Convento de Nossa Senhora da Penha de França / Igreja Paroquial da Penha de França / Igreja de Nossa Senhora da Penha / Santuário de Nossa Senhora da Penha de França / Edifício da Direção Nacional da Polícia da Segurança Pública (PSP)

IPA.00005033
Portugal, Lisboa, Lisboa, Penha de França
 
Convento masculino de Eremitas de Santo Agostinho ou Gracianos.
Número IPA Antigo: PT031106250382
 
Registo visualizado 3948 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Convento / Mosteiro  Convento masculino  Ordem dos Eremitas de Santo Agostinho - Gracianos

Descrição

De planta organizada em torno de claustro com alas rectangulares, o edifício apresenta volumetria paralelepipédica escalonada, sendo a cobertura efectuada por telhados a 1 e 2 águas, articulados nos ângulos, perfurados por trapeira e em coruchéu. O alçado principal da igreja, a S., em calcário, organiza-se em 3 níveis e 3 corpos, separados por contrafortes com pequenos nichos. O corpo central, vazado em arco em asa de cesto com entrada monumental em escadaria, é sobrepujado ao nível do 3º piso por janela de sacada com balaústres, suportada por mísulas, e rematada superiormente por cartela com emblema da Ordem de Santo Agostinho. Os corpos laterais apresentam porta de verga recta no embasamento do edifício, encimada por vão em arco de volta perfeita, e janela de guilhotina no 3º piso. Acima da cornija, no enfiamento do corpo central, eleva-se pano de muro vazado por óculo, rematado por frontão triangular, com cruz e fogaréus nos acrotérios. Contíguamente ao alçado principal a O., desenvolvem-se as antigas dependências conventuais, organizadas em 3 andares separados por frisos de cantaria, apresentando piso térreo vazado por portas e janelas, piso intermédio e superior com janelas rectangulares de verga destacada, sendo as últimas de menor vão e encimadas por óculos. No alçado posterior, observa-se à direita, uma torre de secção quadrangular, com ventana sineira, rematada por coruchéu. Acede-se ao interior da igreja, por endonártex de 2 níveis, servido por escadaria de lanço único, divergente em 2 lanços conducentes à plataforma principal. O INTERIOR de planta axial composta pela justaposição de rectângulo-octógono-rectângulo, apresenta 3 entidades do ponto de vista de espacialidade: acesso e coro-alto, nave e capela-mor. O coro-alto exibe guarda com balaústres e cobertura em abóbada da aresta, seguindo-se a nave com cobertura em cúpula gomada. Na 1ª face do octógono e a ladear a porta, reconhece-se num nível superior a existência de tribunas, com base e guarda marmoreadas. A nave apresenta altares laterais (3 por lado) intercalados por portas e janelas de peito ao nível do piso superior: inscritos em arcos de volta perfeita, os altares em talha dourada albergam imaginária, sendo sobrepujados de composições pictóricas em tela. Existência de púlpitos, entre o 1º e o 2º altar, com base marmórea esculpida e avental semicircular marmoreado, encimados por janela com balaústres e remate superior compósito em cantaria. A capela-mor, com cobertura de abóbada de aresta, exibe nos panos de muro laterais, nichos, ladeados por pilastras caneladas em cantaria, sendo rematados por frontão triangular. Ladeiam o nicho, portas sobrepujadas de áticas destacadas e cabeças de querubim; reconhece-se num 2º nível, composição pictórica em tela, ladeada por janelas. No muro de topo, identifica-se retábulo.

Acessos

Largo da Penha de França. WGS84 (graus decimais) lat.: 38.730450, long.: -9.131559

Protecção

Categoria: MIP - Monumento de Interesse Público, Portaria n.º 414/2017 , DR n.º 221/2017, 2.ª série, 16 novembro 2017 *1

Enquadramento

Urbano, destacado, flanqueado e parcialmente isolado por terreiro em posição altimétrica dominante

Descrição Complementar

No muro exterior da cabeceira da igreja observa-se um painel azulejar de grandes dimensões tendo por tema a lenda do Senhor da Penha, sendo sobrepujado de relógio solar. No interior, a cúpula da nave exibe composição pictórica de temática mariana, também presente nas telas dos altares laterais do mesmo espaço, e da autoria de Pedro Alexandrino *1. Na capela-mor,o retábulo de madeira pintada e dourada com camarim, albergando imagem do orago, caracteriza-se por colunas de fuste canelado com decoração a meia altura, capitéis compósitos e remate superior em frontão curvo interrompido sobrepujado de resplendor e anjos. As estátuas albergadas pelos nichos laterais, são a de São Paulo do lado do Evangelho e a de São Pedro do lado da Epístola (cópias em madeira de modelos de Machado de Castro), verificando-se ainda a existência de monumentos fúnebres de António Cavide e sua esposa (em sala anexa).

Utilização Inicial

Religiosa: convento masculino

Utilização Actual

Religiosa: igreja paroquial/ Religiosa: santuário / Segurança: quartel da Polícia da Segurança Pública (PSP)

Propriedade

Privada: Igreja Católica (Diocese de Lisboa) / Pública: estatal

Afectação

Sem afetação

Época Construção

Séc. 17 / 20

Arquitecto / Construtor / Autor

ARQUITETOS: Aires da Cunha (séc. 18); Teodósio de Frias (m. 1634). ENTALHADOR: António Vaz de Castro (1650). ESCULTOR: Joaquim Machado de Castro. PINTORES: Diogo Magina (séc. 18); Pedro Alexandrino de Carvalho ou Vieira Portuense.

Cronologia

1597 - na sequência de um voto do imaginário António Simões em Alcácer-Quibir executa uma imagem da Senhora;, a que se deu a denominação de Nossa Senhora da Penha de França *2, colocada na Igreja de Nossa Senhora da Vitória; 1597 - 1598 - António Simões e a sua mulher desejam construir uma capela para a nova imagem e solicitam a Afonso de Torres e Magalhães e a sua mulher, D. Constança de Aguilar, uns terrenos para a sua edificação, no local denominado Cabeça de Alperce, o que foi atendido, com a condição que se construísse uma casa religiosa e que a capela ficasse no padroado do doador; em troca, António Simões poderia ter uma casa com ligação à igreja, para o que os padroeiros cederam dinheiro para a sua construção; 25 março - lançamento da primeira pedra para a construção da ermida; 1598, 10 maio - trasladação da imagem do orago para o novo templo; 1599 - perante uma epidemia que grassava na cidade, a Câmara pede a intercessão da Virgem da Penha, em troca de procissões anuais e dádivas pecuniárias; 1601, 04 janeiro - por escritura, António Simões e mulher doam a ermida aos Eremitas Calçados de Santo Agostinho do Convento de Nossa Senhora da Graça de Lisboa, com a condição de administrar a capela enquanto vivesse; início da construção de umas casas para os religiosos; 1603 - os religiosos solicitam a António Simões a doação da ermida e a cedência das casas que possuía junto a ela, onde pudessem fazer casa; 01 agosto - a casa de António Simões é adquirida pelos Gracianos; 1605 - o Papa Clemente VIII concede aos religiosos que não se construa uma ermida nas imediações desta e que não se consagre outra casa religiosa à Senhora da Penha de França em território português; concede indulgências à Irmandade dos Mareantes da Índia, sedeada no local; 1616, 27 setembro - medições no Mosteiro por João Adrião, sendo avaliadores Manuel Quaresma e o pedreiro Diogo Vaz; é arquitecto do mosteiro Teodósio de Frias; 1625 - 1635 - edificação de uma igreja em substituição da primitiva ermida e de um convento anexo; 1625, 19 fevereiro - mudança para a igreja nova, que entretanto se construíra com esmolas dos devotos; 1663, 01 outubro - aquisição do padroado da capela-mor aos religiosos por António Cavide, secretário de Estado de D. João IV, que aí manda edificar o seu monumento fúnebre, doando os bens da Capela de Vasco Esteves de Gatos e o valor de 820$000 aplicados a juro, em troca de 14 missas quotidianas pela sua alma, pela da sua primeira esposa, Maria Vaz Fialha, pelas dos seus pais (Agostinho Pires e Maria Cão), pela de sua mulher Maria Antónia de Castro; 1650 - execução de um trono e diversos caixilhos por António Vaz de Castro; 1700 - o convento possui 40 religiosos agostinhos; séc. 18 - pinturas na igreja por Diogo Magina; 1707 - a igreja é antecedida por um amplo terreiro e escadas de acesso, murados e fechados por grades de ferro, a fachada possui um arco de pedra, que diverge em dois lanços de escadas, de acesso à igreja; a nave não é grande, tendo teto em abóbada, pintado a brutesco, que se prolonga sobre o coro, para a qual abrem três capelas de cada lado, com acesso por arcos de cantaria, encimados por janelas que iluminam o espaço, as do lado esquerdo fingidas; a nave está revestida a azulejo e está dividida por teia em brecha da Arrábida; esta dá acesso ao transepto, com duas capelas no topo e duas colaterais, ornadas a talha dourada; a capela-mor é quadrada, com teto em meia-cúpula de pedraria, fingindo almofadas negras e vermelhas; de cada lado, as sepulturas dos padroeiros; tem retábulo de talha dourada com tribuna do tipo transparente, sobre penha de pedra e prata, estando a imagem revestida a prata; tem altar com banqueta de seis castiçais de prata; no lado do Evangelho, a ante-sacristia, quadrada e revestida a azulejo, encimados por ex-votos, que dá acesso, por porta de pedraria, à sacristia, com abóbada pintada de brutesco e arcaz de pau-santo e ferragem dourada, com espaldar compreendendo um nicho com o Crucificado; nos lados, um lavabo e o armário dos amitos; tem as Irmandades dos Escravos da Senhora da Penha de França, a Irmandade da Senhora do Livramento e a de São João Baptista; o coro-alto tem 40 cadeiras com espaldares apainelados e um órgão fora do coro, mas a ele ligado, no lado direito; o claustro tem dois pisos, as varandas revestidas a azulejo, surgindo em duas delas oito janelas de sacada e guardas em ferro, e nas outras duas seis janelas; em três dos lanços, os dormitórios, descendo-se para o piso inferior pela escada regral, em cantaria e forrada a azulejo; a quadra é rodeada por oito a seis arcos de volta perfeita, com as alas abobadas, pavimentadas a cantaria e forradas a azulejo, tendo nos ângulos painéis com a vida de Santo Agostinho; no meio, uma cisterna; numa das alas, a Casa do Capítulo e o Refeitório; a Portaria é muito clara; 1754 - campanha de renovação da igreja; 1755, 1 novembro - danos consideráveis na sequência do terramoto, permanecendo os religiosos na cerca e empreendendo logo que possível a reedificação para a qual contribui significativamente o marquês de Marialva; 1758, 10 abril - nas Memórias Paroquiais, assinadas pelo pároco dos Anjos, António Carlos de Oliveira, é referido o Mosteiro, com uma imagem miraculosa, com grande concorrência de devotos aos sábados, domingos e dias santos; séc. 18, final - reconstrução do mosteiro pelo arquitcto Aires da Cunha; 1834 - extinção das ordens religiosas e abandono da zona conventual; séc. 20 (?) - a antiga igreja conventual passa a paroquial; 1954 - incêndio no quartel (área conventual) com danificação de estuques no coro e nave da igreja; 1999, 5 agosto - elaboração da Carta de Risco do imóvel pela DGEMN; 2015, 05 junho - publicação da abertura do procedimento de classificação do mosteiro, em Anúncio n.º 149/2015, DR, 2.ª série, n.º 109.

Dados Técnicos

Paredes autoportantes

Materiais

Alvenaria mista, cantaria de calcário, reboco pintado, ferro forjado, madeira dourada e pintada.

Bibliografia

AAVV, Guia Urbanístico e Arquitectónico de Lisboa, Lisboa, 1987; Archivo Pittoresco, Vol. VI, Lisboa, 1863; CAEIRO, Baltazar Matos, Os Conventos de Lisboa, Lisboa, 1989; DUARTE, Maria José Guerreiro, Penha de França: 400 anos do Santuário, 80 da freguesia, Olisipo, S.2, nº 7, Dez. 1998, pp. 47-51; MATOS, Alfredo, PORTUGAL, Fernando, Lisboa em 1758. Memórias Paroquiais de Lisboa, Lisboa, Câmara Municipal de Lisboa, 1974; Monumentos, n.º 9, Lisboa, DGEMN, 1998; PEDREIRINHO, José Manuel, Dicionário de arquitectos activos em Portugal do Séc. I à actualidade, Porto, Edições Afrontamento, 1994; PEREIRA, Luís Gonzaga, Monumentos Sacros de Lisboa em 1833, Lisboa, 1924; PROENÇA, Raul, (dir. de), Guia de Portugal, Vol. I, Lisboa, 1924;SERRÃO, Vítor, História da Arte em Portugal - o Barroco, Barcarena, Editorial Presença, 2003; VITERBO, Sousa, Diccionario Historico e Documental dos Architectos, Engenheiros e Construtores Portuguezes ou a serviço de Portugal, Lisboa, Imprensa Nacional, 1904, vols. II e III.

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DREL/DRC/DIE/DO/DEM/, DGEMN/DSEP, DGEMN/DSPI, DGEMN/DSE, DGEMN/DREL

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID, Carta de Risco

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN/DSID, Carta de Risco, DGEMN/DSARH

Intervenção Realizada

1952 - Capela-mor: execução de altar-mor e mesas de comunhão em pedra mármore; pavimento e degraus de pedra serrada e execução de pilastras em pedra mármore; reparação geral da sacristia e pintura a óleo de caixilhos e portadas; Casa da Caravela: rebocos, guarnecimentos e caiações de paredes; reparação geral e pintura a óleo de caixilharia e portadas; Instalações sanitárias no 1º pavimento: execução de lambris de azulejos; rebocos, guarnecimentos e caiação de paredes e tectos; execução de pavimentos de mosaico hidráulico; fornecimento e assentamento de sanitas e lavatórios; reparação geral e pintura a óleo de caixilhos e portadas. Salas da Conferência e de Catequese: execução de pavimentos de mosaico hidráulico; reparação geral do pavimento de madeira; rebocos, guarnecimentos e caiação a têmpera, em paredes e tectos; renovação da instalação eléctrica no coro, casa da Caravela e salas do 2º pavimento; 1956 - Obras de restauro no coro e sacristia; reconstrução da cobertura do telhado da sacristia em madeira de pinho; colocação de telha romana nos canais e portuguesa nas cobertas; execução de cintas de betão armado, servindo de fechal sobre as paredes laterais; reparação geral dos telhados da igreja; reparação geral de paredes interiores e abóbadas, com substituição do fasquiado e nova estucagem no canto abobadado do coro; reparação geral de caixilharia de portas e paredes; execução de portas metálicas nas escadas de caracol; renovação eléctrica na sacristia a colocação de cabo de terra do para-ráios; 1958 - construção de um piso no anexo do lado Norte da igreja; 1993 / 1994 - obras de conservação e restauro do tecto, capela-mor, altares laterais e iluminação; 1997 - campanha de restauro dos exteriores da igreja: substituição do reboco, limpeza de cantarias; 1998 - projecto de ampliação das instalações do Comando da PSP.

Observações

*1 - DOF: Igreja e edifício do antigo Convento de Nossa Senhora da Penha de França, incluindo o seu património integrado. *2 - o culto nasceu em Espanha, num local entre Salamanca e Ciudad Rodrigo, onde apareceu uma imagem da Virgem numa penha.

Autor e Data

Teresa Vale, Carlos Gomes e João Ferreira 1996

Actualização

Júlio Grilo 2005
 
 
 
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