Palácio do Marquês de Abrantes / Embaixada de França

IPA.00005048
Portugal, Lisboa, Lisboa, Estrela
 
Arquitectura residencial, barroca. Palácio urbano.
Número IPA Antigo: PT031106370369
 
Registo visualizado 1469 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Residencial senhorial  Casa nobre  Casa nobre  

Descrição

De planta composta em L, cujo braço maior se encontra perfurado por pátio rectangular, o edifício apresenta volumetria uniforme, sendo a cobertura das alas efectuada por telhados a 2 e 3 águas. O alçado principal, a N., é constituído por 3 corpos de 2 pisos, sendo o central destacado, delimitado por pilastras, no qual se assinala o portal principal, com emolduramento de cantaria, ladeado por 2 falsas janelas. A estes vãos correspondem, no piso superior, 3 janelas de sacada, sobrepujadas de áticas, ostentando a do centro, a figuração relevada de um pelicano *2. Este corpo central é rematado por frontão triangular, dentro do qual em alto relevo e suspensa de grinalda, se observa a pedra de armas dos Lencastre *3. Através do portal principal efectua-se o acesso ao Vestíbulo - coberto por tecto de abobadilha de aresta suave, paredes com silhares de azulejos monócromos do tipo tapete -, com o qual se liga o Átrio - cujo tecto de estuque ostenta pintura ornamental em torno de uma figuração do brasão dos Lencastre envolto pela sua divisa *4 -, onde se regista a presença da escadaria que conduz ao piso superior. As salas principais localizam-se todavia no piso térreo da ala S., ligando-se através de portas-janela com o nível superior dos jardins, merecendo particular menção: a Sala de Música, ou de Baile, o Salão Nobre, a Sala de Jantar, a denominada Sala das Louças (tecto apainelado em cúpula piramidal integralmente revestido de porcelanas e faianças orientais) e a Capela (de planta rectangular e tecto apainelado, com cenas do Pentecostes, revestimento murário com azulejos monócromos figurando cenas da Fuga para o Egipto e altar de talha dourada) com sua sacristia.

Acessos

Calçada do Marquês de Abrantes, n.º 123; Rua de Santos-o-Velho, n.º 1 a 11

Protecção

Incluído na Zona Especial de Proteção conjunta do Museu Nacional de Arte Antiga (v. IPA.00003153), da Igreja de São Francisco de Paula (v. IPA.00002621), do Convento das Trinas do Mocambo (v. IPA.00003151) e do Chafariz da Esperança (v. IPA.00004943) *1

Enquadramento

Urbano, destacado, adossado, a O. com ligação à Igreja de Santos-o-Velho (v. PT031106370253), parcialmente isolado por jardim escalonado e murado, em posição altimétrica dominante, a S.

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Residencial: casa nobre

Utilização Actual

Política e administrativa: embaixada

Propriedade

Privada: estatal

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 17 / 18

Arquitecto / Construtor / Autor

ARQUITECTO: Carlos Rebelo de Andrade (1937); Gonçalo Sousa Byrne (1980-1982); Guilherme Rebelo de Andrade (1937); João Antunes (1711). PINTORES: Francisco Pais (1775); Marcos da Cruz (séc. 17); Pedro Alexandrino de Carvalho (1775).

Cronologia

Séc. 12 / 15 - convento dos freires da Ordem Militar de Santiago e depois das Comendadeiras de Santos; c. 1490 - Fernão Lourenço, feitor da Casa da Mina e da Índia, mandou arrasar o casario do mosteiro de Santos-o-Velho, e edifica neste local uma casa nobre, que posteriormente cede por troca ao rei D. Manuel; 1501 - D. Manuel inicia a edificação de um palácio real, o Paço real de Santos; séc. 17 - pintura das telas da capela por Marcos da Cruz; 1629 - aquisição do palácio às Comendadeiras de Santos por D. Francisco Luís de Lencastre; 1711 - decorrem obras no palácio, sob a direcção do arquitecto João Antunes (1643-1711); 1730 - início da construção do corpo da entrada principal; 1734 - prosseguiam obras no palácio; 1742 - doação, por D. Pedro de Lencastre, 5º conde de Vila Nova de Portimão (proprietário do palácio pelo seu casamento com D. Maria Sofia, filha e herdeira do 2º marquês de Abrantes), de chão e paredes à igreja paroquial de Santos, para edificação da capela-mor desta; 1752 - o 7º conde de Vila Nova e 3º marquês de Abrantes, D. Pedro de Lencastre, cede terreno para a calçada do adro da igreja para a praia de Santos; 1757 / 1758 - obras na sequência dos danos causados pelo terramoto; 1775 - campanha de obras significativa no palácio, procedendo-se designadamente a redecoração de vários compartimentos registando-se a participação dos pintores Pedro Alexandrino e Francisco Pais; 1800 - concedido direito de tribuna e jazigo na igreja de Santos ao marquês de Abrantes; 1808 - palácio ocupado pelas tropas francesas; 1842 / 1848 - reside no palácio D. Maria Amélia, imperatriz do Brasil, viúva de D. Pedro I; 1848 / 1870 - o palácio volta a funcionar como residência dos marqueses de Abrantes; 1853 - neste ano, residiram no palácio a infanta D. Ana de Jesus Maria e seu marido, 2º marquês e 1º duque de Loulé; 1870 - sendo proprietário D. João de Lencastre e Távora (1864 - 1917), é arrendado o palácio ao embaixador de França, conde de Armand, tendo aí funcionado a legação de França; 1909 - aquisição do palácio e respectivo recheio pelo governo francês, pela quantia de 80 contos de réis, através do seu embaixador Saint-René Taillandier; 1937 - o Instituto Francês instala-se em corpo acrescentado à ala O., segundo projecto dos arquitectos Carlos Rebelo de Andrade (1887 - 1971) e Guilherme Rebelo de Andrade (1891 - 1969); 1948 - a mudança de estatuto da representação francesa em Lisboa faz com que a legação ocupe a ala E. e a embaixada a parte central; 1980-1982 - remodelação do imóvel conforme projecto do arquitecto Gonçalo Sousa Byrne.

Dados Técnicos

Paredes autoportantes

Materiais

Alvenaria mista, reboco pintado, cantaria de calcário, mármore, estuque, madeira dourada, porcelana, azulejos (sécs. 17 e 18), ferro forjado

Bibliografia

Embaixadas e Legações. A Legação de França, in Lisboa. Revista Municipal, Lisboa, Ano I, Nº 1, 1939; CASTILHO, Júlio de, A Ribeira de Lisboa, Lisboa, 1948-1968; ARAÚJO, Norberto de, Inventário de Lisboa, Fasc. VI, Lisboa, 1949; SOUSA, Maria Teresa Andrade e, Inventário dos Bens do Conde de Vila Nova, D. Luís de Lencastre. 1704, Lisboa, 1956; LYON-GOLDSCHMIDT, Daisy, Les Porcelaines Chinoises du Palais de Santos, in Arts Asiatiques, Paris, Tomo XXXIX, 1984; ATAÍDE, M. Maia, (dir. de), Monumentos e Edifícios Notáveis do Distrito de Lisboa. Lisboa - 3, Lisboa, 1988; PEDREIRINHO, José Manuel, Dicionário de arquitectos activos em Portugal do Séc. I à actualidade, Porto, Edições Afrontamento, 1994; CARITA, Hélder, Le Palais de Santos, Paris, 1995; Plano de Urbanização do Núcleo Histórico da Madragoa. Caracterização Histórico-Patrimonial, vol. 5, Lisboa, CML-DMRU-CLMSP, 1996; SERRÃO, Vítor, História da Arte em Portugal - o Barroco, Barcarena, Editorial Presença, 2003.

Documentação Gráfica

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Administrativa

Intervenção Realizada

1937 - construção das dependências do Instituto Francês em corpo acrescentado à ala O.; 1995 / 1996 - restauro das pinturas ornamentais das salas

Observações

*1 DOF: Zona Especial de Proteção conjunta aos imóveis: Museu Nacional de Arte Antiga, Igreja de São Francisco de Paula, Túmulo da rainha D. Maria Vitória, Palácio do conde de Óbidos, Chafariz das Janelas Verdes, Teatro da Casa da Comédia, Edifício da rua das Janelas Verdes n.º 78 - 78, Cinema Cinearte, Chafariz da Esperança, Convento das Trinas, Casa de António Sérgio, Palacete do viscondes e condes dos Olivais e da Penha Longa, Troço do do Aqueduto das Águas Livres, Abadia de Nossa Senhora da Nazaré do Mocambo.*2 - timbre das armas dos Lencastre; *3 - de prata, com 5 escudetes de azul, postos em cruz, cada escudete carregado de 5 besantes de prata, postos em sautor, bordadura de vermelho carregada de 7 castelos de oiro; *4 - Pela Lei e Pela Grei.

Autor e Data

Teresa Vale e Carlos Gomes 1996

Actualização

 
 
 
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