Igreja Paroquial do Lumiar / Igreja de São João Baptista

IPA.00005063
Portugal, Lisboa, Lisboa, Lumiar
 
Arquitectura religiosa, manuelina, maneirista e barroca. Igreja paroquial de planta longitudinal composta por três naves escalonadas de cinco tramos, com capela-mor mais estreita, com coberturas internas diferenciadas, de madeira em gamela nas naves e em falsa abóbada de berço na capela-mor, iluminada uniformemente por janelas em arcos de volta perfeita rasgadas nas fachadas laterais, correspondentes à nave central. Fachada principal de disposição tripartida, revelando o esquema interior de três naves, o central em empena tardo-barroca, de perfil contracurvado, rasgado por portal maneirista, de verga recta, flanqueado por colunas jónicas e encimado por nicho, formando o esquema de um remate em tabela, de inspiração na tratadística de Vignola, sobrepujado por janelão rectilíneo. No lado esquerdo, torre de três registos, rasgados por ventanas de volta perfeita e cobertura em coruchéu bolboso. Fachadas circunscritas por cunhais apilastrados e rematadas em cornijas. Interior com as naves divididas por arco torais de volta perfeita, assentes em colunas de inspiração clássica, realizadas, certamente nos séc. 19 / 20, com capelas laterais adossadas e paredes revestidas a azulejo enxaquetado. Arco triunfal de volta perfeita, flanqueado por retábulos de talha dourada barrocos. Capela-mor percorrida por lambril de pedra e possuindo retábulo-mor de talha dourada maneirista, de tipologia por andares.
Número IPA Antigo: PT031106180408
 
Registo visualizado 3734 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Templo  Igreja paroquial  

Descrição

Planta longitudinal composta por corpo de três naves escalonadas e divididas em cinco tramos, capela-mor mais estreita, às quais se adossam torre sineira, baptistério e capela de Santa Brígida, a N., e, a S., sacristia rectangular e vários anexos, de volumes articulados e escalonados de massa horizontalista, interrompida pela verticalidade da torre, com coberturas diferenciadas em telhados de uma, duas e três águas e coruchéu bolboso sobre a torre. Fachadas rebocadas e pintadas de branco, com embasamento saliente e pintado de cinza na fachada lateral esquerda, adaptando-se ao declive do terreno, flanqueadas por cunhais apilastrados e rematadas em cornija, tudo pintado de amarelo. A fachada principal, virada a O., possui embasamento pouco saliente e reflecte a estrutura interna do imóvel, dividida em três panos escalonados, separados por pilastras encimadas por pináculos piramidais. O pano central remata em empena contracurvada, de inspiração borromínica, no vértice da qual surge cruz latina metálica no vértice, sobre plinto galbado, que parte das duas vertentes da empena. É rasgado por portal de verga recta, com moldura de cantaria, flanqueado por pilastras jónicas, que sustentam entablamento, sobre o qual corre friso e um nicho em arco de volta perfeita, assente em impostas salientes e flanqueado por pilastras toscanas, com a imagem do orago, flanqueado por aletas e pináculos, e rematado por frontão triangular interrompido por cruz latina. Sobre o portal, surge um janelão rectilíneo, protegido por grades metálicas. Os panos laterais são cegos rematados em meia-empena. No lado esquerdo, a torre sineira, em cantaria de calcário, evoluindo em três registos escalonados, o inferior rasgado por uma fresta, o intermédio cego e o superior, separado por cornija, com os ângulos facetados, rematados por fogaréus, e rasgado por arcos de volta perfeita em cada uma das faces. Fachada lateral esquerda, virada a N., rasgada, no corpo da nave central, por duas janelas em arco de volta perfeita; está marcada por uma sucessão de corpos adossados e escalonados, surgindo, da direita para a esquerda, o corpo do baptistério, rasgado por fresta rectilínea em capialço, seguindo-se um anexo mais baixo, com duas janelas rectangulares e portal em arco canopial, com moldura recortada e flanqueado por colunelos assentes em bases estreladas e com capitéis entrelaçados, com acesso por escadaria. Sucede-se o corpo da Capela de Santa Brígida, rematado em frontão triangular vazado por óculo, tendo o corpo rasgado por janela rectangular ladeada por nicho em arco de volta perfeita. Sobre o embasamento, surgem lápides de calcário vermelho, epigrafadas. A sacristia possui, na face E., porta de verga recta, com acesso por escadas de cantaria e guarda metálica e por janela rectilínea. A capela-mor é rasgada por janela rectilínea e o anexo posterior a esta possui janela semelhante, mas de menores dimensões, que se repete na fachada oposta. Fachada lateral direita, virada a S., rasgada por três janelas em arco de volta perfeita na nave central, tendo vários corpos adossados, escalonados, o do lado esquerdo bastante comprido e rasgado por três janelas rectilíneas jacentes, sucedendo-se um mais elevado com duas janelas rectilíneas e porta de verga recta e um terceiro, com dois pisos, cada um deles com uma janela rectilínea, a inferior parcialmente entaipada. A capela-mor tem janela rectilínea e dois corpos adossados, um bastante alto, com a face E. rasgada por quatro janelas de dimensões distintas, uma delas gradeada, e outro mais baixo com porta de verga recta e janela jacente. Fachada posterior em empena, rasgada por dois pequenos respiradouros horizontais. INTERIOR com paredes rebocadas e pintadas de bege, percorrida por silhares de azulejo enxaquetado, verde e branco, envolvido por friso da mesma tonalidade, com pavimento em taco e coberturas individualizadas nas três naves, de madeira, em gamela. Possui as naves divididas por arcos formeiros de volta perfeita apoiados em colunas de fuste liso e capitéis de inspiração clássica, com volutas jónicas, algumas integrando pias de água benta, quadrilobadas, umas simples e outras gomadas. No lado do Evangelho, o baptistério com acesso por arco de volta perfeita em cantaria de calcários, de arestas biseladas e assente em impostas salientes, com cobertura em falsa abóbada de berço rebocada e pintada de bege e pavimento em cantaria. Ao centro, pia baptismal assente em coluna circular, contrafortada por pequenos plintos, tendo taça hexagonal, onde se inscreve a data "1542". Na parede do lado da Epístola, possui amplo painel de azulejo figurativo, em monocromia, azul sobre fundo branco, representando "São João Baptista a pregar", "A entrega da sua cabeça decepada" e "Festim de graças". A Capela de Santa Brígida possui acesso por amplo arco de volta perfeita, com moldura simples, boleada exteriormente, com pavimento em axadrezado de calcário e cobertura rebocada e pintada de branco, com porta de acesso no lado esquerdo, de arestas boleadas e envolvida por arco com moldura de cantaria, assente em colunas de fuste liso; no lado do Evangelho, possui painel de azulejo figurativo, em monocromia, azul sobre fundo branco, representando cenas da vida da Santa, surgindo, na parede testeira, em nicho de volta perfeita e pedra de fecho saliente, onde se visualizam arranques de uma primitiva abóbada e, no nicho, um painel com a imagem do orago. No lado da Epístola, capela adossada, dedicada a Nossa Senhora de Fátima, com acesso por dois degraus e arco de volta perfeita, com pedra de fecho saliente, assente em pilastras, flanqueado por uma segunda ordem de pilastras toscanas, que sustentam cornija; o interior tem as paredes rebocadas e pintadas de amarelo, com falsa abóbada de berço, rebocada e pintada de branco, onde se insere a estrutura retabular, em embutidos de calcário, de planta recta, com nicho em arco de volta perfeita e banco ornado por motivos fitomórficos, com altar paralelepipédico tripartido e com duas portas de verga recta nas paredes laterais. Arco triunfal de volta perfeita, assente em pilastras toscanas, com plintos em calcário vermelho, e pedra de fecho saliente, do mesmo material, flanqueado por dois retábulos colaterais de talha dourada, dedicados a São João Baptista (Evangelho) e Santa Rita de Cássia (Epístola). Capela-mor rebocada e pintada de branco, percorrida por lambril de cantaria calcária (branco e vermelho), com pavimenro em cantaria e cobertura em falsa abóbada de berço assente em cornija de cantaria, ornada por falsos caixotões de estuque pintados com uma "Glorificação do Santíssimo", um São João Baptista uma "Santíssima Trindade" e vários elementos em "grisaille". Sobre sotobanco de cantaria, retábulo de talha dourada de planta recta e três eixos, definidos por quatro colunas com o fuste torso e o terço inferior marcado por elementos fitomórficos, com capitéis coríntios e assentes em consolas; o eixo central possui ampla tribuna em arco de volta perfeita, com o interior revestido a caixotões, contendo trono expositivo de três degraus, onde surgem dois anjos tenentes, assente em alto banco ornado por motivos vegetalistas. Os eixos laterais possuem duas ordens de nichos em arcos de volta perfeita, abobadados, e rematados por friso de querubins e acantos, e cornija. Estes sustentam falso tímpano dividido em apainelados, com cartela no fecho; sobre o altar, sacrário circular, em forma de templete. No primeiro piso, uma antiga casa do despacho, com paredes rebocadas e pintadas debranco, percorrida por silhar de azulejo policromo, com friso de monocromia, azul sobre fundo branco, apresentando, "ferronerrie", elementos fitomórficos, concheados e vários geométricos, com o tecto revestido por tela alusiva ao triunfo da Igreja, com a inscrição "A Egreja Romana mandando perseguir os heresiarcas, em nome da Religião".

Acessos

Largo de São João Baptista

Protecção

Incluído na classificação do Paço do Lumiar (v. IPA.00021768)

Enquadramento

Urbano, isolada e destacado, implantado em terreiro com leve inclinação para NE., circundada por amplo adro parcialmente murado por plintos de cantaria capeados e com ferragens, e arborizado no exterior, onde se implanta um Cruzeiro, a O., em posição altimétrica dominante, e com gradeamento diante da fachada principal. O cruzeiro assenta em plataforma quadrangular de três degraus em cantaria, onde assenta soco com inscrição na base "1619", alusiva à sua colocação, sobre o qual assenta plinto paralelepipédico monolítico e de faces almofadadas, onde assenta uma base tronco-piramidal e cruz latina, com hastes lisas e encimado por uma travessa no topo, com as iniciais "J.N.R.J.". A Igreja insere-se no Conjunto do Núcleo Antigo do Lumiar e nas proximidades destacam-se, a N., o Palácio do Monteiro-Mor (v. PT031106180381), a E., a Casa da Quinta do Espie (v. PT031106180798), a SO., o cemitério do Lumiar e, ainda, outras edificações com interesse cultural, decorativo ou arquitectónico.

Descrição Complementar

INSCRIÇÕES: EXTERIOR: 1. Inscrição funerária e comemorativa da instituição de capela gravada num silhar, embutida na fachada N. da igreja, num campo epigráfico delimitado por moldura simples filetada. Calcário. Topo inferior esquerdo com fractura. Tipo de letra: capital quadrada do século XVI. Leitura modernizada: AQUI NESTAS TRÊS SEPULTURAS JAZEM ENTERRADOS OS TRÊS CAVALEIROS IBERNIOS QUE TROUXERAM A CABEÇA DA BEM AVENTURADA SANTA BRIZIDA VIRGEM NATURAL DE IBERNIA CUJA RELIQUIA ESTÁ NESTA CAPELA PER MEMÓRIA DO QUAL OS OFICIAIS DA MESA DA BEM-AVENTURADA SANTA MANDARAM FAZER ESTE EM JANEIRO DE 1283. Os retábulos colaterais são semelhantes, de talha dourada, de planta côncava e um eixo, o do lado do Evangelho definido por quatro colunas torsas, envolvidas por pâmpanos, assentes em consolas com atlantes, que sustentam friso, cornija e fragmentos de frontão, surgindo, no oposto, colunas torsa, pilastra e quarteirão. Ao centro, nicho em arco de volta perfeita, com a boca rendilhada e o fundo preenchido a apainelados de acantos, contendo, no lado do Evangelho, amplo trono de sete degraus, assente directamente no altar. O nicho remata em friso, com fecho constituído por cartela e querubins; remate em espaldar curvo, ornado por cartelas e anjos de vulto. O sotobanco e banco são executados em embutidos de calcário de várias tonalidades, formando acantos enrolados e estando flanqueados por estípides com a mesma técnica, ornadas por escamas e rematadas em bolbo de acanto e concha. Altares em forma de urna, em talha dourada.

Utilização Inicial

Religiosa: igreja paroquial

Utilização Actual

Religiosa: igreja paroquial

Propriedade

Privada: Igreja Católica (Diocese de Lisboa)

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 16 / 17 / 18 / 20

Arquitecto / Construtor / Autor

ARQUITECTO: Tertuliano Marques (1932). CANTEIRO: João Mateus (1546); ENTALHADORES: Matias Rodrigues de Carvalho (1699); Silvestre de Faria Lobo (1766), José Maior (1934). OURIVES: Bernardino António de Bastos (1780). PINTORES: André Gonçalves (1770); Benvindo Ceia (1934); Jerónimo Barros Ferreira (1761); José Ferreira de Araújo (1706); Manuel Maria Ribeiro (1838). PINTOR de AZULEJO: Conceição e Silva (1934) PINTOR-DOURADOR: António de Oliveira Bernardes (1707); Jerónimo de Barros Ferreira (1766). RESTAURADORES: Carolina Barata (2004-2005); Pedro Salvador (2004-2005).

Cronologia

1266 - criação da freguesia do Lumiar; 1276 - instituição da Igreja Paroquial de São João Baptista e São Mateus pelo Bispo de Lisboa, D. Mateus (1259-1282), à qual foram anexados os lugares vizinhos de Telheiras, Ameixoeira e Charneca; 2 abril - a primitiva igreja do Lumiar (de uma só nave e com invocação de São João Baptista e do Apóstolo São Mateus), foi edificada em terreno da propriedade que D. Afonso III possuía nesta zona; 1283 - criação de uma feira de gado no Largo da Igreja de São João Baptista do Lumiar que passou a coincidir com a data da celebração religiosa dedicada a Santa Brígida; séc. 13, 2ª metade - D. Dinis ordenou a trasladação das relíquias de Santa Brígida para a Igreja de São João Baptista *1; 1307 - apresentação do pároco por D. Dinis, que nesta época era o proprietário da quinta adquirida pelo seu pai; 1312 - doação do paço que D. Dinis tinha no Lumiar a D. Afonso Sanches, seu filho bastardo, e que passou a designar-se por Paços do Infante D. Afonso Sanches; 1318 - D. Dinis doou o padroado da igreja de São João Baptista ao novo Mosteiro de São Dinis de Odivelas (v. PT031116030003), apesar da oposição do então Bispo de Lisboa, D. Frei Estêvão, sendo só posteriormente efetivada a anexação da igreja pelo mosteiro; 1331 - D. Teresa Martins, viúva de D. Afonso Sanches, fez doação da igreja e do paço ao Convento de Odivelas, da Ordem de São Bernardo, pelas almas do seu sogro e marido; 1356 - por doação de D. Dinis as freiras do convento de Odivelas tornaram-se padroeiras da igreja, enquanto donatárias da coroa; séc. 14, meados - após D. Afonso IV ter confiscado todos os bens ao seu irmão, esta residência nobre tomou a designação de Paço do Lumiar, a qual acabou por abranger a povoação vizinha; 1488 - segundo um documento do cartório foi construída uma capela de invocação de São Valentim, a primeira do lado do Evangelho, com acesso à torre por meio de escada em pedra, que mais tarde viria a ser dedicada a São João Baptista; séc. 16 - o acesso ao templo era efetuado através de porta principal e de duas portas travessas (a N. e S.), ambas servidas por pequeno lanço de escadas, e todas com pias de água benta; séc. 16, meados - campanha de obras responsável por profundas alterações no edifício da qual se destaca a execução de uma capela lateral, o portal no exterior e um ábaco de um dos capitéis no lado da Epístola; foi nesta altura que foi descoberta a relíquia de Santa Brígida, passando a igreja a assumir, durante este século, a invocação de Santa Brígida; 1542 - colocação de azulejos na nave; 1546 - colocação da pia batismal e do púlpito de pedra na segunda coluna do lado direito, executado pelo canteiro João Mateus, conforme atesta registo epigráfico; séc. 16, 2ª metade - a igreja apresentava três naves que assumiram oragos: a do Rosário com a capela de Santa Brígida, protegida por grades e a de São Valentim, a de Jesus com a capela e altar de São Sebastião e a nave de São Sebastião, virada a S.; a arca da Irmandade de Santa Brígida localizava-se a meio da nave de Jesus, próximo da de São João; a Irmandade do Santíssimo Sacramento tinha duas arcas na igreja, a maior na nave de Jesus e a pequena junto ao esteio de Nossa Senhora do Rosário; 1551 - D. João III, após ter assistido em Belém à trasladação dos ossos do seu pai, esteve em oração a Santa Brígida cerca de uma semana, na Igreja do Lumiar; séc. 16, finais dos anos 60 - Manuel Nunes foi prior da igreja entre esta data; 1569 - existia o altar e a nave de São Sebastião, a S., com Irmandade; 1578 - 1591 - sucessivas referências à existência de um púlpito em pedra do lado da Epístola, perto do altar de Jesus, encastrado numa das colunas (provavelmente a segunda), com escadas; 1579 - a arca de Nossa Senhora do Rosário ficava na igreja, entre as colunas; séc. 16, década de 80 - a Irmandade de São João tinha arca na nave de Jesus, próxima da arca de Santa Brígida; 1583 - referência à existência de um púlpito em madeira do lado da nave do Rosário; 1585, 24 a 31 dezembro - a igreja paroquial esteve "interdita" por motivos desconhecidos; neste período foram realizados dois casamentos na Ermida do Espírito Santo; 1588 - a arca de Jesus, pertencente à Irmandade de Jesus, estava localizada à entrada da porta principal da igreja na nave de Jesus; 1594 - a Irmandade de São Valentim tinha arca na igreja; 1595 - até esta data existe a referência de que a igreja ainda tinha charola; a capela de São Sebastião foi substituída pela capela de Nossa Senhora da Conceição, com Irmandade; 1598 - referência direta à mesa da Confraria com evocação de São Sebastião; séc. 17 - a capela dedicada a São Valentim passou a ser dedicada a São João Baptista; continuação das obras de edificação da igreja e colocação de uma lápide no exterior, alusiva à lenda de Santa Brígida e aos três cavaleiros que foram sepultados na capela construída para honrar a santa e guardar a sua relíquia; 1603 - data da porta principal; a Irmandade de Santo António tinha Mesa na igreja; 1606 - um visitador recomendou que se acabasse de pintar o retábulo-mor; 1607 - nova recomendação referente ao retábulo; Visitação aconselhava à realização das portas principais em quatro meses; 1610 - referência à Irmandade das Almas do Purgatório; 1616 - o retábulo ainda estava por terminar quando um outro visitador referiu ao pároco e à madre abadessa (padroeira) a necessidade da sua reforma e douramento; assentamento de azulejos nas paredes do corpo da igreja a expensas das esmolas dos paroquianos; 1617 - continuação do assentamento dos azulejos; 1619 - realização do coro-alto e compra de órgãos para acompanhar os ofícios divinos; devido à falta de quem os tocasse foi oferecida para o efeito uma verba de 4$000 reis; construção do cruzeiro do adro da igreja; 1620 - um padre visitador referiu a importância do ornamento do retábulo e da necessidade de douramento do pedestal; as portas ainda não estavam feitas; 1624 - a capela de Santa Brígida necessitava de vidraças e conserto do caixilho da relíquia; 1630 - uma Visitação à igreja ordenava ao prior que, no prazo de três meses, sob pena de excomunhão e 5 cruzados para a Santa Cruzada, o adro fosse murado de modo a que os carros e cavalgaduras não revolvessem a terra que se encontrava cheia de ossadas; 1631 - a mesma Visitação referiu a necessidade de conserto do sino e chamou novamente a atenção para a realização das portas principais, aconselhando o prior a pedir provisão ao rei; 1639 - as portas continuavam a não ser substituídas e nova Visitação lamentou a situação; 1644 - foi imposto ao Juiz da Igreja a obrigação de tapar o adro num prazo de quinze dias, o que não aconteceu; 1683 - um cura visitador deu um prazo de um ano ao prior para colocação de grades ao redor da pia bptismal; 1696 / 1745 - obras na igreja; 1699, 19 Agosto - contrato com Matias Rodrigues de Carvalho para a feitura do retábulo-mor; 1706 - a vedação ainda não havia sido construída; pintura do teto em brutesco por José Ferreira de Araújo; 1707, 16 Julho - António de Oliveira Bernardes recebeu, por procuração de seu cunhado José Ferreira de Araújo, 400$000 para pagamento do douramento e pintura da capela-mor; 1750 - A. Joseph da Fonseca vendeu "uma armação de panos pintados" para guarnecer as paredes da Casa do Despacho da Irmandade do Santíssimo Sacramento, conforme recibo passado a Manuel Cardoso, que se encontra no antigo cartório paroquial; séc. 18, meados - a Irmandade de Santo António já não existia; 1755, 1 novembro - a igreja sofreu alguns danos com o terramoto nomeadamente na frontaria e na torre; a freguesia contava então com seis irmandades (do Santíssimo Sacramento, do Espírito Santo, de Nossa Senhora da Conceição, de Nossa Senhora do Rosário, de Santa Brígida e das Almas do Purgatório); 1758 - as obras da igreja estavam quase concluídas, com exceção da torre; 4 março - nas Memórias Paroquiais, assinadas pelo prior Feliciano Luís Gonzaga, refere que tinha cinco altares, o mor, com o tabernáculo em que se recolhe o Santíssimo Sacramento, da parte do Evangelho, possuindo as imagens do orago São João Baptista (Evangelho) e São Pedro, do lado da Epistola, e pertence a fabrica desta à Irmandade do Santíssimo; no lado do Evangelho, o altar colateral de Nossa Senhora do Rosário, surgindo, no oposto, o Cristo crucificado, fabricado por um devoto eclesiástico, o Padre António da Costa Preto; no lado do Evangelho tem uma capela, em que se acha colocada, num decente tabernáculo, a cabeça de Santa Brígida e a imagem da mesma, com confraria; no lado da Epistola, um altar de Nossa Senhora da Conceição, onde se acha uma pintura de Nossa Senhora da Encarnação; tinha as irmandades das Almas do Purgatório, de Jesus e de Nossa Senhora do Rosário; 1761 - levantamento da torre; 1766 - António Ferreira de Almeida era Juiz da Confraria do Santíssimo Sacramento e mandou fazer a expensas suas o retábulo em talha dourada, a tela e a pintura da capela-mor a Jerónimo de Barros Ferreira (1750-1803) e a Silvestre de Faria Lobo; a sede da confraria situava-se numa pequena sala do primeiro andar da igreja, que era decorada com azulejos do século 18 e que apresentava no teto, inserida em moldura dourada, a seguinte inscrição "A Egreja Romana mandando perseguir os heresiarcas, em nome da Religião"; 1770, c. - provável colocação dos dez quadros alusivos à vida de São João Baptista, que decoravam os tímpanos dos arcos divisórios das naves atribuídos a André Gonçalves (?-1762); séc. 18, 3º quartel - execução de pintura ornamental no tecto da capela de Santa Brígida, da autoria de Jerónimo de Barros Ferreira e colocação de azulejos; 1780 - mediante encomenda dos mesários da Irmandade de Santa Brígida (Padre Manuel Gonçalves Preto, Padre Patrício da Silva e José Correia), o ourives Bernardino António de Bastos executou a relíquia de Santa Brígida que se encontrava encerrada num cofre de prata dourada e cristal, estilo D. João V, colocado no altar da respetiva invocação e que passou depois a guardar-se na casa forte da igreja, sendo apenas nos dias de festa exposta aos devotos; 1818 - construção de um altar colateral, destruído pelo incêndio poucos anos depois; 1882 - a igreja foi assaltada e como memória do acontecido foi colocada uma inscrição em pedra, na parede virada a sul: "POR AQVI SAHIO / O ROBO / DO DEZACATO / Q. SE FEZ EM Q P 10 / DE NOVEMBRO DE / 1822 / PA PERPETVA MEMORIA / P I D C "; 1885 - com uma nova reforma administrativa a freguesia de São João Baptista foi incorporada na cidade de Lisboa; séc. 20, inícios - numa ronda feita a várias igrejas da capital foi feita uma breve descrição da igreja *2; 1932, 7 Fevereiro - incêndio causador de significativos estragos no monumento, incluindo um valioso revestimento azulejar quinhentista e o guarda-vento; na reedificação, orientada pelo arquiteto Tertuliano Marques, foram aproveitadas as estruturas não danificadas e reutilizados alguns materiais; 1933, dezembro - o guarda-vento da Sé de Lisboa (v. IPA.00002196) encontra-se requisitado para substituir o que ardeu ( DGEMN/DSARH - 010/047-0205, TXT.00964948); 1934, 24 Dezembro - a igreja reabriu ao culto, após obras de restauro na sequência do incêndio; Data dos painéis de azulejos que revestem lateralmente a capela de Santa Brígida, alusivos à mesma santa, e parte dos da capela-mor, à esquerda, executados por Conceição e Silva; restauro dos retábulos de talha que guarnecem os altares que ladeiam o arco-triunfal, tendo sido utilizado no da direita talha proveniente de uma capela da igreja do extinto Convento de Nossa Senhora da Estrela ou Estrelinha, localizado na freguesia da Lapa, atual Hospital Militar (v. PT031106170623); restauro do retábulo da capela-mor pelo entalhador José Maior que foi trazido do antigo Convento do Quelhas; pintura da abóbada da capela-mor por Benvindo Ceia; 1935 - inauguração solene da igreja em termos oficiais com várias celebrações e a assistência do Cardeal Patriarca; 1958 - Cordeiro de Sousa referiu a existência no antigo cartório paroquial de "três ou quatro grandes volumes de música sacra, alguns livros de receita (...), assentos da entrada de irmãos, uns maços de papéis reunidos pelo (...) Visconde de Castilho (...) e um velho livro de visitações (...), numerosos livros das actas da irmandade (...), o códice intitulado Memória da creação da Paroquial Igr.ª Matriz de São João Bap.ta do Lugar do Lumiar extra muros da Cidade de Lisboa, etc. que (...) trata apenas das obrigações de missas, aniversários, benefícios, prazos e dízimos paroquiais, e outros rendimentos eclesiásticos (...)"; 1994 - a igreja foi abrangida pelo Plano Diretor Municipal, ref. 18.15; 1995 - estudo preliminar de projeto de reabilitação de arranjos exteriores e edifício paroquial pela Câmara Municipal de Lisboa; 1996 - realização do "Plano de Pormenor de Salvaguarda" do Paço do Lumiar; despacho do Ministro da Cultura determinando a classificação do Conjunto do Paço do Lumiar; o Gabinete da Divisão dos Núcleos Dispersos, Direção Municipal de Reabilitação Urbana, chamou a atenção para os problemas mais urgentes quanto à reabilitação do espaço público e que se prendiam, em grande parte, com a circulação viária de atravessamento e tráfego de pesados junto à Igreja de São João Baptista; 1997 - classificação do Conjunto do Paço do Lumiar.

Dados Técnicos

Estrutura mista.

Materiais

Estrutura em alvenaria mista, rebocada e pintada; modinaturas, cunhais, cornijas, escadas, pavimento, embutidos, colunas, lambril da capela-mor, pias de água benta e baptismal, torre sineira em cantaria de calcário, silhares de azulejo tradicional; janelas com vidro simples, algumas protegidas por grades em ferro fundido; retábulos, pavimento, guarda-vento em madeira; cobertura exterior em telha cerâmica.

Bibliografia

A inauguração solene da igreja do Lumiar fez-se ontem com a assistência do sr. Cardial Patriarca, in Diário de Notícias, 24 Junho 1935; ALMEIDA, José António Ferreira de (coord. de), Tesouros Artísticos de Portugal, Lisboa, 1976; ARAÚJO, Norberto de, LIMA, Durval Pires de, Inventário de Lisboa, Fascículo X, Lisboa, 1955; Arrabaldes de Lisboa in Revista Archivo Pittoresco-Semanario Illustrado. Fragmentos de um Roteiro de Lisboa, Lisboa, 1863, p. 306; BASTOS, Fernando Pereira, Apontamentos Sobre o Manuelino no Distrito de Lisboa, Lisboa, 1991; CONSIGLIERI, Carlos e OUTROS, Pelas Freguesias de Lisboa. O Termo de Lisboa, Lisboa, 1993; COSTA, Américo, Lumiar in Dicionário Corográfico de Portugal Continental e Insular, vol. VII, Vila do Conde, 1940, p. 822; DUARTE, Maria José Guerreiro, "Costume Antigo - no Termo de Lisboa (Lumiar)", Olisipo, II Série, n.º 3, Lisboa, 1996; FERREIRA, Sílvia Maria Cabrita Nogueira Amaral da Silva, A Talha Barroca de Lisboa (1670-1720). Os Artistas e as Obras, Lisboa, Dissertação de Doutoramento em História da Arte apresentada à Faculdade de Letras de Lisboa, 2009, 3 vols.; FERREIRA, Sílvia e COUTINHO, Maria João Pereira, Com toda a perfeição na forma que pede a arte: a capela do Santíssimo Sacramento da igreja de São Roque em Lisboa: a obra e os artistas, in ARTIS, Lisboa, Instituto de História da Arte da Faculdade de Letras de Lisboa, 2004, n.º 3, pp. 267-295; INÁCIO, Carlos A. Revez, Paço do Lumiar. Apontamentos de História, Lisboa, 1998; LEAL, Augusto Pinho, Lumiar, in Portugal Antigo e Moderno. Dicionário, vol. IV, Lisboa, 1874, p. 476; MATOS, Alfredo, PORTUGAL, Fernando, Lisboa em 1758. Memórias Paroquiais de Lisboa, Lisboa, Câmara Municipal de Lisboa, 1974; MATOS, F. A. de, Diccionário Chorográphico de Portugal. Continental e Insular, Lisboa, 1889; Monografia do Lumiar, Lisboa, Junta de Freguesia do Lumiar, 2003; O Incendio da Igreja do Lumiar, in Diário de Notícias, 8 Fevereiro 1932; OLLERO, Rodrigo (coord. de), Plano de Pormenor de Salvaguarda. Paço do Lumiar, Gabinete Técnico de Carnide - Luz / Paço do Lumiar, Lisboa, 1996; PEREIRA, Esteves, RODRIGUES, Guilherme, Lumiar in Portugal. Dicionário Histórico, Corográfico, Biográfico, Bibliográfico, Heráldico, Numismático e Artístico, vol. IV, Lisboa, 1909, p. 579; PEREIRA, Gabriel, De Benfica à Quinta do Correio-Mor, Lisboa, 1905; QUEIROZ, José de, Cerâmica Portuguesa, Lisboa, 1907; PEREIRA, Gabriel, Pelos Subúrbios e Vizinhanças de Lisboa, Lisboa, 1910; PEREIRA, Luís Gonzaga, Monumentos Sacros de Lisboa em 1833, Lisboa, 1924; PROENÇA, Raúl, Lumiar in Guia de Portugal, vol. I, Lisboa, 1874, p. 449; PROENÇA, Raul, (dir. de), Guia de Portugal, vol. I, Lisboa, 1924; SERRÃO, Vítor, História da Arte em Portugal - o Barroco, Barcarena, Editorial Presença, 2003; SILVA, A. Vieira da, Freguesias de Lisboa, Lisboa, 1943; SOUSA, J. M. Cordeiro de, Colectânea Olisiponense, vol. II, Lisboa, 1958; SOUSA, J. M. Cordeiro de, Colectânea Olisiponense, vol. III, Lisboa, 1966; Catálogo da Exposição Temporária Lisboa Quinhentista, a Imagem e a Vida da Cidade, Lisboa, 1983; Um incendio destroi a igreja do Lumiar, in O Século, 7 Fevereiro 1932.

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN/DSID

Intervenção Realizada

PROPRIETÁRIO: 1810 / 1821 / 1822 / 1826 / 1840 - diversas obras na igreja; 1838 - o pintor Manuel Maria Ribeiro foi encarregado de restaurar o painel do altar-mor; 2001 - conservação e restauro das talhas do altar-mor e altares laterais; 2003 / 2004 - conservação e restauro da tela do tecto da sala do 1º piso da responsabilidade da técnica Carolina Barata; estauro dos silhares de azulejos de finais de setecentos; recuperação estrutural do tecto e paredes da sacristia e do guarda-vento, da responsabilidade Pedro Salvador.

Observações

*1 - Santa Brígida foi martirizada pelos bárbaros a 1 de Fevereiro de 518; segundo a lenda, em 1293, D. Dinis tentou por duas vezes colocar o crânio de Santa Brígida, trazido da Irlanda por três "cavaleiros ibernios", no Mosteiro de Odivelas e nessas duas vezes o crânio foi visto milagrosamente à porta da Igreja de São João Baptista, onde finalmente foi depositado e guardado pelos três devotos até à sua morte; os cavaleiros encontram-se sepultados na mesma capela da santa, a que alude lápide epigrafada no exterior. *2 - a capela-mor era grande, bem proporcionada e com boa iluminação; dos lados tinha dois grandes quadros a óleo e "dois magníficos azulejos, talvez flamengos" com a Degolação e a Pregação de São João Baptista; tinha retábulo em talha dourada com tela onde o santo padroeiro acariciava a ovelha e pintura de tecto; sobre o altar-mor tinha imagens de São João e de São Pedro e, aos pés da primeira, a cabeça de São João em prata oferecida pela Duquesa de Palmela, D. Maria Luísa; tinha dois altares colaterais, de Nossa Senhora do Rosário (lado do Evangelho) e de Nossa Senhora das Dores e ao Santo Crucifixo (lado da Epístola); na nave esquerda, dita de Jesus, existia a capela de Nossa Senhora da Conceição e, em frente, na nave do Rosário, a capela de Santa Brígida; na parte superior da nave central viam-se dez quadros ricamente emoldurados em talha dourada e azul com os paços da vida do orago; o púlpito de mármore encontrava-se junto à terceira coluna do lado esquerdo da nave central, a contar do altar-mor; o tecto da nave central era de madeira pintada e estava em avançado estado de degradação devido à infiltração de água e foi descrito por Júlio de Castilho "(...) ergue-se em volta lá no alto uma balaustrada em perspectiva, figurando terminarem aí as paredes; essa balaustrada é intervalada de acrotérios, com grandes vasos cheios de bonitas flores. Além da balaustrada, assim rota, projectava-se o azul do firmamento. Nesse azul vigoroso esvoaçavam entre nuvens vários grupos. Começando do Nascente, isto é do cruzeiro, vê-se a Santa Sé, majestosa figura de mulher coroada da Tiara pontifícia; segura no braço direito um livro, e no esquerdo a Cruz tríplice. A esta figura segue a Fé, mulher com um cálix na mão direita e a Cruz na esquerda. Adiante a Esperança com sua Âncora salvadora. Adiante, enfim, última para o lado do coro, a Caridade amparando no regaço três criancinhas. No céu, aqui e ali, esvoaçavam Anjos" (AAVV, 2003); existiam dois coros, um maior e mais alto e o outro mais pequeno que comunicava com o primeiro através de degraus onde se encontrava o órgão.

Autor e Data

Teresa Vale e Maria Ferreira 1998 / Filipa Avellar, Lina Oliveira e Sara Andrade 2004

Actualização

Ana Rosa 2005
 
 
 
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