 1ª abadessa, descendente de Martim Anaia; 1200 - Bispo de Coimbra transfere para Sancha Martins todos os direitos que possuía em Semide a troco de 4 marcos de prata; séc.15 - D. Afonso V reconhece mosteiro e seus bens, colocando-o sob sua protecção; 1537 - construção do primeiro claustro; 1541 - Bispo de Coimbra a mando de D. João III faz inspecção ao mosteiro, seguindo-se importantes reformas e visita do rei; séc. 16 - esculturas de Nossa Senhora do Calvário e de São Brás; 1610 - progressivo assoreamento do rio obriga à transferência das freiras para Quinta em São Martinho do Bispo, mas após fortes protestos regressam a Semide; 1640 - data na verga da porta que dá acesso à Sala do Capítulo; 1664 - incêndio destrói grande parte do complexo, conduzindo a posteriores construções; séc. 17 - grande surto construtivo provávelmente em torno do claustro superior; azulejos do coro, esculturas de vulto e talha do retábulo-mor; execução de um órgão; 1697 - inaugurada fachada da Igreja, onde se destaca a porta barroca; séc. 18 - retábulos em talha das capelas laterais, azulejos da nave; alizares do coro do reinado de D. Maria; séc.18 - mosteiro objecto de sucessivas protecções por parte de D. Pedro II e D. João V; possui extensas terras pelas doações dos fiéis, heranças ou compra; 1779, 29 Agosto - visita e morte no mosteiro do Bispo D. Miguel da Anunciação, forte opositor do Marquês de Pombal; 1784 - colocação de azulejos no claustro do séc.16, de Sousa Carvalho; 1796 - feitura do órgão por António Xavier Machado e Cerveira, com 28 registos; 1807, 24 Outubro - determinação oficial para mosteiro socorrer doentes dos hospitais militares de Coimbra; 1834 - extinção das ordens religiosas leva à venda de considerável património móvel; 1858 - 1859 - por motivo de epidemias monjas recebem e educam orfãs; 1867 - por motivo de irregularidades disciplinares Bispo de Coimbra intervém; séc.19 - dificuldades económicas fazem o mosteiro depender economicamente das esmolas da ermida do Senhor da Serra; 1896, 21 Agosto - morre última freira professa D. Maria dos Prazeres Pereira Dias; 1964 - incêndio no mosteiro; 1990 - incêndio no mosteiro; séc. 20, últimas décadas - estudos do conjunto monástico: projectos de recuperação da zona em ruínas executados sucessivamente pelos Arquitectos João Nuno Soares (DREMC), Madeira Portugal (DGEMN), Arquitectos João Nuno Soares e Victor Mestre; plano de intervenção com vista à recuperação e reabilitação do Conjunto Arquitectónico Núcleo do Claustro do séc.16, pelo arquitecto Victor Mestre (DGEMN); 2000/2001 - escavações arqueológicas no clustro inferior, da responsabilidade de firma "Post Quem", decorreram em duas fases, pelos arqueólogos António Silva e Mónica Ginja; nas sondagens apareceram, entre o limite do convento e a respectiva entrada, 2 tipos de pavimentos, em pedra argamassada, entre a entrada do convento e o limite do terreiro, e junto à igreja, terra argilosa compactada com enterramentos subjacentes (cemitério), tendo-se verificado a existência de pedras de sepultura, reaproveitadas para capeamento dos muros do terreiro; Sondagens arqueológicas no terreiro, sendo o responsável o Arquitecto Paulo César Santos da D.R. Coimbra do IPPAR; 2005 / 2006 - acompanhamento arqueológico da obra de pavimentação do terreiro pelo Arqueólogo Sérgio Madeira; de fronte à igreja aparecem tampas de sepultura ladeadas por pavimento em calhau rolado; 2006, 25 Outubro - claustro quinhentista ruiu parcialmente devido a tempestade; 2018, 31 julho - a Assembelia da República recomenda ao Governo que dê continuidade às obras de restauro no Mosteiro, em Resolução da Assembleia da República n.º 219/2018, DR, 1.ª série, n.º 146.

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes portantes.

Materiais

Pedra, alvenaria de pedra (paredes), madeira (coberturas) betão (coberturas), azulejo, vidro, telha.

Bibliografia

ANTT, Mosteiro de Santa Maria de Semide, Livro 283, fls.158-163v; livro 288 da Antiga Colecção Especial Mosteiro de Semide, Mç. 1 a 4, 1 caixa com 5 mç; ASSUNÇÃO, Tomás Lino de, As monjas de Semide: reconstituição do viver monástico, Coimbra, 1900; GONÇALVES, Nogueira e CORREIA, A., Inventário Artístico de Portugal, Lisboa, 1953; Jornal Diário de Coimbra, Coimbra, 15 Setembro 2000, p.10; Jornal O Figueirense, Figueira da Foz, 29 Setembro 2000, p.10; MARTINS, Rui Cunha, Património, Parentesco e poder: o Mosteiro de Semide do século XII ao século XV, Lisboa, 1992; MATTOSO, Frei José, Semide, Santa Maria, in Documentos Beneditinos da Torre do Tombo, Lusitânia Sacra, Tomo VIII, Lisboa 1970, pp.272-279; MELO, Maria Teresa Osório de, O Mosteiro Beneditino de Santa Maria de Semide, Coimbra, 1992; NEVES, Padre Campos, O divino senhor da Serra de Semide, Coimbra, 1920; Revista Monumentos, nº 12, Março 2003. Revista Monumentos, nº 12, Março 2003; ROSEIRA, Abílio Manuel, Costumes de Semide: linguagem e folclore, Lisboa, 1935; VALENÇA, Manuel, A Arte Organística em Portugal, vol. II, Braga, 1990; http://www.patrimoniocultural.pt/pt/patrimonio/patrimonio-imovel/pesquisa-do-patrimonio/classificado-ou-em-vias-de-classificacao/geral/view/74998 [consultado em 23 agosto 2016].

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DREMC, CMMC

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID, DGEMN/DREMC; CMMC

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN/DSID, DGEMN/DREMC; CMMC

Intervenção Realizada

DGEMN: 1988 / 1991 - reconstrução das coberturas no sector N.; 1992 - reconstrução de pavimentos, tectos, vãos e instalação eléctrica; 1994 - consolidação de azulejos da capela-mor, nave e coro; obras de beneficiação; 1995 - elaboração da fase do projecto de execução e de arquitectura para recuperação da zona em ruínas; 1996 / 1997 - restauro das pinturas do cadeiral, obras de demolição das áreas impossíveis de reaproveitar, consolidação das arcadas em ruína; 2000 - recuperação refeitório, claustro e gabinete; 2004 - conclusão da primeira fase das obras de recuperação do imóvel; DGEMN (projecto), CMMC (execução): 2005 / 2006 - obras de pavimentação do terreiro; 2015 / 2016 - restaruo de peças pelos alunos do Cearte - Centro de Formação Profissional do Artesanato.

Observações

Autor e Data

João Cravo 1994 / Maria Bonina / Fernando Grilo 1996

Actualização

Maria Fernandes 2006
 
 
 
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