Convento de São Francisco de Xabregas / Convento de Santa Maria de Jesus / Teatro Ibérico

IPA.00005068
Portugal, Lisboa, Lisboa, Beato
 
Arquitectura religiosa, barroca e pombalina (igreja e convento). Convento franciscano da Província dos Algarves, composto por igreja flanqueada por dependências conventuais, desenvolvidas em torno de claustros. Convento adaptado a unidade industrial, nos séc. 19 e 20, cujas obras são responsáveis pelo legado de arqueologia industrial e de arquitectura do ferro em que o imóvel também se constitui.
Número IPA Antigo: PT031106070250
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Convento / Mosteiro  Convento masculino (casa-mãe)  Ordem de São Francisco - Franciscanos (Província dos Algarves)

Descrição

Planta retangular composta por vários corpos, organizados em torno de dois quadriláteros ladeando, a NE. e a SO., o retângulo correspondente ao corpo da antiga igreja conventual. As várias alas, retangulares, são cobertas por telhados de duas águas articuladas nos ângulos. A própria igreja, sobreelevada em relação ao restante complexo arquitetónico, apresenta cobertura em telhado de duas águas, onde se destaca um volume com cobertura autónoma, de quatro águas. Contígua ao lado N. da nave da igreja reconhece-se a torre sineira, de secção quadrada, duplas pilastras nos ângulos e sineiras em arcos de volta perfeita, apresentando cobertura bolbosa com fogaréus nos acrotérios. A fachada principal da igreja, a SE., integralmente revestida de cantaria e destacada em relação ao plano do restante edifício, organiza-se em dois registos, os quais são lateralmente delimitados por pilastras lisas. No piso térreo, reconhece-se o portal, de verga recta, ladeado por duas janelas sobrepujadas de áticas. No segundo, rasgam-se três janelões retangulares de verga curva, igualmente encimados por áticas, sendo o central de maiores dimensões. O coroamento, após cornija destacada, faz-se por frontão mistilínio, em cujo interior se observa uma pedra de armas real. Desenvolvendo-se contiguamente para ambos os lados da fachada da igreja, surge a massa arquitectónica das antigas dependências conventuais, cuja fachada principal se apresenta organizada em três níveis e ritmada pela presença de pilastras lisas de cantaria e pelo rasgamento de janelas de peito e de sacada de verga reta destacada. O remate destes corpos faz-se por beirada assente em cornija de cantaria.

Acessos

Rua de Xabregas, n.º 50 - 58

Protecção

Em estudo

Enquadramento

Urbano, destacado, isolado. Nas proximidades do palácio dos Marqueses de Olhão (v. PT031106070173) e do antigo palácio Nisa (v. PT031106410321), passando por detrás do imóvel a linha de Caminhos de Ferro.

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Religiosa: convento masculino

Utilização Actual

Cultural e recreativa: teatro / Política e administrativa: instituto

Propriedade

Pública: estatal

Afectação

Sem afetação

Época Construção

Séc. 17 / 18

Arquitecto / Construtor / Autor

ARQUITETO: João Nunes Tinoco (1652). ESCULTOR: José de Almeida (1743-1744). PINTORES: António Rodrigues (1679); José de Matos (1679).

Cronologia

1455, 17 outubro - doação por D. Afonso V das ruínas do antigo paço de Xabregas a D. Guiomar de Castro, condessa de Atouguia, viúva do 1º conde de Atouguia, D. Álvaro, Gonçalves de Ataíde, para que se procedesse à fundação de um convento; 1456 - fundação de um convento, tendo por orago Santa Maria de Jesus, o qual foi entregue pela sua instituidora, aos frades franciscanos, ficando por tal motivo mais conhecido por convento de São Francisco de Xabregas e se tornou casa capitular da Província dos Algarves; 1460 - as obras de edificação do convento estaão concluídas, verificando-se a tomada de posse por uma comunidade de nove religiosos, na presença da Família Real; 1519, 12 julho - reconstrução do telhado da capela-mor, por André Pires; 1533 - por solicitação de D. João III e breve do papa Clemente VII, procede-se à divisão da província do Algarve da ordem franciscana, deixando o convento de Xabregas de ser casa capitular; 1652 - obra da igreja e claustro, conforme projeto de João Nunes Tinoco, por iniciativa do Frei Rodrigo; 1679, 05 junho - contrato entre a Irmandade de Nossa Senhora do Amparo e os pintores António Rodrigues e José de Matos para o douramento do respetivo altar por 210$000 (FERREIRA, vol. II, p. 587); séc. 18, início - D. Pedro II funda no Convento a Capela de São Benedito, mandada executar por D. João V; 1743-1744 - pedido de Frei João de Nossa Senhora para Santos Pacheco proceder a medições no edifício para se executar a Capela de Nossa Senhora Mãe dos Homens na capela-mor (FERREIRA, 2009, vol. II, p. 559), o que viria resultar nefasto para a estrutura do templo, optando-se pela sua colocação na Capela de Santo António e feitura da escultura da Senhora por José de Almeida, por 610$000 (SALDANHA, p. 12); 1744, 11 janeiro - bênção da imagem de Nossa Senhora da Mãe dos Homens na Patriarcal (SALDANHA, p. 12); 1747, maio - mudança da imagem de Nossa Senhora da Mãe dos Homens para a Capela de Santo António, após a sua remodelação; 1748 - douramento do retábulo da Senhora, a expensas de António Rebelo Leite, recolhido no convento (SALDANHA, p. 12); 1755, 01 novembro - o terramoto provoca uma quase total destruição do edifício, acabando as ruínas por serem demolidas por questões de segurança; 1757 - a igreja improvisada do convento funciona no antigo celeiro, dentro dos limites da cerca conventual; 1758, 22 julho - nas Memórias Paroquiais, assinadas pelo pároco Luís da Costa de Barbuda, é referido que o Convento, anteriormente pertença da Casa Atouguia, está na posse da Coroa; no interior, distinguem-se pelo culto que mantêm as imagens de Nossa Senhora Mãe dos Homens, mandada fazer por D. João V, Nossa Senhora do Desamparo, Nossa Senhora da Coroa e o Senhor do Bom Despacho; tem as irmandades da Senhora da Alâmpada, Senhor Jesus do Bom Despacho, Santíssimo Coração de Jesus, Nossa Senhora Mãe dos Homens, Nossa Senhora do Desampara, Nossa Senhora da Coroa e Santo António; no local esteve a Ordem Terceira da Penitência, até se mudar para o Menino Deus; a igreja tem acesso por três arcos de volta perfeita; está em reconstrução um dormitório, o refeitório e a cozinha; 1766 - inicia-se a reconstrução definitiva do convento, por determinação do marquês de Pombal; execução de um órgão para o coro-alto; 1834 - na sequência da expulsão das ordens religiosas a igreja é profanada e são instaladas em parte das dependências conventuais algumas corporações do exército, designadamente o Regimento de Infantaria Nº 1, o Batalhão Naval de Artífices Engenheiros e ainda famílias de oficiais; 1839 - instalação nas antigas dependências conventuais da Companhia de Fiação de Tecidos Lisbonense, por cedência do Estado; 1842 - a Companhia de Fiação de Tecidos Lisbonense deixa de funcionar no edifício na sequência de um incêndio que consumiu a parte ocidental do antigo complexo conventual; 1845 - por ordem governamental instala-se no antigo convento a Companhia dos Tabacos Lisbonense; 1892 - o edifício é propriedade da Companhia dos Tabacos de Portugal, posteriormente Companhia Portuguesa de Tabacos; 1929 - 1932 - campanha de obras dando continuidade ao processo de transformação do primitivo edifício conventual numa unidade industrial; 1988 - instalação nas antigas dependências conventuais do Instituto do Emprego e Formação Profissional; séc. 20, década de 80 - instalação do Teatro Ibérico na antiga igreja; 1998, novembro - elaboração da Carta de Risco do imóvel pela DGEMN.

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes portantes.

Materiais

Alvenaria mista, reboco pintado, cantaria de calcário, mármore.

Bibliografia

ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, Livro 15, Lisboa, s.d.; CAEIRO, Baltazar Matos, Os Conventos de Lisboa, Lisboa, 1989; CONSIGLIERI, Carlos, RIBEIRO, Filomena, VARGAS, José Manuel, ABEL, Marília, Pelas Freguesias de Lisboa. Lisboa Oriental, Lisboa, 1993; COUTINHO, Maria João Fontes Pereira, A produção portuguesa de obras de embutidos de pedraria policroma (1670-1720). Lisboa, Dissertação de Doutoramento em História da Arte apresentada à Faculdade de Letras de Lisboa, 2010, 3 vols.; FERREIRA, Sílvia Maria Cabrita Nogueira Amaral da Silva, A Talha Barroca de Lisboa (1670-1720). Os Artistas e as Obras, Lisboa, Dissertação de Doutoramento em História da Arte apresentada à Faculdade de Letras de Lisboa, 2009, 3 vols.; LEAL, Augusto Soares de Azevedo Barbosa de Pinho, Portugal Antigo e Moderno, Lisboa, 1874, vol. II; MATOS, Alfredo, PORTUGAL, Fernando, Lisboa em 1758. Memórias Paroquiais de Lisboa, Lisboa, Câmara Municipal de Lisboa, 1974; PEREIRA, Esteves, RODRIGUES, Guilherme, Portugal Dicionário, ,Lisboa, 1905-1911, vol. III; PEREIRA, Luis Gonzaga, Monumentos Sacros de Lisboa em 1833, Lisboa, 1927; PORTUGAL, Fernando, MATOS, Alfredo de, Lisboa em 1758. Memórias Paroquiais de Lisboa, Lisboa, 1974; SALDANHA, Sandra - «Santa Maria, Mãe dos Homens. Difusão do culto pela imagem: arte e iconografia» in Invenire Revista de Bens Culturais da Igreja. Lisboa: Secretariado Nacional para os Bens Culturais da Igreja, julho - dezembro 2011, n.º 3, pp. 11-15; SERRÃO, Vítor, História da Arte em Portugal - o Barroco, Barcarena, Editorial Presença, 2003; VITERBO, Sousa, Diccionario Historico e Documental dos Architectos, Engenheiros e Construtores Portuguezes ou a serviço de Portugal, Lisboa, Imprensa Nacional, 1904, vol. II.

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DSARH, DGEMN/DRELisboa/DIE

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN/DSID, Carta de Risco; DGARQ/TT: Corpo Cronológico (Parte III, maço 7, doc. 30), Cartas Missivas, maço 3, docs. 388 e 389 e maço 4, doc. 95; CMLisboa: Arquivo de Obras (Processo nº 29.249)

Intervenção Realizada

1929 / 1932 - construção de central eléctrica e de outros anexos (no pátio a NE. e nos antigos claustros), ampliação de pavilhões e hangares já existentes, demolição de escada de cantaria para ampliação de galerias oficinais e instalação de elevador, substituição de elementos estruturais em alvenaria por estrutura metálica, desentaipamento de porta (nº 52) no alçado principal e construção de degraus de acesso; 1939 / 1940 - consolidação e melhoramentos dos muros de suporte; 1945 - ampliação do refeitório do pessoal (construção no interior do claustro S.); 1950 - remodelação da instalação eléctrica, obras gerais de manutenção; 1988 - obras de beneficiação exterior; 1990, década - obras de beneficiação para instalação de serviços, refeitório e cafetaria.

Observações

Autor e Data

Teresa Vale e Carlos Gomes 1995

Actualização

Lobo de Carvalho e Laura Figueirinhas 1998
 
 
 
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