Convento de São Pedro de Ferreira / Igreja Paroquial de São Pedro de Ferreira / Igreja de São Salvador de Ferreira

IPA.00005096
Portugal, Porto, Paços de Ferreira, Ferreira
 
Arquitetura religiosa, românica. Convento de que subsiste a igreja monástica, composta por nave e capela-mor de perfil circular no exterior e poligonal interiormente, com coberturas interiores diferenciadas em vigamento de madeira na nave e em abóbada de berço na capela-mor, iluminada escassamente pelas janelas rasgadas nas fachadas laterais e nas empenas. Fachada principal em empena, com portal inscrito em maciço e escavado, composto por várias arquivoltas decoradas, assentes em colunelos, com pequena fresta sobre o portal. Fachadas rematadas em bandas lombardas e cornijas, as laterais rasgadas por portas travessas escavadas e de arquivoltas. A nave divide-se em tramos, marcados exteriormente por contrafortes e, interiormente, por colunelos. O interior tem pia batismal de feitura recente no lado do Evangelho. Arco triunfal de volta perfeita e com duas arquivoltas, tendo a capela-mor dois registos, o superior com arcadas cegas ou a envolver a fresta central e por nichos no registo inferior. É um dos monumentos românicos portugueses mais cuidados, destacando-se pela elevação excessiva das suas paredes e pelo carácter elaborado do plano da cabeceira. Apesar da unidade arquitectónica que evidencia, detectam-se três correntes estilísticas com origem em Zamora, Porto e Unhão. Na capela-mor a construção do primeiro tramo, mais largo e mais alto, revela a adopção da solução típica do alto Minho. Internamente, o fecho da capela-mor com forma poligonal, em três panos, lembra a solução da Igreja de Roriz, embora haja diferenças notórias entre elas.
Número IPA Antigo: PT011309050001
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Convento / Mosteiro  Mosteiro masculino  Ordem dos Cónegos Regrantes de Santo Agostinho

Descrição

Planta rectangular composta por igreja de uma só nave com quatro tramos e capela-mor de perfil curvo exteriormente e interior poligonal, antecedida por nártex atualmente incompleto e que constituía o primitivo terreiro, composto por muro em cantaria de granito em aparelho isódomo, com pavimento em lajeado, com acesso por arco de volta perfeita, ladeado por campanário em cantaria, rematado em empena e rasgado por duas amplas ventanas de volta perfeita, com sinos, surgindo uma terceira no vértice da empena. No lado direito, um vão composto por arco de volta perfeita. O templo é de volumes articulados e escalonados com coberturas diferenciadas em telhados de duas águas na nave e de nove na capela-mor. Fachadas em cantaria de granito aparente, em aparelho isódomo, rematadas em bandas lombardas e cornija, exceto na fachada principal, apenas em cornija. Fachada principal virada a O., em empena, alteada relativamente ao telhado, com cruz de Cristo no vértice; possui o maciço do portal saliente, inscrito por gablete e com a porta escavada e em arco de volta perfeita, formando cinco arquivoltas compostas por aduelas vazadas e recortadas, sustentadas por oito colunelos com capitéis decorados por motivos vegetalistas, geométricos e zoomórficos, assentes sobre ábaco ornado por friso de corações, que se prolongam parcialmente pelo maciço; a arquivolta exterior é emoldurada por friso vegetalista. Possui tímpano pleno, sustentado por impostas salientes simples. Sobre o portal, uma fresta com os topos curvos. As fachadas laterais são semelhantes, marcadas por cinco contrafortes externos, que marcam os tramos interiores da nave, dando origem a quatro panos, cada um deles rasgado por frestas. Num dos panos, as portas travessas, escavadas, compostas por arcos apontados com três arquivoltas assentes em dois colunelos, com as bases decoradas e capitéis cúbicos, ornados por elementos volutados e influenciados pela cestaria; tem tímpano pleno dintelado, sustentado por impostas salientes. Estão protegidos por portas de duas folhas de madeira, pintadas de verde. A fachada lateral esquerda possui um pequeno anexo, correspondente à sacristia, quadrangular e com cobertura a três águas, com as faces rasgadas por frestas, surgindo, na N., porta de verga recta. A cabeceira possui um primeiro pano em ressalto, sendo o restante muro dividido em cinco panos por colunelos, possuindo dois registos marcados por friso cordiforme. Na empena do primeiro pano, uma cruz vazada, sendo visível, na empena do arco triunfal, uma cruz de Cristo e um óculo lobulado. No INTERIOR, a nave tem os tramos definidos por colunas colossais adossadas com capitéis lisos, em forma de anel, e plintos ricamente decorados, sendo percorrida por friso decorado por motivos cordiformes. As paredes são em cantaria de granito aparente, com teto em vigamento de madeira e pavimento em lajeado de granito. As frestas laterais são envolvidas por amplas molduras de volta perfeita, de arestas boleadas. No lado do Evangelho, a pia batismal, em cantaria de granito, composta por pé tronco-piramidal e taça facetada e ornada por apainelados em negativo. Sobre um degrau que marca o presbitério e no lado da Epístola, um órgão de tubos. Arco triunfal de volta perfeita com duas arquivoltas e assente em duas colunas adossadas, rodeado por friso fitomórfico. A capela-mor tem dois tramos separados por pilastras fasciculares, sendo o posterior poligonal, com as paredes divididas em dois registos por friso de decoração fitomórfica, com coberturas diferenciadas em abóbada de berço na parte anterior, sendo a posterior em abóbada de meia calote. O registo inferior da parede é composto por cinco nichos em arcos de volta perfeita, surgindo, no superior, quatro arcadas cegas, três delas em arcos de volta perfeita, sustentados por colunas, com uma estrutura semelhante a enquadrar a fresta central. Sobre supedâneo de dois degraus, mesa de altar paralelepipédica, em cantaria de granito. No lado do Evangelho, a porta de acesso à sacristia, em arco de volta perfeita, com aduela de fecho saliente e de arestas biseladas. A sacristia tem pavimento em lajeado de granito e teto de madeira.

Acessos

Ferreira, Avenida do Mosteiro; Rua do Centro Paroquial. WGS84 (graus decimais) lat.: 41,264823; long.: -8,343490

Protecção

Categoria: MN - Monumento Nacional, Decreto n.º 14 985, DG, 1ª série, n.º 28 de 03 fevereiro 1928

Enquadramento

Urbano, isolado, implantado em vale aberto, rodeado por casas unifamiliares dispersas, campos agrícolas e casais rurais. Localiza-se no entroncamento entre duas EM, com a fachada principal virada à via pública, ladeado pelo cemitério e pela residência paroquial. Esta é de planta em L, com estrutura em cantaria de granito aparente, em aparelho isódomo, rasgada por vãos retilíneos, tendo, numa das alas, uma loggia sustentada por pilares toscanos. No ângulo, um pequeno jardim. No exterior da igreja, uma sepultura em cantaria de granito.

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Religiosa: mosteiro masculino

Utilização Actual

Religiosa: igreja paroquial *1

Propriedade

Pública: estatal

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 12 / 13 / 20

Arquitecto / Construtor / Autor

ENTALHADOR: Bernardo Pereira de Sousa (1737).

Cronologia

Séc. 10, meados - na doação de Dona Mumadona Dias ao Mosteiro de Guimarães, menciona-se a terra de Ferreira onde existia a Igreja de São Pedro; séc. 11 - 12 - edificação da primeira igreja de construção românica; séc. 12 - instituição da Colegiada de São Pedro de Ferreira; 1120 - integra, segundo alguns autores, a Ordem do Templo, tendo sido fundado por D. Soeiro Viegas, tronco dos Pachecos; 1180 - 1195 - obra românica da igreja atual; séc. 14 - feitura da estátua jacente de João Vasques da Granja, descendente de Soeiro Longo de Belsar e pelo lado materno da linhagem dos Peixotos; 1319 - segundo Pinho Leal, o edifício passa para a posse dos crúzios; 1475 - a igreja e mosteiro, com o couto e propriedades adjacentes, deixam de estar ligados aos cónegos sendo anexados à Câmara do Bispo do Porto; 1514, 15 setembro - D. Manuel I concede foral ao couto de Ferreira; 1496 - 1503 - feitura da pia batismal, com as armas de D. Diogo de Sousa, bispo da Diocese entre este período, tendo sido, posteriormente, promovido para Braga; 1737, 30 julho - obra num retábulo por Bernardo Pereira de Sousa, no valor de 7$450, pagos pela Mitra; 1758, 15 abril - nas Memórias Paroquiais é referido que a igreja fica fora da povoação, sendo dedicada a São Pedro; é um templo antigo, executado em cantaria e tem quatro altares, o mor com o Santíssimo Sacramento e as imagens de São Pedro e Santo António, surgindo, na tribuna, o Senhor Ressuscitado; o retábulo colateral esquerdo é dedicado a Nossa Senhora do Rosário, de vestir, surgindo, no oposto, o Crucificado e, num nicho do mesmo, São Lázaro, com grande devoção; surge um outro altar, também dedicado a Nossa Senhor do Rosário, onde está a árvore de Jessé; tem coro; no templo, existem as Irmandades do Santíssimo Sacramento, Nossa Senhora do Rosário, das Almas, protegida pelo Menino Deus; possui uma custódia e três lâmpadas, uma no altar-mor e duas no de Nossa Senhora do Rosário; na tore existem dois sinos; o pároco é reitor, sendo, igualmente, tesoureiro da Colegiada, apresentado pelo Arcebispo de Braga; a freguesia rende 200$000; forma colegiada com dez benefícios simples, apresentados pelo Arcebispo, cinco repartidos pelos lugares da freguesia, quatro da Igreja anexa de Santa Eulália de Sabrosa e uma anexa a São Tiago de Modelos; 1930, cerca - a armação do telhado encontrava-se em ruína; séc. 20, década 30 - demolição do coro que obstruía a nave e encobria parte da porta principal da igreja; 1930 - apeamento do altar-mor e de outros quatro existentes na nave, um dos quais ocasionava o entaipamento do pórtico lateral N.; desentaipamento do pórtico; apeamento do púlpito de construção recente; demolição da escada exterior improvisada junto da fachada S. do nártex, para dar acesso ao campanário, e desobstrução da escada primitiva, construída para igual fim no interior da mesma parede, bem como da respetiva porta; rebaixamento e lajeamento de todo o chão da nave e capela-mor, incluindo a construção dos degraus que ali separam os dois corpos do edifício; rebaixamento geral do pavimento do nártex e de todo o adro; 1933 - construção de um altar de pedra, maciço, com utilização de elementos primitivos encontrados durante as obras (parte do pedestal, mesa, etc.); reconstituição de duas frestas molduradas da capela-mor, que tinham sido alargadas para se obter mais luz; 1934 - demolição dos oito janelões da nave e substituição destes pelas primitivas frestas, totalmente reconstruídas com elementos que se encontraram durante as obras; 1936 - demolição do anexo que fora construído na fachada N., junto da ábside, para instalação da sacristia, e substituição desse edifício por outro de planta mais reduzida, com o fim de desafrontar os gigantes das paredes obstruídas pela construção e ainda o friso ornamentado da ábside; substituição de diversas cantarias lisas que se encontravam mutiladas nas paredes interiores e exteriores da igreja, nomeadamente nos colunelos que interior e exteriormente guarnecem a capela-mor; construção e assentamento das portas exteriores; colocação de vitrais coloridos, com armação de chumbo; década 50 - recolocação da imagem de São Pedro na capela-mor, após se retirar da fachada principal, o nicho onde se encontrava.

Dados Técnicos

Paredes autoportantes na nave e estrutura mista na capela-mor.

Materiais

Estrutura de cantaria de granito aparente; granito em muros de vedação e pavimentos da envolvente, modinaturas, arcos, pilares / colunas, arcos botantes / contrafortes, cunhais, soco, pavimentos e coberturas interiores; calcário branco em pavimentos da envolvente; chumbo nos caixilhos; ferro em fechaduras e ferragens das portas; zinco nos algerozes; madeira na estrutura da cobertura, portas; telha cerâmica na cobertura; vidro simples e colorido nas janelas.

Bibliografia

A Igreja de S. Pedro de Ferreira, Boletim da DGEMN, n.º 7, Lisboa, 1937; ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de, Arquitectura Românica de Entre-Douro-e-Minho, Porto, 1978, II, p. 218 - 221; ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de, História da Arte em Portugal. O Românico, vol. 3, Lisboa, 1986; BRANDÃO, Domingos de Pinho, Obra de talha dourada, ensamblagem e pintura na cidade e na Diocese do Porto - Documentação, Porto, Diocese do Porto, 1986, vol. III; CAPELA, José Viriato, MATOS, Henrique e BORRALHEIRO, Rogério, As freguesias do Distrito do Porto nas Memórias Paroquiais de 1758 - Memórias, História e Património, Braga, Universidade do Minho, 2000; LEAL, Augusto de Pinho, Portugal antigo e moderno : Diccionario geographico, estatistico, chorographico, heraldico, archeologico, historico, biographico e etymologico, Lisboa, Livraria Editora de Mattos Moreira & Companhia, 1873-1890, 12 vols.; Ministério das Obras Públicas, Relatório da Actividade do Ministério no ano de 1952, Lisboa, 1953; Património Arquitectónico e Arqueológico Classificado, Inventário, Lisboa, 1993, vol. II, Distrito do Porto, pp. 40 - 41; REAL, Manuel Luis, A igreja de S. Pedro de Ferreira. Um invulgar exemplo de convergência estilística, Paços de Ferreira, 1986; Tesouros Artísticos de Portugal, Lisboa, 1976.

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DREMN

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DREMN; Diocese do Porto: Secretariado Diocesano de Liturgia

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN/DREMN

Intervenção Realizada

DGEMN: séc. 20, década 40 - reparação dos degraus primitivos da porta principal, que se achavam soterrados; demolição de uma parte das paredes do nártex que ocultava o ábaco esculpido do pórtico principal; colocação, no mesmo pórtico, do tímpano e dos cachorros que o sustentam (estes serão completados com os lavores que os devem realçar, depois de se estudara o mais adequado motivo ornamental); 1937 - obras de restauro; 1950 - entaipamento da porta da fachada principal que dava acesso ao coro; séc. 20, década 50 - reconstituição da empena da parede suplementar onde se abre o pórtico principal, depois de ter sido retirado um nicho que ali se introduzira modernamente para abrigar uma antiga imagem de São Pedro; demolição da parede de silharia que entaipava o primitivo pórtico da fachada N., reconstituição dos degraus do mesmo pórtico e substituição da pedra inferior do respetivo tímpano; reconstrução da soleira e degraus da porta da fachada S., que haviam desaparecido; reconstituição da rosácea da fachada posterior da nave, sobre o arco triunfal; limpeza geral das argamassas que encobriam a silharia da nave e ainda a das paredes e abóbada e capela-mor, com tomada das juntas em todas as paredes exteriores da igreja; construção e assentamento de uma cruz terminal na empena posterior da nave, depois de ser apeada e reconstituída a mema empena; 1952 - limpeza e reparação ligeira dos telhados, incluindo substituição de telhas partidas; 1966 - reparação das ferragens das portas exteriores, limpeza geral das coberturas e pintura das portas exteriores de madeira a tinta de óleo; limpeza geral dos telhados com substituição de telhas partidas e em falta, e a reparação dos rufos e vedações; pintura das portas exteriores com três demãos de tinta de óleo e reparação e afinamento das ferragens das portas compreendendo a reposição das peças em falta; 1982 - reparação de coberturas; 1986 - reparação da cobertura; execução de uma valeta junto ao muro para impedir infiltrações de água; 1989 - reparação da cobertura; 1995 - reparação da cobertura da capela-mor, revisão do telhado da nave, instalação elétrica e carpintarias; 2000 - obras de conservação da sacristia, as quais contemplaram a execução de um novo teto em madeira de castanho, execução e aplicação de vitrais nos vãos, colocação de uma bica de abastecimento de água para a pia de granito existente; 2003, agosto - data do concurso de adjudicação para elaboração de estudos de arquitetura; 2004 - visita ao imóvel dos técnicos da DREMN para avaliação do estado de conservação do imóvel com o objetivo de estabelecer prioridades de intervenção; 2004 / 2005 - obras de conservação geral do imóvel, realizadas no âmbito do projeto Rota do Românico do Vale do Sousa: coberturas, paramentos interiores e exteriores; conservação dos vãos exteriores e do campanário; revisão geral das coberturas da nave, capela-mor e sacristia; conservação geral dos paramentos exteriores e interiores do imóvel; conservação geral de vãos exteriores; conservação do campanário; reformulação da instalação elétrica do interior da igreja e do campanário; limpeza e tratamento do túmulo no nártex e tratamento da envolvente; limpeza e regularização do pavimento exterior.

Observações

*1 - A Rota do Românico do Vale do Sousa inclui 19 imóveis: Igreja de São Miguel de Entre-os-Rios (v. PT011311100010), Igreja de Gândara (v. PT011311040009), Igreja de São Gens de Boelhe (v. PT011311020008), Igreja de Abragão (v. PT011311010015), Memorial da Ermida (v. PT011311150005), Capela da Senhora do Vale (v. PT011310080004), Ponte de Espindo (v. PT011305130009), Ponte de Vilela (v. PT011305020008), Igreja de Aveleda (v. PT011305020004), Torre de Vilar (v. PT011305260005), Igreja de Santa Maria de Airães (v. PT011303020007), Igreja Matriz de Unhão (v. PT011303280004), Igreja de São Vicente de Sousa (v. PT011303260008), Igreja Velha de São Mamede de Vila Verde (v. PT011303330020), Igreja de Paço de Sousa (v. PT011311220003), Igreja de Cete (v. PT011310080001), Igreja Matriz de Meinedo (v. PT011305130002) e Mosteiro de Pombeiro (v. PT011303150001).

Autor e Data

Isabel Sereno e Paulo Dordio 1995

Actualização

Diocese do Porto e Paula Figueiredo (IHRU) 2011 (no âmbito da parceria IHRU / Diocese do Porto)
 
 
 
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