Castelo de Mirandela

IPA.00000501
Portugal, Bragança, Mirandela, Mirandela
 
Arquitectura militar, medieval. Estrutura em pedra, com abóbada de perfil arqueado, que consiste na única porta sobrevivente das três que integravam a cintura de muralhas do castelo. Porta de perfil quebrado, sendo de volta perfeita no interior, em granito aparelhado até ao arranque do arco, edificado este com pedra xistosa e argamassa. Sobre a porta, existência de um pequeno terraço, supostamente restos do primitivo adarve. Existem vestígios das primitivas muralhas integradas na malha urbana.
Número IPA Antigo: PT010407210007
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Militar  Castelo    

Descrição

Do primitivo castelo é visível a Porta de Santo António, formada por dois muros espessos, sobre os quais assenta um arco com recorte quebrado na face exterior e de volta perfeita na interior, resultante do abobadamento da estrutura. A altura total da porta, na sua maior abertura, ascende aos 4,5 / 5 metros. No paramento interior do arco, são visíveis ainda as pedras de granito com as aberturas onde girariam, em cima e em baixo, as coiceiras dos portões ferrados, distando, entre si, 2,40 metros. Sobre a porta, há vestígios do primitivo adarve, actualmente transformado em terraço de habitação. Restam, ainda, pequenos troços de muralha, apenas com algumas fiadas de pedra *1, com cerca de 5 metros de altura e dois de espessura, a zona inferior com granito e a superior de xisto.

Acessos

Mirandela, Rua do Arco, ligando a Rua de Santo António à Rua Luciano Cordeiro

Protecção

Categoria: IIP - Imóvel de Interesse Público, Decreto nº 40 361, DG, 1.ª série, n.º 228 de 20 outubro 1955

Enquadramento

Urbano, com estrutura envolvida por habitações, na zona mais antiga da cidade, situada na artéria a que dá o nome, na zona mais baixa da cidade, perto do Rio Tua e da respectiva ponte, ficando próximo da principal artéria da terra, a R. da República. Na zona envolvente, as habitações mostram três registos

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Militar: castelo

Utilização Actual

Cultural e recreativa: marco histórico-cultural

Propriedade

Pública: estatal

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 13 / 14 (conjectural)

Arquitecto / Construtor / Autor

Desconhecido.

Cronologia

Época romana - a zona é intensamente povoada, sendo um importante território de produção agrícola; 1198 - presença de D. Sancho I em Mirandela, por ocasião do cerco de Bragança pelas tropas de Afonso X de Leão; 1250 - D. Afonso III concede foral; provavelmente foi edificado o castelo e muralhas da povoação; 1258 - nas Inquirições refere-se que o povoamento do local remontava ao reinado de D. Afonso II; 1282 - transferência, por carta régia, da primitiva povoação de Mirandela, implantada no lugar do "Castelo Velho", para o "Cabeço de São Miguel", que era mais elevado e onde actualmente se situa; na sequência, o monarca mandaria levantar uma alcáçova e uma torre de menagem, considerado, na época, uma das melhores fortificações de Trás-os-Montes *2; 1291 - D. Dinis concede foral e define os limites geográficos do concelho; construção de uma torre e muralhas no cabeço de São Miguel; 1295, cerca - instituição de uma primeira feira na vila; 1301, 27 junho - carta de doação da vila de Mirandela a Branca Lourenço, constando na mesma que a doação se devia a "compra do vosso corpo", sendo extensível aos filhos da mesma; 1318 - notícia documental sobre o aforamento da alcáçova do castelo de Mirandela, dado pelo monarca a um Domingos Geraldes, em virtude do estado de abandono em que se encontrava o edifício, designado por "paaço del Rey"; 1383 / 1385 - menção na Crónica de D. João I de Fernão Lopes, ao apoio de Mirandela às pretensões do Mestre de Avis; 1357 / 1448 - Mirandela foi um dos castelos medievais a sofrer intervenções de conservação e reforço (MONTEIRO, João Gouveia, p. 152); 1401 - notícia de obras do muro e cava a decorrer por iniciativa régia, em virtude da guerra; 1512 - concessão de novo foral por D. Manuel I; 1530 - perda de importância estratégica, levará à ruína gradual do castelo, conforme atesta uma passagem do censo desse ano: "A villa de Mirãdella he cerquada e a cerqua em partes deribada" (SALES, Ernesto, p. 49 ); 1688 - em documento camarário, menção ao Postigo de São José, que se abria na muralha do castelo; 1706 - segundo Carvalho da Costa, a vila era "murada ao uso antigo com debil muro em partes arruinado, e nelle tres portas"; 1715 - J. Alvarez Colmenar refere Mirandela como estando situada nas margens do rio Tuela e estando defendida por um castelo; séc. 19 - rebaixamento, em cerca de meio metro, do nível da rua no ponto da antiga soleira, para se proceder ao calcetamento; 1874 / 1884 - vários troços importantes da muralha foram derrubados para a construção de habitações; séc. 20 - inícios - restavam duas das quatro portas originais, sendo uma delas destruída pelo município; construção de casas sobre as muralhas; séc. 20, década de 70 - notícia do estado de ruína do castelo de Mirandela; 1950, Maio - a Câmara Municipal de Mirandela colocou uma placa no remate interior do arco, comemorando o VII Centenário da elevação de Mirandela a vila; 2000, Maio - colocação de placa comemorativa, no paramento interior do arco, dos 750 anos da elevação de Mirandela a vila.

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes portantes.

Materiais

Granito, xisto argamassado com barro, cimento.

Bibliografia

ALMEIDA, José António Ferreira de (coord.), Tesouros Artísticos de Portugal, Lisboa, 1976; ALVES, Francisco Manuel, Memórias arqueológico-históricas do distrito de Bragança, tomos IX e X, Bragança, 1981 - 1982; ALVAREZ COLMENAR, J., Les Délices de l'Espagne et du Portugal, vol. V, Leiden, 1715; COSTA, Américo, Diccionario Chorographico de Portugal Continental e Insular, vol. VIII, s.l., 1953; FERNANDES, João Luís Teixeira, Mirandela entre Duas Datas, Mirandela, 1986; FERNANDES, João Luís Teixeira, Mirandela. Roteiro de uma Cidade, Mirandela, 1991; LEAL, Augusto Soares de Azevedo Barbosa de Pinho, Portugal Antigo e Moderno, vol. V, Lisboa, 1875; LOPES, A. Flávio (coord.), Património arquitectónico e arqueológico classificado. Distrito de Bragança, Lisboa, 1993; MONTEMOR, A. de, Mirandela, in Enciclopédia Luso-Brasileira de Cultura, vol. 13, Lisboa / Rio de Janeiro, 1972, col. 880; MONTEIRO, João Gouveia, Os castelos portugueses dos finais da Idade Média. Presença, perfil, conservação, vigilância e comando, Lisboa, 1999; NETO, Joaquim Maria, O leste do território bracarense, [Torres Vedras], 1975; SALES, Ernesto Augusto Pereira de, Mirandela - Apontamentos históricos, vol. I, Bragança, 1978; TAVARES, Virgílio A. B., Conheça a nossa terra Mirandela, [Mirandela], 1996; Portugal económico, monumental e artístico. Concelho e vila de Mirandela. fasc. XXXIV, s.l., s.d.; VERDELHO, Pedro, Roteiro dos Castelos de Trás-os-Montes, Chaves, 2000.

Documentação Gráfica

DGPC: DGEMN:DREMN

Documentação Fotográfica

DGPC: DGEMN:DSID

Documentação Administrativa

DGPC: DGEMN:DSID, DGEMN:DRMN; CMM

Intervenção Realizada

DGEMN: 1957 / 1958 / 1968 - obras na zona protegida; CMM: 1991 / 2000 - obras de beneficiação do actual terraço do arco e das fachadas dos imóveis adossados, na face exterior da estrutura; 2000 / 2001 - reboco de partes do granito e substituição de algumas pedras; arranjo do pavimento e degraus.

Observações

*1 - Na suposição de Ernesto Sales, "A muralha, partindo da porta de Santo António em direcção norte, costeava pelo lado de fora a actual rua de São Cosme e as traseiras da Misericórdia, indo ter à porta de Santiago; daqui em curva até à Portela, onde se rasgava, voltada ao nascente, uma outra porta que deu o nome ao local; depois, continuando quase paralela à rua que dali vai para o Toural, obliquava para a direita desde as escadas do Quebra-Costas, seguindo pouco mais ou menos a rua do Rosário até ao postigo de São José; desde este ponto descrevia uma curva para ir alcançar a rua da Ponte, pela qual ia em linha recta até encontrar a porta de Santo António" (p. 49); o autor baseou-se no registo de alguns lanços da primitiva muralha encoberta pelas construções que junto a ela se fizeram, avançando com exemplos: na rua da Ponte, desde a Porta de Santo António para Sul, onde todos os prédios do lado nascente encostam as traseiras à muralha que lhes serve de suporte; a partir da porta de Santo António para norte, um lanço de muralha tem encostado um prédio; um outro lanço de muralha, ainda visível em 1874, no local onde depois se construiu, encostado a ela, um prédio com fachada para a estrada de Bragança; outro lanço oculto a servir de suporte às casas que, a nascente, bordam a Rua do Rosário desde ao pé da Portela até quase à Rua do Encontro (pp. 49 - 50). *2 - plausivelmente, a alcáçova e a torre de menagem, no ponto mais altaneiro do recinto murado, teriam barbacãs e ameias; a sua cerca teria três portas, Porta ou Arco de Santiago, Porta de Santo António e Portela, bem como um postigo (o Postigo de São José), além de uma provável porta da traição; as muralhas seriam feitas de alvenaria e argamassa, sendo somente parte das portas construídas com granito aparelhado, e possuiriam cubelos ou baluartes a reforçá-las (SALES, Ernesto, pp. 48 - 50 e 53).

Autor e Data

Ernesto Jana 1994 / Marisa Costa 2001

Actualização

 
 
 
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