Palácio Ratton / Tribunal Constitucional

IPA.00005082
Portugal, Lisboa, Lisboa, Misericórdia
 
Arquitectura residencial, neoclássica. Palácio urbano.
Número IPA Antigo: PT031106220267
 
Registo visualizado 6098 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Residencial senhorial  Casa nobre  Casa nobre  Tipo planta retangular

Descrição

De planta rectangular simples, o palácio constitui-se como um volume paralelepipédico, com cobertura em telhado a 2 águas. O alçado principal, a E., organiza-se em 3 pisos, sendo cada um deles animado por 10 vãos. Destaca-se, ao nível do piso térreo, a porta de acesso, em arco de volta inteira, precedida por alpendre de cantaria vazado nas suas 3 faces por arco de volta perfeita ladeado por colunas toscanas adossadas. No andar nobre, no eixo do portal, uma janela de sacada coroada por frontão curvo abre-se para o terraço que se constitui como cobertura do pórtico, delimitado por grade de ferro forjado com elementos de ferro fundido. Todos os restantes vãos são janelas de peito no 1º e no último piso e de sacada no andar nobre.

Acessos

Rua do Século, n.º 111

Protecção

Incluído na Zona de Proteção do Aqueduto das Águas Livres (v. IPA.00006811) e na Zona Especial de Proteção do Bairro Alto e imóveis classificados na área envolvente

Enquadramento

Urbano, destacado, isolado por pátio murado semicircular (definido pelas 2 construções adossadas ao muro E.) desenvolvendo-se diante da fachada e por jardim murado contíguo ao alçado posterior

Descrição Complementar

"no palácio Ratton, tanto os escritórios como a casa de jantar [fora do piso nobre] apresentam um aspecto "sem paralelo em toda a história da casa senhorial": a ligação à varanda e ao jardim, o que dá estes espaços "um valor vivencial de grande sofisticação" ( CARITA, pp. 111-12).

Utilização Inicial

Residencial: casa nobre

Utilização Actual

Judicial: tribunal

Propriedade

Pública: estatal

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 18

Arquitecto / Construtor / Autor

ARQUITETO: José Costa e Silva; DECORADOR: Luigi Manini; ESTUCADOR: Vicente Tacquesi (atrib.) e Domingos Meira (atrib.); PINTOR: Domenico Pelegrinni, Eduardo Batarda (tapeçaria, 1988-1989).

Cronologia

1785 - A família Ratton começa por ocupar um dos novos edifícios da rampa dos Caetanos, como outros grandes comerciantes; 1803 - a família muda-se para o Palácio dos Carvalhos em regime de aluguer por nove anos; 1807 - tiveram de partilhar a residência com a presença imposta de franceses, "a residência foi "requisitada" para o general Dieudonné, chefe do estado-maior do exército de Junot" (CARITA); 1810 - Jeróme Ratton é preso por ter feito volumosos empréstimos aos invasores franceses, exilado em Londres durante seis anos; 1820 ou 1821 - morre Jérome Ratton, depois 1º senhor do Prazo da Barroca de Alva, ainda decorriam as obras de reformulação do palácio, paredes meias com a sua fábrica de chapéus; 1822 - morre Diogo Ráttton, Herda a propriedade sua filha Emília Júlia Ratton; 1823 - a herdeira aluga o palácio durante a sua estadia em Paris ao cônsul inglês; 1826 - regressa a Lisboa com o seu marido, filho do tio Bernardo Daupiás, Jácome-Leão Daupiás, futuro barão de Alcochete; 1873 - morte de Emília Júlia; 1875, desembro - o recheio do palácio é leiloado e de seguida o palácio é vendido a Fortunato de Oliveira Chamiço, banqueiro do Porto. A filha Amélia herda o palácio e é desta altura a encomenda a Luigi Manini da decoração das escadarias e salas principais. Encomendam o rearranjo ondulante do amplo jardim ao paisagista francês F. Nogret; 1900 - morte de Amélia Freitas Guimarães Chamiço e herda o palácio a sua tia Claudina Ermelinda de Freitas Guimarães Chamiço, viúva do fundador do Banco Nacional Ultramarino, que por sua vez deixou o palácio, que não habitava, à sobrinha Amélia de Freitas Guimarães que o ocupa até à década de 50; 1982 - o Estado Português adquire o imóvel aos descentes para aqui instalar do Tribunal Constitucional, criado pela revisão da Constituição Portuguesa desse mesmo ano; 1997 - conclusão das obras de adaptação; 1999 - construção de um novo edifício, para ampliação das instalações, pela DGEMN; 2006, 24 agosto - o edifício está em vias de classificação, nos termos do Regime Transitório previsto no n.º 1 do Artigo 1.º do Decreto-Lei n.º 173/2006, DR, 1.ª série, n.º 16, tendo esta caducado, visto o procedimento não ter sido concluído no prazo fixado pelo Artigo 24.º da Lei n.º 107/2001, DR, 1.º série A, n.º 209 de 08 setembro 2001.

Dados Técnicos

Paredes autoportantes

Materiais

Alvenaria mista, reboco pintado, cantaria de calcário, mármore, estuques pintados, azulejos, ferro forjado

Bibliografia

ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, Livro 5, Lisboa, s.d.; DAUPIAS, Nuno, Os Projectos de Jácome Ratton Sobre o seu Prédio do Calvário e as Diferentes Casas em que Morou, in Boletim da Junta da Província da Estremadura, Nº 32/34, Lisboa, 1953; Monumentos, n.º 10 a n.º 12, n.º 15-17, n.º 19-21, Lisboa, DGEMN, 1999-2004; RATTON, Jácome, Recordações de Jácome Ratton sobre Ocorrências do seu Tempo, de Maio de 1747 a Setembro de 1810, Coimbra, 1920; ZÚQUETE, A. E. Martins, Nobreza de Portugal, Vol. II, Lisboa - Rio de Janeiro, s.d.; CARITA, Hélder, O Palácio Ratton e os fidalgos da rua Formosa, Caleidoscópio e Tribunal Constitucional, 2023 [a consultar].

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DSID, DGEMN/DRELisboa/DIE/DRC, DGEMN/DSE, DGEMN/DSPI, DGEMN/DRMLisboa

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN/DSID, DGEMN/DRELisboa; CML: Arquivo de Obras, pº nº 30.799

Intervenção Realizada

1878 - ampliação do edifício acrescentando o que na actualidade é o módulo S.; 1921 - construção do 1º andar do anexo a S. (garagem, nº 109); 1934 - reparação do muro, reparações externas e internas; 1941 - obras gerais de beneficiação; 1948 - reparação do telhado e pinturas, alteração da compartimentação interna da garagem (nº 109); 1953 - alteração da fachada da garagem; 1957 - obras gerais de beneficiação; DGEMN: 1982 / 1997 - obras de adaptação às novas funções; colocação de um posto de transformação; instalação de detecção e alarmes contra incêndios; do refeitório - bar; de central telefónica; remodelação e adaptação do anexo (jardim); remodelação da instalação eléctrica; beneficiação do muro do jardim na Travessa do Loureiro; 1998 - construção de um novo módulo de 3 pisos a N. do jardim; 2001 - conclusão dos arranjos exteriores; instalação do equipamento do controlo de acesso e iluminação suplementar; 2002 - beneficiação da garagem e habitação anexa; arranjo do corredor de acesso ao novo edifício; climatização do refeitório e piso térreo; remodelação dos espaços da cave; 2003 / 2004 - levantamento das anomalias do edifício, pelo Instituto de Construção do Instituto Superior Técnico; DGEMN: reparação das coberturas e fachadas; 2004 - projecto de adaptação de uma dependência a auditório.

Observações

Autor e Data

Teresa Vale e Carlos Gomes 1995

Actualização

Celso Caires 1999 Josina Almeida 2026
 
 
 
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