Convento de Nossa Senhora da Conceição do Monte Olivete / Convento dos Grilos / Igreja Paroquial do Beato / Igreja de São Bartolomeu / Recolhimento de Nossa Senhora do Amparo

IPA.00005067
Portugal, Lisboa, Lisboa, Beato
 
Arquitetura religiosa, maneirista e barroca. Convento de Eremitas Descalços de Santo Agostinho, de planta retangular composto por igreja e anexos conventuais no lado esquerdo, desenvolvido em torno de dois claustros.
Número IPA Antigo: PT031106070311
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Convento / Mosteiro  Convento masculino (casa-mãe)  Ordem dos Eremitas Descalços de Santo Agostinho - Grilos

Descrição

As antigas dependências conventuais, organizadas em torno da primitiva quadra em alas de planta rectangular cobertas por telhados a 2 águas articuladas nos ângulos. A igreja organiza-se dentro de um rectângulo reconhecendo-se uma só nave (para a qual abrem 3 capelas laterais intercomunicantes), transepto inscrito e capela-mor profunda, tendo como resultante uma volumetria de paralelepípedo rectângulo, com cobertura a 2 águas. Desenvolvendo-se contiguamente ao lado S. da igreja, surge a massa arquitectónica das antigas dependências conventuais, cuja fachada se apresenta organizada em 3 níveis animados pelo rasgamento de janelas rectangulares de emolduramento simples e verga curva. No extremo S. deste corpo, destaca-se um pano de muro delimitado por pilastras de cantaria, no qual se rasgam e sobrepõem a eixo um portal em arco de volta inteira e 2 janelas de sacada, com emolduramento de cantaria. A fachada principal da igreja, a E., à qual se acede por 3 degraus, organiza-se em 2 níveis, os quais são verticalmente divididos em 3 panos de muro por pilastras lisas. Na parte central abrem-se, ao nível do piso térreo, 3 arcos de volta inteira que permitem o acesso à galilé (rectangular), e, no 2º piso, 3 janelões de verga encurvada e sobrepujados de áticas. O coroamento faz-se por frontão triangular com fogaréus e cruz nos acrotérios. Os panos laterais apresentam, ao nível térreo, 2 pequenos vãos quadrangulares com malheiro de ferro e, no andar superior, 2 janelões rectangulares. Adossado ao muro S. da igreja e recuado relativamente ao plano da fachada desenvolve-se o corpo da torre sineira, de secção quadrada. No interior, abrem para a nave única coberta, por abóbada de berço com lunetas e ostentando decoração em estuque, 6 capelas laterais, de planta rectangular, cobertas por abóbada de berço transversal e dotadas de altares de talha dourada. No eixo dos arcos de volta inteira que dão acesso às capelas, delimitadas por cancelos de madeira, abrem-se janelas rectangulares iluminantes do espaço interior. Adossado ao muro E., sobre a galilé, a porta de entrada e o guarda-vento, eleva-se o coro-alto, assente sobre arco abatido. No transepto, também coberto por abóbada de berço (de aresta, no cruzeiro), observam-se altares de talha dourada nos muros de topo. A capela-mor, coberta por abóbada rebaixada, com lunetas e decorativamente idêntica à da nave, apresenta nos muros laterais um lambril de placagem de mármores polícromos e 2 janelões rectangulares de verga encurvada. O retábulo integralmente de mármore, é lateralmente delimitado por colunas torsas e pilastras sobrepujadas de anjos e superiormente rematado por frontão curvo onde é reconhecível uma pedra de armas rodeada por palmas. Sob o vão central do camarim e respectivo trono, observam-se 3 nichos albergando imagens de madeira estofada.

Acessos

Rua do Grilo, 118 - 122. WGS84 (graus decimais) lat.: 38,730475, long.: -9,108222

Protecção

Categoria: IIP - Imóvel de Interesse Público, Decreto n.º 5/2002, DR, 1.ª série-B, n.º 42 de 19 fevereiro 2002

Enquadramento

Urbano, destacado, isolado, sobreelevado em relação ao plano da rua por terreiro rectangular murado.

Descrição Complementar

Na sacristia merece menção o revestimento azulejar setecentista de painéis historiados e na antiga portaria conventual e escadaria (integralmente de cantaria desenvolvendo-se em sucessivos lanços rectos guarnecidos de guardas de ferro forjado) o lambril recortado de azulejos azuis e brancos, figurando cenas campestres.

Utilização Inicial

Religiosa: convento masculino

Utilização Actual

Religiosa: igreja paroquial / Assistencial: recolhimento

Propriedade

Privada: Igreja Católica / Pública: estatal

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 17 / 18

Arquitecto / Construtor / Autor

ARQUITECTO: João Nunes Tinoco (1663). ESCULTOR: João António Bellino (1739). PEDREIROS: António Fernandes (1693); João Alves (séc. 17); Luís Fernandes (1693). PINTORES: Bento Coelho da Silveira (séc. 17); Lourenço da Silva Paz (1706).

Cronologia

1663 - fundação pelo Padre Manuel da Conceição com o apoio da rainha D. Luísa de Gusmão, de quem era confessor, de um convento com o orago de Nossa Senhora do Monte Olivete, entregue aos religiosos Agostinhos Descalços; 1666, 15 maio - lançamento da primeira pedra do edifício, conforme traça de João Nunes Tinoco, mestre da Casa da Rainha (COUTINHO: 295); séc. 17, final - pintura de telas por Bento Coelho da Silveira (1630-1708); 1683 - um incêndio destrói quase totalmente as dependências conventuais; 1688, 02 setembro - testamento do pedreio João Alves, onde refere ter trabalhado no local (COUTINHO: 322); 1693, 11 agosto - o Padre Domingos dos Anjos encomenda obras no dormitório de São João Evangelista a António e Luís Fernandes (COUTINHO: 366-367); 1706 - pinturas na igreja por Lourenço da Silva Paz; 1739 - feitura do retábulo-mor por João António Belllini; 1746 - início de uma campanha de reedificação do complexo conventual; 1755, 01 novembro - o terramoto causa alguns danos mas não se tendo registado incêndio as reparações são feitas com relativa rapidez; 1758 - nas Memórias Paroquiais da freguesia dos Olivais é referido o edifício, como sendo dos Grilos; o edifício não terá sido afetado pelo terramoto (MENDONÇA, p. 135); 1829 - já não existiam religiosos no convento; 1835 - instalação nas dependências conventuais do Recolhimento de Nossa Senhora do Amparo; 1835, 27 dezembro - a antiga igreja conventual passa a sede da paróquia de São Bartolomeu; 1887 - as telas foram deslocadas, devido ao incêndio, para a Igreja Matriz de Alhandra; 1889 - tresladação dos restos mortais de D. Luísa de Gusmão do local para o Panteão dos Bragança, em São Vicente de Fora (v. PT031106510059); 1897 - toda a área conventual foi adaptada sucessivamente para instalação de indústria alimentar; 1998, novembro - elaboração da Carta de Risco do imóvel pela DGEMN.

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes portantes; estrutura mista.

Materiais

Alvenaria mista, reboco pintado, cantaria de calcário, mármore, estuques pintados, madeira dourada e pintada, ferro forjado.

Bibliografia

AGUIAR, José Pinto de - Recolhimentos da Capital, (separata de Olisipo, Ano XXIX, Nº 115 / 116), Lisboa, 1966; ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, Livro 15, Lisboa, s.d.; CASTRO, João Baptista de, Mappa de Portugal, Vol. I, Lisboa, 1763; CAEIRO, Baltazar Matos, Os Conventos de Lisboa, Lisboa, 1989; CONSIGLIERI, Carlos, RIBEIRO, Filomena, VARGAS, José Manuel, ABEL, Marília, Pelas Freguesias de Lisboa. Lisboa Oriental, Lisboa, 1993; COUTINHO, Maria João Fontes Pereira, A produção portuguesa de obras de embutidos de pedraria policroma (1670-1720). Lisboa, Dissertação de Doutoramento em História da Arte apresentada à Faculdade de Letras de Lisboa, 2010, 3 vols.; Ministério das Obras Públicas, Relatório da Actividade do Ministério no ano de 1956, Lisboa, 1957; Ministério das Obras Públicas, Relatório da Actividade do Ministério nos anos de 1957 e 1958, 1º Volume, Lisboa, 1959; PEREIRA, Luis Gonzaga, Monumentos Sacros de Lisboa em 1833, Lisboa, 1927; MATOS, Alfredo, PORTUGAL, Fernando, Lisboa em 1758. Memórias Paroquiais de Lisboa, Lisboa, Câmara Municipal de Lisboa, 1974; MENDONÇA, Joachim Joseph Moreira de, Historia Universal dos terremotos, que tem havido no Mundo, de que ha noticia, desde a sua creação ate o seculo presente, Lisboa, Officina de Antonio Vicente da Silva, 1758, p. 135; SERRÃO, Vítor, Os Silva Paz, uma família de pintores em obra, in A Cripto-História de Arte, Lisboa, Livros Horizonte, 2001, pp. 101-124; SERRÃO, Vítor, História da Arte em Portugal - o Barroco, Barcarena, Editorial Presença, 2003; SIMÕES, João Miguel Ferreira Antunes - Arte e Sociedade na Lisboa de D. Pedro II - ambientes de trabalho e mecânica do mecenato. Lisboa: s.n., 2002, 2 vols. Texto policopiado. Dissertação de Mestrado apresentada à Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa; VALE, Teresa Leonor M., Um português em Roma Um italiano em Lisboa. Os escultores setecentistas José de Almeida e João António Bellini, Lisboa, Livros Horizonte, 2008; VITERBO, Sousa, Diccionario Historico e Documental dos Architectos, Engenheiros e Construtores Portuguezes ou a serviço de Portugal, Lisboa, Imprensa Nacional, 1904, vol. III.

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DSARH, DGEMN/DRMLisboa, DGEMN/DRELisboa/DIE/DRC, DGEMN/GSRP

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID, DGEMN/DSARH

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN/DSID, Carta de Risco; CMLisboa: Arquivo de Obras (Processo nº 36.903)

Intervenção Realizada

1929 - obras de reparação de esgotos e pinturas interiores e exteriores no n.º 118; 1934 - alargamento da porta n.º 118; DGEMN: 1956 - obras de conservação, pelos Serviços de Construção e Conservação; 1957 / 1958 - obras pelos Serviços de Construção e Conservação; 1960 - obras de pintura e substituição do tipo de telha da cobertura; 1965 - profundas obras de restauro nas instalações do recolhimento; 1993 - reconstrução dos telhados do Recolhimento.

Observações

Autor e Data

Teresa Vale e Carlos Gomes 1995

Actualização

Laura Figueirinhas e Lobo de Carvalho 1998
 
 
 
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