Colégio de São João Evangelista

IPA.00005012
Portugal, Ilha da Madeira (Madeira), Funchal, Funchal (São Pedro)
 
Arquitectura religiosa educativa, maneirista e barroca. Colégio da Companhia de Jesus, de planta rectangular regular, composta por igreja no lado direito com zona conventual e colegial adossadas. A igreja é de planta longitudinal, com três capelas intercomunicantes, transepto inscrito, capela-mor pouco profunda, seguindo o esquema típico da Ordem, filiado na casa-mãe, a Igreja do Gesù, em Roma, com sacristia adossada ao lado esquerdo. O interior tem coberturas diferenciadas em tecto na nave e em falsa abóbada de berço na capela-mor, pintados em "trompe l'oeil" com iconografia alusiva à Companhia de Jesus, semelhante às coberturas dos Colégios de Santarém (v. PT031416210009) e da Casa Professa de São Roque, em Lisboa (v. PT031106150012); é amplamente iluminada pelas janelas rectilíneas da fachada principal e indirectamente através das tribunas laterais. Fachada principal harmónica, com o corpo tripartido pelos vãos que a rasgam, flanqueada por torres sineiras à mesma altura, seguindo uma tendência típica das Ilhas, numa solução que a Companhia divulgou nos imóveis construídos no séc. 17, estando presente nas fachadas dos Colégios de Elvas (v. PT041207010024), Santarém (v. 1416210009), Angra (v. PT071901160008), Ponta Delgada (v. PT072103120002) e Horta (v. PT072002080003), bem como na Casa Professa de Vila Viçosa (v. PT040714050008). Fachadas circunscritas por cunhais apilastrados e rematadas em friso e cornija. Possui coro-alto e três capelas intercomunicantes, decoradas com azulejo, pintura e retábulos de talha dourada, existindo exemplares maneiristas e do barroco nacional. Nos últimos pilares da nave, dois púlpitos confrontantes, rectangulares e com guardas vazadas, com acesso pelos corredores laterais. Arco triunfal de volta perfeita, ladeado por retábulos colaterais. Nos topos do transepto, retábulos de talha, encimados por janelões, que permitem a iluminação do espaço. Capela-mor revestida integralmente a azulejo de padrão policromo, possuindo duas tribunas confrontantes, tendo, sobre supedâneo, retábulo-mor de talha dourada, de estilo maneirista, de planta recta, dois pisos e três eixos, rematando em tímpano com tondo, seguindo a estrutura do retábulo-mor da Igreja de São Roque, em Lisboa, contendo trono expositivo e sacrário em forma de templete. No lado esquerdo, as dependências conventuais e colegiais, com acesso por portaria comum, alpendrada, desenvolvendo-se em torno de dois pátios, o frontal correspondente ao colégio e os posteriores às dependências dos padres e ao noviciado, o primeiro com claustro de dois pisos, o inferior com arcadas de volta perfeita. Na zona conventual, largos corredores centrais abobadados, marcados exteriormente por panos de muro em empena, numa solução semelhante ao Colégio de Santarém.
Número IPA Antigo: PT062203080006
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Educativo  Colégio religioso  Colégio religioso  Companhia de Jesus - Jesuítas

Descrição

Planta rectangular, composta por igreja longitudinal, de nave única para onde abrem capelas intercomunicantes, transepto inscrito com torre adossada ao lado direito, através do qual se acede à sacristia e anexos, capela-mor mais estreita e bastante profunda, e por zona conventual e educativa, organizadas em cinco corredores, desenvolvidos à volta de dois pátios, o posterior de maiores dimensões. Grande massa de volumes articulados, com telhados de duas águas, na igreja com telha de meio canudo, gárgulas em forma de canhão e corredor de eirado sobre a R. dos Ferreiros e claustro ligando os fundos com as torres da fachada, e, no edifício adossado, com telha marselha e beiral simples sobre cornija de alvenaria pintada e triplo de telha de meio canudo. IGREJA com fachada principal virada a S., rebocada e pintada de branco, com embasamento em cantaria, de disposição simétrica, integrando o corpo tripartido pelos vãos e duas torres sineiras ao mesmo nível, rematando o conjunto em empena com cruz latina no vértice, assente em plinto volutado; o corpo divide-se em três registos separados por friso e cornija, o inferior rasgado por três portais com molduras de cantaria, flanqueados por pares de colunas toscanas assentes em plintos almofadados, suportando friso geométrico e frontão, nos portais laterais, de verga recta, de perfil triangular, e, no central, mais elevado e de volta perfeita, interrompido; o registo intermédio possui janelão central flanqueado por pilastras toscanas e encimado por frontão semicircular, ostentando avental de alvenaria enquadrando uma cartela em mármore branco com o "trigrama", emblema da Companhia; o conjunto +e flanqueado por quatro janelas sobrepostas articuladas por cornija a sublinhar o duplo andar, as inferiores de varandim com guarda metálica; no terceiro piso, janela rectilínea central, encimada por armas nacionais em mármore, envolvidas por moldura fitomórfica e ladeado por dois nichos de volta perfeita assentes em pilastras toscanas e remates em cornija, contendo Santos da Companhia. As torres dividem-se em três registos, demarcadas por três ordens de pilastras de cantaria regional e rematadas por eirados com balaustrada encimada nos cunhais por pináculos, tudo em cantaria; o primeiro registo, bipartido, possui nichos semelhantes aos anteriores, com imagens, surgindo, no segundo, duas janelas de varandim sobrepostas, repetindo o módulo do corpo da igreja; no piso superior, uma janela semelhante às anteriores. Fachada lateral direita virada a E., rasgada por janela rectilínea a marcar, exteriormente, o braço do transepto. INTERIOR com nave de três tramos, com fachadas divididas em dois registos por friso pintado por motivo geométrico, que se repetem verticalmente e formam apainelados pintados com marmoreados fingidos, tendo, na zona inferior, painéis de azulejo monocromo azul sobre fundo branco, representando enormes vasos floridos; cobertura em falsa abóbada de berço de madeira pintada em "trompe l'oeil", que converge para painel central ornado pelas letras "IHS" e para as cúpula sobre o coro-alto e cruzeiro do transepto, estando assente em cornija pintada com motivos fitomórficos; pavimento em lajeado de granito, apresentando estrados laterais de madeira. Coro-alto com guarda torneada de madeira do Brasil, revestido a azulejo e integrando órgão, tendo o sub-coro coberto por falsa abóbada de berço em madeira pintada a "grisaille", com guarda-vento de madeira ornado pelas insígnias da Companhia de Jesus, ladeado por duas pias de água benta, em mármore. Em cada um dos lados, surgem três capelas intercomunicantes, as primeiras de menores dimensões, pela sua situação sob as sineiras e abrindo para o sub-coro, com acesso por arcos de volta perfeita, ornados por acantos pintados, protegidos por teias de madeira torneada, quatro delas encimadas por tribunas rectilíneas, protegidas por guardas de madeira e com acesso por corredores superiores; são cobertas por abóbadas de berço, revestidas a azulejo e contendo retábulos de talha dourada, sendo dedicadas a Santa Quitéria, São Miguel Arcanjo e 11 Mil Virgens (Evangelho) e Nossa Senhora da Conceição, Santo António e São Francisco Xavier (Epístola). Junto às últimas capelas, púlpitos confrontantes, quadrangulares, assentes em mísula de madeira e com guarda do mesmo material, protegida por baldaquino e com acesso por portas de verga recta, através dos corredores laterais. Transepto marcado pela maior altura dos arcos das capelas do topo, com abóbadas pintadas, fundos revestidos a azulejo de padrão policromo, o do lado da Epístola com dois registos representando a Virgem e São José, e capelas retabulares dedicadas ao Senhor Crucificado (Evangelho) e Nossa Senhora do Pópulo (Epístola). Protegido por teia de madeira descontínua, surge o presbitério, que acede ao arco triunfal, de volta perfeita e pintado, com seguintes apresentando almofadas relevadas, flanqueado por capelas colaterais pouco profundas, com acesso por arco de volta perfeita e contendo retábulos dedicados a Nossa Senhora de Fátima (Evangelho) e Santíssimo Sacramento (Epístola); são encimados por painéis pintados, representando martírios e, sobre a cornija os Quatro Doutores da Igreja. No remate, tímpano pintado com quadratura. Capela-mor elevada por um degrau, com cobertura em falsa abóbada de berço, dividida em caixotões pintados e revestida a azulejo de padrão policromo azul e amarelo sobre fundo branco; em cada lado, surge uma janela da tribuna, apresentando acantos pintados e protegida por fasquiado de madeira, aparecendo, no pavimento, a sepultura das fundadoras. Sobre supedâneo de degraus centrais e ornado por mármores embutidos, surge o retábulo de talha dourada, planta recta e dois registos definidos por friso de querubins e cornija, e três eixos, delimitados, em cada um dos registos, por quatro colunas com o terço inferior do fuste marcado e totalmente ornado por grotescos; ao centro, dois nichos, o inferior de volta perfeita assente em pilastras ladeadas por anjos, pouco profundo e contendo sacrário em forma de templete de três pisos, decorados por "Agnus Dei", cruz e custódia; o superior é em arco abatido, envolvida por moldura rectilínea, com o interior coberto por caixotões e contendo a imagem do orago; os eixos laterais apresentam dois nichos sobrepostos, concheados, contendo santos da Companhia; o conjunto remata em tabela quadrangular, flanqueada por quarteirões e fragmentos de frontão, onde repousam anjos de vulto, encimada por frontão interrompido, contendo, em relevo, as insígnias da Ordem. No lado da Epístola, com acesso pelo transepto, a Sala dos Confessionários, com ligação ao corredor que transita na zona posterior da capela-mor, surgindo, no lado oposto, a Via Sacra, que liga à sacristia e à Casa da Prata. A sacristia possui cobertura em abóbada de arestas, pintada com acantos, "putti" e vários emblemas com simbologia mariana, tendo pavimento em tijoleira e, nas paredes, painéis de azulejo monocromo, azul sobre fundo branco, representando cenas de caçadas; possui arcaz de madeira, encimado por espaldar pintado com cenas da vida de Santo Inácio, e lavabo em mármore; a sala contígua, antiga Casa da Prata, possui cobertura com pintura semelhante à anterior e um paramenteiro. O CONVENTO e Colégio têm fachadas rebocadas e pintadas de branco, percorridas por faixas pintadas a cinza de dois e três pisos, a principal virada a S., com três pisos, rasgada por duas portas de verga recta e moldura de cantaria, uma delas mais elaborada, com impostas salientes e bases relevadas; o piso intermédio possui quatro janelas gradeadas e o superior com seis, todas com molduras de cantaria, três das quais com avental rectilíneo, volantes de guilhotina envidraçados e tapa-sóis de madeira fasquiada e, sob a marcação do "Corredor Grande", uma janela geminada; No extremo direito, surge uma fonte de espaldar emoldurada por arco de cantaria. Fachada lateral esquerda, virada a O., com três pisos, tendo, no piso térreo, a marcação da antiga capela, com duas frestas entaipadas; possui altos janelões gradeados, as do piso intermédio de varandim e, no superior, com avental. Fachada lateral direita, virada a E., no prolongamento do corpo da igreja, com dois pisos, com marcação a cantaria embutida na alvenaria do piso térreo, correspondente à antiga entrada do Colégio, rasgada por janelas com molduras de cantaria no piso superior, com dois grandes janelões com avental de cantaria, encimados por frontão triangular rematado por pináculos, a enquadrar o emblema da Companhia, servindo de marcação aos corredores. Fachada posterior, virada ao parque de estacionamento da Universidade, de dois pisos, rasgados por janelas com molduras de cantaria, grande campanário sobre o final do "Corredor do Eirado", em cantaria colorida de Cabo Girão, com empena triangular encimada por pináculos e com janelão de avental a marcar o "Corredor Grande" sobre as entradas de acesso ao "Claustro dos Estudantes" e à escadaria do mesmo corredor. Claustros quadrangulares definidos por arcarias embutidas, a S. no "Claustro dos Padres" sob o "Corredor da Portaria" e a E., no "Claustro dos Estudantes", sob o "Corredor do Eirado"; janelas com avental de cantaria e escala mais intimistas na parede O., correspondente às antigas celas dos padres e de avental e com varandas à face, nos restantes panos, com doi pisos, correspondentes às antigas salas de aulas; várias gárgulas de cantaria em forma de canhão marcam a posição dos antigos telhados múltiplos sobre o "Claustro dos Estudantes". INTERIOR com acesso ao "Corredor Grande" pelas antigas escadas da capela e da biblioteca, onde se localizam as antigas salas de aula e algumas celas; as restantes encontram-se na sequência do andar intermédio sobre a R. dos Ferreiros. O piso superior do edifício é percorrido pelos antigos corredores e o "dos Lavabos" ainda coberto por tecto de caixotão apainelado de madeira que, nos restantes, foi substituído por estuque. No piso térreo à volta do "Claustro dos Estudantes", com um importante conjunto de arcarias, situam-se o actual refeitório e bar e a Sala de Actos da Universidade. Entre a igreja e o segundo claustro, surge a torre sineira com cunhais de cantaria rusticadas, tendo registos definidos por friso de cantaria, rematada superiormente por eirado com murete, banco corrido e guarita ao gosto militar a proteger a escada de caracol de madeira de acesso; é rasgada por janelas rectilíneas e ventanas em arco de volta perfeita assente em impostas salientes e com pedra de fecho saliente. A antiga cerca encontra-se ocupada por alguns edifícios dos sécs. 19 e 20 e parque de estacionamento e possui um aparatoso portão militar à R. do Castanheiro e uma calçada tradicional de calhau rolado com os emblemas das diversas forças militares portuguesas que ocuparam este edifício.

Acessos

Funchal (São Pedro), Largo do Município, Rua do Castanheiro e Rua dos Ferreiros

Protecção

Categoria: MN - Monumento Nacional, Decreto nº 37 077, DG, 1.ª série, n.º 228 de 29 abril 1948 (igreja de São João Evangelista) / VCR - Valor Cultural Regional, Resolução do Presidente do Governo Regional n.º 1294/98, JORAM, 1.ª série, nº 77 de 12 outubro 1998 (edifício do Colégio)

Enquadramento

Urbano, isolado, separado do Lg. Município, uma ampla praça rectangular, por alto embasamento que acompanha todo o frontispício, formando adro gradeado, que separa o imóvel da via pública, pavimentada a cubos de granito. O imóvel encontra-se murado na R. do Castanheiro, acompanhando a antiga cerca, que serve de parque de estacionamento. Confronta-se com o antigo Paço Episcopal (v. PT062203100013).

Descrição Complementar

Na capela-mor, a sepultura armoriada das fundadoras, com a seguinte inscrição: "SEPULTURA DE D. HELENA DE BETTENCOURT FUNDADORA DESTA CAPELA E DE SUAS PRIMAS E CUNHADAS D. BRITES DA SILVA E D. ISABEL DA SILVA INSIGNES BENFEITORAS DESTA IGREJA E COLEGIO". Na nave, uma sepultura com a inscrição: "Sa DE PEDRO GLZ / O MORAES E DE SV / AS MOLHER MARIA / NVNES E SVAS FIL / LHAS ISABEL NV / NES E ANA GLZ / MORAES BENFE / TORA DESTE COLLo". CAPELA de Santa Quitéria com cobertura pintada a fingir caixotões, ornados por cartelas e elementos fitomórficos, com painéis de azulejo monocromo, azul sobre fundo branco, encimados por pinturas sobre tela, tendo retábulo de talha dourada de planta recta e um eixo, definido por quatro colunas torsas, ornadas por pâmpanos e assentes em consolas, que se prolongam em duas arquivoltas, também torsas, unidas no sentido do raio e formando pequeno frontão semicircular ornado por querubim, constituindo o ático; ao centro, nicho rectilíneo, com moldura de acantos e envolvido por módulo semelhante ao descrito anteriormente, com duas colunas, duas arquivoltas e, no tímpano, motivo vegetalista; na base, surge nicho de volta perfeita com pequena imagem; altar paralelepipédico, tendo frontal pintado com elementos fitomórficos. CAPELA de São Miguel com cobertura semelhante à anterior, tendo, nas cartelas, vários símbolos alusivos ao orago, elementos que se repetem em dois caixotões em cada uma das ilhargas, envolvidos por molduras de talha dourada; o retábulo é semelhante ao anterior, mas possuindo nicho concheado, flanqueado por quatro pilastras toscanas ornadas por acantos. Possui a sepultura do fundador, com a seguinte inscrição: "SEPULTURA DO REVERENDO MIGUEL PEREIRA DE ALMEIDA FUNDADOR DESTA CAPELA FALECEU AOS 14 DE DEZEMBRO DE 1671 TRANSLADARAM-SE SEUS OSSOS PARA ESTA CAPELA AOS 16 DE JUNHO DE 1682". CAPELA das Onze Mil Virgens com cobertura pintada a fingir uma abóbada de lunetas, tendo as respectivas janelas ornadas por vasos floridos, tendo as ilhargas totalmente revestidas a azulejo de padrão policromo; possui retábulo de talha dourada, de planta recta e um eixo definido por quatro colunas coríntias, com pequenos querubins e o terço inferior do fuste ornado por grotesco, assentes em plintos paralelepipédicos ornados por baixos-relevos historiados, que se repetem na predela; ao centro, nicho rectilíneo subdividido em três andares de nichos de volta perfeita e rectilíneos, contendo braços e bustos relicários; o conjunto remata em friso de querubins, cornija e tabela rectangular vertical, flanqueada por pilastras toscanas, fragmentos de frontão e encimada por frontão de lanços; altar paralelepipédico. CAPELA de Nossa Senhora da Conceição com cobertura semelhante às duas primeiras, contendo, nas cartelas, símbolos marianos, com as ilhargas revestidas a azulejo de padrão policromo, surgindo, no lado da Epístola, tela pintada; retábulo de talha dourada, de planta recta e um eixo definido por quatro colunas torsas, ornadas por pâmpanos, e duas pilastras ornadas por acantos, assentes em plintos paralelepipédicos almofadados e decorados por elementos vegetalistas, que se prolongam nas predelas; os suportes prolongam-se em três arquivoltas, as duas exteriores torsas, unidas no sentido do raio, criando tímpano bipartido; ao centro, nicho de volta perfeita, flanqueado por quatro pilastras decoradas por acantos, que se prolongam em duas arquivoltas, com fechos salientes e seguintes ornados por florões; altar paralelepipédico. CAPELA de Santo António com cobertura e retábulo semelhante aos anteriores. Possui a sepultura do fundador com a seguinte inscrição: "SEPULTURA DO DOUTOR ANTÓNIO SPINOLA TEIXEIRA FUNDADOR DESTA CAPELA DE SANTO ANTÓNIO E DE SUA MULHER D. FRANCISCA COELHA DE SAMPAIO BENFEITORA DA MESMA CAPELA E DE SEU FILHO MANUEL SPINOLA - 1719". CAPELA de São Francisco Xavier semelhante à da capela fronteira, dedicada às Onze Mil Virgens, tendo retábulo de talha dourada, de planta recta e três eixos definidos por quatro colunas coríntias com o terço inferior torso, assentes em plintos paralelepipédicos ornados por elementos geométricos e fitomórficos; ao centro, nicho em arco de volta perfeita assente em pilastras, rematado por frontão de lanços, ladeado por vasos de onde evoluem árvores. Nos eixos laterais, duas tábuas pintadas e quatro cartelas com simbologia relacionada com o Santo; remate em friso de querubins, cornija e pináculos sobre as colunas, tabela rectangular horizontal com tela ovalada representando o orago, ladeada por quarteirões, aletas volutadas, sobrepujada por friso, cornija e frontão de lanços. Possui sepultura do fundador com a inscrição: "SEPULTURA DO Ldo BENTO / DE MATOS COVTINHO E DE SVA / MOLHER DONA PHELIPA DE / UASCONSEILOS E LOVREN / ÇO DE MATOS COVTINHO / SEV IRMÃO E HERDEIROS". CAPELA de Santo Cristo de talha dourada, de planta recta e três eixos definidos por duas ordens de colunas coríntias com o terço inferior do fuste ornado por grotescos; no eixo central, amplo painel ovalado, formando resplendor a rodear a imagem do orago; nos eixos laterais, duas ordens de nichos, em arco de volta perfeita, assentes em pilastras toscanas, contendo imaginária; remate em friso de querubins e frontão interrompido, sendo o altar paralelepipédico. A CAPELA de Nossa Senhora do Pópulo é de planta recta, de dois registos divididos por friso de querubins e cornija, e de três eixos definidos por duas ordens de quatro colunas coríntias e o terço inferior do fuste ornado por almofadas em ponta de diamante; no centro, nicho semelhante ao do retábulo de São Francisco Xavier, contendo a imagem do orago, surgindo, nos restantes cinco nichos, painéis pintados com cenas da vida da Virgem; o conjunto remata em frontão de lanços e possui altar paralelepipédico. CAPELA de Nossa Senhora de Fátima possui retábulo de talha dourada, de planta recta e um eixo definido por quatro colunas torsas, decoradas por pâmpanos, assentes em consolas e prolongando-se em duas arquivoltas torsas unidas no sentido do raio e formando tímpano com resplendor; ao centro, nicho de volta perfeita, assente em quatro pilastras toscanas, que se prolongam em duas arquivoltas, envolvendo a mísula do orago; altar paralelepipédico. CAPELA do Santíssimo possui retábulo de planta recta e talha dourada, definidos por duas colunas ornadas por grotesco, tendo os terços inferiores dos fustes torsos, assentes em plintos paralelepipédicos decorados por querubins e acantos; ao centro, nicho em arco de volta perfeita, flanqueado por quatro colunas semelhantes às anteriores e duas pilastras, surgindo, sobre as primeiras, dois anjos relevados; na base, sacrário embutido, em forma de templete, com colunas e remate em frontão de lanços, flanqueado por nichos concheados; remate em friso de querubins, cornija e tímpano semicircular, contendo tondo com as iniciais "IHS". Esta igreja apresenta, ainda, uma interessante porta do séc. 16, de ligação da capela de São Francisco Xavier à do Pópulo, proveniente, provavelmente, da primitiva igreja.

Utilização Inicial

Educativa: colégio religioso

Utilização Actual

Religiosa: igreja / Educativa: universidade / Comercial: casão militar / Cultural e recreativa: associação cultural e recreativa

Propriedade

Privada: Igreja Católica (igreja) / Pública: regional (colégio)

Afectação

Uiversidade da Madeira / Universidade Católica (colégio)

Época Construção

Séc. 16 / 17 / 18 / 19

Arquitecto / Construtor / Autor

ARQUITECTOS: Mateus Fernandes (atr., 1575-1595), Padre Pedro da Fonseca (1592); capitão de engenheiros António Pedro de Azevedo (1850-1860). ENTALHADORES: Manuel Pereira (1648-1660); Manuel Pereira de Almeida (1690-1700). ESCULTOR: Brás Fernandes (1629-1635). PINTORES: Martim Conrado (1653).

Cronologia

1567 - primeira visita dos Jesuítas ao Funchal; 1569, 20 agosto - alvará régio de fundação do colégio, que recebia um dote anual de 600$000; 1570, março - chegada dos Jesuítas ao Funchal para a fundação do colégio, ficando instalados em casas anexas à Capela de São Sebastião, pertencentes à Câmara, após um curto período de quarentena em casas de Fernão de Favila; 6 Maio - início das aulas de latim e gramática; 1572, janeiro - a Companhia passou para uma pequena albergaria situada na Rua dos Ferreiros, iniciando a compra de terrenos para construção do futuro Colégio; 1575, 23 Setembro - envio para Roma da planta geral do colégio e igreja para aprovação, sendo as primeiras traças atribuíveis a Mateus Fernandes *1, não sendo de descorar a hipótese de terem vindo de Lisboa, da autoria de Baltasar Álvares; 1576 - início da recolha de materiais para as obras e envio de nova planta; 1577, 9 abril - a Companhia adquire a Quinta do Pico do Cardo a Fernão Carvalho por 100$000; 1578, 19 maio - instalação no quarteirão, com adaptação das construções existentes a colégio e a igreja; 5 Setembro - compra de casas a Garcia Homem de Sousa; 1579 - o Colégio começou a receber 350$000 pelos dízimos da Ribeira Brava e 250$000 pagos pela Alfândega; 4 Maio - regulamentação nas "Constituições do Bispado" do ensinar a ler e a escrever; 1583 - compra de casas a Rodrigo de Barros e a Diogo da Câmara Leme; 1585 - 1586 - compra de casas a Leonor Francisca e Constantino de Caíres; 1590 - referência às pequenas dimensões da capela; 1592, fevereiro / março - nova planta de Mateus Fernandes e emendas do padre visitador Pedro da Fonseca; 23 Março - referência à necessidade de instituição de uma Irmandade de Estudantes, instalada, posteriormente, na Capela de Nossa Senhora da Luz, actual Nossa Senhora de Fátima; 1595 - compra da Quinta do Campanário, que provia a alimentação do Colégio; 1599 - lançamento das fundações do Colégio e levantamento de uma das alas, com 6 cubículos; 14 Agosto - Inês Pais deixa, em testamento, o seu negro Francisco e casas na Ribeira de João Gomes, bem como uma vinha à sacristia; 1600, 30 julho - compra da Quinta do Pico das Frias; séc. 17 - sepultados na Capela de São Francisco Xavier os seus fundadores, Bento de Matos Coutinho e D. Filipa de Vasconcelos; 1609 - o dote de 600$000 era pago integralmente pelos dízimos da Ribeira Brava; 1619 - data na Porta das Aulas; 1620 - Francisco de Morais de Aguiar e D. Anha de Moura deixam a Quinta da Boa Vista do Caniço e o padroado da Igreja de Nossa Senhora da Salvação; 1624 - sepultado na igreja o Governador D. Francisco Henriques; 1629 - início das obras da actual Igreja, cuja capela-mor foi fundada por D. Helena de Bettencourt e cunhada e prima, D. Brites e D. Isabel da Silva, dando 1:000$000 e várias alfaias, tendo deixado, em testamento, casas na Rua do Castanheiro, em troca de 3 missas anuais; 1641 - estava a ser executada a cobertura da capela-mor; 1647 - data no retábulo de São Francisco Xavier; 1648 - prontos os retábulos mor e de Nossa Senhora do Pópulo; 1653 - 1654 - pronta a capela das 11 Mil Virgens, instituída pelo capitão Simão Nunes Machado, com pinturas de Martim Conrado; 1660 - importantes obras, como a reforma do retábulo-mor com introdução de camarim efectuada por Manuel Pereira, conforme data no mesmo; 1664 / 1665 - colocação das colunas nas portas da fachada e reforma de outros altares, como o de São Francisco Xavier; início da construção do coro-alto; 1671, 14 Dezembro - morte de Miguel Moreira de Almeida, com sepultura na Capela de São Miguel, cujos ossos foram trasladados para o local a 16 de Junho de 1682; séc. 18 - remodelação das sacristias, "Sala das Pratas" e do "Corredor da Capela e da Biblioteca"; 1719 - data da sepultura de António Spínola Teixeira e D. Francisca Coelha de Sampaio, na Capela de Santo António; 1720 - construção do guarda-vento e dos púlpitos; 1722 - o Colégio tinha de 18 a 20 religiosos; referência às Irmandades de Nossa Senhora do Pópulo, Senhor dos Passos e Santa Quitéria; 1726 - pintura dos frescos do sub-coro e do tecto; 1730 - trabalho de talha da sacristia atribuível aos mestres Manuel Pereira de Almeida e Julião Francisco Ferreira; 1735 - colocação dos azulejos no coro, sub-coro e paredes da nave; 1750 - chegam de Lisboa as imagens da fachada; 1751 - conforme descrição de um manuscrito da Biblioteca do Porto, tinha 5 corredores em volta de uma quadra, os denominados Corredor da Portaria, Corredor Grande, Corredor da Livraria, Corredor da Capela, Corredor do Eirado, Corredor do Lavatório; a capela doméstica tinha retábulo de talha dourada, dedicado a Nossa Senhora de Belém, com dois presépios, um de cartão e outro de madeira; a Portaria tinha um altar do Senhor Crucificado; a livraria tinha 3500 livros; 1759, 29 maio - cerco ao Colégio; 23 Junho - alvará extinguindo as classes e as escolas jesuíticas; 1760, 16 julho - expulsão dos jesuítas e inventário dos bens do Colégio; 1767, 8 junho - inventário dos bens do Colégio, onde se refere a prata, dividida pelos espaços das Capelas *2; 1768 - início da "Aula Militar", com aulas de Geometria e Trignometria; 1774, 5 Janeiro - nomeação por carta régia de Francisco Manuel de Oliveira como 1º professor de "Filosofia Racional" para o Funchal; 24 Fevereiro - tomada de posse do Professor na igreja de São João Evangelista do colégio do Funchal, em presença das "pessoas mais principais", pronunciando na ocasião da posse, a sua "oração de sapiência"; 1781, 7 Maio - novo inventário dos bens do Colégio; 1787, 10 Agosto - cedência do edifício para seminário; 1788, 31 março - abertura das aulas do Seminário; séc. 19 - os pisos térreos foram pavimentados, sendo, anteriormente, de terra batida; ajardinamento do claustro; 1801, 24 julho - ocupação do edifício pelas forças inglesas, retirando-se parte do espólio da Igreja para arrecadação; 1802, 25 Janeiro - saída das forças inglesas e ocupação do edifício pelo Batalhão de Artilharia; 1807, dezembro - segunda ocupação inglesa; 1814, outubro - saída das forças inglesas e ocupação do edifício pelo Batalhão Independente de Infantaria nº 19; 1837, 12 Setembro - abertura solene nas "Aulas do Pátio" do liceu do Funchal; 1846 - o Governador Civil, futuro duque de Ávila e Bolama, faz obras na igreja, sendo, provavelmente desta data, o repinte da cobertura da nave; 1848, Setembro - entrega da igreja à Diocese; 1850 - restauro da Igreja pelo governador José Silvestre Ribeiro e entrega à Diocese; 1860 - obras do capitão de engenheiros António Pedro de Azevedo (consolidação das estruturas, lajeamento dos pisos térreos e construção dos edifícios da cerca e do portão exterior); 1881 - transferência do liceu do Funchal para o antigo solar do barão de São Pedro, que lhe ficava anexo; 1901, 24 Junho - visita régia ao Batalhão; 1936, setembro - transferência do órgão da Sé para o Colégio; 1940, 26 setembro - publicação de Decreto nº 30 762, no DG, 1.ª série, n.º 225, determinando a classificação da Igreja de São João Evangelista como Monumento Nacional; 01 novembro - publicação do Decreto nº 30 838, DG, 1.ª série, n.º 254, suspendendo o decreto n.º 30 762, de 26 de setembro do mesmo ano, relativamente à classificação de imóveis de propriedade particular; 1950 - início da construção do novo quartel; 1956 - obras dentro do plano trienal 1955 / 1957 pela Comissão Administrativa das Novas Instalações para o Exército, para a instalação do Batalhão Independente de Infantaria n.º 19, compreendendo o estudo geológico do terreno e início da construção do edifício de seis casernas, parques e instalações sanitárias gerais *3; 1957 - 1958 - aceleramento das obras de construção do novo quartel, pela Comissão Administrativa das Novas Instalações para o Exército; 1959 - estão em construção os edifícios das 6 casernas em bloco de 3 pisos, e em que o primeiro pavimento é destinado a parque de viaturas auto, casa do comando, edifício do refeitório, cozinha e anexos, casa do soldado e casa de sargentos, balneário e barbearia, e edifício da enfermaria; falta o início da construção da casa da guarda, casas de oficiais, edifício das aulas e arrecadações, estação de serviço, casa da música, cavalariça e respetivas obras complementares; 1963 - um plano de urbanização do Funchal, não efectivado, prevê a demolição de parte do Colégio e construção no local de moradias para oficiais da guarnição militar da ilha; 1970 - as forças militares do quartel de infantaria nº 19 abandonaram o Colégio para o novo aquartelamento de São Martinho e cedência das instalações para Escola Preparatória e Cooperativa Militar; 1974, 18 novembro - 2º auto de cedência; 1980, 4 setembro - auto de devolução e cessão simultânea, por venda, pelo Exército ao Governo Regional; 1984, março - descoberta do relicário das 11 Mil Virgens encerrado desde 1759; 1988 - instalação da Universidade da Madeira; 2002, maio - abertura de concurso público pela DRAC para adjudicação da empreitada de beneficiação das torres e terraços da igreja; 2004 - 2005 - trabalhos de reabilitação recente têm colocado a descoberto elementos da ocupação jesuíta, como um oratório de parede interior em cantaria mole regional, junto à entrada pelo Lg. do Município, agora dotado com imagem de São João Evangelista em barro policromado.

Dados Técnicos

Paredes autoportantes e estrutura mista.

Materiais

Cantaria mole e rígida regional aparente; alvenaria de cantaria regional rebocada: mármore; argamassa hidráulica; madeira (carvalho, til, exóticas do Brasil, pinho de Riga e outras); amarrações mistas de tirantes de madeira e de ferro; talha dourada; pinturas sobre gesso; madeira e tela; vidro; azulejos e telha de meio canudo e "marselha"; zinco.

Bibliografia

AFONSO, João - "A Igreja do Colégio de Angra no conjunto dos templos insulares da Companhia de Jesus (esboço de um estudo comparativo)". In Atlântida. S.l.: janeiro - fevereiro 1966, vol. X, n.º 1, pp. 55-60; ARAGÃO, António - Para a História do Funchal. S.l.: DRAC, 1991; CARITA, Rui - Arquitectura Militar da Madeira, séculos XV a XVII. Dissertação de Doutoramento. Lisboa / Funchal: 1993,1998; CARITA, Rui - História da Madeira, Funchal: 1991, 1992 e 19962, 3 e 4º vols.; CARITA, Rui - O Colégio dos Jesuítas do Funchal, Funchal: 1987, 2 vols; CARITA, Rui, TRUEVA, José Manuel de Sainz - Itinerário Cultural do Funchal. Funchal: 1997; CARITA, Rui, TRUEVA, José Manuel de Sainz - O Ensino, catálogo do pavilhão da Região Autónoma da Madeira na EXPO. 1998; Documentos para a História da Arte em Portugal. Lisboa: 1975, vol. 13, pp. 77-82; FRUTUOSO, Gaspar - Saudades da Terra. Funchal: 1873, Livro II, anotado por Álvaro Rodrigues de Azevedo; LEITE, Jerónimo Dias - Descobrimento da Ilha da Madeira.... Coimbra: 1947; Relatório da Actividade do Ministério no ano de 1955. Lisboa: Ministério das Obras Públicas, 1956; Relatório da Actividade do Ministério no ano de 1956. Lisboa: Ministério das Obras Públicas, 1957; Relatório da Actividade do Ministério nos anos de 1957 e 1958. Lisboa: Ministério das Obras Públicas, 1959, vol. 1; Relatório da Actividade do Ministério nos Anos de 1959. Lisboa: Ministério das Obras Públicas, 1960, vol. 2; RODRIGUES, S. J., Francisco - História da Companhia de Jesus na Assistência em Portugal. Porto: 1931; SILVA, Padre Fernando Augusto da, MENESES, Carlos Azevedo de - Elucidário Madeirense. Funchal: 1940 - 1945; SIMÕES, J. M. dos Santos - Azulejaria nos Açores e na Madeira. Lisboa: 1963; SMITH, Robert - A talha em Portugal. Lisboa: 1962; VITERBO, Sousa - Dicionário Histórico e Documental dos Arquitectos, Engenheiros e Construtores Portugueses. Lisboa: 1922, vol. 1; VALLERY-RADOT, Jean e LAMALLE, S. J., Edmond - Le recueil de Plans d'Édifices de la Companhie... Rome e Paris: 1960.

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DSID; BN Rio de Janeiro (Planta do Funchal de 1567); Paris (Recueil de plans de Bailli de Bretueil); mapoteca do IGC (planta do Funchal de 1804), Lisboa; "View of The Jesuits'college, Madeira", gravura de E. M. Locker, Londres, Julho de 1805; GEAEM (Arma de Engenharia), Lisboa; GR / Equipamento Social, Funchal

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID; Museu Vicentes Photographos, Funchal

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN/DSID, GEEMN/DSARH; GEAEM (Arma de Engenharia), Lisboa, ZMM (Arquivo Morto); GR (Sec. Eq. Social), Funchal; ATC: Cartório da Junta da Inconfidência - Companhia de Jesus (Colégio de São João Evangelista do Funchal, mç. 74, n.º 257)

Intervenção Realizada

Governador José Silvestre Ribeiro: 1848 - consolidação das estruturas e pintura das paredes; DGEMN: 1953 - pintura e caiação da zona do Colégio; 1954 - reparação do parque de estacionamento do batalhão; 1954 / 1955 - obras de combate à formiga branca no madeiramento dos telhados da ala central do Colégio, ocupada pelo batalhão de Infantaria nº 19; 1955 - obras nas dependências do batalhão, nomeadamente reconstrução de divisórias interiores, e execução de rebocos e estuques; 1957 - arranjo da cobertura da ala E. do Colégio, incluindo a substituição da madeira da estrutura e substituição por estrutura de betão; obras de substituição da madeira do telhado da igreja, atacada pela formiga branca; 1958 - reparação do telhado dos anexos; substituição das madeiras do telhado atacadas pela formiga branca; obras de conservação nas dependências do batalhão, nomeadamente demolição de paredes divisórias e de pavimentos de madeira e construção de uma divisória na biblioteca; 1960 - construção de novos bancos para a igreja; 1963 - substituição da cobertura da igreja; 1965 - obras de conservação e desinfestação de todas as madeiras dos tectos da igreja, atacadas pela formiga branca; GR / Equipamento Social: 1980 - revisão das estruturas e da cobertura; Diocese do Funchal e atelier "Arte e Restauro": 1985 - restauro do órgão por Luís Figueira Faria; 1987 / 1989 - restauro das talhas e das pinturas; 1995 - restauro das principais pinturas; 1997 - restauro dos altares das 11 Mil Virgens, Nossa Senhora de Fátima (antigo de Nossa Senhora da Luz, hoje no Museu de Arte Sacra) e Pópulo (interrompido); Universidade da Madeira: 1997 - reabilitação do piso intermédio sobre o Lg. Município, com picagem das cantarias, reposição do piso em casquinha, pintura das paredes e revisão da instalação eléctrica e informática; 1998 - revisão do sistema de coberturas sobre o "Claustro dos Estudantes", reabilitação do antigo "Corredor do Eirado" para instalação da Reitoria, com picagem das cantarias, reposição do piso em "casquinha", recuperação de caixilharias e portadas, pintura das paredes e revisão da instalação eléctrica e informática; DGEMN / DRAC: 2003 /2004 - recuperação do interior das torres da fachada principal incluindo renovação da instalação eléctrica; reparação, limpeza e caiação da fachada principal e lateral direita.

Observações

*1 - o cariz militar da torre com guarita a proteger a escada e as informações trocadas entre o Funchal, Lisboa e Roma levam a atribuir o risco inicial ao mestre de obras reais Mateus Fernandes (III), que em 1595 levantava a Câmara Municipal e a igreja de São Vicente em Abrantes; o conjunto foi levantado depois da sua estadia no Funchal, mas o desenho inicial teria sido mais ou menos respeitado; a sacristia possui comunicação com um subterrâneo. *2 - no Inventário, refere-se, no retábulo-mor, a existência de bustos-relicários de Santo Inácio, São Francisco de Borja, São Estanislau, São Francisco de Regis e de São Luís Gonzaga; na Capela de Nossa Senhora do Socorro, refere-se a imagem do orago, as de São José, São Joaquim, Santa Ana e Santa Bárbara. *3 - Esta obra integra o plano decenal 1955 / 1964, que orientou a atividade da Comissão Administrativa das Novas Instalações para o Exército, e que compreendeu 21 novos aquartelamentos, 2 hospitais e outras instalações a estudar e a construir. A obra de construção do novo edifício estava incluída no Plano Decenal 1955-1964, na primeira fase compreendendo o triénio 1955-1957, da Comissão Administrativa das Novas Instalações para o Exército. Tudo o que era do quartel foi transferido para a GAGE. No edifício esteve instalada a Escola Secundária Gonçalo Zarco.

Autor e Data

Rui Carita 1998 / Paula Figueiredo 2005

Actualização

Ângelo Silveira 2004
 
 
 
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