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Edifício e estrutura Edifício Residencial senhorial Casa nobre Casa nobre Tipo planta retangular
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Descrição
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| De planta rectangular simples, o palácio constitui-se como um volume paralelepipédico, com cobertura em telhado a 2 águas. O alçado principal, a E., organiza-se em 3 pisos, sendo cada um deles animado por 10 vãos. Destaca-se, ao nível do piso térreo, a porta de acesso, em arco de volta inteira, precedida por alpendre de cantaria vazado nas suas 3 faces por arco de volta perfeita ladeado por colunas toscanas adossadas. No andar nobre, no eixo do portal, uma janela de sacada coroada por frontão curvo abre-se para o terraço que se constitui como cobertura do pórtico, delimitado por grade de ferro forjado com elementos de ferro fundido. Todos os restantes vãos são janelas de peito no 1º e no último piso e de sacada no andar nobre. |
Acessos
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| Rua do Século, n.º 111 |
Protecção
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| Incluído na Zona de Proteção do Aqueduto das Águas Livres (v. IPA.00006811) e na Zona Especial de Proteção do Bairro Alto e imóveis classificados na área envolvente |
Enquadramento
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| Urbano, destacado, isolado por pátio murado semicircular (definido pelas 2 construções adossadas ao muro E.) desenvolvendo-se diante da fachada e por jardim murado contíguo ao alçado posterior |
Descrição Complementar
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| "no palácio Ratton, tanto os escritórios como a casa de jantar [fora do piso nobre] apresentam um aspecto "sem paralelo em toda a história da casa senhorial": a ligação à varanda e ao jardim, o que dá estes espaços "um valor vivencial de grande sofisticação" ( CARITA, pp. 111-12). |
Utilização Inicial
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| Residencial: casa nobre |
Utilização Actual
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| Judicial: tribunal |
Propriedade
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| Pública: estatal |
Afectação
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| Sem afectação |
Época Construção
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| Séc. 18 |
Arquitecto / Construtor / Autor
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| ARQUITETO: José Costa e Silva; DECORADOR: Luigi Manini; ESTUCADOR: Vicente Tacquesi (atrib.) e Domingos Meira (atrib.); PINTOR: Domenico Pelegrinni, Eduardo Batarda (tapeçaria, 1988-1989). |
Cronologia
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| 1785 - A família Ratton começa por ocupar um dos novos edifícios da rampa dos Caetanos, como outros grandes comerciantes; 1803 - a família muda-se para o Palácio dos Carvalhos em regime de aluguer por nove anos; 1807 - tiveram de partilhar a residência com a presença imposta de franceses, "a residência foi "requisitada" para o general Dieudonné, chefe do estado-maior do exército de Junot" (CARITA); 1810 - Jeróme Ratton é preso por ter feito volumosos empréstimos aos invasores franceses, exilado em Londres durante seis anos; 1820 ou 1821 - morre Jérome Ratton, depois 1º senhor do Prazo da Barroca de Alva, ainda decorriam as obras de reformulação do palácio, paredes meias com a sua fábrica de chapéus; 1822 - morre Diogo Ráttton, Herda a propriedade sua filha Emília Júlia Ratton; 1823 - a herdeira aluga o palácio durante a sua estadia em Paris ao cônsul inglês; 1826 - regressa a Lisboa com o seu marido, filho do tio Bernardo Daupiás, Jácome-Leão Daupiás, futuro barão de Alcochete; 1873 - morte de Emília Júlia; 1875, desembro - o recheio do palácio é leiloado e de seguida o palácio é vendido a Fortunato de Oliveira Chamiço, banqueiro do Porto. A filha Amélia herda o palácio e é desta altura a encomenda a Luigi Manini da decoração das escadarias e salas principais. Encomendam o rearranjo ondulante do amplo jardim ao paisagista francês F. Nogret; 1900 - morte de Amélia Freitas Guimarães Chamiço e herda o palácio a sua tia Claudina Ermelinda de Freitas Guimarães Chamiço, viúva do fundador do Banco Nacional Ultramarino, que por sua vez deixou o palácio, que não habitava, à sobrinha Amélia de Freitas Guimarães que o ocupa até à década de 50; 1982 - o Estado Português adquire o imóvel aos descentes para aqui instalar do Tribunal Constitucional, criado pela revisão da Constituição Portuguesa desse mesmo ano; 1997 - conclusão das obras de adaptação; 1999 - construção de um novo edifício, para ampliação das instalações, pela DGEMN; 2006, 24 agosto - o edifício está em vias de classificação, nos termos do Regime Transitório previsto no n.º 1 do Artigo 1.º do Decreto-Lei n.º 173/2006, DR, 1.ª série, n.º 16, tendo esta caducado, visto o procedimento não ter sido concluído no prazo fixado pelo Artigo 24.º da Lei n.º 107/2001, DR, 1.º série A, n.º 209 de 08 setembro 2001. |
Dados Técnicos
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| Paredes autoportantes |
Materiais
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| Alvenaria mista, reboco pintado, cantaria de calcário, mármore, estuques pintados, azulejos, ferro forjado |
Bibliografia
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| ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, Livro 5, Lisboa, s.d.; DAUPIAS, Nuno, Os Projectos de Jácome Ratton Sobre o seu Prédio do Calvário e as Diferentes Casas em que Morou, in Boletim da Junta da Província da Estremadura, Nº 32/34, Lisboa, 1953; Monumentos, n.º 10 a n.º 12, n.º 15-17, n.º 19-21, Lisboa, DGEMN, 1999-2004; RATTON, Jácome, Recordações de Jácome Ratton sobre Ocorrências do seu Tempo, de Maio de 1747 a Setembro de 1810, Coimbra, 1920; ZÚQUETE, A. E. Martins, Nobreza de Portugal, Vol. II, Lisboa - Rio de Janeiro, s.d.; CARITA, Hélder, O Palácio Ratton e os fidalgos da rua Formosa, Caleidoscópio e Tribunal Constitucional, 2023 [a consultar]. |
Documentação Gráfica
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| IHRU: DGEMN/DSID, DGEMN/DRELisboa/DIE/DRC, DGEMN/DSE, DGEMN/DSPI, DGEMN/DRMLisboa |
Documentação Fotográfica
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| IHRU: DGEMN/DSID |
Documentação Administrativa
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| IHRU: DGEMN/DSID, DGEMN/DRELisboa; CML: Arquivo de Obras, pº nº 30.799 |
Intervenção Realizada
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| 1878 - ampliação do edifício acrescentando o que na actualidade é o módulo S.; 1921 - construção do 1º andar do anexo a S. (garagem, nº 109); 1934 - reparação do muro, reparações externas e internas; 1941 - obras gerais de beneficiação; 1948 - reparação do telhado e pinturas, alteração da compartimentação interna da garagem (nº 109); 1953 - alteração da fachada da garagem; 1957 - obras gerais de beneficiação; DGEMN: 1982 / 1997 - obras de adaptação às novas funções; colocação de um posto de transformação; instalação de detecção e alarmes contra incêndios; do refeitório - bar; de central telefónica; remodelação e adaptação do anexo (jardim); remodelação da instalação eléctrica; beneficiação do muro do jardim na Travessa do Loureiro; 1998 - construção de um novo módulo de 3 pisos a N. do jardim; 2001 - conclusão dos arranjos exteriores; instalação do equipamento do controlo de acesso e iluminação suplementar; 2002 - beneficiação da garagem e habitação anexa; arranjo do corredor de acesso ao novo edifício; climatização do refeitório e piso térreo; remodelação dos espaços da cave; 2003 / 2004 - levantamento das anomalias do edifício, pelo Instituto de Construção do Instituto Superior Técnico; DGEMN: reparação das coberturas e fachadas; 2004 - projecto de adaptação de uma dependência a auditório. |
Observações
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Autor e Data
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| Teresa Vale e Carlos Gomes 1995 |
Actualização
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| Celso Caires 1999 Josina Almeida 2026 |
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